
Nos Braços da Maldição - Casamento Forçado
Capítulo 3
Capítulo 3: "Tensão no Escritório"
(Narrado por Isabella Whitmore)
O som do salto dos meus sapatos ressoava pelos corredores da Whitmore Corporation como um lembrete irritante da minha pontualidade forçada. Normalmente, eu chegaria quinze minutos atrasada com um café na mão e um sorriso no rosto, mas hoje não era um dia normal. Meu pai havia me intimado a comparecer a essa reunião estratégica, e ele tinha o hábito de tornar tudo que envolvia sua presença insuportável.
O ambiente carregava o cheiro inconfundível de dinheiro e poder, uma mistura de couro caro, café fresco e perfume de grife. As paredes do escritório eram de um branco reluzente, decoradas com quadros abstratos que provavelmente custaram mais do que meu carro. Cada detalhe gritava perfeição e controle, características que meu pai achava essenciais para o sucesso.
Assim que entrei na sala de conferências, notei os olhares curiosos e discretos da equipe, uma mistura de admiração e desconforto. Eu sabia o que eles pensavam:
"Lá vem a filha do chefe, atrasada como sempre." Mas hoje eu não vinha atrasada. Não era novidade que minha reputação como "criativa desorganizada" circulava pelos corredores da empresa. Mas eu estava ali para provar que, apesar da bagunça, eu entregava resultados.
Pelo menos, era o que eu planejava... até vê-lo sentado à cabeceira da mesa, como se fosse o dono do lugar.
Alexander Beaumont.
Ele vestia um terno azul-marinho impecável, com a gravata levemente afrouxada, como se quisesse demonstrar uma rebeldia calculada. Seus olhos tão azuis percorreram a sala com calma, mas se fixaram em mim por tempo demais. O sorriso que ele me lançou era uma mistura de sarcasmo e desafio, e eu já sabia que aquele dia seria um desastre.
- Isabella Whitmore - ele disse, com a voz baixa e carregada de ironia. - Que prazer finalmente trabalhar com você.
Prazer? Ele não fazia ideia do quanto eu queria socar aquele sorriso arrogante.
Meu coração acelerava a cada segundo, não por causa do encontro, mas pelo misto de raiva e ansiedade que aquele homem despertava em mim. Ele era a personificação de tudo que eu desprezava, perfeccionista, metódico e com uma autoconfiança que beirava a arrogância.
Enquanto eu me sentava à mesa, tentando manter a compostura, meus pensamentos eram um turbilhão. Como ele ousava invadir o único espaço em que eu tinha algum controle? Meu pai já não tinha feito o suficiente ao anunciar esse casamento absurdo?
Do outro lado da mesa, Alexander parecia completamente à vontade, folheando os papéis como se já fosse o dono da empresa. O fato de ele ser lindo só piorava as coisas. Cada movimento calculado, cada palavra dita com aquela voz rouca, só aumentava minha irritação.
- Você chegou atrasada - ele comentou, sem nem me olhar.
Respirei fundo, tentando não explodir.
- Eu não cheguei atrasada e você está no lugar errado. Essa mesa é para quem trabalha aqui, não para turistas.
Ele finalmente levantou o olhar, e o brilho em seus olhos indicava que ele estava gostando da troca.
- Estou aqui para entender como essa empresa funciona, já que, pelo visto, vou ter que salvar sua pele em breve.
A tensão entre nós era quase palpável, e eu sabia que os outros na sala estavam desconfortáveis. Mas eu não ia deixar que ele me intimidasse.
A reunião começou, mas era impossível ignorar os olhares furtivos que Alexander e eu trocávamos. Cada comentário dele parecia uma provocação direta, e eu respondia com farpas disfarçadas de profissionalismo.
- A campanha atual precisa de mais foco - ele disse, folheando os slides com um olhar crítico. - Não é só sobre criatividade, mas sobre estratégia.
Eu cruzei os braços, levantando uma sobrancelha.
- Ah, claro. Porque estratégia é a especialidade de quem abandona o próprio negócio, não é?
A sala ficou em silêncio, e eu pude ver Sophie, minha colega de equipe, segurando o riso. Alexander apenas sorriu, inclinando-se para frente.
- Abandonar meu negócio foi uma escolha estratégica, senhorita Whitmore. Mas entendo que você tenha dificuldade em compreender isso.
Meu sangue fervia. Como ele ousava?
Ryan, outro membro da equipe, pigarreou, tentando aliviar a tensão.
- Talvez devêssemos nos concentrar nos resultados da última campanha antes de... ahn... avançarmos.
Mesmo assim, a troca de farpas continuou, cada frase nossa carregada de sarcasmo e segundas intenções.
Após a reunião, fui até meu escritório, determinada a evitar qualquer contato com Alexander. Mas, claro, ele parecia ter o talento de aparecer nos momentos mais inoportunos.
- Fugindo de mim, Isabella? - sua voz ecoou na sala enquanto ele encostava na porta, os braços cruzados.
Eu me virei, sentindo a raiva subir.
- Não tenho tempo para você, Alexander.
Ele se aproximou, e a intensidade em seus olhos me prendeu no lugar.
- Você sempre tem tempo para brigar comigo. Por que não para conversar?
Eu ri, sem humor.
- Conversar? Isso é o que você chama de invadir minha reunião e criticar tudo o que eu faço?
Ele deu um passo à frente, e eu recuei instintivamente. A proximidade era sufocante, mas não de uma forma ruim. Era como se o ar ao nosso redor tivesse mudado, ficando mais denso.
- Você gosta de me odiar, não é? - ele murmurou, a voz mais baixa.
Eu cruzei os braços, tentando manter o controle.
- Gosto de manter pessoas como você no lugar delas.
Antes que eu pudesse processar o que estava acontecendo, ele inclinou a cabeça e me beijou. Foi rápido, quase bruto, e cheio de uma raiva que parecia tão intensa quanto a minha. Quando ele se afastou, ambos estávamos sem fôlego.
- Isso foi um erro - eu disse, a voz trêmula.
Ele apenas sorriu, aquele maldito sorriso que fazia meu coração disparar.
- Talvez. Mas você não vai esquecer.
Eu queria jogá-lo pela janela. Ou talvez beijá-lo novamente.
O resto do dia foi um borrão. Cada vez que eu pensava no que havia acontecido, sentia uma mistura de raiva e... outra coisa que eu não queria admitir.
Alexander agia como se nada tivesse acontecido, e isso só me irritava mais. Mas, toda vez que nossos olhares se cruzavam, havia algo ali. Algo que nenhum de nós sabia como lidar.
Ele me olhava com aquela maldita confiança. E eu... Eu não sabia se queria gritar ou beijá-lo de novo.
Quando voltei para casa, ainda tentando processar os eventos do dia, meu telefone vibrou com uma mensagem. Era de Alexander.
"Espero que tenha gostado da nossa reunião. Ainda vamos ter muitas dessas."
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