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Capa do romance O Diário Que Nunca Foi Meu

O Diário Que Nunca Foi Meu

Éris encontra um diário no campus repleto de segredos intensos. O dono é Noah Hale, seu arrogante rival. Ao ler as confissões vulneráveis e brutais dele, ela se apaixona pelo homem que ele esconde. Contudo, Noah descobre a invasão de privacidade e decide confrontá-la, exigindo controle e respostas. Entre a hostilidade e o desejo, os dois mergulham em um jogo perigoso de tensão. Agora, Éris deve escolher entre proteger o segredo ou entregar seu coração.
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Capítulo 3

Eu mal dormi naquela noite.

O diário ficou na minha mesa, me encarando como se tivesse olhos.

Eu queria ignorar. Juro que queria.

Mas, antes de sair de casa, abri uma página aleatória.

"Às vezes eu encaro ela como se pudesse atravessar a pele dela e descobrir se ela pensa em mim também."

Fechei o diário na mesma hora.

Não.

Não agora.

Não antes da escola.

Guardei na mochila e tentei fingir que não existia.

________________________________________

No corredor, antes da primeira aula, minhas três amigas apareceram como uma avalanche coordenada.

- ERIIIIS! - Val gritou, puxando meu braço como se estivéssemos em um filme. - O que foi aquilo ontem? Você simplesmente sumiu.

- E estava PÁLIDA - Bianca completou, meio séria. - Tipo, morta-viva estilosa.

- Aconteceu alguma coisa? - Lia perguntou com um olhar que sempre me dava medo, porque ela reparava em tudo.

Eu engoli em seco.

Mentira número 1 do dia:

- Só cansei. Drama normal.

Val estreitou os olhos.

- Sei...

Bianca cruzou os braços.

- Você está escondendo alguma coisa.

Lia deu um sorrisinho de quem está a um centímetro de adivinhar.

- É um BOY?

- NÃO! - falei rápido demais.

Rápido demais.

As três arregalaram os olhos como se eu tivesse confessado um crime.

- Então é. - Val concluiu, satisfeita. - Quem? Mateo? Arthur? Ou aquele aluno novo, o do cabelo grande?

- Ah, pelo amor de Deus - resmunguei.

Mas não adiantou.

Elas cercaram meu corpo como se fossem três detetives.

- Eris... - Bianca começou, séria. - Quando você mente, sua sobrancelha tenta se esconder no cabelo.

- Não é um garoto. - repeti.

Outra meia mentira.

Lia colocou a mão no peito num gesto dramático:

- Então é DUAS pessoas. Um triângulo. Perigosa.

- Lia... - fiz uma careta. - Para.

Val inclinou a cabeça.

- Tem a ver com o Noah?

Aquilo fez meu estômago cair.

- Meu Deus, não! - minha voz subiu meio tom, e as três PERCEBERAM.

Lia bateu palmas.

- Eu sabia! Eu vi ele olhando pra você ontem no estacionamento.

Meu coração errou o passo.

- Ele não tava olhando pra mim. - murmurei, olhando pro chão.

- Ah, tava sim. - Val riu. - Ele parecia que ia quebrar a porta do carro só com pensamento.

- Ciúme - Lia cantou.

- Irritação total - Bianca corrigiu. - O que ainda é interessante.

Antes que eu pudesse responder, alguém esbarrou no meu ombro.

Não alguém.

Ele.

Noah.

Passou entre mim e Val como se Val não existisse.

Na verdade, como se ninguém existisse.

O corpo dele roçou no meu braço, e um arrepio elétrico subiu direto até a nuca.

- Olha por onde anda - Noah disse, sem olhar para trás.

- VOCÊ que esbarrou nela, imbecil! - Val gritou automaticamente.

Noah parou.

Apenas dois passos depois, ele parou.

Virou a cabeça devagar.

Olhou pra Val primeiro.

Depois pra Bianca.

Depois pra Lia.

E depois para mim.

E ficou.

Meu peito apertou sem minha permissão.

- Tô falando com ela. - ele disse, a voz baixa, quase rouca. - Não com vocês.

