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Capa do romance Minha Atrevida

Minha Atrevida

Nathifa é movida pela paixão e tem Armed, um amigo da família muito mais velho, como seu grande alvo. Embora ele a veja como uma criança, a jovem está decidida a derrubar as barreiras emocionais do homem que ama. Armed tenta resistir ao desejo proibido, temendo a diferença de idade e a reação do pai protetor dela. Entre tensões e uma conexão profunda, eles enfrentarão medos e julgamentos para descobrir se esse amor intenso superará todos os obstáculos.
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Capítulo 3

O som das tesouras e das vozes dos funcionários se misturava com o perfume leve de tecidos novos, recém-chegados da Itália. Eu estava no salão principal da loja de tecidos que pertence à minha família — e a ele.

Armed é sócio do meu pai há anos. Eles construíram aquele lugar juntos, peça por peça, rolo por rolo. E mesmo assim, a cada vez que ele entrava por aquela porta, o ambiente parecia se transformar.

Eu já estava ali quando ouvi a voz grave do meu pai chamando-o do fundo da loja para a reunião. Mas antes que Armed pudesse subir para o escritório, passou por mim.

Devagar.

Como se o tempo tivesse diminuído a velocidade só para nos provocar.

— Bom dia, Nathifa — disse ele, sem parar de andar.

Mas os olhos... ah, os olhos dele ficaram tempo demais nos meus.

Demais para ser apenas educação.

— Bom dia, Armed — respondi com um sorriso contido. — Que surpresa ver você por aqui tão cedo.

Ele parou por um segundo, como se não soubesse se devia dizer algo ou não.

— Temos reunião marcada — murmurou, evitando meu olhar. — Seu pai e eu precisamos revisar os contratos dos fornecedores novos.

— Ah, claro — murmurei, inclinando levemente a cabeça, fingindo naturalidade. — Está tudo bem lá em cima, já organizei os papéis que vocês vão precisar.

Ele assentiu, tenso, os olhos percorrendo meu rosto, e depois descendo rapidamente — como se o corpo dele o traísse antes que pudesse controlar o olhar.

Meu vestido era simples, discreto até. Mas o tecido moldava meu corpo de um jeito sutil. Eu sabia disso. E sabia que ele também sabia.

Armed respirou fundo, claramente se forçando a manter o controle.

— Está trabalhando com os tecidos novos? — perguntou, tentando soar casual.

— Sim. Chegaram hoje cedo. Os italianos são meus favoritos — respondi, pegando um rolo de seda azul-marinho e desenrolando alguns centímetros sobre a bancada. — Quer ver?

Ele hesitou, depois se aproximou.

Muito mais do que deveria.

Estendeu a mão para tocar a seda ao mesmo tempo que eu, e nossos dedos se encontraram.

Foi como tocar eletricidade.

Ficamos imóveis por um segundo, olhos nos olhos, pele na pele.

E naquele instante, ninguém mais existia na loja.

Ele foi o primeiro a recuar, cerrando a mandíbula e enfiando as mãos nos bolsos da calça.

— Cuidado, Nathifa — disse ele, baixo, rouco. — Você não tem ideia do que está fazendo.

Dei um passo em direção a ele. Só um. O suficiente para deixá-lo ainda mais tenso.

— Ah, Armed... eu tenho ideia sim. Tenho total consciência.

Ele fechou os olhos como se estivesse se segurando com todas as forças para não cruzar aquela linha. Quando abriu, havia algo escuro, intenso, escondido no fundo do olhar.

— Você devia subir. Meu pai está te esperando — falei, com um sorrisinho doce nos lábios.

Armed me olhou por mais um instante, como se estivesse prestes a explodir.

Mas virou-se sem dizer mais nada e subiu as escadas com passos firmes.

Fiquei ali, sentindo o toque da mão dele ainda queimando na minha.

Ele podia fingir.

Podia usar a desculpa dos negócios, da idade, do meu pai.

Mas eu já sabia.

Armed me desejava.

E não ia demorar para ele admitir isso também.

Fiquei parada por longos segundos depois que Armed subiu as escadas. Ainda sentia o calor do toque dele nas minhas mãos, como se tivesse sido marcado em brasa. Um toque breve, acidental — ou ao menos deveria ter sido —, mas que incendiou cada parte de mim.

Soltei um suspiro e tentei voltar para o que estava fazendo, mas a concentração havia me abandonado. Passei a mão no tecido com distração, observando o reflexo da luz sobre a seda azul-marinho que havíamos tocado juntos. Era como se aquele momento estivesse preso ali, entre as fibras delicadas, me lembrando do olhar dele, da tensão que havia em cada palavra não dita.

