Capa do romance Contrato Com Meu Chefe Incapaz de Amar

Contrato Com Meu Chefe Incapaz de Amar

8.3 / 10.0
Samira sacrificou seus estudos pelo noivo, trabalhando ilegalmente no Canadá para sustentá-lo. Lá, tornou-se vice-presidente anônima de uma empresa. Ao retornar ao Brasil para revelar seu sucesso e se casar, descobre que foi traída e usada pelo homem que amava. Decidida a se vingar e retomar sua vida, ela aceita uma proposta inusitada de seu chefe: um casamento de fachada. Em meio a esse contrato com um homem incapaz de amar, ela finalmente encontra seu valor.

Contrato Com Meu Chefe Incapaz de Amar Capítulo 1

Samira Silva tinha vinte e seis anos quando embarcou no voo de volta ao Brasil, depois de oito anos vivendo como ilegal no Canadá. Voltava para assumir seu lugar como vice-presidente do Grupo Cavalcante e para se casar com Tarcísio, o homem com quem se comprometeu ainda muito jovem, antes de entender o peso real das escolhas que fez.

Durante todo o voo, não conseguiu dormir. O corpo estava cansado, mas a mente não desligava. A cada tentativa de fechar os olhos, imagens do passado vinham com força: decisões tomadas às pressas, sacrifícios que ninguém via, noites em claro, medo constante. Pensava no dia em que embarcou rumo ao Canadá, anos atrás, carregando uma mala simples, alguns sonhos grandes demais e a certeza ingênua de que tudo daria certo se ela se esforçasse o suficiente. Naquela época, jamais imaginou o tamanho da transformação que aquela decisão causaria em sua vida.

Samira ficou órfã muito cedo. Perdeu o pai e a mãe aos quatro anos, vítimas de um acidente que ela não lembrava com clareza, apenas com a sensação permanente de ausência. Cresceu com o avô, um homem rígido, já cansado da vida, que fez o que pôde dentro de suas limitações. Dinheiro sempre foi curto, carinho não. Ainda assim, Samira aprendeu cedo a ser responsável, silenciosa e focada.

Desde pequena, os estudos eram o seu refúgio. Estudar dava a ela a sensação de controle, como se o futuro estivesse, de alguma forma, em suas mãos. Foi essa dedicação que lhe garantiu uma bolsa no Colégio Society, uma das instituições particulares mais prestigiadas da cidade. Entrar ali foi uma conquista enorme, mas também o início de uma nova fase de dificuldades.

Ser bolsista naquele ambiente não era fácil. No fim do ensino fundamental, Samira enfrentava piadas constantes, olhares tortos e comentários maldosos. Não tinha os mesmos materiais, não frequentava os mesmos lugares, não vestia as mesmas marcas. Evelyn, sua melhor amiga, tentava defendê-la sempre que podia, mas Samira preferia ignorar. Não gostava de confusão. Acreditava que responder com boas notas era mais eficiente do que qualquer discussão.

Ela não queria provar nada a ninguém além de si mesma. Sabia que o estudo era a única ponte real entre a vida que tinha e a vida que desejava.

No ensino médio, a vida de Evelyn mudou completamente. Os pais se divorciaram, e a mãe decidiu se mudar para o Canadá em busca de um recomeço. Evelyn optou por concluir os estudos no Brasil, enquanto organizava a futura mudança. Foi nesse período turbulento que Samira começou a namorar Tarcísio.

Ele também era bolsista, filho de mãe solteira, criado com dificuldades parecidas com as dela. Essa semelhança os aproximou rápido. Tarcísio entendia suas inseguranças, suas limitações, seus medos. E Samira acreditava que ele era alguém com quem poderia construir algo sólido, justamente por virem do mesmo lugar.

Quando chegou o último ano do ensino médio, tudo parecia se mover ao mesmo tempo. Enquanto se preparavam para o vestibular, a mãe de Evelyn fez uma proposta inesperada: levar Samira para o Canadá. Ela havia conseguido um emprego para a jovem na mesma fábrica em que trabalhava e se ofereceu para pagar a passagem.

A proposta caiu como um terremoto em sua vida.

