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Capa do romance Predador: O Dono do Morro

Predador: O Dono do Morro

No comando do Morro do Caos, um homem astuto dita as regras. Do outro lado está Ana, que vende conteúdo online para garantir o sustento familiar. Após um encontro inesperado em um restaurante, surge uma proposta inusitada: fingir ser a nova companheira dele para mascarar o abandono de sua ex-mulher. O que começa como um contrato de conveniência logo se torna perigoso. Será que a farsa resistirá ao surgimento de sentimentos reais e profundos?
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Capítulo 1

PREDADOR NARRANDO

Minha vida não tem sido fácil nos últimos dias.

— Queimem nos pneus.. Não, esse traidor não merece ser enterrado, ele merece virar pó. — Saí andando e coloquei a arma no coldre nas minhas costas, nervoso e impaciente.

É difícil lidar com traidores. Julio conspirava contra mim junto com mais algumas pessoas, eu já dei um jeito de matar todos, não tenho tempo pra ficar dando chance pra ninguém. Essas pessoas iriam me trair com minhas armas, metralhar minha casa e meu carro, provavelmente matar minha esposa, meu cachorro, e depois me torturar até a morte mas não antes de eu passar o poder do morro pra eles. Eles acham que sou burro? Não, eu não sou. Deixei claro quando assumi o morro.

Um plano bizarro como esse merece aplausos, devo dizer. Eu não posso negar a genialidade de um homem que conseguiu convencer seis dos meus a me trair, mesmo sabendo do quanto eu sou macabro. Depois dessas mortes, tudo que eu queria era um tempo para relaxar.

Cheguei em casa e precisava de um banho. Minha esposa Aline estava deitada na cama, coberta com o lençol, sem roupas. É uma morena dos cabelos lisos e longos, unhas sempre feitas e com alongamento, cílios, siliconada, fez lipo e vive nos salões de granfina fora do morro. A mulher sabe se cuidar... Para uma mulher da idade dela, entrando nos quarenta, aparenta uns trinta. É uma tremenda de uma gostosa. Nos conhecemos ainda na escola e ela ascendeu ao morro comigo.

— Aline, vem tomar banho comigo. — Falei. — To querendo te dar um cheiro.

— Tô exausta e já tomei banho bonitão, mas quando você chegar, vou estar aqui pra você. Tô louca pra dar pro dono do morro... — Ela disse de forma maliciosa.

Temos um casamento bom. Eu gosto de como vivemos.

Alguns dias se passaram desde que tudo aconteceu. Minha esposa Aline começou a me ignorar, o que me deixou irritado, afinal, eu tenho um monte de vadias me rondando e me querendo... E ela fica me ignorando sem motivo? Não faz sentido, essa puta tá querendo apanhar.

— Mano, você enlouqueceu? Tá me ignorando pra caralho tem uns dias... O que caralhos eu fiz? Eu tô tentando consertar as coisas entre a gente, tentando falar contigo, e você me ignora. Você nunca fez isso, Aline! O que houve?

— Eu estou de saco cheio de você descontar suas frustrações e suas paranoias nos seus súditos. Eu sei que você matou o Julio e ele era meu amigo! Eu não sou idiota, sei que você matou ele por ciúme de mim por causa dos boatos que rolam no morro. O Julio era meu amigo desde a infância, e você o matou e...— Ela abraçou o travesseiro e eu dei um soco na porta do banheiro da nossa suíte.

— Mas que porra, mulher! Eu não tô acreditando que você tá defendendo esse vagabundo traidor! Eu lá tô sabendo de boato de você com ele, velho, não quero saber! Ele já tá morto e antes disso eu não tava nem aí pro que ele fazia ou deixava de fazer... E outra... Cheio de vagabunda querendo sentar na minha rola e você de frescura! — Gritei. — Quer saber? Eu vou começar a comer todo mundo, já que de mim você só quer o dinheiro! Sua vagabunda mal caráter! — Ela se irritou e se levantou da cama onde estava sentada. Estava com um short muito curto e uma camiseta mostrando a barriga reta da lipo que eu paguei. O que ela tem de irritante, tem de linda.

— Eu, vagabunda e mal caráter? Acho que você tá confundindo as pessoas e falando de você mesmo, seu imbecil. É você quem não presta aqui, você quem é um merda violento e ridículo. — Me aproximei dela, apontando o dedo na cara dela e a olhando com ódio.

— Nunca fui violento com você, diferente dos outros homens que passaram pela sua vida. Quer que eu cite os nomes? Você sabe quem eu sou e o que eu tenho que fazer. Você tá reclamando porque eu matei seu amiguinho? Ele merecia mais que isso, acredite, eu queria ter esfolado ele vivo, mas por misericórdia dei um tiro nele e mandei queimar. Acho que essa misericórdia veio por sua causa. — Ela soltou uma risada.

— Você é ridículo... Misericórdia? Misericórdia do que? Olha, quer saber... Nosso casamento já acabou faz tempo, Predador... E só você não viu. — Ela cruzou os braços e se sentou na cama.

— Tá louca, mulher? Tu tá cada dia mais perturbada. Não merece mais meu dinheiro.

— Quer saber de uma coisa, Henrique? Eu cansei. Cansei de você jogar na minha cara as coisas que você paga pra mim. Se não fosse por mim, você não teria chegado aonde chegou. Eu estive do seu lado controlando essa sua impulsividade por muito tempo, e você não mudou, não melhorou em nada, continua o mesmo ridículo de sempre. Você não me merece. Eu vou embora, e você que fique chupando o dedo... E aliás, se você quer saber, eu... Eu dormi com o Júlio!

Ela foi até o armário e começou a retirar as roupas. Eu comecei a rir de forma impulsiva e nervosa ao ouvir o que ela disse. Imaginei que ela estivesse falando para me provocar... Ou ao menos era o que eu queria acreditar.

— Vai embora e se sustentar como? Vai virar puta, né? Porque não tem mais nenhum atributo além da beleza. Você é uma tapada, não passa disso. — Ela colocava as coisas na mala de forma rápida. Ela chorava e ao mesmo tempo guardava tudo com ódio.

— Viro puta mas não fico mais no mesmo teto que você. Eu nem sei porque ainda estou aqui, sinceramente. — Disse. Eu a segurei pelo braço, a fazendo me olhar e ela começou a gritar. — Me solta!

— Você tá falando sério sobre ir embora?

— Toda essa situação é uma merda e eu não quero mais. — Ela fechou a bolsa e começou a se trocar com a roupa que havia separado. — Eu não aguento mais você! Você matou o meu Julio!

Naquele momento, ela me atacou e começou a me socar. Eu empurrei Aline longe, e ela bateu na parede de costas. Ela me olhou como se aquilo fosse a maior das agressões.

— Seu agressor de mulheres!

— Eu? Você não me viu agredindo alguém pra falar que isso foi uma agressão. Se eu quisesse te bater, você tava moída. Eu te empurrei porque você tava fazendo drama me estapeando!

Essa mulher não tem moral nenhuma de julgar em quem eu bato ou coisa do tipo. Ela é doida, por acaso? Fala sério...

Eu a vi sair pela porta com a mala dela, parecendo uma adolescente fugitiva, mas não disse ou fiz nada. Eu também estou cansado dessa louca. Acho que nosso casamento já deu, o único problema, é que eu sempre fui muito apaixonado nessa maluca. Agora, eu não sei o que fazer.

Talvez eu deva encher meu rabo de droga e bebida, comer umas mulheres por aí e esquecer dela. Mas é inegável que meu coração se partiu. Ela conseguiu lascar com o pouco de sanidade que eu tinha.

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