Capa do romance Meu Casamento, Não Com Você

Meu Casamento, Não Com Você

9.5 / 10.0
Em Meu Casamento, Não Com Você, uma mulher cega por sacrifício descobre a traição do noivo. Ao ser abandonada no altar, ela decide retomar seu destino nesta romance novel. Uma história de superação e novas escolhas para quem busca ler livros online grátis com tramas de luxo e vingança.
Resumo de Meu Casamento, Não Com Você
Após perder a visão para salvar o noivo em uma montanha, uma mulher enfrenta o desprezo dele, que prioriza os caprichos de uma amiga e ridiculariza seu sacrifício. No dia do casamento, ele a abandona no altar para socorrer a outra. Certo do perdão dela, ele se surpreende ao descobrir que o jogo mudou. Sozinha na capela onde o acidente ocorreu, ela atende o celular apenas para avisar que a cerimônia vai começar, mas o noivo agora é um homem que realmente a valoriza.
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Meu Casamento, Não Com Você Capítulo 1

Cinco anos atrás, eu salvei a vida do meu noivo numa montanha em Campos do Jordão. A queda me deixou com uma deficiência visual permanente — um brilho constante, uma lembrança cintilante do dia em que o escolhi em vez da minha própria visão perfeita.

Ele me retribuiu mudando secretamente nosso casamento de Campos do Jordão para o Rio de Janeiro, porque sua melhor amiga, Amanda, reclamou que era muito frio. Eu o ouvi chamar meu sacrifício de "drama sentimental" e o vi comprar para ela um vestido de cinquenta mil reais enquanto zombava do meu.

No dia do nosso casamento, ele me deixou esperando no altar para correr ao lado de Amanda por causa de um "ataque de pânico" convenientemente cronometrado. Ele tinha certeza de que eu o perdoaria. Ele sempre tinha.

Ele não via meu sacrifício como um presente, mas como um contrato que garantia minha submissão.

Então, quando ele finalmente ligou para o salão de festas vazio no Rio, deixei que ele ouvisse o vento da montanha e os sinos da capela antes de eu falar.

"Meu casamento está prestes a começar", eu disse a ele.

"Mas não é com você."

Capítulo 1

Ponto de Vista: Beatriz Barros

Meu noivo mudou o local do nosso casamento do único lugar na Terra que significava tudo para nós, para o Rio de Janeiro, porque sua melhor amiga, Amanda, disse que Campos do Jordão era muito frio.

Eu estava ali, escondida atrás de um grande vaso de Ficus lyrata no lobby da empresa de investimentos do Kadu, e as palavras me atingiram como um soco. O ar sumiu dos meus pulmões, e os projetos arquitetônicos meticulosamente desenhados para a capela em Campos do Jordão, que eu segurava na mão, de repente pareceram uma pilha de papel inútil.

Por cinco anos, Campos do Jordão tinha sido nosso santuário. Era mais do que um local; era um testamento. Era a encosta coberta de névoa onde eu encontrei Kadu, seu corpo quebrado e pendurado por uma corda puída depois que um movimento de escalada deu terrivelmente errado. Foi o lugar onde, na luta desesperada e frenética para salvá-lo, uma queda me deixou com uma deficiência visual neurológica crônica — um mundo que às vezes brilhava e embaçava nas bordas, uma lembrança permanente do dia em que escolhi a vida dele em vez da minha própria visão perfeita.

E ele estava trocando tudo isso pelo Rio. Pela Amanda.

Eu podia vê-lo através da parede de vidro da sala de reuniões, recostado na cadeira, a imagem da arrogância casual. Seu amigo e colega, César Guimarães, um eco de fraternidade do próprio mundo privilegiado de Kadu, estava sentado na beirada da mesa.

"Você está louco?", perguntou César, sua voz um murmúrio baixo que eu mal conseguia ouvir. "Você não contou para a Bia?"

Kadu acenou com a mão, desdenhoso, focado no celular que estava rolando. "Eu vou contar. Ela vai superar."

"Superar? Kadu, a mulher tem um fichário. Um fichário mais grosso que nosso último relatório trimestral. Ela está planejando essa coisa de Campos do Jordão há um ano. É... você sabe... a praia dela."

