Capa do romance Nove meses de esperança

Nove meses de esperança

8.8 / 10.0
Em Nove meses de esperança, Daisy foge de uma traição após descobrir que o filho não era de seu parceiro. Nesta romance novel de gênero modern e lgbt, ela recomeça em uma nova cidade com seu amigo de infância, buscando estabilidade nesta ficção cativante para ler online.
Resumo de Nove meses de esperança
Traída e desolada, Daisy vê seu mundo desmoronar quando o namorado descobre que o bebê que ela carrega é fruto de um caso com o próprio amante dele. Sem saída e precisando recomeçar do zero, ela decide abandonar sua antiga vida e mudar de cidade. Em busca de cura e um novo propósito, ela conta com o apoio incondicional de um grande amigo de infância, com quem tentará reconstruir sua história e encontrar a esperança necessária para enfrentar a maternidade.
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Nove meses de esperança Capítulo 1

Daisy sempre acreditou que sua vida estava prestes a entrar em uma nova fase repleta de alegria e realização. Desde que descobriu que estava grávida, ela e Marcos tinham planos e sonhos alinhados, construindo um futuro juntos, ansiosos para a chegada do bebê que tanto desejavam. Para ela, tudo parecia perfeito: um relacionamento estável, o amor de Marcos e a esperança de uma família completa.

Mas, naquele fim de tarde nublado, a realidade lhe bateu de frente com uma força que ela jamais imaginara. Marcos, com os olhos cheios de raiva e decepção, entrou no pequeno apartamento onde ela morava, e o silêncio que se seguiu foi mais pesado do que qualquer grito ou acusação. Daisy sabia que algo havia mudado, e o medo apertava seu peito como nunca antes.

"Quem é ele, Daisy?" Marcos perguntou, sua voz firme, cortante como uma faca. "Quem é o homem que você escondeu de mim?"

Ela tentou manter a calma, mas as palavras começaram a falhar. Aquele momento que ela temia finalmente chegou. A verdade que ela tinha guardado por meses explodiu no ar, deixando a confissão inevitável.

"Eu... eu não queria te magoar, Marcos," ela disse, a voz trêmula. "Mas o bebê... não é seu."

O rosto de Marcos mudou instantaneamente. A raiva deu lugar à incredulidade, e depois a uma tristeza profunda que parecia corroer sua alma. Ele se afastou, segurando a cabeça com as mãos, tentando assimilar a traição que agora sabia ser real.

"Como você pôde, Daisy? Depois de tudo que passamos? Depois de todo o amor que eu pensei que sentíamos?"

Daisy sentiu o peso da culpa esmagar seu coração. Ela não tinha justificativas fáceis, apenas o desejo de explicar, de contar a história por trás daquilo tudo. Mas as palavras pareciam insuficientes diante da dor que ela mesma sentia.

A verdade era que, no fundo, Daisy se sentira perdida e solitária. Marcos estava cada vez mais distante, preocupado com o trabalho, com as próprias ambições, e ela buscara conforto em outro lugar. Não foi um erro planejado, mas sim um momento de fraqueza, de necessidade de se sentir amada e compreendida.

Porém, agora, diante da fúria e da tristeza de Marcos, ela sabia que tudo havia mudado para sempre. "Eu sinto muito," ela sussurrou, quase inaudível. "Eu não queria que fosse assim."

O silêncio voltou a tomar conta do apartamento. Marcos não sabia o que dizer, como reagir. Ele sentia que o chão sumia sob seus pés, e a ideia de uma família feliz, que antes parecia tão concreta, agora era apenas um sonho despedaçado.

Naquela noite, Marcos saiu sem olhar para trás. Daisy ficou sozinha, sentindo o vazio crescer dentro de si como um abismo sem fim. Ela chorou até não ter mais lágrimas, perguntando-se como poderia reconstruir sua vida a partir daquele momento.

Os dias seguintes foram um turbilhão de emoções. Daisy tentava ligar para Marcos, enviar mensagens, mas ele não atendia. O silêncio dele era uma sentença, um castigo que refletia a dor que ambos compartilhavam, mesmo que de formas diferentes.

Ela percebeu que não podia mais ficar ali, naquela cidade que agora lhe trazia apenas lembranças amargas. Precisava se afastar, recomeçar, encontrar um caminho onde pudesse ser mãe e mulher sem o peso constante da traição e do rancor.

Foi então que, em meio à confusão, ela pensou em Lucas. Seu amigo de infância, a pessoa que sempre esteve presente nos momentos mais difíceis, mesmo quando a vida parecia dura demais para suportar. Lucas, com seu sorriso tranquilo e seu jeito acolhedor, era um porto seguro que ela sabia que podia alcançar.

Daisy pegou o telefone e digitou o número dele com mãos trêmulas. Quando Lucas atendeu, sua voz calorosa trouxe um pouco de conforto.

"Lucas, eu... preciso de ajuda. Não sei mais o que fazer," ela falou, tentando segurar a emoção.

"Daisy, você sabe que pode contar comigo sempre. Venha para cá, o quanto antes. Você não está sozinha."

A decisão estava tomada. Era hora de virar a página, deixar para trás o que a machucava, e tentar construir uma nova história. Uma história onde o passado não fosse uma prisão, mas uma lição para seguir em frente.

Enquanto fazia as malas, Daisy sentiu um misto de medo e esperança. Temia o desconhecido, a mudança, a possibilidade de fracassar novamente. Mas também sabia que precisava daquela chance para respirar, para se reencontrar.

Na viagem para a nova cidade, ela olhava pela janela do ônibus, vendo as paisagens passarem como cenas de um filme que estava prestes a começar. A cada quilômetro, sentia o peso do passado ficando para trás, mesmo que ainda estivesse ali, latente em seu coração.

Ao chegar, Lucas a recebeu com um abraço firme e sincero, aquele abraço que dizia sem palavras que tudo ficaria bem. Daisy sentiu uma lágrima escorrer, mas dessa vez, era uma lágrima de alívio.

Nos dias que se seguiram, ela começou a organizar a nova rotina, a se adaptar ao ambiente diferente, e a aceitar que, apesar da dor, a vida continuava. O apoio de Lucas foi fundamental, não apenas como amigo, mas como alguém que acreditava nela, que via nela uma força que ela mesma ainda não reconhecia.

Daisy sabia que o caminho não seria fácil. O passado ainda batia à porta em forma de saudade, arrependimento e medo. Mas, naquele pequeno refúgio, ela começava a sentir que poderia reconstruir sua história, agora não mais como a mulher ferida pela traição, mas como uma mãe pronta para proteger seu filho, e uma mulher disposta a se redescobrir.

O futuro ainda era incerto, e o coração de Daisy batia forte, entre a dor do que passou e a esperança do que viria. Mas, pela primeira vez em muito tempo, ela sentia que não estava sozinha.

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