Capa do romance O amor de um Invisível

O amor de um Invisível

9.6 / 10.0
Iuri superou o bullying do passado para se tornar um CEO poderoso, mas nunca esqueceu a dona dos olhos violetas que o encantou na infância. Após ser humilhado por ela na escola, ele ressurge sete anos depois buscando vingança. Agora, sua antiga paixão é sua secretária e enfrenta a miséria após ser abandonada pela família. Entre o rancor e o desejo, Iuri planeja descartá-la após uma noite, enquanto ela luta desesperadamente por seu perdão e redenção.

O amor de um Invisível Capítulo 1

— Aya Millenis, você aceita Iuri Stevens como seu marido, para honrá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, prometendo fidelidade até que a morte os separe?

Sorriu diante da pergunta do pastor para ela, todos os olhares estão na gente. Minha noiva me olha com os olhos cheios de lágrimas, lágrimas de felicidade, um sorriso largo estampado em sua face e isso faz meu coração se aquecer de alegria. Nunca pensei que estaria vivendo esse momento, um sonho que pensei que nunca sairia de lá, do mundo dos sonhos, mundo que criei aos seis anos de idade.

Nunca imaginei que um dia, a minha casca de homem frio e pegador seria quebrado pela mesma mulher que me fez criá-la para me proteger das outras. Durante toda a minha vida fui apaixonado por apenas uma mulher, a mulher que segurou o meu mundo quando ele estava desabando, anos depois o destruiu e após mais alguns anos o reconstruiu novamente. Nossa história foi feita arduamente, mas no fundo eu sempre soube que era ela a mulher certa para minha vida, não importa quantas vezes eu tenha tentado recusar esses sentimentos e me negado a acreditar que as coisas poderiam ter sido diferentes.

Lembro de tudo o que passamos para estarmos aqui hoje. Das palavras dolorosas que nós dois ouvimos, ela de seus pais e eu dela. Mesmo eu estando destroçado pelas palavras dela, não fui capaz de deixá-la à mercê do mundo, então decidi me afastar e escondi tudo o que sentia por ela, até que voltamos a nos encontrar e eu fiz algo que me arrependo até hoje, porém, levarei isso ao túmulo comigo. Mas hoje nada disso importa. Quero fazer o meu melhor para nunca mais vê-la chorar de sofrimento novamente. Darei a ela o mundo.

— Eu, Aya Millenis, aceito Iuri Stevens como meu marido, prometo honrá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, e prometo fidelidade até que a morte nos separe.

Meu coração se enche de alegria, posso sentir as mãos trêmulas dela por dentro das luvas. Eu mais que ninguém sei o quanto ela é tímida.

— Iuri Stevens, você aceita Aya Millenis como sua esposa, para honrá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, prometendo fidelidade até que a morte os separe?

Um filme de tudo o que vivemos passa por meus olhos, a nossa história começou assim:

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~Prólogo~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

28/01/ 2006 - Nova York, Manhattan, Central Parck.

Fecho minhas pequenas mãos em formato de concha, elevo elas até minha boca e assopro dentro das duas, está tão frio que é possível ver o ar quente escapando por entre elas como um vapor branco. Uso luvas felpudas na cor azul escuro.

Caminho devagar pelo Parck, apesar de já ter seis anos, não tenho amigos para brincar na neve, ou para brincar de qualquer outra coisa.

Isso é triste, mas sempre quem vem falar comigo é apenas para rir de mim, nunca entendi o motivo e por isso eu não falo muito. Não entendo o porquê das crianças serem assim comigo, elas vivem me pregando peças bem maldosas em mim, elas podem ter pouca idade, mas já sabem como deixar outra criança com sentimento de exclusão e tristeza.

Minha mãe está conversando com uma amiga, as duas estão sentadas no banco, à alguns metros atrás de mim, a senhora Millenis parece ser bem gentil, ela não é de muitos sorrisos; conversei com ela apenas uma vez, minha mãe me contou que ela tem duas filhas e que a diferença de idade são entre nós é muito pouca, nunca as vi, elas chegaram primeiro no Park, e já tinham corrido para se divertirem juntas, e agora estou aqui, andando sozinho. Infelizmente não tenho nenhum irmão ou irmã, já pedi aos meus pais, mas minha mãe disse que não podia me dar um irmãozinho. Eu notei que ela ficou triste quando me disse isso, então nunca mais pedi, odeio ver minha mãe triste.

