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Capa do romance O Diário Que Nunca Foi Meu

O Diário Que Nunca Foi Meu

Éris encontra um diário no campus repleto de segredos intensos. O dono é Noah Hale, seu arrogante rival. Ao ler as confissões vulneráveis e brutais dele, ela se apaixona pelo homem que ele esconde. Contudo, Noah descobre a invasão de privacidade e decide confrontá-la, exigindo controle e respostas. Entre a hostilidade e o desejo, os dois mergulham em um jogo perigoso de tensão. Agora, Éris deve escolher entre proteger o segredo ou entregar seu coração.
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Capítulo 2

O corredor parecia menor do que realmente era. Talvez fosse por causa da quantidade de gente saindo das salas ao mesmo tempo, talvez fosse por causa da minha cabeça que ainda latejava desde o momento em que abri o diário pela primeira vez.

Ou talvez fosse por causa dele.

Eu estava andando rápido, tentando chegar na aula seguinte antes do sinal, quando ouvi vozes altas atrás das minhas costas.

- Fala direito comigo, porra! - uma voz masculina, irritada, quase um rosnado.

Virei só o suficiente para ver Noah parado no meio do corredor, tensionado, peito subindo e descendo, maxilar marcado de tão travado. Ele estava cara a cara com um garoto mais baixo que ele, mas igualmente exaltado.

- Não esconde minhas coisas de novo, retardado! - Noah avançou meio passo, empurrando o ombro do cara.

As pessoas em volta já estavam parando, abrindo espaço. Era sempre assim: Noah brigando com alguém, e todo mundo fingindo que não estava olhando.

Eu ia simplesmente continuar andando. Não era minha briga. Não era minha vida. E definitivamente não era problema meu.

Mas o corredor era estreito, e quando o garoto com quem ele discutia deu um passo para trás, tropeçou em alguém, e cambaleou... eu vi tarde demais que esse "alguém" era eu.

- Ei-! - tentei me afastar, mas antes que o garoto caísse em cima de mim, Noah o empurrou de novo, bem no meu caminho.

O cotovelo dele acertou meu ombro com força. Eu desequilibrei. O diário quase caiu da minha bolsa.

- Cuidado, mer- - comecei, tentando recuperar o equilíbrio.

Não deu tempo.

Noah veio logo atrás, avançando para cima do garoto, mas não viu (ou não se importou) que eu estava no meio. Ele passou, me empurrando com o antebraço sem o mínimo esforço, sem o mínimo olhar.

Empurrão seco. Forte. Rude.

Quase fui parar na parede.

- Anda. - ele rosnou, sem olhar pra mim. - Você atrapalha.

As palavras me cortaram mais do que o empurrão.

Eu parei ali, com o coração acelerado e a respiração presa no peito por um segundo inteiro.

Foi curto, mas suficiente para me deixar quente - quente de irritação, de raiva, de... outra coisa que eu não queria nomear.

- Qual o seu problema?! - eu soltei antes de pensar.

Não alto o bastante pra causar um escândalo, mas alto o suficiente pra ele ouvir.

Ele ouviu.

Noah virou a cabeça devagar. Só a cabeça. Não virou o corpo. Só os olhos, escuros e afiados, caíram sobre mim.

Ele me avaliou.

De cima a baixo.

Sem pressa.

O olhar dele desceu pelo meu rosto, pelo meu pescoço, pelo meu ombro que ele tinha empurrado - e subiu de volta. E eu senti cada segundo como se fosse um toque.

Um toque frio.

E irritado.

- Meu problema? - ele repetiu, com a voz baixa. - Você estava no caminho.

Arqueei uma sobrancelha.

- O corredor é de todo mundo, não só seu.

Ele respirou pelo nariz, um movimento quase imperceptível, como se estivesse segurando algo por dentro. Raiva, provavelmente. Aquele tipo de raiva silenciosa que dá mais medo do que gritaria.

- Então anda mais rápido. - ele disparou, virando de volta pro garoto.

Como se eu fosse um atraso. Um detalhe. Uma distração insignificante.