Samira havia passado no vestibular com bolsa integral para Engenharia de Petróleo e Gás. Era o curso que ela queria, o sonho que alimentou por anos. No mesmo dia em que recebeu a notícia da aprovação, Tarcísio a pediu em casamento.

- Vamos primeiro nos formar, não é algo para agora - disse ele, tentando soar maduro. - Mas não quero que você comece a faculdade sem ter um compromisso comigo.

Samira aceitou sem pensar muito. Namoravam havia dois anos, e ela sabia que Tarcísio era ciumento, inseguro. Não gostava que ela conversasse com outros rapazes. Ela entendia, até certo ponto. Eram dois jovens pobres em um colégio de elite. Ele tinha medo de perdê-la para alguém que pudesse oferecer mais.

Mas o destino não colaborou com os planos dele. Tarcísio não conseguiu bolsa para Administração. Continuou trabalhando como repositor em um supermercado, ganhando um salário mínimo que mal cobria as despesas da casa. O sonho da faculdade - e do casamento - começou a se afastar.

Na última semana de aulas, quando Samira foi à casa dele, a mãe de Tarcísio foi direta:

- Você sabe que ele não vai tentar de novo no próximo semestre. E, mesmo que tente, não vai conseguir. Pagar uma faculdade não é uma opção. Eu preciso do salário dele aqui em casa...

A conversa pesou no peito de Samira.

Quando ligou para Evelyn, que já havia encerrado as provas para viajar, ouviu uma resposta prática, quase dura:

- Suas passagens já estão pagas. Aqui, como operadora de máquinas, você vai ganhar cinco vezes mais do que ele ganha aí. Você sabe que pode pagar a faculdade dele e ainda juntar dinheiro para o casamento. Mas, pra isso, vai ter que abrir mão da sua formação. Da bolsa que você conquistou.

Samira ainda tentou ponderar:

- Se eu for, vou perder as três últimas provas do ensino médio...

Tarcísio não hesitou:

- Não seja apegada, Samira. Um diploma de ensino médio não vai te fazer falta no Canadá. Você só precisa dele para a bolsa. Se decidir ficar e estudar, vou ter que terminar o noivado. Eu mal consigo ajudar minha mãe. Não tenho como assumir uma família sem perspectiva de futuro.

Ela não demorou para decidir. Arrumou suas coisas, engoliu o medo e embarcou naquele avião.

No Canadá, Evelyn cuidou de tudo. Samira não pagava aluguel nem despesas do apartamento. A amiga bancava tudo com a mesada que recebia dos próprios pais. Samira precisava apenas cobrir seus gastos básicos.

Trinta dias depois, veio o golpe.

- Samira, sinto muito. Seu visto era de turista, e o pedido de permanência foi negado.

- Vou ter que voltar? - perguntou, em pânico.

- Não necessariamente. Mas, se ficar ilegal, você não vai poder estudar, ter emprego formal, abrir conta internacional, nem seguro-saúde. Se precisar de médico, vai pagar em dinheiro. E, se for pega, será deportada, sem direito de voltar ao Canadá ou aos Estados Unidos.

Mesmo com medo, Samira decidiu ficar. Não podia destruir o sonho que havia construído para ela e para Tarcísio. O que ganhava era pouco, mas suficiente para sobreviver e enviar algum dinheiro para ele.

Com receio de sair de casa, passava horas em chats e fóruns sobre petróleo. O tema a fascinava. Lia artigos, discutia processos, ajudava pessoas com dúvidas técnicas. Percebeu, aos poucos, que seus conselhos davam resultado.

Depois de três meses, Evelyn a provocou:

- Você precisa parar de dar isso de graça.

Foi assim que nasceu a consultoria. Como não podia registrá-la, criou um pseudônimo, abriu uma conta no Brasil e usava uma caixa postal para receber pagamentos.

Apaixonada por Agatha Christie, escolheu o nome Senhorita Poirot.

O sucesso veio rápido. A consultoria cresceu mais do que ela imaginava. E, seis meses depois de chegar ao Canadá, Samira recebeu uma mensagem que mudaria tudo: Gabriel Cavalcante queria falar com ela. Ele tinha um projeto ousado, promissor - e perigoso o suficiente para transformar sua vida para sempre.

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