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Capa do romance O Gêmeo do Meu Noivo, Uma Farsa Cruel

O Gêmeo do Meu Noivo, Uma Farsa Cruel

Fernanda viveu um ano com um impostor sem saber que seu noivo, Bruno, amava a irmã adotiva, Carla. O plano era cruel: casá-la com o gêmeo para roubar suas córneas. Após ser chicoteada, incriminada por assassinato e jogada em um hospício por Bruno, ela sobreviveu. Mas Fernanda esconde um segredo: ela é Aurora Valois, uma herdeira poderosa. Dada como morta, ela ressurge do inferno para retomar sua identidade e viver sua própria vida, longe de toda a traição.
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Capítulo 1

Meu noivo tem um irmão gêmeo. No último ano, o homem com quem dividi a cama não era meu noivo.

Eu descobri que o homem que eu amava era apenas um ator, um substituto. Meu verdadeiro noivo, Bruno, estava secretamente casado com sua irmã adotiva, Carla.

Mas o plano deles era muito mais sinistro do que apenas trocar de lugar. Eles iam me deixar casar com o gêmeo, e então forjar um "acidente" para colher minhas córneas para a Carla.

Quando descobri a trama, Carla me incriminou por atacá-la. Bruno, o homem que jurou me proteger, mandou me chicotear até eu sangrar no chão.

Então, ela assassinou o avô dele e me culpou. Ele não hesitou. Me jogou em um hospital psiquiátrico para apodrecer.

Ele nunca questionou as mentiras dela. Simplesmente me descartou, a mulher que ele dizia amar há cinco anos.

Mas eles esqueceram uma coisa. Eu não era apenas Fernanda Moraes, uma órfã indefesa. Eu sou Aurora Valois, herdeira de um império. Depois de ser resgatada daquele inferno, forjei minha morte e desapareci. Agora, estou de volta para começar uma nova vida, e desta vez, estou vivendo por mim mesma.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Fernanda Moraes

Meu noivo tem um irmão gêmeo. No último ano, o homem com quem dividi a cama não era meu noivo.

Descobri isso por uma mensagem de texto anônima.

"Venha para a Villa Estrela D'Ouro. Quarto 302. Você vai encontrar uma surpresa."

Eu quase apaguei. Bruno e eu estávamos juntos há cinco anos. Íamos nos casar no mês que vem. Isso parecia uma tentativa patética e desesperada de alguma mulher que não conseguia aceitar que ele estava comprometido.

Meu dedo pairou sobre o botão de bloquear.

Mas então, uma segunda mensagem chegou. Era um vídeo.

Meu coração começou a martelar no peito, um som surdo e pesado. Apertei o play.

O vídeo era tremido, filmado do outro lado de um bar mal iluminado. Vi um homem que era a cara do Bruno — o mesmo maxilar definido, o mesmo cabelo escuro que ele sempre jogava para trás da testa. Mas este homem era diferente. Ele estava largado no balcão, um cigarro barato pendendo dos lábios, seus olhos com um brilho cínico e imprudente que eu nunca tinha visto em Bruno.

Ele estava rindo com a pessoa que filmava.

"Então, você vai mesmo fazer isso?", perguntou a pessoa atrás da câmera. "Vai simplesmente fingir que é ele? E casar com a garota dele?"

O homem que parecia o Bruno deu uma longa tragada no cigarro e soltou um anel de fumaça. "Por que não? Ele está me pagando o suficiente pra valer a pena. Além disso", ele sorriu de lado, sua voz um eco rouco do tom suave do meu noivo, "parece um jogo divertido. Entrar na vida do CEO perfeito por um tempo."

O vídeo acabou.

O celular escorregou dos meus dedos dormentes, batendo no chão de madeira com um barulho seco. O ar sumiu dos meus pulmões. Senti como se uma faixa de ferro estivesse esmagando meu peito.

Um jogo. Minha vida, nosso amor, era um jogo.

Não hesitei. Peguei minhas chaves, minha mente uma tempestade de negação e terror incandescente. Dirigi até a Villa Estrela D'Ouro, o endereço da mensagem queimando em minha mente.

A villa era um resort privado e isolado que Bruno possuía, um lugar reservado para seus clientes mais importantes. Eu nunca tinha estado aqui. Ele sempre dizia que queria manter sua vida profissional separada da nossa.

Encontrei o quarto 302. A porta estava entreaberta. Minha mão tremia enquanto eu a empurrava o suficiente para ver lá dentro.

E então ouvi a voz dele. A voz real de Bruno. Não a imitação grosseira do vídeo, mas aquela que sussurrou promessas em meu ouvido por cinco anos.

"Seja boazinha, Carla. Só mais um pouco da sopa."

Era um tom que eu não ouvia há anos. Gentil. Paciente. Cheio de uma ternura que ele não me mostrava mais.

Espiei pela fresta. Bruno estava sentado na beira de uma cama, dando sopa cuidadosamente a uma mulher com uma bandagem nos olhos. Carla. Sua irmã adotiva.

Ele limpou gentilmente uma gota de sopa do queixo dela com o polegar. Foi um ato de intimidade tão casual que uma onda de náusea me atingiu.

Ela estava usando o relógio dele. O Rolex que eu economizei por dois anos para comprar para ele em nosso terceiro aniversário. Ele pendia solto em seu pulso delicado, um lembrete constante e brilhante de um amor que deveria ser meu.

