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Capa do romance PROCURA-SE UM AMOR

PROCURA-SE UM AMOR

Catarina embarca em uma jornada obstinada para vivenciar o amor em todas as suas facetas. Diferente de muitos, sua busca não nasce de pressões externas ou pactos familiares, mas sim de um desejo genuíno de amar e sentir-se amada. No entanto, ela logo percebe que esse sentimento não pode ser forçado. O verdadeiro afeto costuma florescer de forma espontânea, surgindo nos momentos mais inesperados e em lugares que ela jamais ousou imaginar.
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Capítulo 2

Abro a porta de casa e tento fazer o mínimo de barulho possível. Por uma pequena fresta passo por ela, entro e fecho a porta, trancando em seguida. Espero que Deus me ajude e que Cassandra já esteja dormindo. Me viro para ir para o quarto e levo um puta susto.

- Como foi?

- Cacetada!

Digo com a mão no peito, tentando talvez acalmar meu coração acelerado. Minha irmã acende a luz da sala e volta a cruzar os braços, me encarando como uma mãe que acabou de pegar o filho voltando de uma festa que foi escondido.

- Quase me matou do coração!

- Tem medo de mim, mas não de sair pela noite pra conhecer um homem que pode ser seu assassino?

- Cassandra, você precisa parar de assistir séries de suspense e investigação. Está ficando paranoica!

- Isso não tem nada a ver com séries, mundos imaginários. É a nossa realidade e parece que você vive em uma bolha, Catarina!

- Eu apenas não aceito viver no seu mundo de medo.

Realmente exausta de brigar com ela sobre isso, decido ir para o meu quarto.

- Hoje você voltou pra casa bem, mas pode ser que dá próxima vez eu te perca!

Ela vem andando atrás de mim e quando entro em meu quarto, não me deixa fechar a porta.

- Você não me escuta!

- Escuto!

Digo quase gritando e olhando em seus olhos.

- Mas eu não vou deixar suas loucuras, paranoias e tudo mais me impedirem de encontrar alguém legal.

Seu corpo relaxa e odeio quando me olha culpada assim.

- Não quero te impedir de encontrar um cara legal. Mesmo sabendo que não existe cara legal no mundo.

Se aproxima e me abraça forte.

- Só quero te proteger!

- Tente fazer isso sem me sufocar.

- Você é a única coisa que eu tenho, Catarina!

Me entrego ao seu abraço e respiro fundo.

- Não sou imprudente! Confie em mim!

- Você está marcando encontro com desconhecidos! Usa sites de namoro, faz montagens de bebês com estranhos. Como posso confiar em você?

- Pedi pra confiar e não achar que sou normal!

Nós duas rimos.

- Todo mundo tem um pouco de loucura e essa é a minha.

Nos separamos e começo a tirar a merda do vestido.

- Você voltou sem maquiagem.

- Estava me incomodando.

Começo a colocar meu pijama e vejo Cassandra deitar na minha cama.

- Vai me contar como foi?

- E ouvir mais um discurso de mãe super protetora? Não!

Vou para o banheiro e lavo meu rosto.

- Prometo ficar caladinha!

Escovo meus dentes e tento pensar se é uma boa ideia contar que levei um bolo de um desconhecido e fui parar em um boteco. Termino de escovar os dentes, seco minha boca, mãos e volto pro quarto.

- Vem! Me conta tudo!

Ela já está embolada no meu edredom, dando espaço pra mim.

- Vai dormir comigo?

- Vou! Odeio brigar com você.

Me deito ao seu lado e ela nos cobre. Viramos de bruços, agarramos nossos travesseiros e ficamos nos olhando.

- Me conta tudo! Onde marcaram de se encontrar?

- Em um bar bem aconchegante de um amigo dele.

Minto, tentando de todas as formas não deixa-la perceber. Cassandra me conhece muito bem.

- Qual o nome?

- Não me lembro agora!

Bar do Juca não é algo que ela deva saber.

- Quem chegou primeiro?

- Ele!

Respondo rápido e nervosa.

- Está me escondendo algo!

- Não!

- Continua!

- Cheguei e estávamos tão nervosos que ficamos em silêncio por um longo tempo.

