Capa do romance A Prateada: Destruída pelo Seu Alfa

A Prateada: Destruída pelo Seu Alfa

8.5 / 10.0
Traída pelo Alfa Marcos, seu companheiro, a loba é submetida a um processo cruel com prata líquida para perder seus poderes. Ele busca favorecer sua amante, Raquel, e um herdeiro ilegítimo. Contudo, antes de ser enviada ao exílio como uma serva ômega, ela descobre provas da infidelidade dele. Ao fingir sua própria morte em um acidente forjado, ela envia a verdade ao Conselho dos Anciãos, destruindo o legado de Marcos enquanto conquista sua liberdade longe dele.

A Prateada: Destruída pelo Seu Alfa Capítulo 1

Amarrada àquela mesa fria de metal no subsolo do hospital, eu implorei por misericórdia ao meu Companheiro Predestinado, o Alfa Marcos.

Ele ignorou minhas lágrimas. Com uma voz desprovida de qualquer calor humano, ordenou que a médica injetasse prata líquida em minhas veias — um veneno projetado para dissolver o espírito do lobo.

— Faça — comandou ele. — Se ela continuar sendo uma loba, é um risco. Como humana, ela pode ficar como uma Ômega.

Eu gritei enquanto o ácido prateado corroía minha alma, cortando a conexão com minha loba.

Marcos nem piscou. Ele não estava me salvando das queimaduras; ele estava limpando o caminho para sua amante, Raquel, e o filho bastardo secreto deles.

Quebrada e sem loba, fui forçada a assistir enquanto ele reivindicava publicamente seu filho ilegítimo como o novo herdeiro.

Ele pensou que eu era submissa. Pensou que eu desapareceria silenciosamente nos alojamentos dos servos para ser seu caso de caridade.

Ele não sabia que eu havia arrombado seu cofre e encontrado os testes de DNA que provavam seus três anos de traição.

Na manhã de seu casamento com Raquel, eu sorri ao entrar no carro que me levaria ao meu "exílio".

Dez minutos depois, meu e-mail agendado expondo cada mentira chegou ao Conselho dos Anciãos.

E enquanto Marcos caía de joelhos gritando ao ver meu veículo em chamas, percebendo que havia destruído sua Companheira Verdadeira por uma fraude, eu já estava longe.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Sara

Ferrugem e antisséptico sufocavam o ar no subsolo do hospital da alcateia. Era o cheiro de um matadouro limpo com água sanitária.

Eu estava deitada, presa à mesa de metal. As restrições de couro cavavam meus pulsos e tornozelos, esfolando uma pele que já estava em carne viva e com bolhas das queimaduras que sofri no incêndio três dias atrás.

— Alfa Marcos, por favor — sussurrou a Médica da Alcateia. O frasco de vidro em sua mão tremia contra a bandeja de metal como dentes batendo de frio. — Ela ainda está se recuperando da inalação de fumaça. O corpo dela está muito fraco. A prata... pode matar o lado humano dela, não apenas o lobo.

Virei a cabeça, com o pescoço rígido. Marcos estava nas sombras. Ele usava um terno grafite impecável, parecendo em tudo o poderoso Alfa da Alcateia Lua Negra. Seu maxilar estava travado, seus olhos vazios do calor que costumava haver lá quando éramos crianças.

— Faça — disse Marcos. Sua voz era baixa, mas carregava o peso esmagador do Comando Alfa.

A médica estremeceu. O Comando não era algo que um lobo de classificação inferior pudesse ignorar. Era uma força física, uma compulsão tecida em nossa biologia que forçava a submissão.

— Mas Alfa — ela implorou, lágrimas brotando em seus olhos. — Ela é sua prometida. O Laço de Companheirismo...

— O laço é um problema — Marcos a cortou, entrando na luz fluorescente dura. — Olhe para ela. Ela é fraca. O fogo quase a matou. Se ela continuar sendo uma loba, será desafiada. Ela será ferida. Isso é para a proteção dela. Como humana, ela pode estar segura. Ela pode ficar na alcateia como uma Ômega, sob meus cuidados.

Mentira.

Meu coração martelava contra minhas costelas. O sedativo que me deram mais cedo estava deixando meus membros pesados, mas minha mente estava aterrorizantemente clara.

Antes de me arrastarem para cá, eu estava na ala de recuperação. As paredes eram finas. Eu tinha ouvido Marcos ao telefone.

