
De Renegada Rejeitada à Rainha do Alfa Supremo
Capítulo 2
Ponto de Vista da Sofia:
Eu estava na metade do caminho para a saída quando uma mão apertou meu ombro.
— Eu não terminei de falar com você — Augusto rosnou.
Girei o corpo, tirando a mão dele de mim.
— Não me toque.
— Você tem muita atitude para alguém que não possui nada — Augusto cuspiu. — Estou tentando te ajudar, Sofia. Você acha que pode sobreviver lá fora sozinha? Sem uma alcateia?
Ele pairou sobre mim, usando sua altura para intimidar. Ele estava tentando usar sua aura de Alfa — uma pressão que os lobos usam para dominar os outros.
Mas eu senti... nada.
Desde que meu sangue adormecido começou a despertar, três anos atrás, a pressão de Alfas comuns parecia uma brisa suave.
Augusto franziu a testa, confuso por eu não estar me encolhendo. Ele agarrou meu pulso, me puxando para mais perto.
— Me solta! — Puxei de volta bruscamente.
O movimento fez a manga do meu suéter cinza largo deslizar para cima.
A luz do sol capturou a pulseira no meu pulso.
Era requintada. Feita de pedra da lua pura, brilhando com uma luz azul interna e etérea. Foi um presente de Ryder em nossa cerimônia de acasalamento. Um artefato de proteção abençoado pelos Anciãos de Lymerian.
Hailey arfou. Seus olhos se arregalaram de ganância.
— Essa pulseira... — ela sussurrou. Ela olhou para Augusto. — Parece a Lágrima da Deusa da Lua! O artefato dos livros de história!
Augusto olhou para ela, depois zombou.
— Não seja estúpida, Hailey. Aquele é um artefato inestimável de propriedade da Família Real. Isso? — Ele gesticulou para o meu pulso. — Isso é uma imitação barata de vidro que ela provavelmente roubou de um posto de gasolina.
— É bonita, no entanto — Hailey choramingou. — Eu quero. Combinaria com meus olhos.
— Dê a ela — Augusto ordenou, estendendo a mão.
— Você está louco? — Encarei-o incrédula. — Isso é meu.
— Você é uma Desgarrada no meu território! — Augusto gritou. — Tudo o que você tem está sujeito a confisco. Dê para a Hailey, e eu não mandarei prendê-la por vadiagem.
— Não.
A paciência de Augusto acabou. Ele avançou, agarrando meu pulso novamente, seus dedos cravando na minha pele. Ele puxou a pulseira violentamente.
— Não! — eu gritei.
*Crack.*
A delicada corrente de prata se partiu. A pulseira caiu do meu pulso, tilintando no asfalto.
Mas as unhas de Augusto tinham cavado fundo demais. Três longos arranhões vermelhos apareceram no meu antebraço. Sangue vermelho vivo brotou.
O cheiro do meu sangue atingiu o ar. Era doce, metálico e potente.
*Bzzzt. Bzzzt. Bzzzt.*
Meu telefone no bolso explodiu em vibração.
Ryder.
Ele sentiu. O Laço de Companheiro transmite dor física. Ele sabia que eu estava ferida.
Agarrei meu braço sangrando, encarando Augusto. Um flash de calor surgiu em minhas veias. Não era apenas raiva. Era primitivo.
Por uma fração de segundo, minha visão mudou. O mundo ficou nítido, em alto contraste.
Augusto tropeçou para trás. Ele piscou, olhando para os meus olhos.
— O que... o que foi isso?
— O que foi o quê? — Hailey perguntou, abaixando-se para pegar a pulseira. Ela franziu a testa. — Ugh, é pesada. Definitivamente vidro.
Augusto balançou a cabeça, parecendo pálido.
— Eu pensei... eu vi os olhos dela ficarem prateados.
— Não seja ridículo — Hailey riu. — Ela é humana. Provavelmente apenas um reflexo do sol.
Augusto enfiou a mão no bolso e tirou um talão de cheques. Ele rabiscou algo apressadamente, arrancou a folha e jogou na minha cara. O papel flutuou até o chão, caindo em uma poça.
— Aí está — ele zombou, recuperando a compostura. — Quinhentos reais. Isso é mais do que suficiente para sua joia falsa e uma passagem de ônibus para fora da cidade. Não me deixe ver você na Cúpula dos Alfas em três dias. Se você tentar implorar por comida lá, eu mesmo te jogarei na masmorra.
Olhei para o cheque na lama. Depois olhei para Augusto.
— Você acha que dinheiro conserta isso? — perguntei, minha voz tremendo não de medo, mas de fúria contida.
Abaixei-me, peguei o cheque e o rasguei em pedacinhos. Deixei o confete chover sobre os sapatos polidos dele.
— Fique com seu dinheiro, Augusto — eu disse, minha voz caindo uma oitava, soando estranha até para os meus próprios ouvidos. — Você vai precisar dele para suas contas médicas.
— Isso é uma ameaça? — Augusto riu, mas soou nervoso.
— É uma promessa.
Virei as costas e fui embora. Desta vez, ele não me parou. Ele estava ocupado demais encarando os próprios joelhos, que tremiam incontrolavelmente por razões que ele não conseguia entender.
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