Ela está em silêncio até agora! Minha mente acusa e tento não rir.

- Quem quebrou o gelo?

- Ele!

- Como?

- Pedindo tequila.

Me lembro de quando bebi tequila com o Gustavo.

- Como ele é?

Oh merda! Não faço ideia de como é o Osvaldo. Karen não me mostrou foto, então não sei como descrever.

- Está pensando demais!

- Tentando lembrar dos pequenos detalhes.

Fecho um olho pensando.

- Alto, loiro, olhos verdes, nariz levemente grande e tem a barba da mesmíssima cor do cabelo.

Eita! Acabei de descrever o Gustavo!

- Um Deus grego!

Minha irmã comenta e rimos juntas.

- Qual o nome do cara?

- Apolo!

Respondo agora gargalhando e ela me acompanha. Que o Gustavo me perdoe, mas vou usa-lo como "o cara do encontro", essa noite.

- Estranho!

- Pois é!

Digo tentando controlar o riso.

- Você gostou dele?

Sua pergunta me faz refletir. Gustavo é lindo, parece ter um coração maravilhoso e acima de tudo é encantador.

- Sim!

Respondo de puro coração.

- Foi a resposta mais sincera que me deu hoje.

- É porque eu realmente gostei dele.

- Vão se encontrar de novo?

- Não!

- Por que?

Solto um longo suspiro e tento achar uma forma simples de responder.

- Ele é muito areia pro meu caminhãozinho.

- Só por que o cara é alto?

- Não! É porque ele é típico cara que namora modelos, deusas, atrizes, mulheres incríveis e poderosas.

- Mas ele foi se encontrar com você e não com uma dessas mulheres.

Dou um tapa em seu braço e Cassandra ri alto.

- Era pra dizer que sou uma mulher incrível e poderosa!

Tento parecer magoada.

- Você é!

- Cala a boca!

Cutuco sua barriga várias vezes e ela se contorce na cama.

- Para!

Quando perde o fôlego me abraça. Suspira e ficamos um pouco em silêncio.

- Catarina!

- Oi!

- Você é a mulher mais incrível que eu conheço! Qualquer homem seria um idiota em não ver isso.

- Cassandra!

- Hum!

- Você fala isso porque sou a única pessoa na sua vida.

- Cala a boca e nunca mais diga que é pouca coisa pra macho escroto.

Não digo nada e apenas me acomodo em seu corpo pra dormir.

- Eu te amo!

- Também te amo!

**************

QUATRO DIAS DEPOIS

Pego minha bolsa e percebo olhos curiosos me seguindo.

- Um encontro?

- Sim!

- Apolo?

- Não!

Ela solta um longo suspiro e sei que se controla pra não surtar.

- Cuidado!

- Pode deixar!

Mando um beijo e recebo de volta um revirar de olhos.

- Vou te esperar acordada, então não chegue tarde!

- Tchau!

**************

Entro no bar e já procuro o Gustavo no balcão. Resolvi vir uma hora antes do horário marcado pra conversar com ele. O encontro atendendo duas meninas cheias de sorrisos pra ele. O infeliz está flertando com elas? Mas são clientes! Olho em volta e decido ir para uma mesa qualquer, longe dessa cena bizarra. Me sento e não consigo deixar de olhar novamente pra eles. O pior é que as duas garotas são lindas pra caramba. Uma morena maravilhosa como a Cassandra e uma ruiva exótica. Decido evitar olha-lo e puxo meu celular do bolso. Que maravilha! Uma hora procurando o que fazer pra não ficar olhando safadezas alheias. Espero pelo menos que esse Caio chegue mais cedo e me tire desse momento estranho.

- Cat!

Viro a cabeça e me deparo com um enorme sorriso pra mim.

- Gust!

Gustavo começa a rir alto e para a minha surpresa se senta a minha frente, na minha mesa.

- Encontro?

- Sim!

- Esse também não vem?

- Vim mais cedo, mas se Deus quiser esse vem.

Tomba a cabeça de lado, vendo minha roupa.

- Está linda!

- Me mandou vir como sou!

