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Capa do romance Protegida pelo chefe

Protegida pelo chefe

Após escaparem de uma rotina de abusos no Brasil, a protagonista e seu meio-irmão postiço, Caio, buscam um recomeço em Boston. Sem recursos, mas unidos por um amor incondicional, eles tentam encontrar a liberdade longe do passado sombrio. Caio é filho de Roberta, a mulher que foi amante do pai dela e assumiu o lugar de sua falecida mãe. Agora, em terras estrangeiras, eles lutam para descobrir o que é ser feliz e deixar a dor para trás.
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Capítulo 3

Eu já estou morto? — perguntou com a voz trêmula. — O que aconteceu com a minha carga? — Ela está com os russos. Foi feito um desvio e há mais quinze homens envolvidos. Eles... eles são soldados meus. Perdoe-me. — Perdoar você? Quem perdoa é Deus. Eu faço você pagar em terra por sua traição. — Minha mandíbula contraiu dolorosamente de raiva. — Assumo que errei, mas não tive escolha. Eles ameaçaram minha família! Por favor, entenda! — Levem-no daqui e arranque tudo o que puderem de informações! — ordenei aos meus soldados. — Sim, senhor — respondeu um deles. — Enzo... Por favor... Eu tenho uma família que precisa de mim! Dois dos meus homens o pegaram pelos braços e colocaram de pé. — Família? — Levantei-me fechando meu paletó e parando à sua frente. — Onde estão eles agora para você estar aqui com duas putas em seu colo e não em casa cuidando eles? Ficarão melhor sem você, acredite. Levaram-no e eu respirei fundo para dissipar um pouco da tensão e ira que sentia pesar em meu corpo. Aproximei-me da grade de proteção e dei uma boa olhada para a pista de dança lotada de gente. De longe, avistei um corpo escultural e suculento no bar. Ela usava uma saia de couro curta e justa ao quadril, além de um body em renda para lá de sensual. Sua cintura fina e os seios fartos deixaram-me com tesão e desejo de tocá-la. Observei-a por mais alguns segundos e pensei em mandar um dos meus homens buscarem-na para mim. Uma rapidinha no escritório do mezanino não seria nada mau. Ela se virou saindo do bar com uma garrafa de água na mão e eu não podia crer no que estava vendo. Era ela! A garçonete arrogante da cafeteria que me fez passar raiva logo pela manhã naquela semana. Observei-a andar em direção à porta, que levava para o terraço, e desaparecer por ela. O que esta garota faz aqui? Quando dei por mim, já estava descendo a escada do camarote e subindo para o terraço. Olhei para os lados à sua procura e encontrei-a sozinha ao canto. Ela estava de costas escorada na mureta de proteção. Será que não soube ler o aviso? Aproximei-me a passos lentos e parei atrás dela. Seu corpo era mesmo lindo, com ela teria que ser mais do que uma rapidinha. Teria que ser uma noite inteira para me deliciar de cada pedaço de sua carne e pele alva. Já fazia mais de um mês que não tocava em uma mulher e ter aquela em cima da minha cama seria bom demais. Andava cansado daquelas americanas magras e sem curvas algumas. Sou italiano! Gosto de fartura em todas as ocasiões e sentidos. Seus cabelos loiros com corte pouco abaixo do ombro balançavam com o vento forte que batia de encontro ao seu rosto. Droga! Como queria me lembrar da cor dos seus olhos. Será que são azuis como os meus? Ou castanhos? — Não soube ler o aviso de: "não se aproxime da mureta de proteção"? — chamei sua atenção. — Não! Não sei ler! — respondeu com rispidez. Ainda com a mesma língua afiada. Isso me deixou um tanto furioso. Qual era o problema com aquela mulher? Não teve educação? — Além de estúpida, é analfabeta? De que parte do mundo você surgiu, criatura? Todos me devem respeito! Eu sou o capo da máfia italiana, porra! Ela também terá de me respeitar. Se não sabe quem