Capa do romance A Esposa De Cristian

A Esposa De Cristian

9.1 / 10.0
A arquiteta Ana Isis Hayes Foster aceita um casamento por contrato com o CEO Christian Blackwood Ashford para salvar suas finanças. Ele busca garantir sua herança, mas a convivência desperta uma paixão inesperada. Ana se vê cercada pelo cunhado apaixonado, um rival italiano perigoso e o retorno de seu ex-noivo. Entre atentados e intrigas corporativas, ela precisa sobreviver ao mundo da elite enquanto descobre se o amor pode surgir de um acordo puramente comercial.

A Esposa De Cristian Capítulo 1

[ Park Slope, Brooklyn - Nova York ]

07 De Fevereiro, 05:45 AM.

O despertador tocou às cinco e quarenta e cinco da manhã, como todos os dias da semana. Ana Isis Hayes Foster estendeu o braço sonolenta, tateando a mesinha de cabeceira até encontrar o aparelho barulhento que insistia em arrancá-la dos poucos momentos de paz que conseguia ter.

Mais cinco minutos, murmurou para si mesma, puxando o cobertor fino sobre a cabeça. O apartamento em Park Slope estava gelado - novamente. O aquecedor havia pifado na semana passada, e o senhorio prometera consertá-lo "em breve", uma promessa que Ana já aprendera a não levar muito a sério.

Mas cinco minutos se transformaram em dez, e o segundo alarme - esse programado para as seis em ponto - a fez pular da cama de uma vez. Não podia se dar ao luxo de se atrasar, não quando seu salário mal cobria as despesas básicas e as parcelas do empréstimo estudantil pareciam crescer a cada mês.

Ana se dirigiu ao pequeno banheiro, evitando olhar no espelho rachado acima da pia. Sabia exatamente o que veria: olheiras escuras sob os olhos verde-acinzentados, resultado de mais uma noite mal dormida pensando nas contas em atraso e na saúde deteriorada do pai.

A ducha foi rápida e fria - a caldeira também estava com problemas. Ela se vestiu mecanicamente: calça preta que já não estava tão preta assim, blusa branca simples e o blazer cinza que comprou em promoção há dois anos. Não era o guarda-roupa dos sonhos de uma arquiteta, mas era o que podia pagar.

Enquanto preparava um café instantâneo na cozinha minúscula, Ana pegou o celular e checou as mensagens. Duas perdidas de Sophie, sua melhor amiga, provavelmente querendo saber como havia sido a reunião de ontem no escritório. Uma notificação do banco lembrando que a fatura do cartão venceria em três dias. E nada do hospital.

Sem notícias, boas notícias, disse para si mesma, repetindo o mantra que usava sempre que se preocupava excessivamente com o pai.

Robert Hayes Foster estava internado há duas semanas no Mount Sinai Beth Israel, depois de outro episódio cardíaco. Os médicos diziam que ele estava estável, mas Ana via a preocupação nos olhos deles quando pensavam que ela não estava olhando. As sequelas do acidente de trabalho de três anos atrás haviam deixado seu pai frágil, e cada internação parecia pior que a anterior.

Ana terminou o café, pegou a bolsa surrada e deu uma última olhada no apartamento. Era pequeno, estava se deteriorando e custava uma fortuna pelos padrões do Brooklyn, mas era seu lar. As plantas na janela - sua única extravagância - balançaram levemente com a brisa matinal que entrava pela fresta na vedação.

Descendo os quatro lances de escada do prédio sem elevador, Ana cumprimentou brevemente Mrs. Chen, a vizinha idosa que sempre acordava cedo para regar as plantas do hall de entrada.

Mrs. Chen: Bom dia, querida - disse a senhora com um sorriso gentil. - Como está seu pai?

Ana: Melhorando, obrigada por perguntar -mentiu Ana, forçando um sorriso. Mrs. Chen já tinha seus próprios problemas; não precisava se preocupar com os dela também.

