Capa do romance Minha Atrevida

Minha Atrevida

7.8 / 10.0
Em Minha Atrevida, Nathifa desafia a diferença de idade para conquistar Armed, o amigo da família. Este modern romance explora o conflito entre o desejo e o medo do julgamento paterno. Leia livros online grátis e descubra se essa paixão proibida vencerá as barreiras nesta romance novel.
Resumo de Minha Atrevida
Nathifa é movida pela paixão e tem Armed, um amigo da família muito mais velho, como seu grande alvo. Embora ele a veja como uma criança, a jovem está decidida a derrubar as barreiras emocionais do homem que ama. Armed tenta resistir ao desejo proibido, temendo a diferença de idade e a reação do pai protetor dela. Entre tensões e uma conexão profunda, eles enfrentarão medos e julgamentos para descobrir se esse amor intenso superará todos os obstáculos.
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Minha Atrevida Capítulo 1

O aroma doce do chá de maçã preenchia a varanda da casa dos meus pais, mas nada era mais viciante do que a presença dele. Armed. Meu coração disparava só de pensar nesse nome. Era como um feitiço que sussurrava no fundo da minha alma desde a adolescência. E agora, aos vinte e dois, eu não queria mais apenas sussurrar. Eu queria que ele ouvisse. Queria que ele sentisse.

Meus olhos o seguiam como se minha vida dependesse disso. Armed estava no jardim com meu pai, elegante como sempre, usando uma camisa branca dobrada nos cotovelos e calça escura. O sol do fim de tarde dourava sua pele morena e o deixava ainda mais… perigoso. Ele gesticulava enquanto falava com meu pai, sério, firme, imponente. Um homem de quarenta anos que exalava autoridade e respeito.

Mas quando ele olhou na minha direção — ainda que por um breve instante — senti tudo parar. Nossos olhares se cruzaram. E naquele segundo, tive certeza de que ele também me viu. Não apenas com os olhos, mas com o corpo inteiro. Meu peito arfou. O calor subiu pela minha pele. Então ele desviou. Como sempre fazia.

Engoli em seco e me virei, tentando disfarçar. A xícara entre meus dedos tremia levemente.

— Está na hora de parar com isso, Nathifa — minha mãe comentou, sem me olhar. — Seu pai pode perceber.

Eu sorri de canto, sem responder. Como se eu pudesse simplesmente parar. Como se fosse fácil arrancar do peito uma paixão que cresceu comigo, que se alimentou de cada gesto, cada silêncio, cada sorriso discreto que Armed me dava desde que eu era uma garota.

Ele era amigo da família. Uma figura constante nas nossas vidas. Sempre ali, sempre tão perto… e tão intocável.

Até agora.

Porque eu cresci.

E ele também notou.

Mais tarde, me olhei no espelho do quarto com calma, como se estivesse me preparando para uma batalha silenciosa. O jantar em casa teria poucos convidados, só gente próxima. E claro, ele estaria aqui. Sempre estava. Armed era quase um membro da família. Um conselheiro, um amigo de confiança, o homem que meu pai admirava.

Mas pra mim?

Ele era o homem que fazia minha pele arder com um simples olhar.

Escolhi um vestido vermelho de seda, justo o suficiente para marcar minha cintura e solto o suficiente para não parecer provocação explícita. Cabelos soltos, maquiagem leve, batom discreto. Mas meus olhos… ah, os olhos nunca mentem.

Quando desci as escadas e vi Armed conversando com minha mãe, algo mudou no ar. Ele me viu. E pela primeira vez, ele não disfarçou. Seus olhos correram por meu corpo com uma lentidão que fez meu coração parar por um instante. Vi quando ele engoliu seco. Vi o maxilar travar. Vi o fogo nos olhos dele.

Por dentro, eu tremia.

Por fora, eu sorria como se fosse apenas mais uma noite comum.

— Boa noite, Armed — falei quando me aproximei, deixando que minha voz saísse um pouco mais doce que o normal.

Ele demorou um segundo antes de responder.

— Boa noite, Nathifa. Você… está elegante esta noite.

Ele hesitou. Eu notei. E sorri de lado, me aproximando só o bastante para que apenas ele ouvisse:

— Que bom que notou.

E então passei por ele, deixando meu perfume no ar e a certeza de que eu não seria mais a menina invisível.

Não pra ele.

O salão estava iluminado por luzes amareladas que refletiam no lustre de cristal, lançando brilhos suaves pelas paredes antigas da casa. O cheiro de especiarias, carne assada e pão fresco se misturava ao som da música turca instrumental ao fundo, criando o cenário perfeito para um jantar em família. Mas meu foco não estava nos pratos servidos, nem nas conversas paralelas. Meu foco era ele. Sempre foi ele.

