Capa do romance O anjo que veio do inferno

O anjo que veio do inferno

8.0 / 10.0
Em Machia, o padre Killian, descendente da realeza local e homem de fé inabalável, cruza o caminho de Danna, herdeira narcisista enviada à cidade por punição. Enquanto ela tenta seduzi-lo por capricho, ele busca converter a jovem cética à redenção. Ambos escondem passados sombrios e traumas profundos que os conectam. Entre a tentação proibida e o dever espiritual, um segredo compartilhado ressurge, ameaçando o vínculo intenso que nasce entre opostos tão marcados pela culpa.

O anjo que veio do inferno Capítulo 1

Avisos Gerais

A obra O ANJO QUE VEIO DO INFERNO é fictícia e não se embasa na opinião pessoal da autora quanto à assuntos como Religião, Crenças, Mitos, Moralidade etc.

O livro contém cenas com descrição de sexo explícito, abuso, estupro, falta de moralidade, uso de drogas, morte, podendo causar gatilhos.

Não recomendado para menores de 18 anos.

Há cenas em que são citados personagens e passagens da história A SAGA DOS KASENKINOS, mas não é uma leitura obrigatória para o livro atual.

CURIOSIDADES: Esta história foi baseada em dois livros antigos escritos pela autora na sua adolescência, nunca publicados: O Anjo que Veio do Inferno e Loucuras de Amor.

CAPÍTULO 1. DANNA DAVE

- Senhorita Dave, podemos começar a jogar as pétalas de rosas? – Ouvi a voz do copiloto no fone que encobria minhas orelhas.

- Sim. – Respondi, ansiosa.

A partir da minha confirmação, os outros dois tripulantes começaram a jogar as pétalas naturais que estavam organizadas nos sacos de seda pura, fazendo com que uma chuva de pétalas vermelhas caíssem sobre a casa de Jax Gatti, meu professor de Artes Plásticas da faculdade de Belas Artes.

Eu sorria satisfeita do alto do helicóptero ao perceber as pessoas saindo de suas casas minúsculas e singelas, completamente impressionadas com a cena.

- Podemos nos aproximar mais? – Perguntei ao microfone, enquanto meus olhos alcançavam o piloto à frente, que virou brevemente na minha direção.

- Não, senhorita Dave. Mais próximo que isto não é seguro.

- Preciso ver melhor a reação da... Da pessoa que está dentro da casa. – Expliquei.

- Não há como, senhorita.

- Claro que há! – contestei – Eu pago o dobro do combinado. – Propus.

- Não é seguro! – O copiloto olhou para o piloto, intrometendo-se na conversa.

- Exijo que me coloquem mais próxima da casa. – Falei claramente.

- Não podemos fazer isto, senhorita Dave.

Bufei, certa de que não se aproximariam, nem por qualquer dinheiro do mundo. Eu odiava pessoas no geral... Mas as éticas e com senso de responsabilidade de causavam repulsa. As não “compráveis” então... Poderiam ser extintas do mundo.

Quando o terceiro saco foi esvaziado e observei o telhado avermelhado de pétalas bem como parte do quintal e da rua de onde Jax morava, achei que poderia ter investido em mais pétalas.

Por fim, quando vi que havia feito um verdadeiro show e chamado a atenção de todos do bairro de classe média baixa onde o homem morava, me dei por satisfeita e mandei que o piloto me levasse de volta à base.

Enquanto entrava na limusine, liguei para a concessionária:

- Alô! É Danna Dave.

- Ah, senhora Dave. Espere um segundo que estou passando sua ligação para o nosso gerente.

- Seja rápida, por favor, pois não tenho tempo a perder. – Revirei os olhos, entediada.

Assim que o gerente atendeu, disse:

- Senhorita Dave, já providenciamos tudo.

- Quase dois minutos para alguém levar o telefone até você? – fiquei incrédula – Já ouviu falar em ramal ou linha direta?

