
O Gêmeo do Meu Noivo, Uma Farsa Cruel
Capítulo 2
Ponto de Vista: Fernanda Moraes
A maioria das pessoas não sabia que Fernanda Moraes não era meu nome verdadeiro. Era o nome que eu havia adotado cinco anos atrás, um nome mais simples e comum para uma vida mais simples e comum com Bruno. Meu nome verdadeiro é Aurora Valois, a única herdeira do império imobiliário Valois, um nome que carregava o peso do dinheiro antigo e de um poder imenso. Eu havia escondido tudo por ele, acreditando que nosso amor era suficiente.
Naquela noite, algo dentro de mim se quebrou. A garota que acreditava em contos de fadas, a mulher que se mudaria por um homem, morreu naquele chão frio do corredor do hotel. Em seu lugar, uma nova mulher nasceu das cinzas da traição.
Respirei fundo, meus dedos voando pela tela enquanto eu respondia à mensagem anônima.
"Estou interessada."
A resposta foi instantânea. "Ótimo. Estou em outra cidade pelos próximos dois meses. Não podemos nos encontrar pessoalmente ainda. Mas podemos começar agora. Você está dentro?"
Era uma proposta estranha, construída sobre mistério e distância. Mas agora, o mistério parecia mais seguro do que as verdades brutais que eu acabara de descobrir. A distância parecia um escudo.
"Sim", digitei. "Mas com uma condição."
"Diga."
"A mulher com quem você está começando isso não é Fernanda Moraes. É Aurora Valois."
A pausa do outro lado foi breve, mas pude sentir a surpresa. "Como desejar, Aurora."
Naquela noite, não fui para casa. Fui a um bar, o tipo de lugar barulhento e lotado que Bruno sempre odiou. Bebi até as bordas da minha dor se desfocarem, e então tropecei de volta para o apartamento que eu dividia com um homem que não era meu noivo.
Daniel estava me esperando, seu rosto uma máscara de afeto preocupado que agora me dava arrepios. "Fernanda, onde você esteve? Está tão tarde. E você andou bebendo."
Ele estendeu a mão para mim, e eu recuei, meus olhos imediatamente caindo em seu pulso. Ele não estava usando o Rolex. Claro que não. Aquele estava com sua nova dona. O detalhe foi uma confirmação pequena e afiada de tudo que eu agora sabia.
"Não me toque", eu disse, minha voz mais fria do que eu pretendia.
Ele pareceu magoado, a imagem perfeita de um noivo preocupado. "Meu bem, o que há de errado?" Ele se aproximou, segurando meu rosto em suas mãos. "Você sabe que eu amo seus olhos mais quando eles estão brilhando. Não quando estão tristes assim."
Suas palavras foram como veneno, um eco direto do que eu ouvi Bruno dizer na villa. Meu estômago se revirou. Ele queria meus olhos. Ele estava elogiando a mesma coisa que planejava roubar.
Suportei seu toque, meu corpo rígido de repulsa. Ele se inclinou e me beijou. Foi um beijo suave e gentil, uma imitação perfeita do de Bruno. Parecia ser beijada por um fantasma, um espectro que usava o rosto do homem que eu amei um dia, mas carregava a alma de um estranho. Era total e profanamente errado.
No momento em que seus lábios deixaram os meus, eu me afastei. "Estou cansada. Vou para a cama."
Caminhei para o meu quarto sem olhar para trás, sentindo seu olhar confuso em mim. Fechei a porta e me encostei nela, meu corpo inteiro tremendo com uma mistura de fúria e nojo.
Do outro lado da porta, ouvi-o rir baixinho para si mesmo. Sua atuação caiu no segundo em que ele pensou que eu não podia ouvir. Não era o som de um amante preocupado. Era o murmúrio baixo e satisfeito de um predador aproveitando a caça.
"Isso é mais divertido do que eu pensava", ouvi-o resmungar.
Na manhã seguinte, abri meu armário e passei pelas fileiras de roupas bege, cinza e azul-marinho — a paleta preferida de Bruno. Bem no fundo, encontrei o que procurava. Um vestido vermelho-sangue vibrante que eu não usava há anos. Eu o vesti, apliquei o batom vermelho escuro que ele odiava e saí do meu quarto.
Daniel estava na sala de estar, vestido com um dos ternos sob medida de Bruno. Ele ergueu os olhos do jornal e seus olhos se arregalaram.
"O que você está vestindo?", ele perguntou, a testa franzida em desaprovação.
"Um vestido", respondi secamente.
Ele se levantou e veio até mim, sua mão estendendo-se para tocar o tecido de seda. "É... muito chamativo. Vá trocar por aquele branco que eu escolhi para você. Vamos visitar o vovô hoje."
Ele tentou me guiar em direção ao quarto, seu toque um comando gentil, mas firme. A antiga Fernanda teria obedecido sem uma palavra.
Dei um tapa na mão dele.
"Não", eu disse, minha voz clara e firme. "Eu gosto deste."
Sua máscara de paciência escorregou por uma fração de segundo. Um lampejo de irritação cruzou seu rosto antes que ele o suavizasse de volta a um sorriso plácido. "Fernanda, não seja difícil."
"Eu disse não."
Dirigimos para a mansão da família Medeiros em um silêncio tenso. A mansão era tão grandiosa e imponente quanto eu me lembrava, um lugar onde eu sempre me senti como uma estranha, uma convidada com um prazo de validade.
Tínhamos acabado de entrar no grande hall quando Carla apareceu no topo da escada, guiada por uma empregada. Ela estava vestida com um vestido branco imaculado, seu rosto pálido e inocente, a bandagem ainda em volta de seus olhos.
No momento em que ela "ouviu" minha voz cumprimentando o mordomo, seu rosto se contorceu em uma máscara de fúria.
"Sua vadia!", ela gritou, sua voz de repente forte e afiada. "O que você está fazendo aqui?"
Antes que eu pudesse reagir, ela se lançou. Ela se moveu com uma velocidade e certeza que uma pessoa cega não deveria possuir, suas mãos encontrando o pesado vaso de cristal em uma mesa próxima. Ela o ergueu bem alto e o trouxe com força contra a minha cabeça.
A dor explodiu atrás dos meus olhos. O mundo girou em uma névoa estonteante. Cambaleei para trás, minha mão voando para a minha cabeça. Quando a afastei, meus dedos estavam pegajosos com sangue quente e escuro.
"Que porra há de errado com você?", gritei, minha voz tremendo de choque e fúria.
Comecei a me mover em direção a ela, para me defender, mas Bruno — o verdadeiro Bruno — apareceu de repente. Ele se moveu como um raio, colocando-se entre mim e Carla, seu braço bloqueando meu caminho.
"Fernanda, pare!", ele ordenou, sua voz uma lâmina de gelo.
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