"Eu não quero, Bruno", Carla murmurou, sua voz fraca e frágil. "Está amargo."

"Eu sei", ele acalmou. "Mas é bom para você. O médico disse que você precisa dos nutrientes para ajudar na sua recuperação." Ele falou sobre o acidente de carro que ela sofreu há um ano, aquele que supostamente lhe causou uma lesão cerebral grave, resultando em amnésia e cegueira parcial. Ele disse que a culpa era dele, que ele deveria estar dirigindo.

Meu coração, que eu pensei que não poderia se quebrar mais, se estilhaçou em um milhão de pedaços.

Então a voz frágil de Carla cortou o ar novamente. "Irmão... nós estamos realmente casados?"

A colher na mão de Bruno parou a meio caminho de seus lábios. O silêncio no quarto era ensurdecedor.

"Sim", ele disse, sua voz baixa e firme. "Estamos."

O mundo girou. Meus ouvidos zumbiam. Casado. Ele era casado com a irmã dele. Enquanto estava noivo de mim.

"Então... e a Fernanda?", Carla perguntou, seu rosto enfaixado virando em minha direção como se pudesse me sentir ali. "Você ainda vai se casar com ela no mês que vem."

Bruno pousou a tigela. "Não se preocupe com ela. É apenas uma formalidade."

Uma formalidade. Cinco anos da minha vida, uma formalidade.

"Vou fazer o Daniel ir em frente com a cerimônia", ele continuou, sua voz assustadoramente calma. "Ela me ama tanto, é completamente obediente. Não vai notar a diferença. Depois do casamento, vamos arranjar um pequeno... acidente. As córneas dela são perfeitamente compatíveis com as suas, Carla. Assim que você tiver os olhos dela, poderá ver novamente."

Levei a mão à boca para abafar um grito. Meu sangue gelou. Ele não estava apenas planejando se substituir em minha vida. Ele estava planejando me descartar, me fatiar por partes como se eu não fosse nada mais do que uma coleção de órgãos.

Lembrei-me de todas as vezes que ele acariciou meu rosto e me disse que amava meus olhos. "Eles são tão claros, Fernanda", ele costumava dizer. "Como olhar para um céu limpo." Ele não estava me admirando. Ele estava fazendo compras.

Todos os sacrifícios que fiz por ele passaram pela minha mente. Abri mão do meu sonho de ser pintora porque ele disse que o cheiro de terebintina lhe dava dor de cabeça. Mudei todo o meu guarda-roupa porque ele preferia um estilo mais sóbrio e clássico. Cortei amizades com pessoas que ele considerava barulhentas ou sem sofisticação. Eu me moldara na mulher perfeita para ele, apagando partes de mim mesma até ser apenas um reflexo de seus desejos.

E para quê? Para me tornar uma doadora de órgãos para sua esposa secreta.

De repente, a cabeça de Bruno virou-se para a porta. "Quem está aí?"

Meu coração parou. Prendi a respiração, pressionando-me contra a parede.

Ele se levantou e caminhou em direção à porta. Eu podia ver sua sombra crescendo, estendendo-se pelo chão. Por um segundo aterrorizante, pensei que ele me encontraria. Mas ele apenas olhou para fora, seu olhar passando direto pelo meu esconderijo no corredor mal iluminado, e então fechou a porta com firmeza.

Ouvi a fechadura estalar.

Através da madeira, pude ouvir a voz de Daniel, agora clara e no quarto com eles. "Tudo correndo de acordo com o plano?"

"Perfeitamente", respondeu Bruno. "Ela não suspeita de nada."

Ele pegou Carla nos braços, embalando-a como se fosse a coisa mais preciosa do mundo, e a levou para o interior da suíte, longe da porta.

Minhas pernas finalmente cederam. Deslizei pela parede, meu corpo tremendo incontrolavelmente.

Nesse momento, meu celular vibrou na minha mão. O identificador de chamadas dizia "Bruno".

Meu dedo tremeu ao atender.

"Oi, meu bem", a voz alegre e rouca de seu gêmeo, Daniel, encheu meu ouvido. "Só ligando pra dar boa noite. Sinto sua falta."

Meu estômago se revirou de nojo.

"Bruno", sussurrei, minha voz rachada e crua de lágrimas não derramadas. "Acabou."

"O que foi, querida?", ele perguntou. Uma rajada de vento uivou do lado de fora da villa, e ele não deve ter me ouvido por causa do barulho. "Não consigo te ouvir. Te vejo amanhã, ok? Te amo."

Ele desligou.

A finalidade daquilo me atingiu como um golpe físico. Ele nem me ouviu. Minha declaração de liberdade, minha última e desesperada tentativa de recuperar um pedaço de mim mesma, foi perdida ao vento.

Fiquei ali, no chão frio de um hotel onde não deveria estar, e finalmente deixei as lágrimas caírem. Eu tinha dado a este homem meu coração, minha alma, meu mundo inteiro. E ele tinha pegado tudo, planejando me deixar com nada além de uma cova vazia.

Bem, ele estava enganado.

Enxuguei minhas lágrimas com as costas da mão. Meu amor não era um presente para ser descartado. Era uma parte de mim. E eu estava pegando de volta.

Meu celular vibrou novamente. Outra mensagem do número anônimo.

Desta vez não era um aviso. Era uma oferta.

"Ele não é o único com opções. Você também tem. Interessada em um novo acordo?"

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