Capa do romance O Alfa Renunciou à Sua Companheira Destinada

O Alfa Renunciou à Sua Companheira Destinada

8.1 / 10.0
Humilhada publicamente enquanto o Alfa Supremo, Dante, protegia sua amante, decidi partir. Aproveitando seu desleixo, fiz com que ele assinasse um documento de repúdio sem ler. Fugindo para os Alpes, escondi minha gravidez até que, um ano depois, a linhagem poderosa de Dante começou a consumir o corpo de nossa filha. Sem saída, chamei o homem que me desprezou. Agora, ele cruza o mundo não para me dominar, mas para implorar por nosso perdão de joelhos.

O Alfa Renunciou à Sua Companheira Destinada Capítulo 1

Eu estava no centro do palco da minha própria exposição de arte, cercada pela elite da Alcateia, que me olhava com nada além de pena.

Meu marido, o Alfa Supremo, estava desaparecido.

Então, alguém apontou para a TV. Lá estava Dante, ao vivo no noticiário, protegendo outra mulher — uma Beta de pernas longas chamada Isabella — da chuva com o próprio corpo.

Enquanto eu estava ali, sozinha, tratada como um defeito porque não conseguia me transformar, ele bancava o cavalheiro perfeito para a amante.

Naquela noite, entrei em seu escritório com uma pilha de papéis chatos sobre a logística da galeria.

Escondido no fundo da página quatro, havia um Vínculo de Repúdio — uma lei arcaica que declarava uma companheira como propriedade indesejada.

Dante nem leu. Estava ocupado demais rindo com Isabella para perceber que estava legalmente abrindo mão de sua esposa.

Peguei a pasta, fiz uma mala e desapareci na noite, levando comigo o segredo de seu herdeiro ainda não nascido.

Quando ele finalmente me encontrou nos Alpes Suíços durante uma nevasca, esperava uma esposa submissa, pronta para voltar.

Em vez disso, encontrou uma mulher que o olhou nos olhos e disse: "Você não é necessário aqui."

Pensei que estava livre, até que um ano depois, o sangue da nossa filha começou a queimá-la viva por dentro.

Sua poderosa linhagem de Alfa estava em guerra com seu corpo, e minha magia não era suficiente para salvá-la.

Trêmula, disquei o número que jurei nunca mais ligar.

"Dante", solucei. "É a Luna. Ela está morrendo."

O homem que um dia me tratou como um recurso atravessou montanhas para nos salvar.

Mas desta vez, o Alfa Supremo não veio para conquistar.

Ele veio para se ajoelhar.

Capítulo 1

Ponto de Vista: Helena

A galeria fedia. Claro, na superfície, era o cheiro de champanhe caro e Chanel Nº 5, mas por baixo? Fedia a cachorro molhado e condescendência.

Eu estava parada bem no centro da "Galeria Lua de Sangue", apertando as mãos para conter o tremor. A elite da Alcateia circulava como tubarões de smoking, balançando suas taças. Eles olhavam para minhas pinturas a óleo — representações violentas e caóticas da história dos lobos — e depois olhavam para mim.

Aquele olhar. Aquele olhar sufocante de "coitadinha", reservado para um defeito. Uma Ômega que não conseguia se transformar.

"Belos quadros, Helena", disse uma mulher Gama, passando por mim sem diminuir o passo. Ela não se importava com a arte. Só queria ser vista sendo gentil com o caso de caridade do Alfa.

Chequei meu celular. Tela preta. Nada.

*Dante. O curador está começando. Onde você está?*

Enviei o pensamento pelo Elo Mental. Normalmente, um vínculo de companheiros parece um fio de alta tensão — um zumbido de eletricidade. Hoje à noite? Silêncio total. Ele havia erguido o muro mental. De novo.

Dentro de mim, minha loba arranhava minhas costelas, desesperada por ele. Eu a ignorei.

"Ei, olhem a TV", alguém murmurou perto da mesa de camarões.

Eu me virei. A tela plana na parede transmitia a "Cúpula da Aliança das Alcateias" no centro da cidade. A chuva açoitava as ruas de São Paulo na tela. A câmera deu um zoom em um SUV preto.

Dante.

Meu Deus, como ele era lindo. Mesmo em pixels, ele era letal. Ombros largos esticando um terno feito sob medida, mandíbula cerrada como granito. O tipo de homem que poderia silenciar uma sala apenas por entrar nela.

Então, a porta do passageiro se abriu.

Isabella. A filha do Alfa vizinho. Uma Beta. Pernas longas, ambiciosa e usando um vestido que custava mais do que toda a minha exposição. Ela tropeçou nos saltos. A mão de Dante disparou, segurando sua cintura. Ele a puxou para perto, protegendo-a da chuva com o próprio corpo. Ela riu, encostando-se em seu peito.

Ele não a soltou.

A legenda passava abaixo deles: *Alfa Supremo Sovrano e o Par Perfeito?*

A galeria ficou em silêncio. Eu podia sentir o calor de cem olhares queimando minhas costas. Meu cheiro — normalmente baunilha e jasmim — azedou. Cheirava a açúcar queimado e vergonha.

Meu celular vibrou. Finalmente.

Dante: *Assuntos da Alcateia se estenderam. Vá para casa.*

Era só isso. Sem "Desculpe". Sem "Boa sorte". Apenas uma ordem.

Fiquei olhando para a tela até os pixels se tornarem um borrão. Por quatro anos, engoli as desculpas. Ser o Alfa Supremo de um império de negócios em São Paulo exigia sacrifícios. Como eu era a companheira "quebrada", aquela que não podia se transformar, eu tinha que ser a compreensiva.

Mas ele não estava sacrificando nada. Eu estava.

"Ele não vem, passarinho."

Eu me encolhi. Juliano, o artista Renegado que contratei para as molduras, estava encostado na saída de emergência. Ele cheirava a sálvia e terra — um disfarce para sua falta de cheiro de alcateia.

"Juliano", limpei o olho rapidamente. "Você não pode estar aqui."

"Nem você deveria", disse Juliano, com a voz baixa. "Ele está te devorando viva, Helena. Você não é uma parceira para ele. Você é um calmante. Ele vem até você para acalmar o lobo dele depois de uma briga, e depois vai embora. Você é um recurso."

Eu queria gritar com ele. Queria usar minha voz de Luna. Mas eu não tinha uma voz de Luna. Eu era apenas o bichinho de estimação do Alfa.

Minha loba ficou imóvel.

*Recurso.*

Na tela, a mão de Dante ainda estava na base das costas de Isabella enquanto ele a guiava para dentro.

Algo no meu peito não se quebrou. Apenas... se desligou.

"Juliano", eu disse, minha voz se firmando. "Aquele advogado que você mencionou. O que cuida de saídas 'complicadas'?"

Juliano ergueu uma sobrancelha. "O cara do Vínculo de Repúdio? Isso é lei arcaica, Helena. Declara uma companheira como propriedade indesejada. Nenhum Alfa assina isso voluntariamente."

"Dante não lê o que eu dou a ele", eu disse, a percepção fria e afiada. "Ele acha que sou estúpida demais para entender contratos. Ele acha que eu só pinto dentro das linhas."

Virei as costas para a TV. Virei as costas para a sala cheia de pena.

"Me dê o número. Vou demitir ele."

*

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