
Nos Braços da Maldição - Casamento Forçado
Capítulo 2
Capítulo 2: "Encontro Explosivo"
(Narrado por Alexander Beaumont)
O reflexo do espelho emoldurado a ouro me encarava com uma perfeição irritante. O terno preto estava alinhado de maneira impecável, cada costura feita com uma precisão que só alguém como minha mãe conseguiria perceber. Mas, por mais que eu olhasse para o espelho, não via um homem satisfeito com o que via. Eu via apenas uma máscara, uma fachada que escondia o ódio crescente que se acumulava dentro de mim.
Eu odiava estar ali, no meu quarto de infância, vestindo o que deveria ser a roupa que representaria uma nova fase da minha vida, mas que, para mim, soava mais como uma sentença de morte. E, no fundo, eu sabia que, para os Beaumont, não era só uma tradição, era uma condenação.
"Casar ou morrer antes dos 35." A frase ressoava na minha mente, repetitiva e insuportável, como se uma corda invisível apertasse meu pescoço cada vez que eu pensava nela.
Suspirei e murmurei em voz baixa, já sabendo que minha mãe provavelmente estava por perto para ouvir.
- Perfeito. Um casamento forçado para garantir que eu sobreviva. O que mais falta, mãe? Um sacrifício humano no altar?
A porta do quarto se abriu com um rangido baixo, e minha mãe entrou sem sequer bater. A postura dela estava sempre impecável, a voz fria e implacável como uma lâmina. Ela me observou por um momento, ajustando os punhos de sua camisa de renda. Suas sobrancelhas se franziram.
- Alexander, você parece um adolescente revoltado. Não é o fim do mundo. É só um casamento. É tradição.
Eu me virei lentamente, meus olhos azuis fixando a minha mãe com uma intensidade que eu sabia que ela não iria suportar.
- Não, mãe. Isso não é tradição, isso é uma maldição. E, honestamente, prefiro lidar com a morte do que com uma esposa escolhida por um comitê de aristocratas entediados.
Ela não parecia afetada pelas minhas palavras, como sempre. Ignorou completamente meu sarcasmo e, com um movimento que parecia coreografado, ajustou a gravata do meu terno.
- A Whitmore é uma boa escolha. Jovem, bonita, criativa... Você poderia ter um casamento muito agradável se parasse de ser tão teimoso.
Eu ri, mas não havia humor em meu sorriso.
- Jovem, bonita e criativa. Ah, sim, mãe, porque isso é exatamente o que me importa quando estou prestes a ser empurrado para um altar.
Minha mãe não teve tempo de responder, porque o som do copo de conhaque sendo erguido interrompeu a tensão. Victor, meu pai, entrou na sala com um sorriso torto e uma taça na mão. Ele deu um gole e, depois de um suspiro profundo, disse:
- Você fala como se fosse o único a perder algo aqui, Alex. Nós passamos anos reconstruindo a aliança entre as famílias. Não vê isso como uma honra?
Eu o encarei, sentindo a raiva crescer dentro de mim. Ele estava completamente alheio à minha realidade, como sempre.
- Honra? Vamos chamar as coisas pelo nome, pai. Isso é uma troca de poder. E, honestamente, eu preferia estar em qualquer outro lugar.
Victor não parecia impressionado. Ele deu outro gole em sua taça e falou, sem tirar os olhos de mim.
- Você não tem escolha, filho. A Whitmore já foi informada. Eles sabem muito bem o que está em jogo.
Passei o resto da tarde deitado na cama, o olhar perdido no teto branco do meu quarto, tentando organizar meus pensamentos. Eu sentia a pressão de todos os lados. Meus pais. A tradição maldita. A maldição que estava prestes a me engolir. Eu não sabia se conseguia sobreviver a isso. Cada respiração era uma lembrança do que estava por vir.
Por mais que eu tentasse negar, a verdade era que eu não tinha escolha. Eu sabia que a maldição não era uma invenção para me assustar. Eu a vira acontecer, com meus próprios olhos. Meu primo mais velho, Henry, morreria antes de completar 35 anos. Ele ignorou a tradição, e a morte o encontrou de forma misteriosa, rápida. O corpo dele, frio e sem vida, foi uma lembrança indesejada do que aconteceria comigo se eu desobedecesse.
Mas, por mais real que fosse a ameaça, havia uma parte de mim que se rebelava contra a ideia de ceder a ela. A minha vida sempre foi minha. Sempre escolhi o meu próprio caminho, e agora estava sendo empurrado para um destino que eu não queria. Eu era um homem de controle, e controlar minha vida era o único poder que eu ainda possuía.
