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Capa do romance ROMANCE DE CEMITÉRIO // Contos Bradockianos //

ROMANCE DE CEMITÉRIO // Contos Bradockianos //

É possível encontrar uma paixão verdadeira em meio às lápides frias? Romance de Cemitério revela que a vida floresce até onde o fim parece absoluto. Nesta obra do Universo Bradockiano, o amor e a morte caminham entrelaçados em uma narrativa que desafia a escuridão. Explore como sentimentos intensos surgem na Cidade dos Pés Juntos, provando que o coração não para diante do luto. Seja bem-vindo a um conto onde o romance e o horror se fundem de forma única.
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Capítulo 3

Também puxa do interior de sua negra batina uma garrafa ainda lacrada de um velho vinho sem marca. Com a sua mão esquerda puxa também um cálice de ouro maciço, abre a tal garrafa e coloca o sangue negro (vinho) no cálice e bebe sem oferecer a ninguém ali presente. A esta altura a chuva já havia parado. Todos conversam com exceção do velho Messião que fumava sem descanso. O poeta errante levanta-se sem mais explicações e recita uma estrofe de um dos seus inúmeros poemas.

“Muitos anos se passaram e não consigo saciar este estranho prazer, velhas ruas, diferentes lugares onde passei e não me habituei. Pessoas diferentes, novas cidades, estranhos lugares onde irei passar algum dia...” – O Andarilho das Ruas.

Assim que Pedro termina de recitar aqueles seus versos é imediatamente aplaudido com fervor. Todos da sala lhes parabenizam inclusive o velho Messião. A noiva virgem Valkíria fica tão entusiasmada com tal verso que chega a se esquecer de que estava com um curto vestido branco e descruza suas belas pernas, mostrando toda a sua genitália que permanecera intacta até aqueles dias. Todos observavam discretamente tamanha genitália bem rosadinha e imensa (pois Valkíria não costumava usar calcinha). O velho relógio que marcava as horas ao contrário emite uma forte badalada. Uma pequena porta se abre, mas não sai nenhum cuco. Eram 3h00min em ponto. Valkíria levanta-se bruscamente e exclama:

- Meu noivo está chegando! Tenho que ir!

Ninguém naquela sala ouviu nada, nem a porta se fez escutar, mas a noiva virgem abre a surrada porta e se vai por entre um denso nevoeiro sem se despedir.

Não passa muito tempo o soldado Tião Preto também se levanta.

- Tenho que ir! Os meus companheiros da polícia precisam de mim. – e completa – Tenho que impedir uma possível rebelião! – logo ele sai para desaparecer em meio a névoa cerrada do jardim. Ele também não se despediu.

Logo é a vez do velho Messião que antes de ir exclama:

- A morte virá pela segunda vez e não voltará de mãos vazias! – comenta profeticamente o certo velho.

Era a sua terceira profecia naquela madrugada. Ele também se vai ficando apenas o Chaminé, o ex-padre que se tornara ateu e o próprio poeta errante Pompeu. O senhor Fernão levanta-se.

- Tenho que sair e não demorarei! – afirma sem mais delongas o senhor Fernão.

- Também preciso ir! – exclama Pompeu.

Chaminé os acompanha por entre o imenso jardim. Logo os três avistam uma pequena quantidade de pessoas adentrando naquelas terras enevoadas, também havia um caixão entre elas.

- O que vocês fazem por aqui há esta hora? – interroga o ex-padre.

- Viemos sepultar este familiar nestas terras. – responde alguém dentre o cortejo fúnebre.

- Sejam bem vindos! Acabei de cavar mais uma cova. – responde com uma bizarra euforia o Chaminé.

Pompeu não entendeu nada. “Como alguém pode sepultar outra pessoa em um simples jardim e não em um cemitério de verdade?” – pensa consigo mesmo o poeta.

Nesta hora um forte vento sopra sobre aquelas estranhas terras, o nevoeiro começa a se dissipar para logo o poeta errante avistar inúmeras sepulturas. Ele não queria acreditar no que via! Era um cemitério todo o tempo e não um imenso jardim como ele havia acreditado. O Chaminé logo começa a cavar uma nova cova, pois ele nunca descansa. Chaminé cava sobre a lama e Pompeu não tem o que dizer, ele está imóvel e ali fica apenas a contemplar o ex-padre senhor Fernão que dava início ao ritual de passagem.

Neste momento Pompeu percebe uma linda moça que lhe observava com certo ar de sedução. Uma bela moça! Pele morena, cabelos encaracolados que passavam de sua cintura de tão imensos que eram um fino vestido negro, coxas grossas, tetas fartas, olhos cor de mel. O poeta se aproxima e puxa conversa.

- O falecido era de sua família? – indaga com a cara mais lavada do mundo.

- Sim! Era meu irmão e eu gostava muito dele! – responde aquela certa moça.

Eles conversavam enquanto se afastavam do local onde o caixão irá ser depositado. Logo eles estão a uma boa distancia do túmulo aonde o senhor Fernão conduzia o ritual, ele conduzia rapidamente louco para receber o seu pagamento, pois desde que deixou a igreja começara a cobrar particularmente e fazia disto um trabalho qualquer.

Enquanto isso a uma boa distancia Pompeu já havia tomado a bela morena em seus braços. Os seus beijos eram tão intensos que chegaram a machucar os carnudos lábios da moça. Ele não hesita antes de colocar a morena em cima de um daqueles inúmeros túmulos sem nomes e vai desvendando todo o corpo moreno que existia por baixo do fino vestido negro da jovem que em nada se opõe. Aos poucos Pompeu vai passeando com sua língua faminta por todas as curvas proibidas da jovem que vai ao delírio com um imenso desejo. O jovem poeta não deixa a desejar e vai logo introduzindo sua língua no clitóris da morena. Ela não resiste e geme, geme de prazer carnal. A língua nervosa de Pompeu percorre toda a sua genitália semi peluda e completamente molhada. O seu membro estava tão ereto que chegava a doer. Quando de repente um forte barulho seco ecoa e Pompeu cai sobre a genitália da moça. Ele havia um disparo a queima roupa em suas costas largas na altura dos pulmões. A linda moça solta um estridente grito antes de fugir desesperada. O poeta Pompeu vai ao chão sem perder uma única gota de sangue. O autor do disparo era o pai da jovem, um coronel manda chuva das terras de Limbonópolis. Ele havia escutado uns fortes gemidos e deu por falta da filha, então saiu por aquele cemitério a procura-la quando viu tal cena não pensou duas vezes, engatilhou sua arma de grosso calibre e mandou fogo. Pompeu agoniza por algum tempo e vem a morrer. O poeta errante faleceu pela segunda vez, pois todos ali presentes, o coveiro Chico Chaminé, o ex-padre senhor Fernão, o soldado Tião Preto, a noiva virgem Valkíria, o velho Messião e o próprio Pedro Pompeu já estavam mortos. Eram todos espíritos errantes que não conseguiram fazer a passagem e ficaram vagando por inúmeros lugares, entre mundos e outras dimensões inclusive o pessoal do enterro.

Agora Pompeu se tornara o fantasma de um fantasma, pois novamente havia perdido sua vida sem completar sua doce missão, já que ele não havia ejaculado muito menos a bela morena havia chegado ao orgasmo. Sendo que a sua primeira morte, ainda no mundo material, se deu quando ele foi acometido por uma bala perdida e assim pereceu sem completar vários poemas de sua autoria. Agora ele, um poeta errante morrera pela segunda vez se tornando o espectro de um espectro.

F.B.M. metamorfoseado como: O Andarilho das Ruas

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