As três ficaram em silêncio absoluto.

Eu senti minha boca secar.

- Eu... não fiz nada. - murmurei.

Ele aproximou meio passo.

Meio.

Mas pareceu um quilômetro.

- Então por que tá olhando como se tivesse feito? - ele sussurrou.

O mundo inteiro desapareceu por um segundo.

Bianca pigarreou alto.

- A gente... tem aula. - ela disse, puxando Lia pelo braço.

Val me olhou como se quisesse me sacudir.

- Depois você me conta TUDO. - ela avisou antes de ser arrastada pelas outras.

E assim que elas sumiram, Noah desviou o olhar e simplesmente... foi embora.

Sem explicação.

Sem motivo.

Sem nada.

Eu fiquei parada por alguns segundos, respirando como se tivesse corrido uma maratona.

Na hora do intervalo, minhas amigas já estavam me esperando com expressões que variavam entre "fala logo" e "vamos te espremer até falar".

- Anda. - Val disse, batendo a mão na mesa. - O que rolou com o anti-social mais lindo da escola?

- Nada.

- Mentira.

- Nada!

- MENTIRA! - Lia e Bianca responderam juntas.

Eu já estava perdendo a paciência.

- Eu JURO que não rolou nada. Ele só é... irritante.

- Irritantemente lindo. - Lia corrigiu.

- Sociopata gostoso. - Val acrescentou.

- Cheio de rosnados silenciosos. - Bianca finalizou.

Eu tampei o rosto com as mãos.

- Por que eu sou amiga de vocês?

Val riu.

- Porque somos as únicas que vão te ajudar quando você finalmente admitir que tem alguma coisa ali.

- NÃO TEM.

- Tem sim - Bianca rebateu, num tom tão neutro que doeu. - Eu vi a forma como você ficou depois que ele falou contigo.

Eu ia responder, mas elas começaram a discutir entre si, e eu aproveitei pra abrir minha mochila discretamente.

O diário estava lá.

Pesado. Quente. Vivo.

Eu puxei só o suficiente pra ver a borda das páginas.

Não para ler - não ali, com elas olhando cada mínimo movimento meu.

Mas só pra sentir que ainda estava comigo.

Lia arqueou a sobrancelha.

- O que é isso?

Eu fechei a mochila num golpe.

- Nada.

- Você tá muito "nada" hoje - Val disse, desconfiada. - Começo a achar que esse nada tem rosto.

- Ou letra - Bianca murmurou.

Meu coração parou.

- Letra? - perguntei, engolindo seco.

- É. - Bianca apontou pra minha mão. - Você tá segurando essa mochila como quem protege um bebê. Ou um segredo.

De novo, o aperto no peito.

- Gente... eu tô só cansada. De verdade.

As três se entreolharam.

Lia suspirou.

- Tá. Vamos fingir que acreditamos.

Val não fingiu.

Bianca muito menos.

Mas pelo menos elas me deixaram respirar.

________________________________________

Depois das aulas, me escondi na biblioteca vazia.

O coração já sabia o caminho.

Me sentei no canto mais escuro e finalmente abri o diário.

A página parecia esperar por mim.

"Hoje eu quase perdi o controle de novo.

Eu odeio isso.

Odeio sentir tanto.

Odeio não conseguir dizer."

Virei a página.

"Quando ela me olha, eu travo.

Quando não olha, fico com raiva."

Meu corpo inteiro gelou.

"Eu queria poder empurrá-la pra longe e puxá-la de volta ao mesmo tempo."

As palavras batiam forte demais.

Fechei o diário.

Olhei pela janela.

E... claro.

Noah estava no pátio.

Sozinho.

Tenso.

Com aquele jeito de quem queria socar o ar.

E por um momento assustador, eu me perguntei:

Será que o diário... poderia mesmo...

Não.

Impossível.

Eu desviei o olhar.

Mas o meu coração não.

E foi assim que percebi:

As fagulhas já não eram pequenas.

Elas estavam crescendo.

E eu estava começando a queimar.

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