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Capa do romance ROMANCE DE CEMITÉRIO // Contos Bradockianos //

ROMANCE DE CEMITÉRIO // Contos Bradockianos //

É possível encontrar uma paixão verdadeira em meio às lápides frias? Romance de Cemitério revela que a vida floresce até onde o fim parece absoluto. Nesta obra do Universo Bradockiano, o amor e a morte caminham entrelaçados em uma narrativa que desafia a escuridão. Explore como sentimentos intensos surgem na Cidade dos Pés Juntos, provando que o coração não para diante do luto. Seja bem-vindo a um conto onde o romance e o horror se fundem de forma única.
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Capítulo 2

Contos Bradockianos

Chovia bastante por aquela localidade nas terras de Limbonópolis, o Pedro Pompeu estava perdido debaixo daquela barriga d’água, completamente desorientado, pois ele havia chegado naquelas terras Limbonianas recentemente. A chuva castigava com relâmpagos e trovões, mas em meio ao aguaceiro aquele certo poeta errante avista um clarear a uma boa distancia. Era uma pequena casa com um imenso jardim totalmente tomado por uma névoa densa e um candeeiro bem em cima de uma pequena porta de madeira, já sem cor alguma. O andarilho Pompeu se aproxima e bate palmas bem ao pé de um imenso portão de ferro em um avançadíssimo estado de oxidação (ferrugem). Ninguém o atende, logo Pompeu observa um pequeno sino localizado no alto do portão, ele toca por três vezes o tal sino e o velho portão vai ao chão. Pompeu não pensa duas vezes e segue por entre aquela névoa constante do jardim em direção a uma minúscula casa bem recuada nos fundos daquele imenso local. Pompeu olha no seu relógio que marcava precisamente 00h15min, ele bate por três vezes em um velho postigo até que a velha porta vem a se abrir, uma voz grave chega aos ouvidos do poeta Pompeu:

-Pode adentrar, seja bem vindo, caro andarilho poeta!

Pompeu dá alguns passos a gente e entra na casa. Quem o recebe é o dono da mesma, Chico

“Chaminé”, ele era uma pessoa bastante ímpar, gostava de andar sempre na companhia de sua pá, não a soltava por nada. A mais de uma semana Chico Chaminé cavava sem descanso várias covas por todo aquele jardim impossível de ser contemplado por tamanho nevoeiro que se formara sobre aquelas terras e agora ele descansava em sua sala fumando um longo charuto.

- Como o senhor descobriu quem sou e que também sou errante? – pergunta desconfiado o poeta Pompeu.

- As coisas por aqui correm depressa meu caro rapaz! Principalmente quando se trata de um forasteiro. Tudo aqui em Limbonópolis tem ouvidos! Háháhá! – gargalha profundamente o estranho ser.

- Me chamam de Chico Chaminé. Como é o seu nome e de onde vens exatamente? – pergunta o homem.

- Me chamo Pedro Pompeu e venho de todos os lugares e ao mesmo tempo de lugar nenhum. E assim estou aqui. – responde filosoficamente o poeta Pompeu.

- Bom! És de fato um poeta pensador. Seja bem vindo a sala da minha humilde residência! Pode se acomodar por aí mesmo, até este temporal passar. – comenta o Chaminé.

Os dois conversam, Pompeu se acomoda em uma rústica cadeira de madeira e logo alguém chega batendo por três vezes no postigo da velha porta. O Chico sabe logo de quem se trata.

- É a Valkíria! Só pode ser, pois ninguém bate como ela. – afirma ao jovem poeta Chaminé.

- Pode adentrar! – a peculiar figura empurra a porta e entra.

Era mesmo a Valkíria, a noiva virgem que conservara a sua virgindade como uma perversão. Ela os cumprimenta:

- Boa noite senhores! – os dois também a cumprimentam.

- Boa!

Valkíria também se acomoda no interior da pequenina sala, em seguida puxa uma pequena cigarrilha prateada com cigarros compridos e põe fogo em um, enquanto papeia com as duas companhias masculinas. Novamente a velha porta se fez ouvir com três novas batidas. Um nevoeiro começa a entrar pelas frestas daquela arcaica porta.

