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Capa do romance O Escolhido para ser Usado - Livro 1

O Escolhido para ser Usado - Livro 1

Thalia Velmon é uma mulher de vinte e seis anos que construiu uma carreira vitoriosa após deixar seu passado para trás. Zelando por sua liberdade, ela busca encontros casuais e passageiros para satisfazer seus desejos. Contudo, o homem selecionado em uma dessas noites mudará o rumo de sua vida drasticamente. Quando traumas antigos ressurgem para assombrá-la, Thalia precisará decidir se enfrentará seus medos ou se fugirá de tudo mais uma vez.
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Capítulo 3

*THALIA*

Chego ao restaurante meio hora atrasada, odeio me atrasar para qualquer coisa, mas para minha surpresa, o taxista demorou a chegar. Entrando no lobby do restaurante a recepcionista vem em minha direção.

— Boa noite! Seja bem-vinda, chamo-me Brenda, em que posso ajudá-la? — pergunta ela.

— Boa noite Brenda, me chamo Thalia Velmon, estou aqui para a recepção da empesa LAMIDYA — respondo.

— Certo — fala ela olhando para o tablete que estava em suas mãos verificando se meu nome estava na lista. — Por favor, me acompanhe — continua, me guiando por um corredor até chegar a uma parte privada do restaurante.

Brenda era alta e magra, tinha os cabelos soltos loiros, estava usando um vestido social de cor preta e salto da mesma cor, ela era muito bonita e com certeza chamava atenção por onde passava.

— Se divirta Srta. Velmon — fala ela abrindo a porta, e dando espaço para que passasse.

— Muito obrigado e tenha uma boa noite — respondo a ela enquanto sigo para o salão.

Quando entro no salão fico admirada com a beleza do lugar, era espaçoso havia várias mesas com cadeiras espalhadas pelo salão, a iluminação era bem leve deixando o local agradável, e algumas partes tinha vasos de plantas enfeitando o lugar. A decoração combinava o antigo e o rústico com o moderno e luxuoso e a música suave ao fundo deixava o ambiente agradável.

O restaurante Sapore Supreme era bem famoso por seus pratos serem magníficos e por sua estrutura encantadora. E além disso, adoro a culinária italiana, é divina.

A maioria dos funcionários já estavam aqui. Avisto a minha equipe e vou cumprimentá-los. No caminho o garçom me oferece uma taça de champanhe e eu aceito de bom grado. Chegando à mesa Ana fala: — Thalia você está linda! — Eu realmente me sentia poderosa, estava usando um vestido que ia até acima do joelho e era justo desenhando um pouco minhas curvas e tinha um leve caimento nos meus ombros, era preto e estava usando um sapato de salto alto vermelho, passei apenas lápis nos olhos e um batom vermelho para realçar minha boca e o cabelo estava preso em um coque bagunçado.

— Obrigado Ana você está fantástica também! — falo a ela que sorri para mim. Sento-me a mesa e ficamos conversando e rindo com os outros que ali estavam, depois de um tempo, decido ir ao bar pegar uma taça de vinho e no caminho encontro o Sr. Lafaiete.

— Thalia, como é bom ver você aqui! — diz ele me puxando para um abraço — Está é Aurora minha querida esposa — completa.

— Sra. Lafaiete é um prazer conhecê-la, já ouvi falar muito da senhora — digo estendendo minha mão para cumprimentá-la.

— Já ouvi falar tanto de você Thalia, é um prazer enfim conhecê-la. Você é linda! — Me puxando para um abraço, que retribuo de bom grado, ela continua — Vamos marcar um dia para você ir à minha casa almoçar, seria um prazer recebê-la.

— Claro, eu iria amar. A propósito, a senhora está muito elegante! — elogio. Ela usava um vestido longo de cor azul claro, o cabelo era preto e estava preso em um penteado que se via que demorou horas no salão, mas valorizava bastante o seu rosto. A Sra. Lafaiete tinha os olhos azuis, era alta e pelo brilho dos seus olhos ela era completamente feliz e realizada. Me disperso falando que nos veremos mais tarde e sigo até o bar para pegar uma bebida. Enquanto aguardo o garçom trazer a taça, sinto alguém se aproximar.