- Ah, sim... Me desculpe por fazê-la perder este precioso tempo, senhorita Dave, mas estamos providenciando a linha por ramais sim. Gostaria do meu celular para facilitar nossa comunicação numa próxima vez?

- Próxima vez? – gargalhei – Acha mesmo que farei negócios com você numa próxima vez? Dois minutos do meu tempo esperando que alguém leve o telefone... Isto é a coisa mais absurda que já vi na vida.

- Peço humildemente desculpas, senhorita. E aproveito para garantir que o automóvel já foi entregue no endereço solicitado, com o laço em tamanho grande e o cartão.

- Quem recebeu?

- Uma mulher.

- Entregaram o cartão em mãos a ela?

- Sim, como solicitou.

- Ótimo!

- Mas temos um problema, senhorita Dave...

- Um problema? – Arqueei a sobrancelha, furiosa – Eu não trabalho com problemas.

- A mulher mandou que recolhêssemos o automóvel e trouxéssemos de volta. Isso foi minutos depois que entregamos.

Eu gargalhei, achando perfeito. Depois perguntei:

- Mas não aceitaram devolução, não é mesmo?

- Claro que não, senhorita Dave. O automóvel está pago e deixamos claro que se não quisessem, deveriam livrar-se dele de outro modo, pois não aceitávamos devolução.

- Ótimo!

Encerrei a ligação e deitei a cabeça no banco em couro da limusine, finalmente conseguindo descansar um pouco. Fazer aquela surpresa para o meu professor havia me levado um bom tempo, especialmente na parte de conseguir as flores frescas, alguém que se dispusesse a fazer a chuva de pétalas num local tão urbanizado e movimentado bem como a entrega do carro zero quilômetro causando um verdadeiro estardalhaço no lugar.

Ainda de olhos fechados, sorri satisfeita. Se não fosse para causar barulho, não era eu, Danna Dave.

Lembrei do que eu havia escrito no cartão-presente junto do carro: “O presente perfeito para agradecer a noite perfeita.”

Não havia como a esposa dele não acreditar naquilo. Ninguém daria um carro e faria chover pétalas de rosas vermelhas do céu se não tivesse dormido com o homem perfeito, que lhe proporcionasse o orgasmo mais intenso e duradouro da vida.

Ao menos era assim que eu imaginava que seria gozar com Jax... Sentir meu corpo estremecer em seus braços enquanto ainda me fodesse até que eu implorasse que parasse, pois não aguentava mais tantos orgasmos em tão pouco tempo.

Liguei para o celular de Moana à noite, mas ela não me atendeu. No telefone de casa, avisaram que ela havia saído com algumas “amigas”. Como assim tinha saído com “amigas”? Não era eu a amiga dela?

Como não tinha aula com Jax naquela noite, não fui à faculdade. Pouco me importava com as aulas sem graça que perderia, ministradas por professores sem vaidade, feios, metidos a intelectuais ridículos e cujas vozes me causavam tédio.

Em torno de oito horas da noite desci para o primeiro andar e perguntei à uma das empregadas:

- Onde está meu pai?

- O senhor Dave não está em casa, senhorita.

Eu ri, com escárnio:

- Acha que não sei disto? Por acaso imagina que sou cega?

- Não, senhorita. Me perdoe a forma como falei... Não quis ofendê-la... Ele só... Não chegou... Ainda.

Respirei fundo, não disposta a demitir outra empregada naquela semana. Meu dia não havia sido de um todo ruim para que eu destruísse a vida de uma pobre coitada que se achava capaz de trabalhar na minha casa. Lhe daria uma nova chance, já que eu era uma boa pessoa. Mas se novamente me tratasse como uma débil mental, já que era óbvio que eu sabia que meu pai não estava em casa e caso soubesse não me daria ao trabalho de perguntar, gastando minha preciosa voz.

Voltei para meu quarto e peguei o celular, discando diretamente para ele:

- Pai, onde você está?

- Oi, Danna. Irei jantar com Nadine hoje.

- Como assim irá jantar com Nadine?

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