"É um casamento, César, não um lançamento de foguete", suspirou Kadu, sua voz carregada de uma impaciência que parecia mil pequenos cortes. "Todo aquele drama sentimental sobre a montanha... já deu. Além do mais, o Rio é melhor. É uma festa."

"A festa da Amanda", corrigiu César, com um sorrisinho nos lábios. "Ouvi dizer que ela estava reclamando da altitude."

"A asma dela ataca no frio", disse Kadu, seu tom mudando, suavizando com uma preocupação que ele nunca, jamais, usava comigo. "Ela precisa do ar quente."

"Certo. A 'asma' dela", disse César, fazendo aspas no ar. "A mesma asma que não a impediu daquela semana de iate em Angra?"

"É diferente."

"É sempre diferente com a Amanda", ponderou César. "Então, você está realmente mudando tudo? Por ela?"

"Não estou mudando por ela", Kadu retrucou, finalmente levantando os olhos do celular, o maxilar tenso. "Estou mudando porque o Rio é mais divertido. Tem uma vibe melhor. A Bia vai entender."

Ele disse isso com uma certeza tão casual. A Bia vai entender. Era a história do nosso relacionamento. Bia, a confiável, a compreensiva, a que dava e nunca pedia. A que salvou sua vida e carregava as cicatrizes, para que ele pudesse continuar vivendo a dele, sem impedimentos.

"Ela é minha noiva. Ela me ama", continuou Kadu, um sorriso presunçoso voltando ao seu rosto. "Ela vai ficar feliz onde quer que eu esteja. Esse é o acordo. Ela provou isso na montanha."

A frieza de sua declaração era de tirar o fôlego. Ele não via meu sacrifício como um presente, mas como um contrato. Um vínculo inquebrável que garantia minha submissão.

Um toque de celular cortou o ar. O rosto de Kadu se iluminou ao atender, colocando no viva-voz.

"Kadu, querido!", a voz açucarada de Amanda encheu a sala, escorrendo doçura fabricada. "Você conseguiu?"

César se inclinou, os olhos arregalados com um interesse teatral.

"Claro que consegui", disse Kadu, sua voz um ronronar baixo e íntimo que eu não o ouvia usar comigo há anos. "Está esperando por você."

"Ai, meu Deus, você é literalmente o melhor. Eu poderia te beijar!", ela gritou. "O Valentino? Aquele que vimos? O branco?"

Meu sangue gelou. O branco.

"Exatamente", confirmou Kadu. "Mandei buscar em Paris."

"Cinquenta mil reais, Kadu! Você está me mimando demais", ela se derreteu. "Vou fazer valer a pena, prometo."

"Eu sei que vai", ele murmurou.

César soltou um assobio baixo. "Cinquenta mil num vestido? Com quem você vai casar, Kadu, com ela ou com a Bia?"

Kadu riu, um som desprovido de qualquer humor real. "A Amanda precisa estar no seu melhor. Ela vai ser a estrela do show. Você sabe como ela é delicada."

Delicada. A palavra pairava no ar, uma piada cruel. Pensei no meu próprio vestido de noiva. Eu o encontrei em uma boutique pequena e elegante, um simples evasê de seda marfim que custou uma fração daquele preço astronômico. Mandei uma foto para Kadu, meu coração batendo de emoção.

Ele respondeu com uma única palavra, protocolar: Ok.

Quando chegou a hora de pagar, ele jogou seu cartão de crédito no balcão com um suspiro exasperado, como se a conta de três mil reais fosse um inconveniente monumental. Ele ficou no celular o tempo todo, me apressando, reclamando que estava atrasado para um jogo de squash.

Cinquenta mil reais para Amanda. Três mil para mim.

A matemática era simples. Devastadora.

Naquele momento, de pé atrás das folhas murchas de uma planta de lobby, toda a arquitetura de cinco anos da minha vida com Kadu Alencar desmoronou em uma pilha de escombros e poeira.

O brilho na minha visão se intensificou, as bordas do mundo se turvando não por danos neurológicos, mas pelas lágrimas quentes e silenciosas que finalmente começaram a cair. Ele não estava apenas tendo um caso emocional. Ele estava construindo uma vida inteiramente nova com ela, usando os tijolos do meu amor e a argamassa do meu sacrifício.

E eu era apenas a fundação, enterrada e esquecida.

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