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Capa do romance Aluga-se um padrinho (Livro 1)

Aluga-se um padrinho (Livro 1)

Dedicada ao trabalho, Helena vê sua rotina pacata ruir ao ser convidada para ser madrinha de casamento da prima. Sem poder recusar, ela enfrenta um dilema: encontrar um acompanhante em três meses para evitar humilhações familiares após uma traição dolorosa. No entanto, o destino a coloca diante de um CEO arrogante e mesquinho. Entre o trauma do passado e o temperamento difícil desse homem, a vida de Helena se torna um verdadeiro e emocionante caos.
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Capítulo 2

2 meses depois.

- Eu não acredito que você ainda está com essa ideia absurda de arrumar um namorado para o casamento da sua prima Helena. Para de ser boba, chame um amigo ou um de seus primos. -Brenda repreende pela quinquagésima vez.

-Você não entende. -Nego indignada. -Preciso provar que sou capaz, afinal eles vivem falando que depois da morte de Rafael me fechei para o mundo e além disso o traste do André estará na festa. -Massageio minhas têmporas na tentativa de amenizar a dor de cabeça que estava me matando.

-Provar? Você com essa história novamente. -Diz indignada. -Você não tem que provar nada para ninguém, nem para sua família e nem para o traste do André que te traiu, tem apenas que dizer a sua prima que não encontrou ninguém e ponto final.

-Poderia fazer isso, mas não vou. -Falo com convicção. -André brincou comigo de todas as formas possíveis sabendo que tentei dar uma chance a ele depois da morte de Rafael e ainda me traiu. Eu não queria, evitei até o ultimo, mas sua insistência me convenceu. Acreditei nele Brenda, me entreguei de corpo e alma e mesmo assim ele decidiu me deixar para ficar com a Bruna Andrades. -Comento chateada.

-O que você tem na cabeça garota? Você começou quatro relacionamentos em menos de dois meses, eles não duram nem uma semana direito. -Revira os olhos estressada. -Assim você só irá provar que é uma encalhada desesperada.

-Mas é exatamente isso que eu sou. -Sinto vontade de chorar diante das minhas frustrações. -Uma encalhada desesperada. -Afirmo. - Olha para mim, me sinto super mal.

-Você é linda garota, acorda. -Sinto um tapa forte na testa e apoio à mão na cabeça.

-Aí. -Reclamo.

-Não sei mais o que fazer com você. -Brenda suspira.

-Brenda isso tudo é tão decepcionante. –Confesso magoada. –Os homens que arrumei eram todos péssimos e interesseiros. -Suspiro cansada.

-Também, você mal conhecia eles e já falava em levá-los para uma festa que reuni todos os seus familiares, qualquer um se assustaria com tamanho desespero. –Cruza os braços irritada.

-Mas podia ser só por aparência né?! Será que eles não sabem fingir?

-Fingir Helena? Quando você diz a um homem que o levará em um casamento é como se estivesse assinando os votos matrimonias. Eles acham que você já está interessada em casar com eles, ter três filhos, cinco cachorros e nove gatos.

-Mas não é isso que eu quero. –Afirmo. –Nem me importo em não vê-los no dia seguinte. Eles apenas precisa fingir que são loucamente apaixonados por mim por uma noite, isso seria o suficiente. Será que é tão difícil? -Apoio a mão no rosto chateada.

-Amiga, isso só acontece em filmes a vida real é bem mais dolorosa. -Sua mão em meu ombro causa o efeito dramático que não me agrada.

-Obrigada por colaborar com minha queda a um precipício sem fim.

-Pelo amor de Deus, sai dessa vibe de baixo alto astral e depressão. -Estala os dedos em minha volta para tirar os maus espíritos.

-Como que eu tivesse com uma carga de negatividade extra. –Suspiro.

-Mais você está. –Ela quase grita e eu tenho vontade de esgana-la, pois estávamos dentro do fórum.

-Estamos no trabalho sua maluca.

-Ai para, estamos apenas enrolando e você sabe disso, já fizemos nossa parte aqui, está na hora de irmos almoçar naquele restaurante delicioso da esquina da treze perto do escritório.

-Realmente gosto da comida da Dona Filó. –Só de pensar no filé de frango grelhado no azeite com cebola, pimentão e tomate minha boca se enche d’agua.

-Então vamos logo. –Brenda enrosca seu braço no meu e seguimos para o meu carro conversando amenidades.

Acabamos deixando o assunto sobre o casamento de lado focando em assuntos aleatórios e de trabalho.