E depois havia ela. Isabella Whitmore. A mulher que, pelo simples fato de existir, já complicava tudo. Desde o primeiro momento em que a vi no jardim, com aquele olhar desafiador e a língua afiada, eu soubera que ela seria uma dor de cabeça. Eu sabia que o casamento seria um desastre. Mas, ao mesmo tempo, algo nela me intrigava.
Ela era insuportável. Mas, por algum motivo, isso só tornava a situação mais interessante. Não era o tipo de mulher submissa que as famílias de nossa classe esperavam. Ela tinha uma chama dentro de si que, se soubesse direcionar, poderia até mesmo me fazer sorrir... por um breve momento.
Minha porta se abriu de novo, desta vez com uma entrada mais leve, e Pierre, meu melhor amigo, entrou com um sorriso travesso no rosto.
- Você está com essa cara de quem quer matar alguém. Isso é encantador, sabia? - ele disse, se jogando no sofá de couro.
Eu ignorei, ajustando o relógio no meu pulso com precisão.
- O que você quer, Pierre?
Ele se espreguiçou, um sorriso irreverente nos lábios.
- Só vim oferecer meu apoio emocional. Afinal, você está prestes a encontrar sua alma gêmea.
Eu o olhei com um olhar mortal, e ele logo percebeu o perigo das palavras que havia dito.
- Se você disser "alma gêmea" mais uma vez, eu quebro sua mandíbula.
Pierre riu e ergueu as mãos, como se se rendesse.
- Relaxa, Alex. Quem sabe essa Isabella seja exatamente o que você precisa.
Eu rolei os olhos, tentando controlar a raiva.
- O que eu preciso, Pierre, é uma solução para escapar disso.
Ele se levantou do sofá e passou a mão nos cabelos.
- Boa sorte com isso. Agora, vá sorrir para sua noiva.
A noite chegou mais rápido do que eu esperava. O salão dos Beaumont estava imerso em luz suave, com lustres imponentes que refletiam em cada superfície. O ar estava carregado de formalidade, de sorrisos falsos e conversas vazias. Não era o tipo de ambiente em que eu me sentia confortável.
Mas lá estava ela.
Isabella Whitmore.
Ela estava de pé perto da entrada, com um vestido vermelho que, ao contrário do que minha mãe esperava, não era nada sutil. O tecido caía sobre seu corpo de maneira hipnotizante, moldando-se perfeitamente às suas curvas. Quando ela me viu, seus olhos brilharam com uma mistura de desprezo e reconhecimento. Eu não consegui evitar o sorriso que surgiu nos meus lábios.
- Senhorita destempero. Que prazer revê-la. - disse, com a voz cheia de ironia.
Ela me olhou como se estivesse pronta para me matar ali mesmo.
- Senhor arrogância. Não me diga que vai continuar me perseguindo.
Eu sorri ainda mais. A troca de farpas que se seguiu foi inevitável, mas não havia como negar que a tensão entre nós era quase palpável. Cada palavra parecia carregada, como se ambos estivéssemos jogando um jogo cujas regras ainda não compreendíamos.
Durante o jantar, cada vez que nossos olhares se cruzavam, havia uma eletricidade que eu não sabia como lidar. Eu não queria estar lá. Ela também não. Mas havia algo em seu olhar, algo em seu sorriso desafiador, que me prendia. Eu não sabia o que era, mas não conseguia parar de provocá-la.
Quando ficamos a sós no jardim, a noite estava fria e a atmosfera densa. Eu me aproximei dela, sentindo a adrenalina correr em minhas veias.
- Você me odeia tanto assim?
Ela cruzou os braços, desafiadora.
- Você é insuportável.
Eu sorri, me aproximando ainda mais. - E você é fascinante.
O silêncio entre nós dois foi carregado, o tipo de silêncio que anunciava uma batalha prestes a começar. O que aconteceria depois? Eu não sabia. Mas algo me dizia que essa batalha ainda estava longe de terminar.
Ela se virou e caminhou para dentro da casa, sem olhar para trás. Mas, mesmo assim, eu não pude deixar de sorrir.
"Ela é insuportável", pensei comigo mesmo. "E, ao mesmo tempo, impossível de ignorar."
A batalha entre nós dois estava apenas começando. E, honestamente, eu mal podia esperar.
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