
Predador: O Dono do Morro
Capítulo 2
ANA NARRANDO
Meu nome é Ana, e eu sou garçonete em um restaurante nada convencional no centro da cidade. Basicamente, meu trabalho é me exibir de biquini para os homens e entregar lanches e bebidas, e é claro, eu acabo usando isso para divulgar meu outro trabalho: Tenho uma conta em um site de conteúdo adulto onde posto fotos sensuais. Já fui convidada para fazer programas e aceitei alguns, é claro, não sou burra... Eles fazem ofertas e eu aceito suas propostas caso sejam boas o suficiente. Não é nada difícil, e eu estou bem com isso. No início era complicado... Mas a gente tem que se virar pra sustentar quem amamos.
Moro com meu filho de oito anos e com minha mãe em um apartamento que eu pago bem caro por mês. Dona Elenita, minha mãe, me acolheu quando fugi de casa grávida. Eu tinha vinte anos, estava com quase sete meses de gravidez e perdida porque não aguentava mais apanhar do esposo da minha irmã, que hoje já está morta. Hoje, quem a acolhe sou eu, já que tenho melhores condições. Está um pouco frágil pela idade, tem sessenta anos e foi doméstica a vida toda, esse foi um dos motivos de eu ter morado na casa da minha irmã desde cedo, ela não tinha dinheiro. Agora que eu tenho, a trouxe para morar comigo em uma casa mais segura do que a dela.
Meu filho se chama João Gabriel e não tem pai em sua certidão de nascimento. Eu não me importo assim como não me importo de ser o que os outros chamam por aí de “puta”. Jamais direi a ele quem é seu pai, porque Gabriel é fruto de um abuso do esposo da minha irmã, e isso é uma merda. Não pude nem ao menos contar pra ela. E mesmo que ele tenha vindo dessa forma, ele é o motor que me motiva a continuar vivendo. E ele foi minha melhor escolha. Eu poderia ter abortado, mas eu decidi continuar com a gravidez porque não gosto desse papo de aborto, pelo menos não pra mim. Cada um que faça com seu corpo o que quiser, é claro, mas pra mim, não rola.
Hoje, faço essas coisas para sustentar minha família: Dona Elenita e João Gabriel. Eles merecem o melhor, e eu dou meu máximo para conseguir isso.
Cheguei no meu trabalho como sempre. Era apenas mais um dia comum. Eu fiz o que tinha que ser feito. Entreguei bebidas de biquini e é claro, divulguei minha conta no site adulto para os homens ali. E hoje foi um dia ótimo, porque as gorjetas foram bem altas.
Quando terminei meu turno, depois de me trocar, olhei para o dinheiro e sorri satisfeita. Foi um pouco mais de mil reais, o que é ótimo.
Meu telefone começou a tocar antes de eu entrar no carro e eu atendi.
— Oi, mãe. — Falei, sorrindo ao telefone. — Quer que eu leve algo para a senhora comer? O João tá bem?
— Não precisa, minha querida. Já comi e o João tá ótimo. Conseguiu trabalhar?
— Sim, consegui.
Minha mãe não tem ideia do que eu faço. Ela acha que trabalho com marketing digital e dou aulas de dança. Tadinha. Ela sabe que faço bicos de garçonete, mas se ela soubesse que eu sirvo os clientes de biquini, ficaria bem chateada.
— Bom, eu vou buscar o João Gabriel e vou dar uma volta com ele no shopping. Ele precisa de roupas novas e as gorjetas hoje foram excelentes, acredita que tirei quase mil reais? Louco, né?
— Caramba, mil reais? Isso é muita coisa! Queria eu ter essa sorte de ter tido um emprego em um restaurante de granfino igual você. Bom, querida... Se você precisar de mim, me liga.
Cheguei na escola do meu filho com meu carro. Minha vida não é fácil, e eu não sou rica. Preciso ser cautelosa porque tem meses que consigo quase dez mil reais, e em outros, não consigo atingir dois salários mínimos mesmo trabalhando todos os dias. É complicado, mas eu decidi investir na educação dele de qualquer forma. Meu filho vai em uma boa escola, pois quero que seja alguém de sucesso.
— Oi, mãe! — Ele veio andando calmamente. Eu o abracei e dei um beijo demorado em sua bochecha. — Senti saudade. Seu turno demorou muito ontem... Não ganhei meu beijo de boa noite.
— Também estava, filho. — Falei. Sorri para a monitora e acenei, indo em direção ao carro. — Meu turno demorou mesmo, acabei tendo que cobrir uma colega, mas enfim... Como foi seu dia?
— Muito bom, mãe. Deu tudo certo aqui na escola e aprendi muitas palavras legais em inglês.
Entramos no carro. João Gabriel tá naquela idade que quer ser menos criança. Ele adora andar no banco da frente, e eu deixo, porque o menino é alto pra caramba.
— Vamos almoçar em algum lugar legal? — Ele perguntou. Foi meio que um pedido.
— Vamos no shopping comprar umas roupas pra você.
— Aí sim! Eu posso comprar minha corrente de aço hoje?
— Pode, muleque. Vai ficar chave. — Pisquei um dos olhos e ele sorriu.
Dirigi até o shopping calmamente. Chegamos, e enquanto meu filho escolhia uma das correntes eu fiquei gerenciando minhas redes sociais.
Depois das compras, fomos pra casa. Lá, meu filho me entregou a agenda e eu vi o que estava sendo dito ali: As crianças iriam viajar para um intercâmbio. É claro que eu quero que meu filho participe...
— Eu vou ter que trabalhar mais, preciso pagar isso daqui. — Sussurrei comigo mesma.
E assim, depois de pouco tempo com meu filho jogando um pouco de videogame, tive que voltar para o quarto mais uma vez e procurar algum cliente para me vender, para tentar conseguir mais dinheiro. É exaustivo, mas é meu trabalho. Eu não consegui nenhum outro que pagasse bem, que me fizesse ter uma boa projeção de futuro... Então continuo assim. Confesso que vez ou outra me dói...
— Vou te pegar as sete. — O cliente disse.
— Certo, eu te espero.
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