E aquilo me queimou por dentro de um jeito estranho.

Não porque doía - mas porque era absurdo que alguém conseguisse ser tão... tão...

Tão Noah.

O garoto com quem ele estava brigando tentou falar algo, mas Noah o interrompeu com outro empurrão no ombro.

- Some da minha frente antes que eu faça você sumir de verdade.

O garoto não discutiu. Saiu quase correndo.

Noah ficou parado ali por um segundo, respirando, a mão direita fechada em punho, os tendões aparecendo no braço. Ele parecia... prestes a explodir.

E então, quando eu achei que ele ia embora sem nem olhar pra mim de novo... ele olhou.

De repente. Seco. Direto.

E ficou olhando.

Foi um olhar rápido, mas intenso o suficiente pra gelar minha barriga.

Eu deveria ter olhado pra outro lado. Fingido que não notei. Saído andando.

Mas eu não fiz nada disso.

Eu encarei.

E no momento em que nossos olhares se prenderam, algo ficou elétrico.

Como se o corredor inteiro tivesse encolhido até virar um ponto entre nós.

Ele ergueu um canto da boca - não um sorriso. Um desafio.

Um aviso.

Depois se virou e foi embora, passando pelo meio da multidão como se o corpo dele naturalmente abrisse espaço.

Eu fiquei parada, respirando rápido.

Quem ele pensa que é?

O diário pesou na minha bolsa, como se me lembrasse que eu estava escondendo um segredo que nem eu entendia.

E por um segundo - só um segundo - eu pensei em como seria abrir a capa de novo naquele momento. Pra ver se tinha alguma coisa escrita sobre explosões de raiva. Sobre mãos fechadas. Sobre segurar algo que quase escapa.

Mas o sinal tocou.

E eu passei o resto do dia com uma pergunta pulsando alto, martelando no fundo da minha cabeça, me irritando quase tanto quanto ele:

Por que, caramba, eu senti alguma coisa quando ele me empurrou?

Mais tarde, na saída, quando eu estava indo pra porta principal, ouvi vozes no estacionamento. Vozes conhecidas demais.

Eu não queria olhar.

Mas meu corpo olhou antes da minha vontade.

Noah estava de novo discutindo com alguém - mas dessa vez não era um garoto qualquer. Era Mateo, capitão do time.

Os dois eram amigos? Inimigos? Nunca entendi. Eles sempre pareciam estar num meio-termo estranho entre camaradagem e vontade de quebrar a cara um do outro.

- Eu falei pra não encostar nas minhas coisas! - Noah disse, voz baixa, mas carregada.

Mateo levantou as mãos.

- Relaxa, cara. Eu só tava brincando.

- Eu não acho graça.

- Você nunca acha graça de porra nenhuma.

- Então para de tentar.

A tensão era tão densa que parecia um fio prestes a estourar.

E antes que eu percebesse, Noah olhou pro lado.

Direto pra mim.

Como se ele soubesse que eu estava ali o tempo todo.

Eu congelei.

Ele não disse nada. Só me fitou por um segundo longo demais - aqueles olhos intensos, quase furiosos, quase... outra coisa.

Quase como se ele estivesse tentando adivinhar o que eu estava pensando.

Ou escondendo o que ele estava pensando.

Mateo seguiu o olhar dele.

- Opa... - Mateo sorriu. - Interrompi algo?

Noah virou de volta tão rápido que eu quase duvidei que tinha acontecido.

- Cala a boca.

Mateo riu.

Eu virei o rosto e fui embora rápido, sem olhar pra trás, o coração batendo como se eu estivesse correndo.

Mas claro que olhei de canto de olho.

Noah ainda estava lá.

Me vendo ir.

E isso acendeu outra fagulha - quente, irritada, perigosa - no meio do meu peito.

Algo estava começando.

Algo que eu não sabia nomear.

Algo que eu DEFINITIVAMENTE não queria admitir.

Mas estava ali.

Entre o empurrão, o olhar dele, e o peso do diário na minha bolsa.

A primeira fagulha.

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