Capa do romance Casei com um CEO

Casei com um CEO

8.5 / 10.0
Luca Bertolini é um CEO pragmático que sempre evitou depender de terceiros. Contudo, a morte de seu pai o obriga a buscar apoio em Carina Leone, sua secretária, a quem ele sempre tratou com desdém. Carina superou um passado árduo e agora enfrenta um novo dilema que exige um milagre. Apesar da mútua antipatia e do histórico de grosserias, eles precisam decidir se superam as diferenças por uma necessidade comum. Em meio ao conflito, ambos podem encontrar o amor que ignoravam buscar.

Casei com um CEO Capítulo 1

Parte 1...

Eu estou cansado. Os últimos três meses foram bem cansativos, tanto fisicamente quanto emocionalmente.

Meu pai morreu.

Eu já esperava, afinal, ele vinha lutando contra um câncer há mais de um ano e era muito agressivo. Foi tomando todo o seu corpo com uma rapidez que até a equipe médica ficou surpresa.

Tentaram todos os tratamentos possíveis, mas infelizmente meu velho não resistiu. Acho que posso dizer que isso foi bom para ele, de certa forma.

É melhor morrer e se libertar, do que viver com dor e sofrimento por anos, sabendo que uma hora tudo vai acabar. Acho que foi melhor assim, ele ter morrido.

Apesar de nossas diferenças e problemas, eu o amava. Ele era meu pai e foi o único que ficou depois da separação. Minha mãe apenas sumiu no mundo com um amante. Não parou um minuto para pensar em mim, apenas seguiu sua vida e me largou na casa de meus avós.

Quando meu pai soube disso ele voltou para o Brasil às pressas, mas nada pode fazer diante do abandono de sua esposa.

Eu ainda me lembro muito bem da cara de tristeza dele ao ir me buscar na casa de meus avós, que muito sem jeito, não conseguiam explicar porque minha mãe havia feito isso com ele. E comigo.

Mas, é assim a vida. E agora eu tenho que continuar a minha.

Depois do meio-dia eu tenho que ir me encontrar com Roberto para acertar o testamento que meu pai deixou. Creio que deva ser algo rápido e depois posso seguir em frente.

** ** ** ** ** ** **

Eu nem sei se posso dizer o que sinto mais. Se é raiva ou se é surpresa pela leitura do testamento.

Eu queria xingar, mas seria inadequado que fizesse isso ali, no meio da reunião com outras pessoas presentes, inclusive minha prima Diana que me olhava com um sorriso descarado naquele rosto entupido de maquiagem.

Tudo bem, me segurei. Eu posso controlar minhas emoções. Aprendi desde pequeno. Continuei ouvindo a leitura enquanto Roberto explicava cada coisa descrita ali.

Eu sabia que meu pai tinha um testamento, só não sabia que ele tinha colocado também minha prima nele. E nem faz sentido.

Claro, eu sei que ele tinha uma boa relação com ela, mas não pensei que iria me colocar em uma situação dessa.

Respirei fundo e ajeitei minha postura na cadeira, olhando direto para Roberto. Depois que ele encerrou a leitura, esperei que os outros presentes saíssem da sala e marquei com ele um encontro sozinhos em minha cobertura.

Eu não vou aceitar essa decisão assim, sem tomar uma atitude séria.

** ** ** ** ** ** **

Mais tarde na cobertura...

— Eu não vou aceitar isso, Roberto. Não tem cabimento.

Entreguei a ele um copo com uísque e gelo. Agora posso falar com calma e sem me importar se alguém vai ouvir.

A varanda aqui da frente é muito boa. Ampla, com um conjunto de cadeiras muito confortáveis e uma vista excelente do mar à minha frente. Lá embaixo o barulho dos carros passando de um lado para outro.

Creio que em algum ponto da orla deva ter um show acontecendo, porque dá para ouvir o som de uma banda tocando.

— Está seguro de que não pode mudar essa parte do testamento? - questionei Roberto, provando um gole de minha bebida.

— Infelizmente para você, estou sim - ele balançou a cabeça assentindo — Já dei uma olhada de trás pra frente depois que vocês saíram da reunião... Não tem como mesmo.

— Porra... Isso é um absurdo!

Me senti roubado por meu próprio pai. Era até ridículo que eu tivesse que obedecer uma vontade tão absurda como essa.

— Bem, eu não sei exatamente o que seu pai queria, mas acho que tenho uma ideia - ele girou o copo devagar na mão.

— Sei... E pode me esclarecer, por favor?

— Está óbvio que essa sua vida de solteirão não agradava a Leandro - ele fez uma cara de desaprovação — Sabe que ele sempre foi um homem que acreditou muito no casamento e prezava a família.

Eu soltei o ar devagar, me sentindo levemente irritado com isso.

— Pois é... Era tão a favor do casamento que se tornou um boneco nas mãos de minha mãe e acabou sendo abandonado - eu torci a boca em descontentamento — Isso sem falar na humilhação que foi, ter sido traído mais de uma vez. Foi um fraco.

— Ele amava sua mãe, Luca.

Eu dei uma risadinha.

— E de que adiantou esse amor? - tomei um gole grande da bebida gelada — Minha mãe nunca soube valorizar nada do que meu pai fazia por ela.

— Bem, você pediu minha opinião e eu acho que é por aí - ele deu de ombros.

— Vai ver que ele estava fora da sanidade mental, devido a doença que o consumiu.

— Nada disso, Luca - ele balançou a cabeça — O seu pai estava bem lúcido quando fez o testamento. E existem testemunhas. Tudo foi feito de acordo com o que a lei prevê - ele apontou o dedo para mim — E não reclame, eu sei fazer meu trabalho muito bem.

Eu sei que ele é um excelente profissional, senão eu não o teria como meu advogado, além de amigo. Mas essa questão está ridícula.

— Roberto, minha prima não tem porquê ficar com essa parte da herança. Meu pai já deixou até mais do que ela merece - puxei o ar fundo — Isso foi um erro dele.

— Olha, eu sei que você tem razão. Eu também não vou muito com a cara da Diana, mas é algo que não posso mudar - ele gesticulou — Se você quiser ficar com a propriedade, vai ter que fazer o que manda o testamento de Leandro.

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