Capa do romance Eu e o monstro

Eu e o monstro

9.1 / 10.0
Criados juntos desde a infância, Adrian e Adeline compartilham uma história profunda, mas marcada por percepções opostas. Para ela, ele sempre foi um homem gélido e indiferente que a evitava. No entanto, a realidade é sombria: Adrian nutre uma obsessão avassaladora por Adeline. Enxergando-a como sua propriedade exclusiva, ele está disposto a cruzar qualquer limite e manipular o que for necessário para garantir que ela jamais saia de seu controle.

Eu e o monstro Capítulo 1

Adeline McConnell 

Achei que seria mais um jantar em família, onde todos nós nos reunimos para ficar em silêncio, um olhando para a cara do outro.

O que eu não sabia era que o meu pesadelo estava prestes a começar, isso porque minha mãe estava anunciando o meu casamento, casamento esse que eu mesmo não sabia.

Quando ela anunciou diante de todos no meio da sala que eu e Adrian nos casaríamos, fiquei desolada, casar com ele seria a pior tragédia que poderia acontecer comigo. Preferia a morte a ter que conviver com esse bad boy para o resto da minha vida.

E esse não era nem o pior de tudo, eu estava sendo comprada como uma mera mercadoria por um milhão de dólares, porra, um milhão, por que alguém me compraria por tanto dinheiro e ainda ele?

Meu pai, Peterson McConnel, e minha mãe Valkiria McConnel, não me deram nem o direito à palavra. Tentei me levantar e dizer que negava toda aquela sujeira em meu nome, mas fui calada, calada pelos meus próprios pais no meio de todo mundo.

Os papéis já estavam assinados, por ambas as partes, meu primo de consideração que tinha sido adotado, Adrian Price, me comprou e agora estou selada a ele por um papel que eu rasgaria em mil pedaços se eu pudesse.

O idiota estava lá sentado enquanto nossos pais comemoravam com vinho. As pernas cruzadas, os olhos escuros e o cabelo preto curto, com os lábios bem vermelhos enquanto seu polegar roçava levemente, me olhando, como se estivesse captando o fundo da minha alma.

Coloquei atrás da orelha o meu cabelo castanho curto, desviei o meu olhar dele, estou com nojo e o quero longe de mim. Adrian é um idiota, desde pequeno ele sempre fez pouco caso de mim, diferente do seu irmão Joe. Joe sempre me tratou bem e, quando Adrian me ignorava e eu chorava, Joe me acolhia.

Agora, o que esse idiota quer? O que ele quer de mim? Ele sabe que não vamos ter um casamento normal, nós nos odiamos desde pequenos, eu não vou ser dele e nem ele de mim.

- Por que o silêncio? - Os dedos pararam de roçar os lábios freneticamente e seus olhos se voltaram para mim.

Sua voz era fria e rouca, algo que me dava medo. E tê-lo falando tão friamente comigo, mesmo que seja o mínimo de atenção, é estranho, me causa embrulho no estômago e tenho vontade de vomitar.

- Por que? - Eu precisava saber o porquê daquilo, não fazia sentido para mim.

Californiana é enorme, existem dezenas de mulheres que iriam querer um Badboy, que fariam de tudo para esse homem. O futuro dono de um banco multimilionário, mas por que eu? Uma estudante de direito de apenas 23 anos, ele tem o mundo e eu estou conquistando o mundo.

- Se não fosse eu, seria o Joe - seus dedos entrelaçaram.

Eu ri, audacioso, seria muito melhor se fosse o Joe, meu amigo, que sempre cuidou de mim. Joe seria um homem incrível e com certeza não precisaria de um contrato para me amarrar a ele, eu faria isso de livre e espontânea vontade.

- Eu não poderia deixar - balançou a cabeça em negação.

- Não poderia deixar o que, porra? - Cochichei para os nossos pais não escutarem.

Meu corpo numa ponta do sofá e o dele na outra, seus olhos me averiguando, o silêncio enquanto esperava pela sua resposta que não mudaria em nada do que estou sentindo por ele, ódio, ódio e rancor.

- Você se casar com o meu irmão, eu te vi crescer, garotinha - levantou o cenho. - Quando eu tinha cinco anos, te peguei no colo, você tinha apenas dois, e mesmo a gente se odiando, eu não entregaria você de mão beijada para outro homem.

Fiquei desacreditada, balançando a minha cabeça, negando qualquer merda que saísse da sua boca.

- O que é isso? Amor é que não é.

- Amor? - Ele riu. - Eu não te amo, nem nos piores mundos eu te amaria, mas se tiver que estar selada a algum homem, esse homem serei eu.

Meu coração martelou, ódio subindo ainda mais, ele queria me amarrar a ele, por quê? Por pura vingança?

- Então acha que vai se casar comigo e que vai me aguentar? - disse entre dentes. - Se prepare para o inferno, Adrian, não vou te deixar ter sossego, vou ser pior que o demônio.

O sorriso dele se alargou, o que mexeu comigo, não fazia sentido ele rir em uma situação como aquela. Mas é claro, aquele era o Adrian, o idiota mesquinho que acha que pode ter tudo o que quiser, mas ele não vai acabar com a minha e ficará por isso mesmo. Vou fazer um inferno, juro que vou acabar com tudo.

- Não dou um ano para você me devolver - deixei claro.

- É isso o que vamos ver, te terei trancada em minha casa, mesmo que seja a porra de um demônio, estará presa a mim - avisou, se levantando e se retirando. 

 Meu coração estava em fúria, eu queria acabar com ele, enfiar minhas unhas na sua carne até que desistisse dessa ideia idiota.

O que me dava mais raiva era vê-lo, todo comportado, de terno, quando eu sei que esse homem gosta mesmo é de jaqueta de couro. Com corpo rígido e sério, sendo que adora fumar charuto.

Levantei-me e fui até o espelho, olhei-me com o colar que eu usava, o vestido preto que escolhi porque achava bonito, mas agora está parecendo que estou em um velório.

Peguei um pouco de vinho, enchi a minha taça e fiquei olhando a senhorita Coraline, mãe do Adrian, conversando com a minha mãe, planejando o meu casamento sem a minha autorização.

O senhor Gray conversando com o Adrian e o Joe, escutei ele dizendo algo sobre ter um herdeiro na família, o que me fez rir, nunca vou me deitar com esse homem. Joe se aproximou de mim, ele tem a mesma idade que eu, 23, e Adrian tem 25, o filho primogênito.

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