Capa do romance Empreendimentos Explosivos

Empreendimentos Explosivos

9.2 / 10.0
Winnie Lockhart realiza seu sonho ao abrir um comércio no Beco Diagonal, mas logo enfrenta um obstáculo inesperado: a vizinhança complicada de Fred Weasley. O que começa como uma disputa acirrada para atrair a clientela local transforma-se em uma dinâmica imprevisível entre os dois jovens bruxos. Em meio a produtos mágicos e estratégias de venda, a rivalidade profissional floresce, restando saber se a competição dará lugar a algo mais profundo.

Empreendimentos Explosivos Capítulo 1

Pelo vidro, eu podia ver tanto o chão de pedra da rua que se enchia aos poucos, quanto o reflexo dos produtos coloridos atrás de mim. Meu coração estava um pouco acelerado e minhas mãos suavam, limpei-as no avental, de onde tirei um pequeno relógio de bolso conferindo as horas.

- Está pronta?

Eu sorri para o garoto atrás do balcão por cima do ombro e virei a placa na porta com a palavra "Aberto" para o lado de fora.

- Agora é só esperar - me coloquei ao lado de Hyun tamborilando no balcão com as pontas dos dedos.

Poucos minutos depois a campainha no alto da porta soou e ao contrário do que eu esperava, não eram crianças aproveitando o primeiro dia de férias e sim um homem adulto.

Ele deu uma volta completa, olhando todas as prateleiras, tirando alguns produtos e olhando com atenção antes de devolvê-los. Seus lábios encurvados em meio a um sorriso começou a me irritar pouco a pouco.

- Bom dia, senhor - Eu cumprimentei o homem quando ele se aproximou.

- Bom dia, srta... - ele se esforçou para enxergar meu crachá no uniforme.

- Winnie, Winnie Lockhart.

- Lockhart?

- Sobrinha. e o senhor?

- Fred Weasley - ele olhou a vitrine no balcão como se inspecionasse os cupcakes - são de hoje?

- São sim.

Ele olhou mais de perto quase encostando a ponta do nariz no vidro e sua respiração deixou um leve embaçado antes de se levantar com as duas mãos nos bolsos.

- Vejo que enganação é a especialidade da família.

Meu sangue ferveu e eu precisei fechar os punhos para não perder o controle.

- O senhor pode fazer a gentileza de sair da minha loja?

- Hum... é assim que trata os seus clientes, Srta. Lockhart? - ele assumiu um péssimo ar de comédia.

- Se não vai comprar, não é um cliente.

Ele olhou em volta uma última vez antes de sair da loja, pelo vidro da frente eu o observei atravessar a rua e entrar no estabelecimento da frente.

Então eu entendi tudo.

- Gemialidades Weasley...

- Acha que vamos ter problemas, Winnie.

- Vamos sim, Hyun... e ele também.

Nossos primeiros clientes de verdade surgiram pouco depois e saíram repletos de doces e guloseimas.

Os cupcakes foram os primeiros a serem vendidos e tive que passar parte da tarde preparando mais uma fornada.

O dia passou tão depressa que eu mal percebi, Hyun passava o esfregão no chão enquanto o espanador limpava as superfícies quando a campainha tocou pela última vez naquele dia.

Pela porta passou uma mulher muito jovem acompanhada de um menino que saltitava tentando soltar da mão da mãe.

- Boa tarde.

- Estão abertos?

- Sim, procurando algo específico ou...?

- Ele só está curioso - o menino finalmente se soltou e correu para os baleiros na parede - só alguns, Artie.

- Quantos anos?

- Seis.

- É um menino lindo.

- Obrigada, hiperativo pela idade, mas eu prefiro assim - ela estendeu a mão para me cumprimentar e eu a apertei - sou Abigail, Abby.

- Winnie. É um prazer conhecê-la, você mora por aqui? - eu aproveitei a conversa para contar o fechamento do caixa.

- Sim, sou proprietária do Petwett, se precisar de amassos, pufosos ou corujas pode me visitar.

- Petwett?

- A loja de animais, trocadilho com meu nome: Prewett. Bem, Prewett-Weasley agora. Meu marido é co-proprietário da loja em frente.

- Acho que o conheci hoje, Fred não é?

- Ah não - ela riu como se fosse a coisa mais absurda do mundo - eu me casei com o gêmeo mais bonito.

- Não é difícil.

- Imagino que ele não tenha sido educado. A Gemialidades Weasley reina entre as crianças, com a sua loja eles vão ter concorrência, mas não se preocupe, Fred é inofensivo.

- Eu sei lidar com isso, não se preocupe.

- Mamãe... quero esses - o menino jogou uma dezena de balas em forma de bengala no balcão.

- Essas são ótimas - eu me curvei sobre a caixa registradora olhando o menino bem de perto - eles deixam a ponta do nariz colorida.

- E esses?

- Só cupcakes.

- Meu tio ama cupcakes.

- Então ele mesmo pode vir comprar, não acha?

- Quanto fica? - Abby me perguntou remexendo sua bolsinha de moedas enquanto eu embalava as bengalinhas.

- Por conta da casa, dessa vez.

- Obrigada, agradece Artie.

- Brigado - o menino respondeu enfiando uma bala na boca e ficando com a ponta do nariz azul enquanto acompanhava a mãe até a porta.

- Ela parece legal.

- É... pode ir Hyun, eu dou conta aqui.

- Que bom, eu tô exausto. Te vejo amanhã.