Meu coração ainda batia forte, acelerado, e minhas pernas estavam inquietas. Eu sabia que ele lutava contra o que sentia. Sabia que a razão dele gritava mais alto que o desejo. Mas por quanto tempo?

Peguei meu celular no bolso da calça e, sem pensar muito, abri a conversa com Rebeca. Eu precisava dividir aquilo com alguém. E só ela me entendia.

[Nathifa]:

Você não vai acreditar quem acabou de aparecer aqui na loja.

[Rebeca – Online]:

Armed?

Sorri com o jeito direto dela. Rebeca sempre me conhecia melhor do que qualquer outra pessoa.

[Nathifa]:

Ele veio para uma reunião com meu pai. Mas antes passou por mim. E amiga… ele me tocou.

[Rebeca]:

TOCOU COMO?

[Nathifa]:

Nossos dedos se encostaram quando estávamos mexendo nos tecidos. Foi rápido. Mas eu senti. Ele sentiu.

E o jeito que me olhou… Rebeca, ele tá no limite. Eu vi nos olhos dele.

[Rebeca]:

E ele falou alguma coisa?

[Nathifa]:

Disse que eu não tenho ideia do que estou fazendo.

[Rebeca]:

Ai, amiga… que homem.

[Nathifa]:

Mas eu respondi que sei exatamente o que estou fazendo. Ele ficou paralisado.

[Rebeca]:

TÁ CERTÍSSIMA!

Ele pode até fugir, mas uma hora vai ter que aceitar que quer você.

[Nathifa]:

Eu não vou desistir, Rebeca. Eu juro.

Ele tenta ser duro, tenta se afastar, mas eu vejo no olhar dele. Eu sinto.

[Rebeca]:

E eu te apoio 1000%.

Mas cuidado, tá? Vai com calma. Não deixa essa tensão explodir onde não deve kkkk

Ri sozinha da última mensagem e respirei fundo. Eu sabia que estava jogando um jogo perigoso, mas o que sentia por Armed ia além do desejo. Era amor. Antigo, enraizado, e agora envolto em fogo.

Guardei o celular de volta no bolso e voltei ao balcão. As funcionárias estavam ocupadas organizando os rolos, e tudo parecia em ordem. Fui até o fundo da loja e me olhei rapidamente no espelho decorativo que ficava próximo à sala de costura.

Meus olhos ainda estavam brilhando. Minhas bochechas, coradas.

Era como se o simples encontro com ele tivesse me deixado marcada.

Não sabia o que ele estava pensando agora, sentado ao lado do meu pai naquela sala cheia de papéis. Mas queria tanto ver seu rosto, seu olhar tenso, o jeito como ele apertava os punhos quando tentava resistir a mim. E mais do que isso… queria saber até onde ele aguentaria.

Será que ele ainda se achava forte o suficiente para me ignorar?

Mais tarde, quando ele saiu da sala do meu pai, ouvi sua voz no corredor. Meu corpo reagiu antes mesmo da minha mente processar. Me escondi discretamente entre os corredores de tecido, onde podia observá-lo sem ser vista de imediato.

Ele passou conversando com meu pai, sério como sempre, as mãos no bolso, a postura impecável. Mas quando olhou de relance para o salão e percebeu minha presença… seu olhar parou.

Pelo canto dos olhos, eu o vi me procurar. Vi o momento exato em que me encontrou ali, meio escondida.

E por um segundo — um único segundo — nossos olhares se cruzaram de novo.

E então… ele desviou.

Mas não foi como das outras vezes.

Dessa vez, ele não desviou por frieza.

Ele desviou porque tinha medo do que podia fazer se olhasse por mais um segundo.

Eu sorri.

Não era uma vitória. Ainda.

Mas era mais um passo.

Assim que ele saiu, peguei o celular de novo.

[Nathifa]:

Ele me viu de novo, Rebeca. Do jeito que olha… se eu chegasse perto, ele me agarrava. Tenho certeza.

[Rebeca]:

Você vai deixar ele chegar no limite, né?

[Nathifa]:

Eu vou fazer ele implorar.

[Rebeca]:

Ai, amiga… esse romance turco vai virar erupção vulcânica a qualquer momento.

Só me promete que quando ele ceder, você vai contar cada detalhe.

[Nathifa]:

Prometo. Até os mais quentes.

Guardei o celular, sentindo uma mistura de ansiedade, desejo e poder.

Eu podia sentir a energia entre nós crescendo, dia após dia. E sabia que o dia que ele parasse de fugir, o mundo ao nosso redor iria explodir.

E eu…

Eu estava pronta pra queimar com ele.

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