
De Renegada Rejeitada à Rainha do Alfa Supremo
Capítulo 3
Ponto de Vista da Sofia:
Três dias depois.
O Grande Salão da Alcateia Aurelis brilhava com luzes. Esta era a Cúpula dos Alfas — a reunião mais prestigiada de líderes lobos no país. Cada Alfa, Luna e dignitário estava aqui para discutir territórios e leis.
E, claro, para conhecer o Supremo Alfa.
Eu estava na entrada.
Eu tinha me livrado dos trapos cinzas. Esta noite, eu usava o vestido que Ryder havia encomendado para mim. Era azul meia-noite, feito de um tecido que cintilava como luz estelar líquida. Fios de prata estavam tecidos no corpete, formando runas de proteção sutis. As costas eram abertas, revelando minha pele, mas as mangas longas cobriam os arranhões cicatrizando no meu braço.
Eu não usava bloqueador de cheiro esta noite. Mas Ryder havia colocado um feitiço de mascaramento de alto nível em mim. Para os outros, eu cheiraria como uma loba de alto escalão, mas minha verdadeira identidade como a Loba Branca permaneceria oculta até o momento certo.
— Convite? — o guarda da porta grunhiu. Ele era um guerreiro grande, me olhando com desconfiança porque cheguei sozinha.
Levei a mão à minha bolsa de mão, mas antes que eu pudesse tirar meu Selo Real, uma mão bateu no ombro do guarda.
— Deixe-a entrar, Gary. Ela está conosco.
Congelei. Augusto.
Ele estava usando um smoking, parecendo o líder pomposo de sempre. Hailey estava ao lado dele em um vestido rosa espalhafatoso que parecia um cupcake que explodiu.
— Augusto? — O guarda parecia confuso. — Ela está na lista de convidados?
— Não — Augusto sorriu com desdém, me olhando de cima a baixo. Seus olhos demoraram no meu vestido com confusão. Ele claramente não conseguia entender como eu podia pagar por aquilo. — Ela é... da equipe. Eu a contratei como ajuda extra para o evento. Ela se limpou bem, não foi?
Ele se inclinou para perto de mim, sussurrando:
— Vejo que você gastou aqueles quinhentos reais em um vestido alugado. Tentando fisgar um Beta rico esta noite, Sofia?
Não respondi. Apenas olhei para frente.
— Vamos — Hailey riu, agarrando meu braço — o que não estava ferido. — Vamos levá-la para dentro. Os banheiros precisam de uma atendente.
O guarda deu de ombros e saiu do caminho.
Entramos no salão de baile. A atmosfera estava densa com feromônios. Poder irradiava de cada canto. Alfas de cinquenta alcateias diferentes bebiam champanhe, suas vozes ecoando.
Augusto me guiou para os fundos, perto das portas da cozinha.
— Fique aqui — ele ordenou. — Segure esta bandeja. Se alguém perguntar, você trabalha para mim.
Ele empurrou uma bandeja de taças vazias em minhas mãos.
Olhei para a bandeja. Depois olhei para o centro da sala.
Lá, em um estrado elevado, ficava o Trono de Lymerian. Estava vazio. Ao lado dele havia uma cadeira menor, mas igualmente majestosa, para a Luna.
E ao lado dessa... um pequeno banco almofadado para o Herdeiro.
— Acho que não — eu disse suavemente.
Soltei a bandeja.
*Crash.*
O som de vidro estilhaçando silenciou as conversas próximas.
Augusto girou, furioso.
— O que você está fazendo, sua idiota desajeitada?
— Estou indo para o meu lugar — eu disse.
Passei por cima do vidro quebrado e comecei a andar. Não em direção às cozinhas. Não em direção à saída.
Caminhei direto pelo corredor central, em direção ao Trono.
— Sofia! — Augusto sibilou, correndo atrás de mim. — Pare! Você vai fazer com que todos nós sejamos mortos! Aquela área é apenas para a Realeza!
Eu o ignorei. Meus saltos clicavam ritmicamente no chão de mármore. A cada passo, eu sentia a conexão com Ryder ficando mais forte. Ele estava perto.
— Parem ela! — Hailey gritou, apontando um dedo manicurado para mim. — Segurança! Aquela Desgarrada está tentando atacar o Trono!
O salão inteiro ficou em silêncio. Todos os olhos se voltaram para mim.
Eu não parei. Continuei andando, minha cabeça erguida, meu vestido azul arrastando atrás de mim como um rio noturno.
Eu cansei de me esconder.
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