Dou de ombros e espero que Caio me aceite de jeans surrado, all star e blusinha preta básica. Estou usando pelo menos brincos de argola e uma corrente bonita!

- Seu cabelo ficou legal assim!

- Chama rabo de cavalo! Valoriza o pescoço que eu não tenho!

Ele começa a rir alto.

- Você tem pescoço!

- Não! Tenho uma papada que dividi minha cabeça do tronco.

Sua risada chama a atenção das duas meninas no balcão. Elas saem de onde estão e vem pra perto da gente.

- Gu, você pode fazer aquela bebida deliciosa pra gente?

- Vou pedir pro Valdir servir vocês! Estou dando uma pausa!

Pisca pra elas que, não parecem felizes. Ele se levanta, some e as coisinhas voltam pro balcão. Em alguns minutos o Gustavo volta com uma porção de fritas e duas cervejas.

- Me fala desse cara!

- Não tenho nada ainda pra dizer! Encontro de site de relacionamentos. Juntaram o meu perfil e o dele e estamos aqui pra ver o que rola.

Pego uma batata e enfio na boca.

- Nossa! Isso aqui é bom!

- Meu tempero secreto!

Pisca pra mim e percebo que usa como charme essa piscadinha. Pego mais uma batata e quando coloco na boca, chupo os dedos. Ele ri de tudo que eu faço e isso começa a me irritar.

- Qual a graça?

- Estou tentando achar o seu pescoço!

Gargalha alto e chuto sua perna por baixo da mesa.

- Você roubou o estoque de pescoço que tinha no céu! Pescoço, pernas e braços. Vim parecendo um dinossauro e você uma girafa.

Ele chora de tanto rir.

- Desculpa o comentário, mas sua bunda larguinha parece mesmo de um dinossauro. E os bracinhos curtos comendo batata.

Jogo uma batata nele que pega no ar e enfia na boca.

- Fico feliz que te faça rir feito uma anta acasalando.

- Catarina!

Olho pro lado e vejo um homem.

- Sou o Caio!

Olho para o Gustavo e dou um sinal com a cabeça pra vazar.

- Com licença!

Me levanto e estico minha mão.

- Prazer!

Ele é um pouco mais alto do que eu, tem cabelos pretos super organizado na cabeça, um bigode nada sensual e usa óculos. Um mistura de anos 80 com nerd.

- Senta!

Peço soltando sua mão e nos sentamos. Ele me olha! Olho pra ele! Ninguém fala nada e isso não me agrada.

- Quer batata?

- Não! Acho que não devia comer isso! Sabe Deus como foi feito! Olha esse lugar!

Fala com cara de nojo e ergue o copo limpo a sua frente, tentando achar alguma sujeira.

- Por que escolheu aqui? Podemos pegar alguma doença.

- Caio, me fala sobre você!

Peço pra ver se impeço essa boca de só falar merda.

- Sou gerente de um setor financeiro! Moro sozinho em meu apartamento quitado e tenho um carro, também quitado.

- Certo! Acho que isso não vai dar certo.

- Por que?

- Sou decoradora de ambientes, moro com a minha irmã em um lugar alugado e não tenho carro. Sou completamente perdida no mundo e desorganizada. Amo lugares assim!

Essa parte estou mentindo! Isso aqui é realmente mal cuidado e administrado, mas é um lugar legal e tem um cara legal.

- Acha que eu devo ir embora?

Confirmo firmemente com a cabeça.

- Certo!

Ele se levanta sem graça e vai embora sem olhar pra trás. Vejo no balcão o Gustavo com as coisinhas e acho que também devo ir embora. Deixo dinheiro que imagino pagar as fritas e a cerveja e sigo para fora do bar. Assim que passo pelas portas, alguém segura meu braço.

- Onde vai?

Olho a mão me segurando e subo para o rosto.

- Ir embora! O encontro já acabou!

Gustavo sorri e solta meu braço.

- Fica!

- Pra que?

- Quero te mostrar uma coisa!

- Acho melhor ir!

- Por favor, fica!

Seus olhos verdes pedindo pra ficar é de amolecer pernas e coração.

- Só um pouco!

Sorri e pega minha mão.

- Não vai se arrepender.

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