Capa do romance ROMANCE DE CEMITÉRIO // Contos Bradockianos //

ROMANCE DE CEMITÉRIO // Contos Bradockianos //

9.4 / 10.0
É possível encontrar uma paixão verdadeira em meio às lápides frias? Romance de Cemitério revela que a vida floresce até onde o fim parece absoluto. Nesta obra do Universo Bradockiano, o amor e a morte caminham entrelaçados em uma narrativa que desafia a escuridão. Explore como sentimentos intensos surgem na Cidade dos Pés Juntos, provando que o coração não para diante do luto. Seja bem-vindo a um conto onde o romance e o horror se fundem de forma única.

ROMANCE DE CEMITÉRIO // Contos Bradockianos // Capítulo 1

Desde a idade das trevas ou antes já se tinha, (...) notícias daquela coisa tão antiga, sem rosto com forma humanoide, agora; estava lá nos fundos do cemitério, (...) dizem a literatura oculta; que estava, abandonada, esquecida, sempre esconjurada, por rezas, orações e rituais de banimento. Sempre no escuro das paredes, (...) aquilo se criara.

Quando ouve luz, ela, (a sombra) já há muito nascera, (...) vampira de feridas, sangue e energia.

Dungão ou Cicero Dunga Bionor, Vigia efetivo por tempo de serviço no poder municipal, (...) porém acumulara também a função de coveiro.

No passado era é um vendedor externo, ou porta a porta. Mas à quase trinta anos estava na prefeitura. Era o faz tudo do cemitério.

-Dunga 'tai' por aí? Indaga uma voz rouca do outro lado do muro,

-Quem é? -Indaga Cícero Coveiro fitando o alto do muro lá dos fundos daquele velho cemitério

-É Zé. Zé Mucufa, - Retruca colocando a cabeça por cima daquele mural cadavérico.

-Não hoje não, tô com uma ressaca da porra!

Disse Cícero Dunga, Colocando a mão no fígado.

Zé Mucufa, pulara o muro do cemitério São Miguel, portara uma garrafa de cachaça misturada com raízes e ervas.

-Oia! Trouxe essa misturada pra gente beber até ver bicho. -Disse seu parceiro de copo.

Já bebendo diretamente no gargalo da garrafa.

-Oxe! Tô fora! Tu se quiser bebi essa porra sozinho, ninguém “guenta” teu ritmo mesmo.

Risos! -Disse o vigilante fitando um mausoléu degradado ali naquelas terras de vermes e morte.

Quer escutar uma história de mal-assombro de verdade: - Disse.

“Esse só sabe mesmo história de cachaça”.

Fitando o tal coveiro amigo: - É, e eu bebo mermo! -Retruca Mucufa, com as suas mãos trêmulas e suadas, um odor profundo de pinga.

Oxe! E eu disse alguma coisa?

-Não, mas pensou. Vi nesses ‘olho’ de bomba.

-Eu também tenho uma boa história para contar.

-Vixe! (…). Fala; pode falar eu aguento.

-Você de novo? Só fica por aqui por essas negras e gélidas tumbas, cheias de baratas e tapurus. Disse o vigia/coveiro, fitando todos os lados, o vento forte traz o cheiro daquela casa de morte, e continua: - Não se aproxime! Fica aí.

-Merda! Tu tá falando com quem? Dungão. -Pergunta fitando em volta mas sem avistar nada, nem ninguém. Dera um trago forte e duplo no litro de água ardente misturada.

O frio além-túmulo tomara a sua espinha.

O arrepiara os cabelos da cabeça até o dedão do pé.

O vigia Dunga Conferira se trouxera algo:

" Cadê o sal grosso será que esqueci "?

Procura nos bolsos de sua jaqueta de napa negra despelando-se, devido o material obsoleto

"made in China".

-Ah! Encontrei graças a São Cipriano, Amém!

-Amém! -Disse também Zé, Fazendo uma espécie de sinal da cruz, de trás para a frente e de frente para trás, mesmo sem saber o seu significado.

-Tem uma sombra aqui, olhando a gente. -Disse baixinho Cícero Dunga,

-‘Taí’ de conversa feia, “homi”, deixa disso toma aqui vai! -Retruca Mucufa lhe estendendo o litro de cana.

-Hum... Me dá aqui isso logo. -Exclama Dungão arrancando-lhe o recipiente de vidro de suas tremidas mãos.

-Aí tá certo! Dou valor assim! -Fala Zé ainda olhando para ambos os lados, e também a sua própria sombra.

Aquilo deslizara pela terra fofa do cemitério, tal qual um negro espectro, misturando-se a sombra de Zé Mucufa, É logo começara a chupar a aura daquele homem ébrio, com odor de axila e roupa suja e cinzenta.