— Nossa! Você é a mulher mais bonita desta festa — Não me dou nem o trabalho de virar, pois, pela voz sabia quem era — Vamos jantar um dia desses, seria uma honra estar em sua companhia por uma noite — completa ele.

Dando-lhe um sorriso sem mostrar os dentes.

— Guilherme, aguarde sentado este dia chegar! — desde que o Sr. Nicolas me apresentou para os diretores dos outros setores da empresa, o Guilherme, diretor do setor financeiro, sempre que tem oportunidade solta uma cantada sem graça. Ele é o tipo de homem que não aguça meu interesse, mas com certeza chama a atenção de outras mulheres. Já vi algumas funcionárias suspirarem quando ele passa. Ele não é muito alto, tem os olhos castanhos escuros e sempre está bem arrumado. Ana me disse uma vez que ele já chegou a se envolver com uma das secretárias da empresa e a idiota da garota não soube separar o profissional do pessoal e acabou sendo demitida. Nunca misturei minha vida pessoal e profissional. No entanto nunca me importei com suas cantadas, prefiro ignorá-las.

Manda esse cara comer grama! — grita meu inconsistente.

O garçom retorna com minha bebida, agradeço e falo — Com licença Guilherme, tenha uma boa noite e aproveite a festa. — e sigo em direção à mesa onde estava sentada, deixando-o surpreso com a minha resposta.

Um tempo depois ouço o Sr. Nicolas pedir um minuto de atenção em um pequeno palco que ficava em umas quatro mesas à frente de onde estava sentada.

— Boa noite a todos aqui presentes, muito obrigado por terem vindo, hoje é uma noite muito importante para todos nós da LAMIDYA, principalmente para eu como pai. Estou muito orgulhoso de ter chegado até aqui e muito mais por hoje passar a direção da empresa para meu filho. Tenho certeza que ele levará a LAMIDYA para novos horizontes e fará com que esta empresa chegue há um novo patamar. É com muita emoção e orgulho que lhes apresento o novo presidente da LAFAIETE MIDYA CORPORATION, Daniel Lafaiete — todos começam a aplaudir e seguir com os olhos o belo homem que tinha se levantado da mesa em que a Aurora Lafaiete estava sentada e seguir para o palco.

O Sr. Nicolas aperta a mão do filho e dá um abraço apertado como um pai orgulhoso. Por um momento me perco em pensamento pensando em como é ter um pai orgulhoso de seu filho e me questiono, será que meu pai teria orgulho de mim, do que conquistei, caso ele estivesse vivo? Mesmo tendo feito algumas más escolhas? Ana me tira do meu devaneio.

— Thalia. O que achou do discurso do “Gatão cretino”? — pergunta baixinho para que só desse para eu escutar.

— Ótimo, mas vamos esperar para ver — respondo sem deixar transparecer que não estava prestando atenção. Quando olho em direção ao palco o Sr. Nicolas estava descendo junto com o filho, onde algumas pessoas já aguardavam para os cumprimentar. Levantando da mesa faço sinal para Ana que iria ao banheiro. Chegando ao banheiro retoco meu batom e dou uma boa olhada em meu reflexo no espelho.

Segundas intenções? — pergunta meu inconsciente com sarcasmo.

Decido ignorá-lo e volto para mesa. Os garçons começam a anotar os pedidos de todos e depois de um tempo retorna com os pratos. Pedi um Ravióli com molho de queijo e outra taça de vinho. Passou-se não sei quanto tempo, e estávamos todos rindo e falando bobagens quando ouço alguém chamar pelo meu nome.

— Thalia — chama a Sra. Lafaiete se aproximando da mesa onde eu estava — Boa noite! — cumprimenta às pessoas que estavam na mesa — Thalia, você poderia se sentar um pouco comigo para fazer-me companhia? Minha filha Eliza não pode vir e os garotos estão ocupados sendo os homens de negócios — completou.

— Claro, Sra. Lafaiete, será um prazer — respondo, me levantando da mesa e me despedindo dos outros que ali estavam.

