
O Escolhido para ser Usado - Livro 1
Capítulo 2
*THALIA*
Acordo de sobressalto com o despertador do meu celular, mas mesmo depois de desligá-lo continuo deitada na cama relembrando minha vida. Hoje marca o início do meu novo começo.
Levanto indo ao banheiro, tiro minha camisola de seda e a deixo no chão, entrando no box, ligo o chuveiro deixando a água levar minhas inseguranças. Tomo um longo banho e quando termino, respiro fundo me enrolando na toalha e vou para meu pequeno closet onde escolho um conjunto de lingerie vermelho de renda.
Está esperando o que vestindo este lingerie debaixo da roupa? Tem segundas intenções no seu novo emprego? Não vá estragar tudo sua idiota! — Alerta meu inconsciente.
— Não te perguntei nada — respondi, mesmo sabendo que parecia uma idiota discutindo comigo mesma.
Decido não dar ouvidos e continuo a me arrumar, pego uma saia social preta que vai até acima dos joelhos, a qual valoriza minhas curvas e uma blusa social branca que coloco por dentro da saia e deixo os dois botões da parte de cima abertos.
Entro no banheiro e aplico uma sombra clara, rímel e um lápis preto nos olhos, tudo bem básico apenas para realçar o verde dos meus olhos, e por fim um batom vermelho arrebatador. Voltando para o quarto, paro na frente do enorme espelho que fica ao lado da porta e dou uma boa olhada em meu perfil.
— Nada mal! — falo em voz alta, virando de costas para ver a situação do meu cabelo. Ele era ondulado e castanho, seu comprimento era um pouco acima da cintura, decido deixá-lo solto.
— Que foi? — Pergunto quando percebo Malu na porta do quarto me olhando de cima a baixo com um sorriso no rosto.
— Você está linda amiga, irá arrancar suspiros dos homens! — olho para ela gargalhando e dando de ombros respondo: — Meio que é esta a minha intenção. — ela me olha boquiaberta e eu rio ainda mais — Calma amiga, estou brincando — completo.
Ela me olha sacudindo a cabeça sorrindo e sai do quarto me deixando sozinha.
Tomamos um café rápido. Sempre levo Malu ao seu trabalho. Parando na frente do prédio respiro fundo, e então Malu fala:
— Thali respire fundo vai dar tudo certo, confio em você, esqueça o passado e se concentre no futuro. — Olho para ela dando-lhe um sorriso sem mostrar os dentes e balanço a cabeça concordando com suas palavras. Tirando o cinto ela me puxa para um abraço meio desajeitado.
— Obrigado por tudo que você faz e fez por mim, eu te amo sua boba — falo retribuindo o seu abraço.
— Eu também amo você sua boba, agora deixe de melancolia, vá e arrase! — Ela dá um beijo na minha bochecha e sai do carro me desejando boa sorte.
Dirijo por cerca de 20 minutos até chegar na LAFAIETE MIDYA CORPORATION. É uma empresa multinacional que tem mais de 25 anos no mercado e trabalha com o marketing de médias e grandes empresas.
Consegui chegar até aqui através do meu antigo emprego, pois meu chefe viu que eu tinha potencial e me indicou para a vaga. Ele mal sabe o quanto me ajudou, pois, não tive que dar muitas explicações do porque tinha que me mudar novamente.
Fui contratada como a nova diretora de marketing o que é uma grande responsabilidade. O trabalho exige que conheça bem o mercado e saiba qual o público-alvo da empresa, fazendo com que o público interaja com o produto, ou seja, entender qual a necessidade do consumidor e usar isso a favor da empresa, assim contribuindo para o crescimento da marca. Amo trabalhar nesta área, pois há como se trabalhar com diversas personalidades de diferentes maneiras. Em muitas das vezes brinco dizendo que gosto de fazer com que algo simples se torne imensurável e inesquecível.
O edifício onde a empresa funcionava era um dos mais bonitos e altos, todo espelhado e tinha em ambos os lados prédios menores como um anexo.
Passo pela portaria do edifício dando o meu nome e mostrando meu crachá, dessa forma o segurança me indica a vaga onde posso estacionar o meu carro. Sigo para o elevador e aperto o botão do 23º andar e aguardo para subir, enquanto isso dou mais uma olhada no espelho do elevador passando a mão no meu cabelo para arrumar alguns fios que estavam fora do lugar. Eu estava um pouco nervosa e ansiosa, pois seria um dos trabalhos mais importantes da minha vida, desde que decidi lagar tudo.
