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Capa do romance Dois Corações, dois tempos, um amor.

Dois Corações, dois tempos, um amor.

Em 2025, a cirurgiã Laura busca suas raízes na Inglaterra após ouvir lendas de seu bisavô. Durante a viagem, um celular misterioso a transporta para o século XIX. Perdida em uma era restritiva, ela conhece Edward, um nobre enigmático que esconde sua linhagem e foge da corte. Entre choques culturais e segredos profundos, os dois enfrentam as convenções sociais da época. Laura e Edward descobrem que, apesar do abismo temporal, o destino reservou um amor improvável.
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Capítulo 2

O voo foi tranquilo, mas Laura não tirava da cabeça a sensação de que algo estava prestes a mudar.

Durante o trajeto, assistiu a filmes, usou wi-fi, comeu sua comida favorita e aproveitou todos os confortos do século XXI como se fossem os últimos.

Em Londres, visitou a Torre, o Palácio de Buckingham, os museus e cada sala com retratos antigos - e suspirava, como se conhecesse cada rosto. Os quadros pareciam chamá-la. Como se dissessem: você já esteve aqui.

-

Na última etapa da viagem, embarcou num trem rumo à pequena cidade que seu bisavô havia descrito nos cadernos antigos. O nome da vila tinha mudado, e quase nada era como nas histórias.

- Claro que não seria igual. Já se passaram mais de cem anos... - murmurou para si mesma, tentando ignorar a decepção.

Foi andando pelas ruas estreitas e observando os cafés modernos onde, um dia, talvez tivesse havido cocheiras. Numa calçada, algo brilhou.

- Um celular?

Era um modelo estranho, antigo, mas curioso. Estava desligado. Ela apertou botões, sacudiu, nada. Resolveu guardá-lo.

- Deve ser de alguém daqui. Posso entregar depois.

Seguiu caminhando... até que, na bolsa, o celular acendeu.

Sem aviso, apareceu uma mensagem:

> "Acho que alguém como você, não pertence a um lugar como esse.

Hora de conhecer quem você é."

- Que...?

Antes que pudesse ver de onde vinha a luz, uma claridade intensa escapou pela bolsa. Ela tampou os olhos. A cabeça girou. Tropeçou em algo, caiu para trás, bateu a cabeça e...

---

🌙 Quando abriu os olhos...

Estava frio. Muito frio.

O céu era escuro. A rua que antes era de pedra e asfalto agora era barro e lama. O chão sugava o salto das botas e respingava nas laterais.

Ela sentou-se, atordoada. Bateu a poeira do vestido creme como se fosse vida ou morte - era novo, era caro, e agora estava sujo. Pior: seu penteado estava destruído, com galhos presos no coque frouxo.

- Ok... ok... isso deve ser alguma pegadinha. Alguma simulação de época... cadê as câmeras escondidas?

Mas não havia nada. Apenas o barulho de grilos e vento.

Então, o som dos cascos.

Ela olhou. Um cavalo se aproximava lentamente pela estrada de terra. Montado nele, um homem de ombros largos, postura ereta, e um olhar escuro como a noite.

Ele parou diante dela, desceu do cavalo com graça e autoridade.

- Está ferida?

Laura engoliu seco.

- Eu... eu acho que bati a cabeça. Que lugar é esse?

O homem a observou com atenção. A roupa dela, a pele exposta, os sapatos estranhos.

- Não se preocupe. Eu a levarei para um lugar seguro. Mas primeiro... - ele tirou a capa e estendeu. - Cubra-se. Está... digamos... indevidamente vestida para uma dama.

Ela arregalou os olhos.

- Como é que é?

- É perigoso. Mulheres sozinhas, à noite, com as pernas de fora... costumam ser alvo de más interpretações.

Ela piscou. O vestido que em 2025 era fofo e retrô, ali, era praticamente indecente.

- Quem é você?

Ele hesitou.

- Edward.

Ela gelou.

- Edward... Windsor?

Ele pareceu surpreso.

- Não. Só... Edward.

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