- Quem pode ser? – indaga Pompeu.

- Não sei ao certo. – e completa – Mas vamos descobrir. Creio que quem seja não é estranho. – retruca o Chaminé.

Mas no fundo o Chaminé também sabia quem era a bater em seu postigo àquelas horas.

- Entre, já está aberta! – exclama com uma voz firme o Chico Chaminé.

A porta novamente abre-se, agora se tratava do velho Messião, um conhecido profeta de barbas longas esbranquiçadas, face cadavérica e um grande cajado no qual ele se apoiava sobre aquelas terras Limbonianas. Não diferente das outras três companhias, ele se acomoda na certa sala, também puxa um cigarro e começa a fumar. Logo, o tal cigarro começa a exalar um odor fortíssimo e todos dentro da sala começam a tossir, pois aquele cigarro do velho Messião era um cigarro de pacaia, boró. A noiva Valkíria logo protesta.

- Que fedor!

Mas o velho nada diz, apenas a fumar o seu pacaia fechado em seu próprio mundo. Todos conversam, menos o velho profeta que fuma sem sessar. Não demora e o velho exclama:

- Alguém mais irá chegar.

Todos nesta hora se perguntam quem mais está pra chegar. Nem mesmo o Chico sabe quem irá lhes fazer companhia naquele momento. E a sala aguarda. Novamente a porta se fez escutar, um vento frio sopra com tanta força de encontro a velha e surrada porta que a mesma chega a chacoalhar em meio ao forte apitar do próprio vento. Coincidentemente três batidas são escutadas.

- Bá, bá, baá! – o Chaminé pergunta:

- Quem bate? – uma voz ainda do lado de fora responde.

- É a lei!

- Pode adentrar! – responde Chico.

Mais uma vez aquela arcaica porta se abre. Era um homem com trajes militares, pele negra, corpo robusto e uma imensa barriga dilatada. Era o soldado “Tião Preto”. Ele não diferente do restante rapidamente se acomoda em mais uma das velhas cadeiras de madeira puxando do seu bolso um enorme cigarro de canabis sativa (uma verdadeira estaca, no dialeto dos apreciadores) e põe fogo. Alguns minutos depois todos dentro da sala estavam doidões, não por terem fumado do tal cigarro e sim por pura tabela, inclusive o poeta errante Pedro Pompeu que não acredita no que ver.

“Como pode um representante da subverter a própria lei fumando tal cigarro proibido? Ah! São coisas desta complexa e hipócrita sociedade!” – pensa com seus botões o poeta Pompeu.

Pela segunda vez o velho Messião se pronuncia:

- Uma última pessoa ainda hoje virá nos visitar e quando todo mundo sair ela irá ficar. – todos que neste momento se encontravam na sala a conversar, após esta profecia se calaram.

Havia um enorme relógio na parede da sala que marcava as horas ao contrário. Ninguém ali presente sabia decifrar as horas do estranho relógio cuco, apenas o próprio Chaminé. Pompeu lhe pergunta as horas. Chaminé dá uma rápida olhada e lhe diz:

- São 02h30min. – Pompeu lhe agradece e não se contentando olha sorrateiramente em seu próprio relógio que marcava 02h29min. A chuva já dava sinais de estiagem, porém ainda assim se fazia escutar sobre as telhas daquele velho cubículo. Um golpe de ar invade a sala onde todos conversavam menos o velho profeta que já estava no seu terceiro cigarro de pacaia.

- Bá, bá, bá!!!! – pela enésima vez o arcaico postigo se fez escutar.

- Pode entrar, está aberta! – exclama o Chaminé.

Então a pequena porta abre-se. O Pompeu fica deslumbrado com tal visão. Era um homem de pele branca, um pouco rosada, medindo aproximadamente 1m95cm, trajando um hábito negro que chegava a seus tornozelos, um grande cordão de ouro com um crucifixo invertido. Era o ex-padre Senhor Fernão que há tempos se tornara ateu, porém continuava a usar seu hábito. Ele logo se senta junto ao restante, não diferentemente puxa uma carteira de cigarros nacionais (que não eram da empresa Souza Cruz) e põe fogo...

Continua...

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