Capa do romance Enquadrado pelo Amor, Desencadeado pela Vingança

Enquadrado pelo Amor, Desencadeado pela Vingança

7.9 / 10.0
Traída pelo marido e sua amante, a advogada de patentes Helena sobreviveu a uma armadilha mortal e viveu escondida por sete anos. Quando Eduardo e seu filho Caio a reencontram, tentam forçá-la a aceitar o noivado do ex com a mulher que a destruiu. Em plena festa, diante de pedidos hipócritas de desculpas, ela decide confrontá-los. Helena revela a verdade sombria: Caio sabotou o carro da própria mãe naquela noite fatídica, dando início à sua vingança.

Enquadrado pelo Amor, Desencadeado pela Vingança Capítulo 1

Eu era uma advogada de patentes renomada até que meu marido e sua amante armaram para mim, destruíram minha carreira e me jogaram na prisão. Por sete anos, fui dada como morta, vivendo como um fantasma em um galpão.

Então, eles me encontraram. Meu ex-marido, Eduardo, e nosso filho, Caio, apareceram, em choque total por me verem viva.

Eles me atraíram para a festa de 18 anos do Caio, mas era tudo uma mentira. A festa era uma celebração surpresa de noivado para Eduardo e Selene, a mulher que arruinou a minha vida.

Na frente de todos, Eduardo me disse para "seguir em frente".

Meu próprio filho chegou a me implorar.

"Mãe, por favor", ele chorou. "Só peça desculpas."

Desculpas? Pelo quê? Por sobreviver ao acidente de carro que eles planejaram para me matar?

Olhei para o garoto que um dia amei mais que a própria vida. No silêncio súbito do salão de festas, eu sorri e perguntei: "Caio, você se lembra da noite em que a Selene te pediu para cortar os pneus do meu carro?"

Capítulo 1

Ponto de Vista de Helena Cardoso:

O cheiro familiar de papelão úmido e plástico reciclado encheu meus pulmões, um aroma que passei a associar à minha nova realidade. Sete anos. Sete anos desde que eu era Helena Cardoso, a brilhante advogada de patentes, cuja vida foi cirurgicamente removida e substituída por esta rotina monótona. Agora, eu era apenas Helena, um fantasma em um galpão na Mooca, separando caixas sob luzes fluorescentes.

Uma comoção perto da doca de carregamento me tirou dos meus pensamentos. Não era incomum receber visitas, mas os sussurros abafados e a quietude repentina sugeriam algo diferente. Mantive a cabeça baixa, minhas mãos se movendo automaticamente, fechando outra caixa com fita adesiva.

Então eu ouvi. Uma voz. Grave, familiar, como uma melodia que tentei apagar, mas que ainda estava gravada nas partes mais profundas da minha memória. Eduardo.

Minha respiração falhou. Meu corpo congelou, um pavor gelado se infiltrando em meus ossos. Sete anos. Ele deveria ser um fantasma, um capítulo encerrado com violência.

"Helena?" A voz estava mais perto agora, hesitante, tingida com uma surpresa que pareceu um soco no meu estômago.

Eu não levantei o olhar. Não conseguia. Apenas continuei selando a caixa, meus movimentos rígidos, robóticos. Meu coração era um tambor frenético contra minhas costelas.

Uma sombra caiu sobre mim. Uma mão se estendeu, hesitante, quase roçando meu braço. Eu me encolhi, recuando como se tivesse sido queimada. O toque teria me marcado a ferro e fogo, tudo de novo.

O silêncio se estendeu entre nós, denso e sufocante. O barulho do galpão desapareceu em um zumbido abafado, como se o mundo estivesse prendendo a respiração. Cada fibra do meu ser gritava para eu correr, para desaparecer de volta no anonimato que eu havia construído com tanto cuidado.

As luzes fluorescentes acima zumbiam, lançando um brilho forte e impiedoso sobre as partículas de poeira que dançavam no ar. O cheiro fraco de fumaça de escapamento de uma empilhadeira distante de repente pareceu avassalador, fazendo meu estômago revirar. Senti-me tonta, desorientada.

"Helena? É você mesmo?" Sua voz estava rouca agora, carregada de incredulidade. "Eles disseram... disseram que você tinha partido. Morta."

Eu permaneci em silêncio. Meu maxilar doía de tanto apertá-lo. O que eu poderia dizer? Que eu não estava morta o suficiente? Que eu tinha sobrevivido aos destroços que ele e sua amante fizeram da minha vida?

"Nós fizemos um funeral", ele continuou, uma estranha mistura de choque e alívio em seu tom. "A Selene... ela ficou devastada. O Caio... ele chorou por semanas."

Meu sangue gelou. Os nomes, ditos com tanta casualidade, eram como veneno. Devastada? Chorou por semanas? A hipocrisia era um gosto amargo na minha boca.

Outra figura se moveu ao lado dele. Mais alto agora, ombros mais largos. Caio. Meu Caio.

"Mãe?" A voz de Caio, um sussurro cru e quebrado, me rasgou por dentro.