Almoçamos juntas e fazemos questão de elogiar a comida de Dona Filomena que era realmente divina, mas quando estou pagando a conta no caixa sinto o chão a baixo dos meus pés ceder.

A pessoa que eu menos queria ver na face dessa Terra entra de óculos de sol, camiseta regata roxa com desenhos escuros, cabelos negros jogados para o lado. André caminha com calma e eu queria me esconder atrás de qualquer coisa para evitar qualquer contato.

-André está logo atrás de você. -Comento entre dentes tentando me esconder atrás de Brenda, mas eu era mais alta que ela.

-Quem? –Ela sussurra perdida.

-O André. –Indico com a cabeça e logo ela se vira sem nenhuma delicadeza.

-A merda. –Pragueja tentando disfarçar, mas era tarde mais.

-Helena? –André praticamente grita meu nome.

Aceno discretamente e tenho vontade de me jogar de um penhasco.

-An...André. –Pigarreio disfarçando minha voz esganiçada e forço o sorriso em meus lábios. -Achei que ainda estivesse no Rio de Janeiro. -Comento.

-É aniversário do meu pai esse final de semana, então resolvi fazer uma surpresa para ele. -Sorri satisfeito.

-Mande meus parabéns para o senhor Marco Antônio. -Desejo de coração, pois realmente gostava dos seus familiares muito diferente do que sentia por ele.

-Pode deixar. Nossa, achei que daria tempo de tomar um café, mas estou atrasado. -Ele observa o relógio. -Tenho que ir atrás de um terno para o casamento da sua prima, Bruna está me esperando. –Sai com a maior naturalidade e cara de pau.

Eu não acredito que esse desgraçado realmente vai no casamento da Katia.

-Você vai arrumar um homem lindíssimo para esse casamento nem que seja a última coisa que eu faça na face dessa Terra ou eu não me chamo Brenda Soares dos Santos. -Ela esbofeteia o balcão do caixa em puro ódio.

-Desse jeito vai quebrar. -A observo assustada.

- Eu odeio esse garoto e você precisa esfregar na cara dele que já superou. Mal caráter de uma figa. –Brenda rosna.

-Vamos logo Brenda, temos que voltar para o fórum. –Suspiro tentando não focar em André ou surtaria.

Após pagar a conta saímos do restaurante e eu dirijo em direção ao fórum estressada. A raiva emanando de cada poro do meu corpo pela falta de escrúpulos e dignidade de André.

Era muita cara de pau me cumprimentar como se nada tivesse acontecido e a ainda citar Bruna como se não fosse nada.

-Você precisa se acalmar amiga. -Brenda afirma no banco do carona ao ver minhas mãos se apertarem no volante do carro tremula.

-Estou calma. -Rosno entre dentes.

-Não é o que parece. -Suspira.

-Você não tem noção da vontade que tenho de enfiar a mão na cara dele e esfregar a sua fuça no asfalto quente do meio dia. -Grito apertando o volante. -Fazer tudo o que eu deveria ter feito quando peguei ele beijando a vaca mal comida da Bruna. -Acerto um tapa no volante e solto um grito freando bruscamente ao ouvir um grande barulho e algo se chocar contra meu carro.

O desespero toma conta de mim ao ver um homem rolar por cima do capo derramando café por tudo enquanto sua cabeça livre de cabelos bate contra o vidro do carro trincando o mesmo e seu corpo rola novamente até o chão.

-O que você fez Helena? -Brenda grita em desespero.

-Eu matei um homem Jesus. -Agarro os cabelos.

Um alvoroço se forma ao nosso redor e eu desço do carro tremula e sem forças com medo de ver o homem estirado morto no chão.

-Liguem para ambulância. -Um senhor grita e o desespero que percorre meu corpo é tanto que minhas pernas falham ao ver sangue no chão.

-Eu matei o homem. -Começo a chorar tremendo enquanto algumas pessoas correm ao meu socorro.

Não consigo prestar a atenção no que estava havendo ao meu redor, só consigo observar o homem caído ao chão e o choro de Brenda ao meu lado. Após longos minutos que mais pareciam horas algumas sirenes se fazem presentes e quando vejo estou sendo levada para ambulância, enquanto alguns paramédicos recolhem o corpo do rapaz em uma maca.

As coisas ao meu redor passam no automático e os paramédicos fazem um rio de perguntas que respondo no automático.

-A pressão dela está baixa. –Ouço um deles afirmar distante e minhas vistas começam a escurecer até que tudo se apaga.

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