sou, irei mostrar! — De um lugar onde te mandariam para o inferno com um pontapé na bunda, seu italiano arrogante! — respondeu alto e com raiva. Dei a ela um olhar duro e ameaçador. — O que faz aqui? Não notou que esse lugar não é para gente como você? — Por que você não vai à merda? Deu um passo de encontro a mim, lançando-me um olhar desafiador com seu narizinho empinado. — Você é muito atrevida. — Encarei seus olhos. Eram verdes... Belos como duas esmeraldas. Ela não iria abaixar sua guarda. Aquela mulher não era fácil. Se fosse outra qualquer, estaria cheia de dedos para cima de mim e um sorriso sedutor. — E você é o quê? Existe palavra melhor que imbecil para te definir? Imbecil? Esta mulher está ultrapassando os limites. — Você não tem noção de quem está enfrentando, garota estúpida! — É você quem não tem noção com quem está mexendo. Respirei fundo, olhando-a de cima. Isso foi uma ameaça? Quem é esta garota? Problemas para mim ou para a máfia? Nunca sabemos que cara tem o inimigo. Olhei minuciosamente seu rosto descendo meus olhos dos seus até sua boca desenhada pintada por um batom vermelho levemente desbotado. — Saia da minha boate! Ela encarou-me de um jeito que eu não soube decifrar. Um sorriso debochado brotou no canto dos seus lábios. Olhei novamente para seus olhos de esmeraldas, esperando por xingamentos ou um ataque histérico que não veio. — Com o maior prazer, Sr. Imbecil! — disse baixo antes de passar por mim e sair pela porta sem olhar para trás. Definitivamente, ela não era como as outras. Precisava saber quem era aquela mulher. Sentia cheiro de perigo e não costumava me enganar. Se fosse outra, teria contornado a situação numa tentativa de ficar e ter uma noite comigo. Mas ela não. Ela pareceu satisfeita em ir embora e isso me deixou intrigado. Desci novamente para a boate e saí pela porta da frente com meus soldados. Ao pisar na calçada, a vi andar em direção a um táxi e entrar no carro. — Descubra quem é aquela mulher — pedi para Serra, meu braço direito na máfia, que estava parado ao meu lado. — Procure nas filmagens e descubra quem estava na portaria na hora em que ela chegou. Pergunte tudo que ele possa se lembrar. Quero saber cada detalhe sobre seu passado e presente. Veja se chegou acompanhada e se sim, investigue também. Quero isso amanhã de manhã em minhas mãos. — Sim, senhor. — Se achar algo suspeito, mande alguém ficar na cola dela. — Como queira. Deixei a boate e segui para casa. Ao chegar, subi a escada sentindo meu corpo clamar por um banho quente e cama. Ao abrir a porta do meu quarto, avistei um montinho sob o cobertor. Aproximei-me a passos silenciosos e puxei-o lentamente descobrindo um pequeno corpinho. Sua cabeça estava deitada sobre o travesseiro de penas de ganso e seus curtos bracinhos agarravam com força seu fiel companheiro há quatro anos, um urso de pelúcia marrom com gravata vermelha. Tirei meu paletó e sentei-me na beirada da cama vagarosamente, acariciando seus cabelos tão pretos quanto os meus. Curvei-me para frente e senti seu cheirinho de bebê impregnado no pescoço. Depositei um beijo em sua bochecha gorducha e levantei-me indo ao banheiro. Entrei no boxe ligando o chuveiro e deixando a água quente cair sobre meu corpo, relaxando meus músculos. Ao sair, passei direto para o closet e vesti uma calça de moletom confortável. Deitei-me com cuidado na cama para não acordar meu pequeno anjinho que adormecia sereno. Deitado de barriga para cima e olhos fechados, sem minha permissão, minha mente levou-me até a mulher abusada de horas atrás. Por que diabos estava pensando nela? Saí dos pensamentos e concentrei-me em dormir. Já estava quase caindo no sono quando fui abraçado e ganhei um beijo no olho esquerdo.

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