Minhas mãos tremiam, mas eu não parei de trabalhar. Eu não podia reconhecê-los. Não aqui. Não agora. Nunca mais.

"Por que você não nos avisou?" A voz de Eduardo suplicou, aproximando-se. "Nós pensamos... pensamos que tínhamos te perdido para sempre."

Me perdido? Eles me jogaram fora. Eu queria gritar as palavras, mas elas ficaram presas na minha garganta, sufocadas por anos de dor não dita.

Caio deu um passo à frente, seu rosto jovem gravado com uma emoção que eu não conseguia decifrar. "Mãe, por favor. Só... diga alguma coisa."

Fechei os olhos por uma fração de segundo, uma dor aguda atravessando meu peito. A palavra "Mãe" soava estranha em seus lábios. Pertencia a uma vida diferente, a uma mulher diferente.

"Desculpe, senhor", eu finalmente disse, minha voz plana, desprovida de emoção. "Você deve estar me confundindo com outra pessoa." Cada palavra era um pequeno pedaço arrancado do muro que eu havia construído ao meu redor.

Eduardo recuou como se eu o tivesse golpeado. "Do que você está falando? Sou eu, Eduardo. E este é o Caio. Seu filho." Ele gesticulou para Caio, que parecia prestes a desabar.

Caio, que deveria ser meu filho. O menino que eu amei com cada fibra do meu ser. O menino que ajudou a me empurrar daquele penhasco.

"Meu filho?" Eu ri, um som seco e sem humor que soou frágil no ar. "Eu não tenho um filho."

Eduardo me encarou, seus olhos arregalados com uma mistura de mágoa e incredulidade. Ele observou meu uniforme de trabalho, a sujeira em minhas mãos, o esgotamento gravado em meu rosto. Seu olhar se demorou nos tênis gastos, no jeans desbotado. Seu rosto se contraiu.

"Helena, o que aconteceu com você? Por que você está... aqui?" Sua voz estava carregada com o que soava quase como pena. "Você parece que passou pelo inferno."

"Para onde mais eu iria?", retruquei, minha voz ainda sem calor. "A vida que você me deixou, Eduardo, não veio exatamente com um plano de aposentadoria de luxo."

"Mas... por que você não entrou em contato? Eu poderia ter te ajudado", ele insistiu, dando outro passo à frente. "Nós poderíamos ter consertado isso."

Consertado isso? Não havia como consertar o que eles tinham feito. Olhei para Caio, que agora chorava abertamente, seus ombros tremendo. A visão não fez nada para amolecer o concreto ao redor do meu coração.

"Você não pode consertar o que está quebrado além do reparo", eu disse, meu olhar endurecendo. "E você, Eduardo, você me deixou com nada além de cacos."

Ele abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Parecia derrotado, sua habitual postura polida substituída por uma vulnerabilidade crua que eu não via há anos.

"Por favor, mãe", Caio soluçou, estendendo a mão para mim. "Eu senti tanto a sua falta. Todos nós sentimos."

Puxei minha mão antes que ele pudesse me tocar. "Você não tem 'mãe' aqui", eu disse, minha voz uma linha reta. "E eu não tenho filho."

Seu rosto empalideceu, as lágrimas ainda escorrendo por suas bochechas. "Mas... eu sou o Caio. O seu Caio."

"Aquele Caio morreu com Helena Cardoso", afirmei, minha voz ecoando oca no vasto espaço. "E nenhum dos dois vai voltar."

Um colega, alheio ao drama que se desenrolava, gritou: "Ei, Helena! Já terminou com aquele palete?"

Virei-me de costas para seus rostos atônitos. "Quase", respondi, minha voz firme, colocando a última tira de fita na caixa.

Eduardo tentou falar novamente, mas eu o interrompi. "Eu tenho trabalho a fazer. Meu turno ainda não acabou."

Ele tentou dar outro passo, mas eu levantei a mão. "Vão embora. Não há nada para vocês aqui."

"Helena, por favor", ele começou, "só fale comigo. Deixe-me te ajudar."

Eu finalmente olhei para ele, meus olhos como gelo. "Me ajudar? Você acha que eu preciso da sua ajuda?" Eu zombei. "A única coisa que você pode fazer por mim é desaparecer. De novo."

Ele ficou lá, paralisado, seu rosto uma máscara de choque e dor. Caio também estava pregado no chão, seus soluços agora silenciosos, substituídos por um horror de olhos arregalados.

"Nós só... queríamos te ver", gaguejou Eduardo, sua voz falhando. "O aniversário do Caio está chegando. Ele quer você lá."

Meu estômago revirou. O aniversário dele. A lembrança do que ele costumava ser, do que nós costumávamos ser, foi uma facada fria.

"Estou ocupada", eu disse, virando-me completamente de costas e empurrando o palete em direção à baía de carga. "Diga ao Caio feliz aniversário. De uma estranha."

As palavras pairaram no ar, um rompimento final e definitivo. Ouvi o suspiro embargado de Caio, mas não olhei para trás. Não havia mais nada para ver.

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