Respire, levante a cabeça e vá em frente, esqueça aquele idiota que te fez sofrer, você é uma nova mulher e não precisa mais dele! — Fala meu inconsciente.
Enfim ele tinha razão. O elevador chegou ao andar desejado, saio e sigo para uma recepção que ficava logo à frente do elevador. Quando a recepcionista me vê se aproximar, ela sai de trás do balcão vindo na minha direção.
— Bom dia Srta. Velmon, estávamos a sua espera — fala estendendo a mão para mim que retribuo o aperto. — Sou Ana, fui designada para recepcioná-la.
— Bom dia, não precisa me chamar pelo sobrenome, me chame apenas de Thalia. — digo com um sorriso no rosto. Não sou muita fã destas formalidades de chamar as pessoas pelo sobrenome, mas no mundo dos negócios é assim, então era uma coisa que eu tinha que conviver.
— O Sr. Lafaiete a aguarda, me acompanhe por favor — diz Ana, me guiando por um corredor que ficava logo atrás da recepção. Ela não era muito alta, tinha cabelos presos em um coque e estava vestindo uma saia social cinza com uma pequena abertura na parte de traz e um blazer da mesma cor.
Passamos por algumas portas e paramos na última que ficava no fim do corredor. Ana bateu levemente na porta 3 vezes.
— Entre! — ouvi uma voz distante dizer.
— Sr. Lafaiete a Srta. Velmon se encontra aqui — informou ela entrando no escritório.
Eu a segui e fiquei boquiaberta com o tamanho da sala. Um lado era todo de vidro, possuindo um sofá grande e duas poltronas ao redor de uma mesa de centro, no meio do escritório tinha uma mesa grande de cor marrom com o notebook e alguns porta-retratos, logo atrás tinha uma estante da mesma cor que tomava boa parte da parede com alguns livros e arranjos. O Sr. Lafaiete estava sentado atrás da sua mesa olhando alguns papéis, quando ele me viu se levantou e veio até mim.
— Srta. Velmon, bom dia é um prazer enfim conhecê-la! — disse estendendo a mão para que eu o cumprimentasse.
— Bom dia Sr. Lafaiete, o prazer é meu. — digo o cumprimentando de volta.
Nicolas Lafaiete era um senhor de meia idade, que aparentava ter uns 50 anos, tinha os olhos castanho claros e o cabelo grisalho era bem cuidado. Estava bem vestido em seu terno preto, bem alinhado com uma gravata da mesma cor, se via que era um homem que se cuidava. Ele me guiou para que sentasse no sofá que ficava perto das grandes janelas de vidro, se sentando de frente para mim. Fiquei de “boca aberta” mais uma vez com a vista, era linda e se via tudo lá embaixo, era como se aqui em cima fosse um mundo completamente diferente.
— Você aceita um café ou chá? — pergunta ele.
— Prefiro café. — respondo. Não gosto muito de chá.
— Ana, você poderia trazer café para a senhorita Velmon e um chá para mim, por favor? — fala ele.
— Sim, senhor — responde ela saindo do escritório.
Um tempo depois Ana traz o meu café e o chá do senhor Lafaiete. Enquanto isso conversamos um pouco sobre o meu antigo trabalho.
— Seu antigo chefe, me deu ótimas referências, espero que a minha empresa esteja à altura do seu talento senhorita Velmon — diz ele. Dando um sorriso respondo:
— Pode me chamar de Thalia senhor Lafaiete, e quanto ao meu talento, espero estar à altura da sua empresa. O Heitor foi um ótimo chefe e nos dávamos muito bem e tenho certeza que também nos daremos bem — digo.
— Claro que sim, aqui nesta empresa, somos uma família — fala ele sorrindo.
A LAMIDYA, era muito conhecida por ser uma empresa que trata muito bem seus funcionários e clientes, fazia parte da política da empresa que todos fossem tratados de igual para igual.
Conversamos por um tempo sobre a empresa, mas também falamos sobre as nossas vidas, o senhor Lafaiete é casado com Aurora Lafaiete há 30 anos e com ela teve dois filhos uma menina que se chama Eliza e um menino Daniel. Eu, no entanto, não tive o prazer de conhecer meu pai, pois ele morreu logo depois que eu nasci e minha mãe ficou doente e quando completei 18 anos ela faleceu, eu a amava e ainda a amo só não gosto muito de falar dela, pois ainda não superei totalmente a sua morte, é como se faltasse um pedaço de mim. Então não tive uma vida muito fácil, ainda mais depois de ter feito a maior besteira da minha vida.
