Capa do romance Entre Amor e Ódio

Entre Amor e Ódio

8.5 / 10.0
Emily Bastos reconstruiu sua vida como uma advogada de elite no Rio, tentando esquecer Rodrigo Vieira, seu antigo amor. Porém, um confronto armado coloca o agora criminoso RD sangrando em seu caminho. O caos piora com a chegada de Matheus Albuquerque, um capitão implacável que Emily sempre odiou. Entre segredos e perigos, o trio se vê preso em uma teia de vingança e desejo, provando que paixões antigas podem ser fatais em uma cidade dominada pelo poder.

Entre Amor e Ódio Capítulo 1

A chuva caía forte sobre o Rio de Janeiro.

Daquelas chuvas que engolem a cidade inteira.

As luzes dos carros se espalhavam pelo asfalto molhado da Avenida Brasil como manchas vermelhas e douradas, enquanto sirenes cortavam a madrugada em algum ponto mais à frente.

Emily Bastos soltou o ar lentamente e apoiou a cabeça no volante do carro.

Exausta.

O salto machucava os seus pés.

Sua cabeça latejava.

E a única coisa que ela queria naquela noite era chegar em casa, tirar aquela droga de blazer e esquecer que o mundo existia por algumas horas.

Mas o Rio nunca deixava ninguém esquecer.

Principalmente pessoas como ela.

Seu celular vibrou no banco ao lado.

Pai

Emily encarou a tela por dois segundos.

Depois virou o aparelho com a tela para baixo.

Ignorando.

De novo.

Ela já tinha passado o dia inteiro ouvindo homens poderosos tentando controlar cada detalhe da própria vida.

Não estava com paciência para Augusto Bastos naquela noite.

Lá fora, policiais armados cercavam carros enquanto uma blitz fechava metade da avenida.

Helicóptero.

Luzes.

Armas.

Gritos.

Tudo parecia caótico demais.

Emily passou os dedos cansados pelos cabelos e encarou o trânsito parado à frente.

Foi quando ouviu o motor.

Alto.

Violento.

Errado.

Uma moto surgiu cortando os carros em alta velocidade.

Rápida demais.

Perigosa demais.

Os policiais começaram a gritar imediatamente.

— FECHA A PISTA!

— AGORA!

Emily rapidamente se endireitou no banco.

O helicóptero iluminou a avenida.

A moto avançou entre os carros como um vulto negro.

E então ela viu um homem entrar no meio da pista.

Com a arma em punho.

Imóvel.

Frio.

Assustadoramente calmo.

O disparo atravessou a madrugada.

O pneu da moto explodiu.

Tudo aconteceu rápido demais.

A moto perdeu o controle violentamente.

Metal raspando no asfalto.

Faíscas.

Gritos.

O corpo do piloto deslizou pela pista molhada até bater próximo à mureta de proteção.

E então…

silêncio.

Emily sentiu o coração disparar.

Sem pensar, abriu a porta do carro.

— Senhora! Volta pro veículo!

Ela ignorou.

A chuva gelada atingiu seu rosto imediatamente enquanto corria em direção ao homem caído.

Os saltos escorregavam no asfalto molhado.

Mesmo assim, ela continuou.

Porque alguma coisa dentro dela já estava errada antes mesmo de chegar perto.

Emily caiu de joelhos ao lado do motociclista.

O capacete estava rachado.

Havia sangue escorrendo pelo canto da boca dele.

Ela segurou o braço dele imediatamente.

Quente.

Forte.

Familiar.

— Ei… olha pra mim… você consegue me ouvir?

O homem soltou um gemido baixo.

Depois virou lentamente o rosto.

E o mundo dela simplesmente parou.

Não.

Não podia ser.

O ar desapareceu dos pulmões dela na mesma hora.

Porque aqueles olhos…

ela conhecia bem.

Conheceria em qualquer lugar do mundo.

Mesmo depois de anos.

Mesmo depois de toda dor.

— …Ro drigo?

O nome saiu quebrado.

Fraco.

Como se o próprio corpo dela não acreditasse.

Os olhos dele focaram nela aos poucos.

E então ele sorriu.

Mesmo machucado.

Mesmo sangrando.

O mesmo sorriso torto que um dia fez Emily acreditar que o amor podia destruir uma pessoa… e ainda assim valer a pena.

— Caralho… — a voz rouca atravessou ela inteira — …tu continua correndo direto pro problema, princesa.

O coração dela apertou violentamente.

Porque nenhuma parte sua tinha conseguido esquecer aquele garoto.

Nem a voz.

Nem o sorriso.

Nem o jeito irresponsável que fazia ela se sentir viva.

Emily sentiu o coração disparar de um jeito que não acontecia há muito tempo.

Um jeito perigoso.

Doloroso.

Familiar.

Porque algumas pessoas podem desaparecer da nossa vida.

Mas nunca desaparecem completamente da nossa alma.

Emily passou a mão nervosa pelo rosto dele.

— Você tá sangrando.

Rodrigo soltou uma risada fraca.

— Tu continua linda quando tá preocupada comigo.

