Capa do romance Marcel -  Rendida pelo Traficante

Marcel - Rendida pelo Traficante

9.1 / 10.0
Lorena tem sua rotina destruída ao encontrar um invasor em seu lar. O incidente termina no sequestro de sua melhor amiga, forçando Josie a aceitar um acordo perigoso. Para resgatá-la de um inimigo misterioso, ela deve servir ao criminoso que invadiu sua vida. No entanto, ao investigar as motivações do crime, Josie se envolve profundamente com o sedutor traficante Santiago, mergulhando em um submundo sombrio e sem retorno, onde o perigo e o desejo se misturam.

Marcel - Rendida pelo Traficante Capítulo 1

Lorena

Após doze horas exaustivas trabalhando no drive thru, tudo o que eu queria era chegar em casa o mais rápido possível. A exaustão pesava nos meus ombros, e a única coisa que preenchia meus pensamentos era a perspectiva de um banho quente revigorante. A fome apertava, então planejava preparar um simples macarrão instantâneo, que seria degustado na maciez reconfortante da minha cama.

Seria o fim de noite perfeito, se não fosse um pequeno detalhe que mudaria tudo.

Franzo o cenho quando encontro a porta do apartamento encostada, a empurro lentamente, notando um rastro de pequenos pingos de sangue que, passavam pelo hall e seguiam em direção da escada.

Luíza. O nome da minha melhor amiga, vem em minha mente instantaneamente, imaginando que talvez tivesse sofrido um assalto ou algo parecido.

Acreditando que poderia estar ferida no segundo andar, ando em passos largos, subindo os degraus da escada rapidamente. Os pingos de sangue continuam, deixando manchas no carpete claro e por um momento, uma breve imagem se forma em minha mente, onde esfregava com força cada mancha.

~ Luíza? ~ Chamo quando paro no topo da escada, encontrando o quarto dela no escuro, diferente do meu, cuja luz do banheiro iluminava o cômodo.

Meus olhos vagam pela minha cama arrumada pela manhã, a pilha de livros sob a escrivaninha junto com papéis. Estava tudo como havia deixado naquela manhã, concluí, a medida que me aproximava da porta entre aberta, a luz amarelada reluzindo uma poça média de sangue no chão e mais um pouco no lavatório branco. Mas algo dentro de mim se alarmou, talvez os pelos eriçados do meu braço ou o frio na espinha, algo me dizia para sair dali o mais rápido possível e ligar para a polícia.

Entretanto, ao dar alguns passos para trás, meu corpo esbarra em outro e algo metálico pressiona a lateral do meu corpo. Mal consigo respirar, meus olhos se arregalam e minhas mãos começam a suar.

~ Se gritar, atiro em você. Se tentar correr... ~ Uma voz masculina chega em meus ouvidos ~ , atiro em você. Entendeu? ~ Abro e fecho minha boca, sem conseguir dizer nenhuma palavra. Suor se acumulava em minha testa e meu corpo começava a tremer ~ Entendeu?! ~ Ele pressiona ainda mais a arma contra a minha costela.

~ Entendi! ~ digo abruptamente, quase em pânico.

Tinha um assaltante na minha casa e não sabia como dizer a ele que não tinha dinheiro, muito menos alguma coisa de valor que pudesse levar.

E se ele tivesse feito alguma coisa com a Luíza?

E se ela estava naquele momento morta no meu banheiro?!

Me obrigo a respirar pela boca, quando o homem atrás de mim e para na minha frente. Pela fresta de luz que saia do banheiro, pude notar que era mais alto que eu, enquanto mantinha uma das mãos pressionando o abdomên.

Seus olhos brilhavam na pouca luz, estavam fixos em mim, a medida que mantinha os lábios em uma linha reta.

~ Cadê... cadê a Luíza? ~ Finalmente encontro a minha voz e a mesma soa entre cortada.

Não tinha ideia de como havia conseguido falar, as batidas do meu coração haviam se tornado dolorosas e o ar começava a queimar os meus pulmões por alguma razão.

Ele franze o cenho, sem mover um músculo.

~ Não faço ideia de que porra está falando ~ diz sério.

Meu queixo treme, meus olhos se enchem de lágrimas e só conseguido pensar em Luíza morta dentro da banheira e coberta de sangue.

~ Ela está morta, não é? ~ digo entre dentes, cerrando meus punhos que tremiam.

Um breve silêncio se instala, até que ele suspira.

~ Preciso de ajuda.

~ O quê? ~ digo baixo.

Ele inspira o ar, dando um passo na minha direção.

~ Preciso que me ajude.

Mas o que estava acontecendo ali? Ele invadiu minha casa para pedir ajuda?!

~ Talvez seja melhor procurar alguém que... possa realmente ajudar...

~ Não! ~ Ele me interrompe abruptamente ~ Quero que você me ajude ~ A arma pressiona um pouco mais a minha costela.

~ Está bem. Eu entendi! ~ As palavras pulam para fora da minha boca ~ No que quer ajuda?

Ele abre mais a porta, sujando-a com sangue, permitindo dessa forma que percebesse o que estava acontecendo ali. Ele estava ferido, na camiseta social clara havia uma grande mancha vermelha, que grudava o tecido em sua pele; Me senti um pouco aliviada em saber que todo o rastro de sangue parecia não ser de Luíza, o que dava uma esperança de que estava bem mas, me senti apreensiva em analisar melhor a situação.

Havia um homem ferido em minha frente e não tinha ideia de como ajudá-lo.

~ Você faz enfermagem, não é?

~ Como você...? ~ Me interrompo surpresa, olhando-o descrente.

~ Os livros ~ Ele olha em direção da escrivaninha ~ Eu vi os livros. Claro, penso.

~ É. Ainda falta alguns meses para me formar...

~ Sabe costurar, não sabe?

Engulo em seco, já percebendo aonde aquela conversa iria parar.

~ Aprendi a suturar.

~ Ótimo ~ Ele anda em direção da cama, sentando na beirada ~ Então me sutura ~ Ele ergue a camiseta com dificuldade, deixando a mostra uma perfuração de bala e aparentemente uma de faca. Franzo o cenho, abrindo a boca em choque, tentando deduzir por um segundo no que ele havia se metido.

Fechando meus olhos por um momento, inspiro o ar o mais profundo que consigo, antes de girar meus calcanhares e entrar no banheiro, evito pisar na poça de sangue, tentando não prestar atenção nas marcas de dedos que ele havia deixado pelo banheiro, inclusive no kit de primeiros-socorros.

Volto para o quarto pouco tempo depois com o kit, me ajoelhando entre as pernas dele, sentindo seus olhos em mim, enquanto me preparava para suturar uma pessoa viva pela primeira vez e com poucos recursos.

~ ... não tenho anestesia, acho que não...

~ Só sutura ~ diz ele entre dentes, quase em um rosnado.

Troco um breve olhar com ele, minha mão tremendo levemente quando aproximei a agulha da pele.

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