— Levarei você para conhecer as instalações da empresa, por favor me acompanhe — diz ele me tirando do meu devaneio.
O acompanho por boa parte da empresa, da qual ele vai me mostrando as instalações e explicando os setores além de me apresentar algumas pessoas que ali estavam, andamos por um tempo até que paramos em frente a uma porta.
— Thalia este é o seu escritório, espero que goste — diz ele dando-me espaço para que entrasse na sala.
O escritório não era tão grande, mas era perfeito, no centro havia uma mesa de escritório com um design bem moderno e havia duas cadeiras a sua frente, logo atrás tinha uma estante do mesmo estilo da mesa, do outro lado perto da grande janela de vidro tinha duas poltronas com uma mesinha de centro do mesmo tom da mesa. As paredes eram de tom claro deixando o ambiente bem leve. Fiquei muito feliz e com um sorriso de orelha a orelha.
— Muito obrigado Sr. Lafaiete é lindo, eu amei. — digo para ele.
Acenando com a cabeça ele sorri, e pegando o telefone que estava em cima da mesa, disca alguns números e aguarda pacientemente.
— Ana estou no escritório da senhorita Velmon, você poderia vir até aqui? — colocando o telefone no gancho. Não demora muito e Ana aparece no meu escritório.
— Sim senhor — diz ela.
— Você será a assistente da Srta. Velmon, irá ajudar no que ela precisar — fala o Sr. Lafaiete
— Com prazer senhor! — responde ela sorrindo.
— Thalia fique à vontade e seja bem-vinda. Agora preciso ir tenho uma reunião, se tiver dúvida pode perguntar a Ana ou a mim. Tudo bem? — fala o Sr. Lafaiete
— Tudo bem. Não se preocupe — falo a ele enquanto se despede saindo da sala.
Olho no relógio já era hora do almoço, o dia passou tão rápido e somente agora percebo o quanto estou com fome. Quando iria perguntar a Ana onde poderia almoçar ela diz praticamente lendo meus pensamentos.
— Srta. Velmon, está quase na hora do almoço, gostaria de almoçar comigo? Há um restaurante muito bom aqui perto.
— Claro Ana, mas por favor, me chame de Thalia, eu não me importo, de verdade. — Desde o momento que entrei aqui e fui recebida por Ana, gostei dela, espero que sejamos amigas além de colegas de trabalho.
Dois meses depois...
Esses últimos meses foram corridos. Assim que tive oportunidade fiz uma reunião com a minha nova equipe de marketing e pude observar o trabalho deles mais de perto. Eles eram focados e me receberam de braços abertos, o que me ajudou na adaptação nos primeiros dias.
O Sr. Nicolas também me ajudou bastante. Desde o início ele me tratou realmente bem e, depois que lhe contei sobre os meus pais ele me adotou como uma filha, sempre estava disposto a me ajudar e tirar todas as minhas dúvidas.
No último mês trabalhamos em uma campanha para uma joalheria que foi um grande sucesso e nos rendeu mais dois contratos permanentes e algumas campanhas experimentais para uma multinacional no ramo imobiliário. Estava agradecida pelo rumo que minha vida estava tomando, porém, nada me prepararia para as mudanças que estavam por vir.
Estava no escritório analisando algumas propostas da minha equipe quando o telefone toca.
— Sim, Ana. — respondi, pois já sabia quem era.
— Sr. Lafaiete pediu que fosse ao escritório dele, tem algo que ele deseja tratar diretamente com você — informa Ana.
— Vou agora mesmo — digo já levantando da mesa e seguindo até ao escritório do Sr. Nicolas.
Batendo na porta, abro e falo:
— O senhor pediu para me chamar? — pergunto entrando no escritório.
— Entre e sente-se minha filha, preciso realmente falar com você —reponde ele.
Sento-me de frente a ele na sua mesa e não consigo conter meu nervosismo, minha cabeça não para de trabalhar no que possa ser.
O que você fez de errado sua idiota! — Julgou meu inconsciente, o que no momento não me ajudou em nada.