Rosto quadrado, cara romana.

Dungão Tirara sal grosso do seu bolso e jogara na sombra do seu amigo bêbado, (...) imediatamente saíra outra sombra de cima.

"Jesus".

-Meu Deus do céu! -Exclama Zé boquiaberto.

O vento uivara, e açoitara como um chicote do além.

Naquele cemitério, o ladrão de sombras tinha olhos verde-esmeralda, sem íris apenas olhos brilhantes como rubins,

-O seu querido Deus me abandonou, (...) Nas sombras, - (Gargalhadas demoníacas). A tal coisa.

-As sombras é a ausência da luz, (...). Vai te daqui!! Coisa maligna agora! -Exclama O vigia Sacando uma lanterna e ligando a mesma apontara para a tal sombra dissipara-se como um passe de mágica.

" As vezes tenho medo da minha própria sombra ".

Pensa Dunga fitando a sua sombra pelo cemitério adentro. Eram as primeiras horas da madrugada de uma sexta feira treze.

-Zé Mucufa? Cadê tu bebo safado! Hein? Deixa de onda ‘pingunso’ da "boba serena".

Brada Dunga procurando-o, (...) por entre as tumbas velhas e flores mortas.

Em seus pés passara serpenteando uma; Coral cobra.

"Só ver uma coisa desta quando o Diabo está por perto".

Pensa Cícero Dungão fitando aquele réptil que rastejara lentamente sem dever nada a ninguém.

-Toma seu Demônio maldito! -Disse o coveiro, metendo uma pá que estava bem ali recostada em um mausoléu sem cor ou mesmo flores, ao alcance de seu braço direito.

Matara a tal cobra, cortara sua cabeça fora em um só golpe.

A lua escondera-se por trás de negras e densas nuvens.

"Hoje é sexta, madrugada de treze"

Ao dar sua ronda rotineira, escutara as sirenes urgentes lá na rua além das muralhas arcaicas do mais antigo cemitério da cidade.

"Será a polícia? Ou uma ambulância"?

Quando avistara seu companheiro Mucufa estendido na terra do cemitério, entre duas covas rasas, baratas e tapurus passeiam pelo corpo de Zé.

-Amigo? Mucufa? -Dunga fora levantar o seu parceiro e logo constatara: (...)

"Mas é como que estivesse em coma".

-Zé! Acorda homem. -Exclama Cícero coveiro

lhe sacudindo, mas nada de retornar.

Dunga vigia percebera uma nefasta cena: (...)

-Oxe! Mas cadê a sombra do meu amigo? -Indaga aquele certo coveiro, e completa Nervoso com suas mãos geladas e o coração descompassado: - Roubaram a sombra de Zé Mucufa. -Disse.

"Foi aquele demônio, a sombra maligna, tenho quase certeza, isso depois daquele casal de macumbeiros".

Outro arrepio lhe subira na pele e na espinha dorsal. Sentira uma estranha e forte sensação que algo lhe observara por suas costas.

A sombra aparecera do nada, viera do escuro da tumba e dera mais uma estridente gargalhada! Risos satânicos!

Roubara a sombra de Zé Mucufa, a garrafa ainda meia por ali caído ao chão de terra daquele certo cemitério no centro da cidade.

A princesa do agreste ao sertão.

José Murilo de Maria, Quando criança não queria por nada saber de estudo, os pais tanto que lutaram; (...) Aos treze anos de idade tomara o sei primeiro porre. Três 'quartinhos', (copo Americano cheio de cachaça). Desde esse episódio nunca mais parou de beber pinga.

Ganhara o carismático codinome de Zé Mucufa, (não se sabe a origem). Já quando adolescente deixava de namorar para ir beber.

Enquanto os seus colegas bebiam e namoravam, outros casavam, Zé só bebia e bebia como se o mundo fosse acabar no mesmo dia ou noite.

Estava lá deitado na cidade dos defuntos.

Em coma profundo e sem sombra.

Formigas Tanajuras submergiam das catacumbas e covas pelo cemitério afora.

A alta madrugada indo embora. Era quase aurora. Dunga ligara para os paramédicos, que não vieram. Então resolvera ligar para a polícia, que após algum tempo chegara, (...).

Pelos portões oxidados e arqueados, exalara o odor fúnebre e mofado daquele tal cemitério.

Quando os policiais adentraram a casa de morte encontraram apenas o nada.

Dungão avistara novamente a tal sombra rindo de sua "cara".

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ROMANCE DE CEMITÉRIO // Contos Bradockianos // de Conteúdos

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