— Olha lá galera, o chorão! — o grito de Leandro entra por meus ouvidos, olho para ele que está vestido com seu casaco cor creme e sua touca e luvas de cor vermelha. Solto o ar pela boca, estou cansado disso, deixo minhas mãos caírem pesadas uma em cada lado do meu corpo.

— O gato comeu sua língua, foi ? — agora quem fala debochada é Suzana, com todas as suas roupas de cor rosa.

Prefiro não responder, apenas continuo andando fingindo que não é comigo que eles estão falando, um arrepio corre toda a minha espinha me fazendo parar de andar, sinto os resquícios de neve gelada na minha nuca, coloco minha mão nela e viro minha visão para Leandro que já está com outra bola de neve pronta em suas mãos.

— Sua mãe não te ensinou que é feio fazer os outros de cachorro? — indaga de forma cínica e joga a bola de neve em suas mãos, ela acerta em cheio meu rosto, por causa do impacto dou alguns passos para trás, mas não perco o equilíbrio.

— Vamos dar uma lição nele pessoal! — enuncia alto e começa a correr em minha direção junto com as outras crianças. 

Sou jogado no chão e sinto os chutes em minha barriga, o primeiro me fez perder o ar, me encolho e abraços meus joelhos a fim de me proteger nem que seja um pouco. Depois de alguns minutos eles finalmente cessam os golpes, escuto o som deles correndo; respiro aliviado. Me levanto e caminho até a árvore mais próxima, sento no chão branco por conta da neve, apoio meus braços sobre  meus joelhos e ali abaixo minha cabeça, sentindo uma tristeza enorme começo a chorar.

Eu tento ser forte, tento não me importar com o que fazem comigo, mas é muito difícil. Eu queria poder brincar, correr e gritar junto a todos, mas ninguém me quer por perto e isso me dói tanto.

— Olha mana, tem alguém triste lá — ouço uma voz suave, eu gostei da voz, mas não dou bola e continuo com o meu vazamento de água.

De repente as lágrimas cessam, sinto braços me rodearem em um quente abraço, levanto minha cabeça com a surpresa e me deparo com olhos meigos e sem maldade, nunca tinha visto olhos com essa cor, violeta, são extremamente lindos e também são os mais gentis que já vi em toda a minha vida. Minha atenção cai em sua boca que tem um sorriso enorme, noto que um de seus dentes está em falta, mas isso não impede dela ter um sorriso lindo.

— Não chora, as coisas vão melhorar — ela fala simpática, é como se ela soubesse que o meu mundo está desmoronando.

— Qual seu nome? — pergunto agora distraído daquela tristeza e hipnotizado por sua beleza. Anjo, é o que ela parece.

— Me chamo Aya, tenho cinco anos!  Olha — ela mostra os cinco dedos da sua mão para me dizer sua idade, tão fofa — Agora preciso ir, mamãe falou que não era para demorar, papai chega hoje em casa — ela dá um beijo em minha bochecha e correndo vai para longe, noto que mais uma menina corre ao seu lado, mas ela é um pouco maior que Aya.

Sinto meu coração se aquecer, jamais vou esquecer essa menina, sinto que foi um sinal de Deus me dizendo para não desistir, ainda existem pessoas boas no mundo. Espero poder vê-la de novo.

Agora, mais calmo, levanto do chão e bato minhas mãos sobre minha calça tirando o excesso da neve. Ando um pouco mais rápido e vou ao encontro de minha mãe, que sorri ao me ver aproximando.

— Uma pena meu filho, se tivesse chegado uns dois minutos mais cedo você teria conhecido as filhas da senhora Millenis, elas são muito fofinhas — minha mãe fala enquanto segura minha mão.

Não digo nada, e caminhamos até o carro. Em minha mente, a imagem dos olhos cor violeta de Aya novamente aparece, e isso me faz sorrir.

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