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Tarde Demais: A Perseguição Arrependida do Don

Noiva de Dante Vilar, o temido Dom de São Paulo, vivi sob a sombra de sua amante. Ele a instalou em meu lar e ignorou meu sofrimento, mesmo após ela me ferir gravemente. Dante priorizou a honra dela em guerras, enquanto me tratava como um objeto descartável. Cansada da humilhação e do descaso, decidi partir. Deixei para trás o anel e um bilhete de libertação. Agora, enquanto ele amarga o arrependimento e me procura, assumo enfim o controle do meu próprio destino.
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Capítulo 1

Eu estava sentada na cabeceira da mesa de mogno, as pesadas esmeraldas de herança em meu pescoço me marcando como a futura Rainha da Família.

Mas o homem ao meu lado — Dante Vilar, o Dom mais temido de São Paulo — tinha a mão possessivamente apoiada na coxa da mulher sentada à sua direita.

Ela não era sua noiva. Eu era.

A humilhação não parou no jantar. Dante a trouxe para morar na minha casa, transformou meu estúdio de dança no closet dela e, quando ela me empurrou escada abaixo, ele passou por cima do meu corpo quebrado para confortá-la, porque ela estava "abalada".

Ele começou uma guerra sangrenta entre gangues apenas para defender a honra dela, mas ignorou minhas ligações desesperadas avisando sobre uma emboscada.

Para ele, eu não era uma parceira. Eu era um móvel — um objeto que deveria ser silencioso e útil. Ele queimaria o mundo até as cinzas por ela, mas por mim, ele não pularia nem uma reunião.

Então, enquanto ele estava fora comemorando a vitória que conquistou por ela, eu não esperei que ele voltasse para casa.

Deixei o anel de noivado na lixeira ao lado do vaso sanitário.

Em sua mesa, deixei um único bilhete: "Eu te liberto do juramento. Espero que ela valha a guerra."

Quando ele percebeu seu erro e veio procurar por sua sombra, eu já tinha partido, pronta para me tornar a Rainha da minha própria vida.

Capítulo 1

Eu estava sentada na cabeceira da longa mesa de mogno, o peso das esmeraldas de herança em meu pescoço me marcando como a futura Rainha da Família. Mas o título parecia uma fantasia.

O homem ao meu lado — o Dom mais temido de São Paulo — tinha a mão possessivamente apoiada na coxa da mulher sentada à sua direita.

Ela não era sua noiva.

Eu era.

O lustre de cristal sobre nossas cabeças lançava uma luz fraturada sobre o serviço de jantar, iluminando a cena com uma clareza cruel. Dante Vilar, o homem que podia silenciar uma sala com um único olhar, estava inclinado, sussurrando algo no ouvido de Catalina.

Ela deu uma risadinha.

Era um som úmido, sem fôlego, que rangia contra o silêncio pesado da sala como uma lâmina serrilhada contra um osso.

Levantei minha taça de cristal e tomei um gole calculado de água. Minha mão não tremeu. Fui treinada para isso desde o nascimento. Como filha do Conselheiro, a compostura era minha armadura. Mas a armadura não impede os hematomas; apenas esconde o sangue.

Catalina deveria ser uma convidada. Uma testemunha protegida de uma disputa territorial rival. Essa era a história oficial. Mas convidados não se sentam à direita do Dom. Convidados não usam o paletó do Dom sobre os ombros porque o ar-condicionado está um pouco frio demais.

Dante não olhou para mim. Nenhuma vez. Ele estava ocupado demais cortando meticulosamente o bife de Catalina para ela, um gesto de intimidade que pertencia a mim.

Olhei ao redor da mesa. Meu pai, o Conselheiro, encarava resolutamente seu prato, o maxilar tão tenso que poderia quebrar. Os Capos se mexiam em seus assentos, trocando olhares que variavam de pena a diversão.

Todos eles viam. Toda a hierarquia do nosso mundo estava testemunhando minha humilhação, e Dante a orquestrava com a indiferença casual de um homem que acredita ser dono de tudo o que toca.

Inclusive de mim.

A memória do nosso juramento de sangue queimava em minha mente. Tínhamos dez anos. Ele cortou a palma da mão com um canivete, misturou seu sangue com o meu e jurou que incendiaria o mundo antes de deixar qualquer coisa me machucar.

Agora, era ele quem segurava o fósforo.

"Eliana", disse Dante, finalmente reconhecendo minha existência. Sua voz era profunda, um trovão que geralmente se acomodava calorosamente em meus ossos. Naquela noite, parecia apenas fria.

"Passe o sal."

Ele não levantou o olhar. Ele estava olhando para ela.

Estendi a mão para o saleiro de prata. Meus dedos roçaram na lã fina de sua manga. Ele se afastou instantaneamente, como se meu toque fosse uma invasão em seu momento privado com ela.

Aquele pequeno recuo me atingiu mais forte que uma bala.

Coloquei o sal perto dele, meus movimentos mecânicos. "Aqui, Dante."

Catalina sorriu para mim. Era uma coisa doce e venenosa. "Obrigada, Eliana. Você é tão prestativa. Como uma boa assistentezinha."

A mesa ficou mortalmente silenciosa.

Dante não a corrigiu. Ele não a lembrou de que eu era a futura mãe de seus herdeiros, a mulher que detinha os códigos do fundo fiduciário da família, a única pessoa que sabia onde os corpos estavam realmente enterrados.

Ele apenas riu. "Ela sabe o lugar dela, Cat."

Meu estômago se transformou em chumbo. Meu lugar.

Levantei-me. As pernas da cadeira rasparam ruidosamente no chão de mármore, um grito de madeira na pedra que ecoou pelo vasto salão.

"Algum problema?", perguntou Dante, seus olhos finalmente encontrando os meus. Eram escuros, vazios do calor que costumavam ter. Eram os olhos do Dom agora, não do menino com quem cresci.

"Não estou me sentindo bem", eu disse. Minha voz estava firme. Era uma mentira, mas nesta vida, a verdade era um risco. "Aproveitem a refeição."

Saí da sala de jantar, ombros para trás, queixo erguido. Senti os olhos deles em minhas costas. Senti o peso do colar de esmeraldas, pesado como uma algema em volta da minha garganta.

Fui direto para o quarto principal. O quarto dele. O quarto que eu deveria compartilhar com ele em três meses.

A chuva batia contra as janelas do chão ao teto, espelhando a tempestade que deveria estar rugindo dentro de mim. Mas eu me sentia estranhamente oca.

Fui até a penteadeira e encarei meu reflexo, mal reconhecendo a mulher que me olhava de volta. Abri o fecho do colar de esmeraldas. O metal estava frio contra minha pele.

Coloquei-o sobre a madeira escura de sua escrivaninha, bem ao lado de sua arma.

Era uma declaração. Uma carta de demissão escrita em gemas e ouro.

Lá embaixo, risadas explodiram. A risada dele. A risada dela.

Fui para o quarto de hóspedes no final do corredor e girei a fechadura com um clique definitivo. Eu não chorei. Lágrimas eram para pessoas que ainda tinham esperança a perder.

Eu não tinha nada.

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