No caminho até chegar à mesa onde ela estava sentada, vi que algumas pessoas me olhavam de boca aberta e com o olhar questionador.

Morram de inveja! — grita meu inconsciente.

— Thalia minha filha, me chame apenas de Aurora, sem essa formalidade de Sra. Lafaiete — fala ela com um olhar amoroso no rosto. — Meu marido sempre me falou muito bem de você, do quanto é dedicada, responsável e inteligente.

— É uma gentileza da parte dele, mas eu só faço o meu melhor Aurora — falo sorrindo — O Sr. Nicolas está sendo como um pai para mim — completo.

Conversamos durante um bom tempo sobre tudo, ela me falou da sua filha Eliza que está estudando nos Estados Unidos, mas que está próximo de se formar e voltar para casa, que está morrendo de saudade dela e o quanto está orgulhosa de seu filho mais velho, o Daniel que está se tornando o presidente da empresa.

Fiz um breve resumo da minha vida, sem dar muitos detalhes. Ela ficou triste quando lhe contei sobre os meus pais, mas mudei logo de assunto, pois não gostava muito de falar sobre isso. Aurora estava falando de como conheceu o Sr. Nicolas, quando o escuto dizer: — O que minha adorada esposa está falando de mim? Espero que bem — disse sentando ao lado dela e pousando um suave beijo em sua bochecha.

— Deixe de ser bobo, estava apenas contando à Thalia como sou uma mulher de sorte — respondeu ela o olhando com amor e admiração.

— Vocês são uma bela família, queria eu ter essa sorte — digo sorrindo.

— Daniel venha até aqui conhecer a Thalia, ela é a nova diretora de marketing da empresa, a que eu falei sobre ter conseguido, nos últimos dois meses, contratos muito importantes para empresa com a nova campanha — diz o Sr. Nicolas quando estou prestes a me levantar e pedir licença para ir embora.

Levantei-me da cadeira e fico de frente para o filho do Sr. Lafaiete, quando seu olhar encontra o meu, levo um segundo para lembrar de onde o conhecia e o meu mundo para de girar. Era ele o meu escolhido de alguns meses atrás.

Droga! Droga! Droga! Penso. Respirando fundo e pigarreando algumas vezes para que minha voz não saísse rouca e com determinação falo:

— Sr. Lafaiete, sou Thalia Velmon é um prazer conhecê-lo e seja bem-vindo! — estendo minha mão para cumprimentá-lo. Ele sorri e pegando minha mão leva até os seus lábios pousando um beijo suave.

— O prazer é TODO meu Senhorita Velmon, e por favor me chame de Daniel — fala com um sorriso sedutor. Quando seus lábios tocam minha pele, meu corpo reage no mesmo instante ficando ardente.

Vejo em seu olhar que ele me reconheceu, sabe quem sou, e enquanto puxo minha mão da sua e com um sorriso sem jeito continuo: — Já esta tarde, tenho que ir. Muito obrigado, foi uma noite muito agradável! — vejo pelo canto do olho que o Sr. Nicolas e Aurora nos observam com um olhar que não pude interpretar.

— Posso te acompanhar? — pergunta Daniel — Você veio de carro? — completa.

— Não precisa, muito obrigado vou pegar um táxi — falo desviando meu olhar do dele. E indo para o lado de Aurora me despedindo dela falo — Foi muito bom conhecer a senhora e muito obrigado pela companhia — ela se levanta me abraçando e falando.

— Muito obrigado você por me fazer companhia e não esqueça, pode aparecer quando quiser, você é bem-vinda em minha casa e marcarei um jantar para você ir nos visitar.

— Se puder, irei com certeza — falo me despedindo do Sr. Nicolas e indo em direção a saída do restaurante, dou uma última olhada para trás, para certificar-me de que não estava sonhando e encontro o olhar do Daniel, que estava me seguindo com os olhos.

Passo pela porta do restaurante praticamente correndo, indo para o ar frio da noite e falo em voz alta: — Merda! Merda! Merda! Thalia sua idiota. — Realmente achei que nunca o veria novamente.

Nunca diga Nunca! — fala meu inconsciente debochando de mim.

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