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Capa do romance PROCURA-SE UM AMOR

PROCURA-SE UM AMOR

Catarina embarca em uma jornada obstinada para vivenciar o amor em todas as suas facetas. Diferente de muitos, sua busca não nasce de pressões externas ou pactos familiares, mas sim de um desejo genuíno de amar e sentir-se amada. No entanto, ela logo percebe que esse sentimento não pode ser forçado. O verdadeiro afeto costuma florescer de forma espontânea, surgindo nos momentos mais inesperados e em lugares que ela jamais ousou imaginar.
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Capítulo 3

Gustavo me puxa de volta pra dentro do bar e parece um menino feliz que vai mostrar um brinquedo novo. Nos aproximamos do balcão onde estão as duas coisinhas sentadas em seus banquinhos. Um senhor muito, mas muito velho mesmo está servindo algo a elas.

- Valdir, segura as pontas por aqui?

- Claro!

Sorri todo safadinho e não sei se é por ficar com as coisinhas ou pelo Gustavo que me arrasta pra algum lugar. Ai caramba! Isso é algum sinal entre eles pra pegar mulher? Estou sendo levada pro abate? Ele me quer? Olho para o Gustavo que não parece excitado, louco pra transar, mas sim pra mostrar de verdade algo importante. Novamente caio na real de que não sou atraente como as coisinhas pra ele.

- Vem!

Entramos atrás do balcão e seguimos para uma porta bang bang, estilo faroeste perto do freezer com as cervejas. Abre a porta e esquecendo que elas vão e voltam muito rápido não segura a infeliz que vem com tudo na minha cara.

- Aí!

Meu nariz lateja, meus olhos lacrimejam e o idiota está rindo.

- Desculpa!

Me ajuda a passar pelas portas e segura meu rosto em suas mãos.

- Mil desculpas!

- Sempre quis fazer uma plástica no nariz. Obrigada por isso!

Beija minha testa e me leva para uma cadeira. Me sento e fecho os olhos, sentindo a dor tomar meu rosto todo.

- Vou pegar gelo.

Mantenho meus olhos fechados e só escuto o barulho que faz abrindo as coisas.

- Toma!

Segura minha mão, coloca um pano gelado e levo ao meu rosto, sentindo a dor acalmar.

- Se a sua intenção era me cegar antes de me mostrar algo, atingiu com perfeição seu alvo.

Sua risada me faz sorrir.

- Esqueci de segurar a porta. Estou empolgado demais!

Tiro o pano do meio do rosto e aos poucos vou abrindo os olhos. Foco em seu sorriso encantador e tento não suspirar. Ele tinha que ser tão lindo assim? Devia ser o tiozinho do bar, todo largado e curtido na pinga.

- Acho que já posso conviver com a dor, mas vou ficar passando a toalha no rosto pra ajudar.

- Certo! Preparada?

- Sim!

Sai da minha frente e me mostra uma linda, impecável e invejável cozinha industrial.

- Te apresento meu mundo, meu sonho!

- Uau!

Parece que estou na cozinha de um restaurante.

- Parece que entrei em um armário e saí em Narnia!

Gustavo ri alto e ando pelo espaço lindo e bem cuidado.

- É sério! Bar e cozinha são totalmente opostos! Como pode isso?

- Senta aqui perto de mim.

Puxa a cadeira para uma bancada. Me sento e o vejo ir pra geladeira.

- Minha paixão é cozinhar! Fiz cursos de muitas coisas e me achei nos lanches. Gosto de inventar uma combinação perfeita para pão, carne, molhos, queijos e outras coisas. Estou testando meu menu de lanches e queria muito te usar como degustadora.

- Uau!

Digo completamente em choque.

- Isso explica aquelas batatinhas incríveis.

- Sim! Faço para acompanhar os lanches. Tenho outros acompanhamentos, mas hoje te mostrarei apenas os lanches.

Pega um monte de coisas da geladeira e vem equilibrando nos braços, todo torto. Ele é descoordenado e fofo ao mesmo tempo. Coloca tudo sobre a bancada, pega no armário outras coisas e volta.

- Esses pães eu fiz hoje de tarde!