— Algum problema? — pergunto com um tom preocupação na voz.
— Não há problema algum, não se preocupe Thalia — me tranquiliza ele. — Só queria informar a você que meu filho mais velho, o Daniel, chegará hoje de viagem e com isso algumas mudanças vão ocorrer na empresa.
— Mudanças? — pergunto alarmada.
— Estou velho e não tenho mais o mesmo vigor de antes e passarei para ele à presidência da empresa — fala ele.
Dou um sorriso triste e digo: — Entendo, mas a meu ver o senhor tem toda disposição para continuar no comando desta empresa.
Levantando da sua cadeira e vindo se sentar ao meu lado, ele continua: — Não vou sair totalmente da empresa, serei mais como um auxiliar e estarei aqui quando você precisar — pegando na minha mão — Só queria te avisar antes por que o Daniel tem um temperamento difícil, sempre que decido tirar umas férias e deixo ele no comando, ouço alguns comentários dos funcionários, mas, ele é responsável no trabalho, é exigente com os resultados, porém, acredito que vocês irão se dar bem.
— Tudo bem Sr. Nicolas. Não vou negar que foi uma surpresa para eu essa notícia, mas, entendo sua necessidade de diminuir o ritmo — falo com uma certa tristeza na voz. — Quanto ao seu filho, tenho certeza que nos daremos bem, pelo menos da minha parte, acredito que não teremos problemas — digo apertando sua mão levemente.
— O Daniel chegará hoje á tarde e faremos uma pequena recepção à noite e conto com a sua presença — indaga ele.
— Claro que irei. Não faltaria por nada — respondo, me levantando para voltar ao meu escritório. No caminho vou pensando no que o Sr. Nicolas me falou.
Como será o filho do chefe. — penso.
Chegando ao meu escritório peço a Ana que venha comigo até ele, depois que entro fecho a porta e falo para que ela se sente, ela nota o tom de preocupação na minha voz, mas não aguarda para que fale.
— Ana confio em você. Preciso que responda uma pergunta — falo a ela com um pouco de desespero na voz.
— Claro Thalia — responde ela, percebendo o meu nervosismo
— Ana, o Sr. Nicolas acaba de me informar que passará a presidência da empresa para o filho Daniel. E também informou que ele não tem o temperamento muito fácil. Preciso que você me conte tudo sobre o filho do Sr. Nicolas.
— Calma Thalia, você está muito nervosa. Vou te contar o que sei, mas primeiro de se acalme — disse, em seguida continuou — O Daniel além de ser um gato claro — sua pele ficou avermelhada de vergonha logo depois que percebeu o que havia dito. — Desculpe Thalia não deveria falar isso do meu futuro chefe. O que você vai pensar de mim? — fala ela ainda mais vermelha.
— Não precisa ficar com vergonha Ana e não vou pensar nada — falo a ela sorrindo. — Somos amigas afinal, certo? — completo piscando para que ela para que se sinta mais confortável.
— Claro que sim, você é uma das pessoas que mais confio aqui nesta empresa e sei que posso contar com você — responde Ana, mas continua:
— O Daniel é um tipo de homem que é o sonho de qualquer mulher. Ele é alto tem aproximadamente 1,88 metros, tem olhos azuis claros, é forte, tem um rosto bem delineado e além do mais é bem arrumado e cheiroso. Mas ele tem um gênio difícil e um temperamento forte e tem que ter um pouco de paciência para não perder a cabeça com ele. Seu apelido entre os funcionários é “Gatão Cretino”— fala ela.
—“Gatão Cretino”? — pergunto gargalhando.
— Sim. Você nunca viu uma foto dele? — pergunta ela.
— Não. Nunca me interessei em procurar — respondo. Ela se levanta, dando a volta na mesa, abre a internet no meu notebook e digita algumas palavras e clica em pesquisar. Quando a página carrega e aparece a foto fico impressionada, Ana tinha toda razão ele era um gato. Mas algo chama minha atenção ele me parece familiar.
Interessada em seu futuro chefe? — fala meu inconsciente. Surgindo para me importunar.
— O que achou? — pergunta Ana chamando minha atenção.
— Tenho que concordar com você, ele é um gato — respondo.
No entanto decido deixar esse assunto de lado e voltar ao meu trabalho, mas não consigo parar de pensar naquele rosto, tenho certeza que já o vi em algum lugar, porém não consigo lembrar.
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