Mas não se preocupa eu já estive pior.

— Cala a boca.

Mas a voz dela falhou.

Porque olhar pra ele daquele jeito…

quase parecia voltar no tempo.

Quase parecia adolescência.

Quase parecia antes de tudo desmoronar entre eles.

— Claro que já esteve pior. — uma voz surgiu atrás dela. — Porque você nunca soube a hora de parar.

O corpo inteiro de Emily travou.

Não.

Não pode ser ele.

Ela virou lentamente.

E encontrou Matheus Albuquerque parado atrás dos dois.

A chuva escorria lentamente pelo rosto dele.

Camisa preta colada no corpo.

Arma ainda na mão.

Olhar frio.

Pesado.

Familiar demais.

Só que agora…

muito mais homem do que ela lembrava.

Muito mais perigoso.

E o pior?

Emily odiou perceber que o coração dela acelerou de novo quando olhou para ele.

Droga.

Rodrigo cuspiu sangue no asfalto e começou a rir.

Mesmo machucado.

Mesmo ferrado.

— Eu sabia. — murmurou rouco. — Tu ainda entra nas cenas parecendo protagonista de filme ruim.

O maxilar de Matheus travou imediatamente.

— Você atravessou uma blitz armado numa moto roubada.

Rodrigo sorriu de lado.

— E mesmo assim tu atirou no pneu.

Nunca soube perder, né?

Emily olhou de um para o outro sem conseguir respirar direito.

Porque aquilo não parecia conversa entre inimigos.

Parecia pior.

Parecia intimidade.

Passado.

Anos de amizade escondidos dentro de provocações que só os dois entendiam.

Matheus se aproximou devagar.

Os olhos indo primeiro para Rodrigo.

Depois parando nela.

E Emily odiou o jeito que ele ainda olhava daquele jeito.

Como se sempre estivesse tentando descobrir alguma coisa dentro dela.

— Levanta, Emily.

A voz saiu baixa.

Controlada.

Mas não era um pedido.

Nunca era.

Emily ergueu o rosto imediatamente.

— Continua mandando nas pessoas como se fosse dono do mundo?

O olhar dele encontrou o dela.

Frio.

Irritantemente firme.

— E você continua correndo direto pro problema.

Emily soltou uma risada sem humor.

— Talvez o problema me siga.

Rodrigo começou a rir no chão.

— Meu Deus… vocês ainda brigam igual casal divorciado.

— Cala a boca, Rodrigo. — os dois responderam juntos.

Silêncio.

Rodrigo começou a gargalhar mesmo sentindo dor.

E Emily odiou perceber que quase teve vontade de rir também.

Meu Deus.

Nada tinha mudado.

Era isso que assustava.

Os três ali outra vez.

Como anos atrás.

Rodrigo no meio.

Matheus implicando com ela.

Ela irritada com Matheus.

E aquela tensão estranha que sempre existia entre os dois mesmo quando fingiam se odiar.

Matheus abaixou lentamente a arma.

Mas continuou olhando para Rodrigo.

— Você tá ferrando tua vida de novo.

Rodrigo apoiou a cabeça na pista molhada e riu cansado.

— E tu continua tentando salvar todo mundo como se fosse teu trabalho.

— Porque alguém precisa pensar nessa merda.

— Tu sempre foi chato assim ou a farda piorou?

Emily observava os dois em silêncio.

E aquilo doeu mais do que deveria.

Porque ouvir eles daquele jeito…

quase parecia casa.

Quase parecia juventude.

Quase parecia antes do mundo separar os três.

Mas então Matheus falou:

— Ele tá metido com gente muito pior do que você imagina.

Emily olhou imediatamente para Rodrigo.

— O que ele quer dizer com isso?

Rodrigo sustentou o olhar dela por alguns segundos.

E pela primeira vez…

o sorriso dele enfraqueceu.

Só um pouco.

Mas ela percebeu.

Sempre percebia.

— Longa história, princesa.

O coração dela apertou.

Porque naquele instante…

Emily percebeu uma coisa terrível:

ela não fazia ideia de quem Rodrigo tinha se tornado.

Mas antes que pudesse perguntar qualquer coisa

o celular de Matheus começou a tocar.

Ele atendeu sem desviar os olhos de Rodrigo.

Silêncio.

Então o rosto dele mudou.

Frio.

Muito frio.

Emily sentiu o estômago apertar imediatamente.

— Entendi. — Matheus falou baixo.

Desligou.

Depois olhou diretamente para Rodrigo.

E dessa vez…

não havia ironia.

Nem provocação.

Só tensão.

Pesada.

Perigosa.

— A gente precisa sair daqui agora.

Emily franziu a testa.

— O quê?

Mas Matheus não respondeu.

Porque naquele mesmo instante…

o helicóptero da polícia iluminou o outro lado da avenida.

E vários homens armados começaram a surgir entre os carros parados.

Homens que definitivamente…

não eram policiais.

Rodrigo perdeu o sorriso na mesma hora.

E foi exatamente aí que Emily percebeu:

aquilo não era uma simples blitz.

Eles estavam sendo caçados.

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