Me mostra oito tipos de pães diferente.

- Antes de montar meus lanches pra você, preciso saber se tem alergia a alguma coisa.

- Não! Como de tudo, então sou a degustadora perfeita.

Bate as mãos empolgado e liga a chapa.

- Certo! Não sei por onde começar.

- Respira!

Puxa o ar e o solta lentamente.

- Pega duas cervejas pra gente lá fora?

- Pego!

Saio da cadeira e volto pro bar. As coisinhas me olham e vejo que ficam assustadas. Deve ser porque meu rosto está vermelho e provavelmente começando a ficar deformado. Uma ideia idiota passa pela minha cabeça. Vamos nos divertir com isso. Faço cara de sofrida, pego as cervejas e antes de voltar sussurro pra elas.

- Socorro! Ele quer me matar!

As coitadas pegam as bolsas nervosas e Valdir me olha, sem entender nada. Dou um sorriso pra ele e volto pra dentro da cozinha.

- Pronto!

Abro as cervejas e coloco na bancada. Gustavo já colocou as carnes no fogo. Elas não parecem iguais.

- Me explica os lanches enquanto faz.

- Certo!

- Tenho quatro hambúrgueres de carne vermelha, com temperos diferentes. Dois de frango, também com temperos diferentes. Um de linguiça caseira e um de peixe com camarão.

- Interessante!

Olho a bancada e vejo os pães.

- Pão preto?

- Sim! É para o de linguiça.

- Hum!

Cada pão tem um toque diferente, que imagino seja para diferenciar os lanches, tornando-os único.

- Abre pra mim os potes?

- Claro!

Abro todos os potes e vejo tomate, rúcula, alface americano, cebolas caramelizadas, queijos diferentes, picles, azeitonas e cebola. Gustavo vira as carnes e começa a cortar os pães.

- Para cada lanche eu inventei um molho único.

Fala como se fosse a sétima maravilha do mundo.

- Seus lanches são 100% artesanais?

- Sim!

Pega oito pratos e coloca a minha frente. Abre os pães neles e vejo suas mãos tremendo.

- Por que está nervoso?

- Você é a primeira pessoa a prova-los.

- Sério?

- Sim!

- Por que?

Agora suspira pesado e olha pra mim.

- O bar é herança de família! Vem passando de geração em geração. Antes do meu pai falecer, ele me fez jurar que cuidaria daqui.

- Faz tempo que ele faleceu?

- Cinco anos.

- Sinto muito!

Começa a montar os lanches.

- Não vai me contar o que tem nos molhos?

- Não! Segredo do chef.

- Então me fala mais sobre o bar e sua paixão por cozinhar!

- Quando montar o menu, quero levar para as minhas irmãs e minha mãe. Pedir a aprovação para tornar o bar uma lanchonete.

- Você precisa da aprovação delas?

- Sim! Elas são tudo o que tenho! Isso aqui faz parte de todos nós e necessito que estejam comigo para mudar o que nunca ninguém mudou.

- Isso foi fofo!

- São quatro irmãs e uma mãe, tem noção da batalha que vai ser pra convencer todas?

É impossível não rir. Se apenas uma mulher na minha vida já me causa dor de cabeça, imagina cinco.

- Acho que precisará mais do que um menu! Já verificou como serão as mudanças e quanto sai tudo?

Seus ombros quase despencam e fico com pena.

- Juntei um dinheiro para arcar com a reforma, mas não tenho pra pagar as pessoas na obra. Posso pintar, limpar depois, montar móveis, mas não faço ideia de como mudar os ambientes e tudo mais. Precisaria de engenheiro, arquiteto, decorador.

- Não precisa de tudo isso!

Digo e ele vai montando os lanches.

- A cozinha foi reformada recentemente?

- Sim! Um amigo meu me ajudou.

- Esse amigo consegue ajudar nos banheiros e alguns pontos?

- Acho que sim!

- Você tem um excelente local, que só precisa de reparos, uma boa pintura e repaginada nas coisas.

Finaliza os lanches e limpa as mãos.

- Seu amigo faz os reparos, você pinta e eu arrumo o resto. Apenas me dê o dinheiro e vejo o que consigo fazer.

