
Protegida pelo chefe
Capítulo 2
Ele respirou fundo empinando um pouco seu queixo e encarou-me de cima deslizando seu olhar por cada centímetro de pele do meu rosto, desde meus olhos até minha boca, parando ali seu olhar por alguns segundos. — Saia da minha boate! — ordenou em um tom baixo, firme e ameaçador. Esse homem pensa que tenho medo dele? Dei-lhe um sorriso debochado quando seus olhos voltaram aos meus. — Com o maior prazer, Sr. Imbecil. Passei por ele e deixei o terraço sem olhar para trás. Desci a escada e comecei a andar à procura de Angelita, mas não a vi em lugar algum. Tirei meu celular do bolso da saia e mandei uma mensagem lhe avisando que já estava indo para casa. Aquela noite já havia rendido tudo o que podia e mais um pouco para mim. Peguei meu casaco na portaria e saí para a calçada. Por sorte, um táxi estava sendo desocupado alguns metros mais à frente. Corri até ele e entrei. Não estava acreditando, que com tantas boates em Boston, fui parar justamente na daquele homem grosso e babaca! Quando o táxi estacionou próximo ao meio-fio, em frente ao meu prédio, saltei apressada depois de pagar a corrida. Ao entrar em casa, tudo estava escuro e silencioso. Sentei-me na sala e tirei minhas botas jogando-as de lado, enquanto me recordava do episódio de estresse no terraço com aquele homem. Pelo menos uma coisa tinha que admitir: o italiano estúpido era muito cheiroso. Minhas narinas agradeceram por respirar sua fragrância máscula e suave depois de ficarem horas cercadas pelo odor do homem nojento na pista de dança. Cansaço era a palavra que me definia naquela noite. Sentado no banco traseiro do meu carro, a caminho de casa, tentei me recordar de quando foi a última vez que tive uma mulher sob mim, servindo-me e cedendo a todos os meus prazeres e caprichos. Desde que me tornei Capo da máfia italiana nos Estados Unidos, há três anos, não tive muito mais tempo para nada em minha vida. Enquanto meu pai continuava a cuidar da nossa terra natal atuando como Don, eu estava em Boston aguentando aquela gente estúpida e cheia de si que eram os americanos. Quanta gente petulante havia naquele país. Meu celular vibrou no bolso interno do meu paletó, fazendo-me bufar e revirar os olhos, irritado. O que querem tanto falar comigo a uma hora da manhã? — Seja rápido — disse ao atender a ligação do Cássio, um dos meus soldados. — Senhor... Achamos o Salazar. Ele está de volta à cidade e não irá acreditar onde. — Fale logo de uma vez! — mandei irritado. — Está na Luxes, senhor. Em sua boate, rodeado por modelos no camarote e pagando bebida para uma porção de gente. — Desgraçado! Mande todos ficarem de olho nele, estou indo para aí. Não o percam de vista e não deixem que ele saia do camarote. Avise que chegarei pelos fundos, ainda não quero que saibam que sou o novo dono deste lugar. — Sim, senhor. — Para a Luxes — informei ao motorista após encerrar a chamada. Ele assentiu e deu meia-volta. Ao chegarmos, outros soldados já esperavam por mim nos fundos. — Senhor Albertinni — cumprimentou Cássio, quando desci do carro. — Ele ainda está no camarote, não fizemos alarde. O pegará de surpresa. — Ótimo! É assim que eu gosto. Desprevenido — disse enroscando o silenciador na ponta da minha pistola. Entrei e observei o lugar lotado de gente bêbada e drogada. Andei em meio àquelas pessoas até chegar à escada que levava a área VIP elevada. Assim que me viu aproximar, o segurança retirou o cordão de veludo azul para eu passar. Lá em cima, caminhei até o homem que me devia milhões e fugia de mim há meses gerando-me sérios problemas com meu pai e o Conselho. — Salazar — chamei-o parando à sua frente. — A-Albertinni — gaguejou quando me viu. Seu rosto ficou pálido e seus olhos arregalaram-se. Ele retirou apressado as mulheres que estavam sentadas em seu colo, jogando-as para os lados como sacos de batatas. — Sente-se, por favor — convidou-me com um sorriso forçado, indicando com a mão a poltrona à sua frente. — Obrigado. — Sentei-me. — Soube que está pagando bebida para todo mundo. Não vai pagar uma para mim também? — Sorri com sarcasmo. — Mas é claro! — respondeu-me e chamou uma garçonete. — O que vai beber? — Sua hospitalidade forçada me deixou irritado. — Seu sangue em uma taça — afirmei rude, desfazendo o sorriso falso. Salazar engoliu em seco e consertou sua postura no sofá, deixando sua coluna reta. Ele olhou para os lados e viu meus homens cercando-o e procurou discretamente pelos seus capangas que já não estavam mais ali dentro. — Albertinni... E-eu... — Cale a boca! — gritei. — Onde está a entrega que você deveria ter feito, mas que desapareceu? O que aconteceu com meu navio? — Eu já disse... Os russos. Eles pegaram a carga de drogas. — Os russos me roubaram um navio com toneladas e toneladas de metanfetamina e você desaparece ao invés de ir atrás deles e recuperar o que me pertence? Que tipo de membro é você? — questionei, encarando-o com fúria. — Enzo, eu... Po-por favor. Você sabe que faço tudo pela família, não é? — Limpou o suor de suas mãos nas pernas da calça. — Não, você não faz. Desapareceu quando deveria ter vindo até mim e esclarecido tudo o que aconteceu! Oitavo mandamento, Salazar! Achei que tivesse conhecimento disso! — esbravejei. — E-estou dizendo a verdade, Albertinni. Estou esclarecendo agora para você. — Depois de três meses? O que leva a crer que agora irei acreditar que me diz a verdade? Como irei confiar que não é um traidor? — gritei. Inclinei-me, apoiando meus cotovelos sobre os joelhos e encarei-o nos olhos. Estava escuro, mas não precisava de luz para saber que suas pupilas estavam dilatadas, não pelo álcool que foi ingerido, mas sim pelo medo que crescia dentro dele
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