A estação de metrô ficava a três quarteirões de distância. Ana caminhava rapidamente, esquivando-se dos outros pedestres matinais que se dirigiam ao trabalho. Nova York ainda estava despertando, mas o Brooklyn já fervilhava com pessoas tentando chegar ao Manhattan para mais um dia de trabalho.

No metrô, Ana encontrou um cantinho e puxou o sketchbook da bolsa. Desenhar era seu refúgio, sua forma de escapar da realidade por alguns minutos. Hoje esboçou um prédio que vira na semana passada em SoHo - linhas limpas, vidro e aço, mas com detalhes arquitetônicos que sugeriam história e permanência.

Esse era o tipo de projeto que sonhava em fazer: arquitetura que honrava o passado enquanto abraçava o futuro. Infelizmente, no Sterling & Associates, ela passava a maior parte do tempo desenhando reformas de banheiros e pequenas ampliações residenciais.

O trem parou na estação dela, e Ana guardou rapidamente o sketchbook. Mais quinze minutos de caminhada e estaria no escritório, pronta para enfrentar outro dia de projetos pequenos e sonhos grandes.

Enquanto subia as escadas da estação, Ana não tinha como imaginar que este dia seria diferente de todos os outros. Que em questão de horas, sua vida tomaria uma direção completamente nova, levando-a para um mundo que ela só conhecia de longe.

Por enquanto, ela era apenas Ana Hayes Foster, arquiteta de 24 anos tentando sobreviver em Nova York, carregando o peso das preocupações familiares e sonhando com algo maior.

Ela não fazia ideia de que do outro lado da cidade, em uma cobertura luxuosa com vista para o Central Park, alguém muito poderoso estava prestes a tomar uma decisão que mudaria ambas as suas vidas para sempre.

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[ Upper East Side, Manhattan - Nova York ]

05:15 AM.

O sol ainda não havia nascido quando Christian Alexander Blackwood Ashford já estava acordado. Não por escolha - dormir nunca havia sido fácil para ele - mas porque sua mente simplesmente se recusava a descansar quando havia negócios pendentes, decisões a serem tomadas, problemas a serem resolvidos.

Cinco e quinze da manhã no relógio Patek Philippe na mesa de cabeceira. Mais cedo que o habitual, mas Christian sabia que não conseguiria voltar a dormir. Os pesadelos sobre o acidente do pai haviam retornado na noite anterior, trazendo consigo a familiar sensação de sufocamento e a certeza de que o tempo estava sempre contra ele.

Levantou-se da cama king-size que dominava o quarto principal da mansão Blackwood Ashford, seus pés descalços tocando o piso de mármore italiano aquecido. A suite principal occupava todo o terceiro andar da mansão histórica, com janelas que ofereciam uma vista privilegiada do Central Park. Era um luxo que ele raramente parava para apreciar.

Christian se dirigiu ao banheiro privativo, maior que muitos apartamentos em Manhattan. O chuveiro já estava na temperatura ideal - 38 graus Celsius exatos, como gostava - graças ao sistema automatizado que havia mandado instalar dois anos atrás. Pequenos luxos que tornavam sua rotina mais eficiente, economizando preciosos minutos que podia dedicar aos negócios.

Quinze minutos depois, estava vestindo um de seus ternos sob medida da Savile Row. Hoje seria o Armani cinza carvão com gravata de seda azul marinho. Margaret, sua assistente pessoal, sempre deixava três opções preparadas na noite anterior, organizadas de acordo com a agenda do dia. Hoje havia duas reuniões importantes e um jantar com investidores japoneses - o Armani transmitia seriedade sem ser intimidador demais.

Descendo a escadaria principal da mansão, Christian passou pela galeria de retratos familiares que remontavam a cinco gerações de Blackwood Ashfords. Seu bisavô, que começara com uma pequena construtora. Seu avô Harrison, que transformara o negócio familiar em um império. Seu pai Marcus, que ampliara as operações internacionalmente antes de morrer jovem demais.