- Isso é sério?

- Sim! Mas não esqueça de ver a parte burocrática com a prefeitura pra que isso ocorra legalmente.

- Está falando sério?

- Sim! Sou decoradora de ambientes e seria um prazer te ajudar a tornar esse Boteco em uma linda e acolhedora lanchonete.

Pego o primeiro lanche e dou uma bela mordida. Mastigo com gosto e o sabor é maravilhoso.

- Isso está... ótimo!

Digo de boca cheia e ele ri.

- O melhor está no fim!

Mostra pra mim um monstro de lanche.

- Passa ele pra mim!

Puxa o prato pra minha frente e entrego a ele o lanche que mordi. Enquanto mordo o mega lanche, Gustavo morde o que eu provei antes.

- Meu Deus!

Reviro os olhos quase tendo um orgasmo.

- Que molho é esse?

Abro o lanche e pego a parte de cima. Começo a lamber o molho sozinha e nunca provei nada tão bom assim.

- Isso está muito divino!

Pega do pote mais molho e passa no pão que estou lambendo.

- Também sou louco por esse sabor!

Entrego ao Gustavo o pão melecado e puxo o pote de molho pra mim. Começo a comer que nem brigadeiro e ele ri demais.

- Quero um pote desse só pra mim.

- Quando eu fizer mais te dou. Prova os outros!

Volto a degustar os lanches e quando chego no ultimo, me sinto estufada.

- Uau! Minha calça jeans vai estourar.

- Quer uma calça de moletom minha?

- Uma calça sua em mim seria a mesma coisa que vesti uma camisinha Extra GGGG em um pinto de 5 cm.

Ele gargalha alto e me solto na cadeira, sentindo que não posso respirar ou vomito.

- O que achou de todos?

- Quer sinceridade?

- Sim!

- O hambúrguer de peixe com camarão com o molho é divino, mas misturado ao alface americano não ficou legal. Colocaria nele agrião.

- Agrião?

- Sim! Dar uma apimentada e um tchan no lanche.

- Espera!

Vai pra geladeira, pega um pote e volta. Abre e vejo o agrião. O que sobrou do lanche ele tira o alface e coloca agrião. Morde e fecha um olho.

- Verdade! Ficou bem melhor!

- De resto não mudaria nada.

- Certo!

- Sabe o que poderia fazer?

- O que?

- Eu comeria todos e teria dificuldade de escolher. Poderia fazer versões menores e montar uma porção de mini lanches. Ou um rodízio com lanches menores e as pessoas provarem todos.

- Gostei da ideia.

Fala animado e se inclina pra mim.

- É sério que vai me ajudar?

- Sim! Vamos montar uma apresentação bonita com a mudança do local, junto com o menu. Apresenta a sua família e se elas aceitarem, te ajudo em tudo.

Sua mão segura a minha bem forte.

- Você não faz ideia de como isso é importante pra mim. Obrigado mesmo! Nem sei como agradecer.

- Passe livre, vitalício na sua lanchonete.

- Feito!

- E...

Aponto para o lanche maior, com o molho mais top.

- Aquele lanche ganha o nome de Catarina.

- Feito!

- E...

Aponto para o lanche preto com linguiça.

- Aquele vai se chamar Cassandra em homenagem a minha irmã negativa e que não gosta de homens.

- Seu humor é maravilhoso. Feito!

Olho meu relógio e já são três da manhã!

- Merda! Preciso ir embora.

Saio da cadeira tão rápido que quase vomito!

- Eu te levo pra casa!

- Não precisa! Meu amigo vem me pegar de novo.

Vou até Gustavo e na ponta dos pés beijo seu rosto.

- Tchau! Depois volto pra conversarmos sobre as mudanças.

Pego o pote com o molho delicioso e pisco pra ele.

- Fui!

*************

Abro a porta de casa e sei que não preciso ser cautelosa. Cassandra deve estar me esperando acordada. Assim que fecho a porta, a luz se acende e me viro.

- Meu Deus! O filho da puta te espancou? Seu rosto está ficando roxo perto dos olhos e nariz. Nunca mais vai nessas merdas de encontros.

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