*Ela precisa ser neutralizada, ou o Conselho não aprovará o filho de Raquel como herdeiro*, ele tinha dito. *Queime a casa. Se Sara sobreviver, arrancarei a loba dela. Uma Luna sem loba não é Luna de jeito nenhum.*

Ele não queria me proteger. Ele queria abrir espaço para sua amante e seu filho bastardo.

— Prossiga — comandou Marcos. A pressão do ar na sala caiu, sua aura sugando o oxigênio do espaço.

A médica soluçou, um som sufocado, mas seu corpo se moveu contra sua vontade. O Comando Alfa sequestrou seus músculos. Ela pegou a seringa. Estava cheia de um líquido metálico cintilante.

Prata líquida.

Em nosso mundo, a prata é o veneno supremo. Ela queima nossa cura acelerada, interrompe nossa transformação e, se injetada diretamente na corrente sanguínea em altas doses, caça o espírito do lobo dentro de nós e o dissolve. É uma tortura geralmente reservada para traidores e assassinos.

— Marcos — eu grasnei. Minha garganta estava em carne viva por causa da fumaça. — Por favor.

Ele não olhou para mim. Ele olhou para a parede.

— Vai acabar logo, Sara. Você não sentirá mais o fardo do lobo.

A agulha perfurou a veia do meu braço.

Eu engasguei.

Não era frio. Era fogo. Chumbo derretido subiu pelo meu braço, correndo em direção ao meu coração.

Eu gritei.

A dor não era apenas física. Era espiritual. Eu senti *ela* — minha loba — entrar em pânico. Ela arranhava o interior do meu peito, uivando em confusão e agonia. Ela tentou curar a intrusão, mas a prata era muito potente. Era ácido corroendo seda.

*Sara!* ela gritou em minha mente, sua voz distorcida pela dor. *Corra!*

*Eu não consigo*, solucei internamente.

O fogo se espalhou para cada terminação nervosa. Minhas costas arquearam fora da mesa, forçando contra as tiras de couro. O som do meu próprio grito preencheu a pequena sala, ricocheteando nas paredes de concreto.

Marcos assistia. Ele não piscou.

Então veio o rasgo.

Parecia um gancho enferrujado prendendo o núcleo da minha alma e arrancando-o pela minha garganta.

Um ganido agudo ecoou na minha cabeça, seguido por um silêncio terrível e sufocante.

Minha loba deu um último estremecimento, uma sensação fantasma de pelo se eriçando, e então ela se foi. A conexão que tinha sido um zumbido quente no fundo da minha mente desde que eu era criança foi cortada.

Eu fiquei mole. O mundo ficou cinza. Minha audição, geralmente afiada o suficiente para ouvir um batimento cardíaco do outro lado da sala, embotou instantaneamente. O cheiro de ferrugem desapareceu em um odor metálico genérico.

Eu estava vazia.

— Está feito — sussurrou a médica, caindo de joelhos.

Marcos caminhou até a mesa. Ele olhou para mim. Eu estava suando, tremendo, lágrimas escorrendo pelo meu rosto até minhas orelhas.

Ele estendeu a mão e tirou uma mecha de cabelo úmido da minha testa. Seu toque, que deveria ter enviado faíscas do Laço de Companheirismo através de mim — a emoção elétrica de uma conexão predestinada — não parecia nada. Apenas pele quente e seca.

O laço estava quebrado fisicamente, mesmo que a lua ainda o reconhecesse.

— Shh — ele acalmou, sua voz pingando falsa ternura. — Você está segura agora, Sara. Você pode descansar. Sem mais fardos.

Ele se inclinou e beijou minha testa. Foi o beijo de um Judas.

Eu queria cuspir na cara dele. Eu queria arrancar a garganta dele. Mas eu era apenas uma garota humana agora, amarrada a uma mesa, cercada por lobos.

Se eu lutasse, ele me mataria. Se eu mostrasse a ele que sabia a verdade, nunca sairia desta sala.

Forcei minha mão trêmula a se levantar. Agarrei a lapela dele. Olhei em seus olhos com todo o desespero de um animal moribundo.

— Obrigada — sussurrei, a mentira com gosto de bile na minha boca. — Obrigada por me salvar, Alfa.

Marcos sorriu. Era um sorriso triunfante e arrogante. Ele pensou que tinha vencido. Ele pensou que tinha me quebrado.

Ele não tinha ideia do que acabara de libertar.

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