
Dois Corações, dois tempos, um amor.
Capítulo 2
O voo foi tranquilo, mas Laura não tirava da cabeça a sensação de que algo estava prestes a mudar.
Durante o trajeto, assistiu a filmes, usou wi-fi, comeu sua comida favorita e aproveitou todos os confortos do século XXI como se fossem os últimos.
Em Londres, visitou a Torre, o Palácio de Buckingham, os museus e cada sala com retratos antigos - e suspirava, como se conhecesse cada rosto. Os quadros pareciam chamá-la. Como se dissessem: você já esteve aqui.
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Na última etapa da viagem, embarcou num trem rumo à pequena cidade que seu bisavô havia descrito nos cadernos antigos. O nome da vila tinha mudado, e quase nada era como nas histórias.
- Claro que não seria igual. Já se passaram mais de cem anos... - murmurou para si mesma, tentando ignorar a decepção.
Foi andando pelas ruas estreitas e observando os cafés modernos onde, um dia, talvez tivesse havido cocheiras. Numa calçada, algo brilhou.
- Um celular?
Era um modelo estranho, antigo, mas curioso. Estava desligado. Ela apertou botões, sacudiu, nada. Resolveu guardá-lo.
- Deve ser de alguém daqui. Posso entregar depois.
Seguiu caminhando... até que, na bolsa, o celular acendeu.
Sem aviso, apareceu uma mensagem:
> "Acho que alguém como você, não pertence a um lugar como esse.
Hora de conhecer quem você é."
- Que...?
Antes que pudesse ver de onde vinha a luz, uma claridade intensa escapou pela bolsa. Ela tampou os olhos. A cabeça girou. Tropeçou em algo, caiu para trás, bateu a cabeça e...
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🌙 Quando abriu os olhos...
Estava frio. Muito frio.
O céu era escuro. A rua que antes era de pedra e asfalto agora era barro e lama. O chão sugava o salto das botas e respingava nas laterais.
Ela sentou-se, atordoada. Bateu a poeira do vestido creme como se fosse vida ou morte - era novo, era caro, e agora estava sujo. Pior: seu penteado estava destruído, com galhos presos no coque frouxo.
- Ok... ok... isso deve ser alguma pegadinha. Alguma simulação de época... cadê as câmeras escondidas?
Mas não havia nada. Apenas o barulho de grilos e vento.
Então, o som dos cascos.
Ela olhou. Um cavalo se aproximava lentamente pela estrada de terra. Montado nele, um homem de ombros largos, postura ereta, e um olhar escuro como a noite.
Ele parou diante dela, desceu do cavalo com graça e autoridade.
- Está ferida?
Laura engoliu seco.
- Eu... eu acho que bati a cabeça. Que lugar é esse?
O homem a observou com atenção. A roupa dela, a pele exposta, os sapatos estranhos.
- Não se preocupe. Eu a levarei para um lugar seguro. Mas primeiro... - ele tirou a capa e estendeu. - Cubra-se. Está... digamos... indevidamente vestida para uma dama.
Ela arregalou os olhos.
- Como é que é?
- É perigoso. Mulheres sozinhas, à noite, com as pernas de fora... costumam ser alvo de más interpretações.
Ela piscou. O vestido que em 2025 era fofo e retrô, ali, era praticamente indecente.
- Quem é você?
Ele hesitou.
- Edward.
Ela gelou.
- Edward... Windsor?
Ele pareceu surpreso.
- Não. Só... Edward.
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