Capa do romance MALDITA SORTE

MALDITA SORTE

9.7 / 10.0
Rivais implacáveis no mundo corporativo, Scott e Aria competem ferozmente pela liderança do mercado. No entanto, a disputa por um valioso contrato internacional toma um rumo drástico quando o avião em que viajavam cai em uma floresta remota. Isolados na natureza selvagem, os inimigos declarados são forçados a deixar as diferenças de lado. Agora, eles precisam lutar pela sobrevivência enquanto tentam não se destruir nesse cenário hostil e perigoso.

MALDITA SORTE Capítulo 1

“Uhhh!”

A mulher sai apressada pelo corredor fumegando, puxando os cabelos nas têmporas enquanto seus saltos ressoam.

Atrás dela um homem grande a segue em passos calmos, mas também muito irritado e com a cara fria.

Ambos terminam lado a lado esperando o elevador. Não se olham, mas é obvio o desgosto que sentem reciprocamente. No elevador o silêncio é mortal.

“Sim, venha me pegar agora, agora!”, a mulher rosna no telefone ao sair do elevador.

Os dois param do lado de fora do prédio, numa manhã amena e sol brilhante, sentindo o vento fresco em seus rostos.

“Você ainda pode desistir”, diz o homem da cara fria a encarando.

“Está com medo da concorrência?! Você é um fraco!”, ela rebate irada.

“Sou um cavalheiro e não gosto de deixar uma ‘mulher’ desconfortável”, ele salientou a palavra ‘mulher’ como se isso por si só demonstrasse fraqueza e vulnerabilidade.

A mulher ri de desdém.

“Como ‘tipinhos’ como você no café da manhã todos os dias”, ela rebate feroz.

“Então por que está nervosa? Se está acostumada com o meu ‘tipo’ não haverá problemas, não é?... Mas talvez o ‘meu tipo’ seja um pouco mais indigesto do que você está acostumada, mas como sou um cavalheiro, posso permitir você me ‘degustar’ em outro horário mais favorável”, o homem da cara fria fala de forma fria a provocando, salientando de propósito as palavras ‘tipo’ e ‘degustar’.

Ela o olha com desdém, revira os olhos e balança a cabeça bufando.

Os dois são concorrentes domésticos e agora estão lutando por um contrato bilionário internacional, mas as coisas não saíram exatamente como imaginavam.

Ambos chegaram imaginando que fechariam o contrato, mas ao entrar na sala de reuniões se depararam um com o outro. Pior, o cliente estrangeiro depois de avaliar a papelada e ouvir suas propostas ficou em dúvida e lhes propôs que melhorassem os termos de forma a superar um ao outro ou então cooperassem no projeto.

Os dois se entreolharam incrédulos, mas como tal contrato não poderia ser dispensado, acataram a ordem de elevar o nível da competição e da aposta, porque cooperarem era impossível, a mera presença do outro era insuportável.

Imediatamente, após apertarem a mão do cliente, saíram para o aeroporto para por em prática tudo o que de melhor faziam... disputar palmo a palmo cada migalha do mercado, o que fazia diariamente no mercado doméstico, e agora nesse contrato...

Perder não era uma opção, para nenhum dos dois!

ÁRIA THEODOR

Olho de soslaio para o miserável ao meu lado, que nojo!

“Odeio! Odeio esse cara!”, repito no meu íntimo.

O que essa coisa está fazendo aqui? Parece uma assombração que me persegue!

Já não basta ter que lidar com os problemas que me causa o tempo todo em casa e agora aqui também?

O vento traz o perfume dele. Fico mais irritada. O imbecil toma banho de perfume? E esse motorista do inferno, onde está? Para que a gente paga uma fortuna para essa gente? Bato meu pé irritada.

“Degustar esse tipo?”, as palavras do imbecil voltam à minha mente e o olho de soslaio.

O imagino deitado... seu corpo douradinho...

Como um porco assado em cima de uma mesa e com uma maçã na boca!

Há, há, há, há, há...!

Um sorriso divertido me escapa.

“Posso fazer ‘tudo’ o que está imaginando fazer comigo se quiser, ainda temos uma hora para o voo”, ele me encara estreitando os olhos e me dando um sorriso frio frisando a palavra ‘tudo’.

Tudo, ‘fazer tudo’, há, há, há, vai sonhando ...

Tudo na droga desse homem é frio e realmente não entendo como é possível que ainda haja no mundo alguém interessado nesse bastardo!

Me repreendo internamente por me deixar levar, olhar para ele e ser pega.

“Jura?”, retribuo a encarada e lhe sorrio de forma perversa.

E ele gosta ... claro que gosta ... é um cafajeste cretino!

Vejo seu olhar ficar mais intenso e os grandes olhos azuis escurecem e o vejo sorrindo de lado, aquele sorriso frio dele que eu tenho vontade de arrancar daquela cara fria.

“Acho que uma hora é pouco para ‘tudo’ que quero fazer com você”, meu sorriso perverso fica mais intenso, relembrando a imagem do

“Porquinho Scott” reluzindo assado em cima da mesa, posso ver até a maçã na boca! Não pude deixar de ressaltar a palavra ‘tudo’, como ele fez.

Claro que o ‘tudo’ que eu queria fazer não tinha nada a ver com o ‘tudo’ que ele estava imaginando!

Eu queria estripá-lo, arrancar seus ossos e o assar no forno mais quente do inferno!

Esse imbecil era o meu tormento diário, não podia piscar os olhos porque lá vinha uma rasteira dele. Ele assediava nossos fornecedores, nossos clientes, enfim, onde estávamos, lá estava a mão dele estendida tentando arrancar alguma coisa nossa!

No começo até que era meio divertido, mas agora... depois de anos... ele era como aquelas bolhas no pé, que estouram e você ainda tem que andar muito...

Meu pai me deixou a administração da Holding e quando assumi nós éramos os maiores com amplo domínio de mercado, então, sempre tive consciência que os menores queriam tirar uma lasquinha.

Mas esse Scott Derek era outra coisa, esse cara me tirava do sério.

Já o conhecia da universidade, porque cursamos no mesmo ano, apenas em salas diferentes e ele era famoso já naquela época.

A mulherada arrastava um caminhão de ‘b*st*’ e encomendava mais dois para comer por ele.

Ele sempre foi um escroto e um cretino que se acha desde essa época.

Ele é bonito, não há dúvida, mas o meu asco do ‘tipo’ dele filtra tudo o que existe.

Lembro dele ‘pegando’ as menininhas, uma diferente em cada festa em que terminava encontrando sua triste figura. Uma menina a cada hora na faculdade pendurada nele, ou seja, em cada lugar que ele estava parecia uma árvore de natal, pendurado de mulheres, o típico cafajeste, além de ser arrogante e esnobe, enfim, tudo o que mais desprezo!

Tive uma surpresa ao retornar e assumir a empresa depois da formatura, quando decidi compensar meu pai pelo seu árduo trabalho que fez pela família esses anos todos, e encontrar o maldito Scott na primeira licitação que participamos.

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