Dez segundos depois eu me vi sozinha na loja, estava cansada também então só guardei o dinheiro no pequeno cofre atrás do caixa e subi as escadas caracol até a kitnet no andar de cima.

Preparei um lamen instantâneo e me aproximei da janela observando os últimos transeuntes que passavam por ali, meus olhos foram atraídos para a loja da frente e depois para o apartamento acima dela.

Fred Weasley estava parado, debruçado no parapeito de sua janela e me encarava sem pudor, eu o encarei de volta, provando que não tinha medo.

- Pode vir, Weasley... mas vem preparado.

****

O sol entrava pela janela do quarto iluminando todo o apartamento, era confortável e aconchegante, me virei na cama sentindo cheiro de chocolate quente, que aos poucos foi sumindo.

- Ainda não, me deixe sonhar com ela mais um pouco. Eu nem contei sobre ontem.

Mas era tarde, eu estava acordada e totalmente sozinha naquele quarto.

Vesti meu uniforme e abri as cortinas da sala, deixando o sol entrar de vez. Do outro lado da rua, os gêmeos abriram a loja mais cedo e já tinham clientes.

- Como assim? Nem são sete horas.

Desci correndo e abri as cortinas da vitrine, virei a placa na porta indicando que estávamos abertos também.

- Bom dia, Winnie.

- Bom dia, Hyun... os gêmeos já abriram, você acredita?

- Eu vi quando cheguei, vai assar cupcakes?

- Vou sim, você dá conta?

- Eu sou Hyun Saito, dou conta de tudo - ele disse com seu jeito afetado.

Eu ri alto e entrei na cozinha atrás do caixa, entre misturar farinha e bater glace me veio a ideia perfeita, peguei uma caixa de papelão e usei alguns feitiços, deixando-a colorida e com docinhos desenhados. Escrevi as palavras:

"Compre um cupcake e ganhe um chiclete de algodão doce totalmente grátis".

- Vai dar algodão doce para mascar? De graça? Sério, Winnie? - Hyun perguntou ao me ver passar com a placa pelo salão.

- É sim, esse chiclete é dos doces mais baratos e tenho certeza que vai atrair clientes. Quem não quer doces que duram mais?

Pendurei o cartaz na janela pelo lado de fora e dei alguns passos para trás na calçada com as mãos na cintura, admirando meu marketing, me sentindo muito orgulhosa e olhei por cima do ombro para a loja do outro lado da rua. Fred Weasley balançava a cabeça, lentamente, em negação.

Eu sorri e voltei para dentro, um minuto depois a loja começou a encher, os cupcakes acabaram e me apressei em fazer mais.

Havia farinha no meu rosto e cabelo, meu avental estava repleto de açúcar e corante de várias cores.

- Hei, Winnie - Hyun gritou da loja - você não vai gostar disso.

Abri a porta da cozinha parando atrás de Hyun e vi, por cima das inúmeras cabeças das crianças que enchiam minha loja, os donos da Gemialidades penduraram uma placa maior que a minha e com uma promoção maior também.

"Comprem dois kits mata-aula pelo preço de um e ainda ganhe um fogo de artifício mal educado"

- Que porra é um fogo de artifício mal educado?

- Não sei, pelo menos conseguimos vender bastante de manhã, deixa eles serem felizes um pouco.

- Nem pensar - eu saquei minha varinha andando até o lado de fora e usei engordio para aumentar a placa onde acrescentei depois de chiclete de algodão doce.

"... e um pirulito poderoso."

Pov Fred

- Que diabos é um pirulito poderoso?

- Eu não sei - George se colocou ao meu lado atrás da vitrine com a mesma cara de preocupação que eu - mais alguma ideia brilhante?

- Todas as minhas ideias são brilhantes.

Nós dois rimos mas eu já tinha algo em mente, peguei minha varinha de dentro do casaco e dei um passo em direção à porta para então ser interrompido pela minha cunhada intrometida de braços cruzados.

- Acho que já tá bom por hoje, Fred.

- Porque não cuida da sua própria loja?

- Ela tem razão.

- Você estragou o meu irmão.

- Fred?! - essa era a voz de George sendo um adulto responsável - Já saímos no prejuízo hoje. Deixa ela vencer dessa vez e amanhã você tira a placa ou vamos falir.

George saiu para atender uma dupla de pirralhos que mexia em todas as prateleiras e eu me virei para Abby que continuava com os braços cruzados.

- Sério, porque não tá na sua loja?

- Fechei mais cedo, não adianta ficar aberta até mais tarde.

- Essa loja de doces vai ser um problema.

- Mas brigar não é a solução, ela tem tanto direito de abrir o próprio negócio quanto nós.

- Você vai mudar de ideia quando as vendas caírem e até o George começar a ficar estressado...

- As vendas já caíram e foi você quem colocou essa promoção absurda.

- ...ou quando o Artie pedir algo e você não ter dinheiro para comprar.

- Eu vou dar um jeito.

- E você tem vendido?

- Não, mas vai melhorar quando voltarem as aulas. Fiz um pedido grande de corujas.

- Acho difícil, que criança vai querer corujas quando a novidade são esses doces malucos?

Ela ficou calada, sabia que eu estava certo, do outro lado da rua, a cada dois minutos saía pela porta da Lollaland uma criança flutuando ou esticando as partes de corpo enquanto lambia um espiral colorido.

"Então é isso que faz um pirulito poderoso? Oferece poderes especiais? Boa, Winnie. Mas nada perto de um Weasley."

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