E agora ele, aos 31 anos, carregando o peso de um legado de 15 bilhões de dólares e as expectativas de um avô que não aceitaria nada menos que perfeição.

Na cozinha gourmet - onde raramente comia, preferindo fazer suas refeições no escritório - encontrou James Morrison, chefe de segurança da família há dez anos.

James: Bom dia, Mr. Blackwood Ashford -cumprimentou James, consultando seu tablet. - O carro estará pronto em cinco minutos. Sua primeira reunião foi antecipada para as sete e trinta.

Christian assentiu, pegando apenas uma xícara de café espresso preparado pela governanta. Não era fome que sentia de manhã, apenas a necessidade de cafeína para manter a mente afiada.

Christian: Alguma novidade sobre a situação Montgomery? - perguntou, referindo-se ao rival italiano que vinha interferindo em alguns de seus negócios.

James: Dante Rossi Montgomery chegou a Nova York ontem à noite. Está hospedado no Plaza. Nossos contatos indicam que ele tem interesse no projeto Brooklyn Heights.

Christian franziu o cenho. Brooklyn Heights era um desenvolvimento residencial de luxo pelo qual a Blackwood Industries estava competindo há meses. Se Dante estava envolvido, significava problemas.

Christian: Mantenha-me informado sobre os movimentos dele - disse Christian, terminando o café. - E James

James: Sim, senhor?

Christian: Discretamente.

O Bentley preto estava esperando na entrada da mansão, motor já ligado. Christian entrou no banco traseiro, imediatamente abrindo o laptop para revisar os relatórios que chegaram durante a madrugada. Mercados asiáticos, flutuações cambiais, relatórios de desempenho das subsidiárias europeias - números que dançavam em sua mente com a precisão de uma sinfonia.

Durante o trajeto até o One World Trade Center, onde ficava a sede da Blackwood Industries, Christian permitiu-se alguns minutos para observar a cidade acordando. Nova York na madrugada tinha uma energia única, uma promessa de possibilidades infinitas que ainda o inspirava, mesmo depois de todos esses anos.

Mas sua mente logo retornou aos problemas imediatos. A pressão do avô Harrison para que se casasse estava se intensificando. Seis meses. Esse era o prazo que lhe restava para encontrar uma esposa ou perder 25% das ações da empresa - a parte que garantiria seu controle absoluto sobre o império familiar.

O problema não era encontrar mulheres interessadas. Seu telefone vivia cheio de convites, sua secretária social recebia dezenas de pedidos de encontros por semana, e sua mãe Victoria bombardeava-o regularmente com "sugestões" de filhas de famílias influentes da Europa.

O problema era encontrar alguém real. Alguém que o quisesse por quem ele era, não pelo que possuía. Alguém que não visse dollar signs quando olhasse para ele.

Aos 31 anos, Christian havia chegado à conclusão de que essa pessoa simplesmente não existia. Pelo menos não no mundo em que vivia.

O Bentley parou em frente ao arranha-céu que abrigava a Blackwood Industries. Christian guardou o laptop, ajustou a gravata e se preparou para mais um dia comandando um dos maiores conglomerados empresariais do país.

Enquanto caminhava pelo lobby de mármore em direção ao elevador privativo que o levaria diretamente ao 85º andar, Christian não fazia ideia de que a algumas milhas dali, uma jovem arquiteta lutava contra suas próprias preocupações financeiras.

Ele não podia imaginar que em breve seus caminhos se cruzariam de uma forma que mudaria tudo o que pensava saber sobre negócios, família e amor.

Por enquanto, Christian Blackwood Ashford era apenas um CEO solitário em busca de uma solução prática para um problema familiar, sem saber que às vezes as melhores soluções vêm dos lugares mais inesperados.

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