Armed sentou-se ao lado do meu pai, como de costume. Eu fiquei na outra ponta da mesa, em frente à minha mãe e com meus tios conversando sobre negócios. Mas entre uma colherada de sopa e um gole de vinho, meus olhos não paravam de buscá-lo. E mais de uma vez, eu o peguei me olhando também.

Mas ele sempre desviava. Sempre.

E isso só me deixava mais determinada.

Inclinei o corpo suavemente, ajeitando o cabelo para o lado enquanto passava a mão pelo pescoço. Senti o olhar dele sobre mim, mesmo sem vê-lo. O calor subiu, espalhando-se pelo meu colo, e um arrepio percorreu minhas costas. Ainda que estivéssemos cercados de gente, sentia como se houvesse um fio invisível entre nós. Um fio de tensão, de desejo contido, de algo prestes a explodir.

Durante o jantar, falei pouco. Apenas o necessário. Cada palavra minha era calculada para parecer leve, mas carregada de intenção. Uma vez, quando ri de uma piada do meu tio, olhei diretamente para Armed, deixando o sorriso repousar nos lábios por tempo suficiente para que ele notasse.

Ele percebeu.

E sua reação foi virar o rosto e beber o vinho de um só gole.

Isso me fez sorrir por dentro.

Estava funcionando.

Após o jantar, os convidados foram se espalhando pela sala. Meu pai e alguns tios acenderam os narguilés, minha mãe servia café turco com baklava. Eu me levantei com elegância e fui até a varanda. A brisa noturna era fresca, e o céu limpo exibia um mar de estrelas. Sentei-me no parapeito de pedra, cruzando as pernas lentamente, com um movimento quase teatral. Não demorou muito para ouvir os passos dele atrás de mim.

— Está esfriando, você devia entrar — disse ele, com a voz firme, mas baixa.

Não olhei de imediato. Continuei olhando para o céu.

— Gosto do frio. Ele me faz sentir mais viva — respondi, deixando as palavras dançarem na noite como um convite.

Armed se aproximou, mas não tanto. Parou a uma distância segura — ou pelo menos, que ele achava segura.

— Você está diferente, Nathifa.

Agora sim, virei o rosto e o encarei. Seus olhos estavam presos nos meus, e por um momento, nenhum de nós falou nada.

— Diferente como? — perguntei, arqueando uma sobrancelha.

Ele desviou o olhar, olhando para o jardim.

— Mais… mulher.

Meu coração parou. Ele disse. Ele notou.

Sorri de leve, me levantando com calma. Caminhei até ele, parando a poucos passos de distância.

— E isso é um problema? — sussurrei.

Ele ficou tenso. Eu vi. Os ombros rígidos, a respiração um pouco mais pesada.

— Sim, Nathifa. É um problema.

Aquela resposta deveria me afastar. Mas não. Aquilo só confirmou o que eu já sabia: ele estava lutando contra si mesmo.

— Porque sou filha do seu amigo? — insisti, com a voz ainda suave, mas com firmeza.

— Porque você é jovem, inocente... e merece alguém da sua idade, com planos semelhantes. — Ele não olhava nos meus olhos agora. — E porque seu pai confiaria a vida a mim. Eu não posso...

— Você não pode ou não quer?

Silêncio.

Dei mais um passo.

— Armed, eu não sou uma criança. E você não é apenas o amigo do meu pai. Você sabe disso. A forma como me olha... você sabe.

Ele voltou a me encarar. E naquele momento, eu vi.

A guerra nos olhos dele.

O conflito entre o desejo e a razão.

O impulso e a culpa.

— Não brinque com isso — ele disse, quase num sussurro.

— Eu não estou brincando.

Eu nunca brinquei com ele.

Armed passou a mão pelo cabelo, visivelmente desconfortável, e deu um passo para trás. Era o que ele sempre fazia: se afastava. Mas antes de virar as costas, ele olhou para mim mais uma vez. Dessa vez, sem desviar. E seus olhos estavam escuros como a noite. Cheios de algo que ele não conseguia mais esconder.

Desejo.

Eu fiquei ali, sozinha na varanda, sentindo meu corpo vibrar como se tivesse tocado fogo.

Porque eu sabia que a partir daquela noite, tudo havia mudado.

Ele podia fugir de mim, fugir de nós, mas não conseguiria apagar o que estava acontecendo.

E eu não desistiria.

Não agora.

Não depois de ver nos olhos dele a mesma fome que queimava em mim.

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