
Contrato Com o Sheik
Capítulo 2
Implorei para meu pai vir sozinho, sem minha mãe. Quando ele chegou, pedi pra dona Josefa me deixar receber na casa dela, já falaria com os dois ao mesmo tempo e não corria o risco de Matheus ouvir. Dona Josefa sempre foi boa pra mim, e eu evitava de ela saber as coisas e necessidades que eu passava em casa. O mesmo com meu pai. Nem visitava mais a casa deles, pra ele nao ver como eu tinha me deteriorado. Minha mãe não se importava. Tudo o que ela queria era que eu mantivesse a reputação. Dizia que uma mulher separada, ainda mais com filho, não pegava bem e não ia arrumar outro marido bom, que não me batia e não maltratava meu filho. Então, quando eu comecei a contar para meu pai e dona Josefa tudo o que estava acontecendo, minha sogra endoidou:
— Não sei onde meu filho aprendeu isso, porque na minha casa não foi. O pai dele sempre foi o provedor, sempre cuidou da família, nunca deixou nenhuma conta atrasada! Morreu e deixou casa e carro pra nós. O que esse menino tá pretendendo na vida, engravidando uma em cada esquina?
— Eu não sei, dona Josefa. Ele mandou eu pegar minhas porras e ir embora, que eu não tenho direito a nada aqui, é tudo dele.
— Uma ova que é dele! É tudo meu que ainda não morri, e vou procurar um bom advogado e doar a parte dele para meus netos. Quando eu morrer, ele pode ficar com o que é meu, mas até lá, vou dar uma lição naquele moleque e ensinar ele a tratar uma mulher!
— É, mas ele mandou minha filha pegar as porras dela e ir embora, e é isso que ela vai fazer! Cecília, pega tudo o que eu comprei com meu dinheiro.
Meu pai contratou um marceneiro, que desmontou todos os meus móveis, também pagou duas meninas pra embalar tudo, pra eu não me esforçar.
Henrique tentou se explicar e meu pai, sempre tão calmo e pacífico, ameaçou quebrar todos os dentes dele se me dirigisse a palavra de novo. Eu não vi, mas soube que foi a primeira vez que meu pai enfrentou minha mãe. Ela não queria aceitar, mas ele a obrigou. Enquanto o pessoal estava trabalhando na minha casa pra embalar minhas coisas e desmontar meus móveis, dona Josefa mandou eu ficar na casa dela, e tinha outro pessoal trabalhando na edícula da casa dos meus pais. Era um cômodo e cozinha, mas para mim estava ótimo! Meu pai não trabalhou naqueles 5 dias pra acompanhar tudo, e na segunda noite depois da decisão, Henrique foi tentar dormir na casa da mãe dele, descobriu que eu estava lá e dona Josefa foi muito dura com ele:
— O galo onde canta, ele janta! Minha preocupação agora, é com a mulher que você não achou na rua! Você entrou na casa dos pais dela, prometeu se responsabilizar por ela e pelos frutos que viessem desse casamento. Foi o que você aprendeu no convívio dos seus pais, mas não foi o que você fez! Uma desavergonhada da rua achou que seria natural te convencer que trair e abandonar uma mulher boa, com quem você casou e deu seu nome, e colocou dois filhos era o melhor caminho pra sua vida? Pois tudo o que tenho a te dizer que não na minha casa, que não reconheço essa outra como minha nora, só Cecília, mesmo que ela encontre um homem de verdade lá na frente, ela vai ser minha nora! E tenho um recado pra essa sirigaita aí: avisa pra ela que se ela pegou marido de outra, pra sentar e aguardar que o chifre dela está em análise!
A partir dali, foi tudo muita correria. Dona Josefa ficava a maior parte do tempo com Matheus, pra eu cuidar da gestação de auto risco. Quando eu estava de oito meses, saiu o divórcio. No dia de assinar, Henrique me procurou antes da audiência. Abatido, perguntou se era o que eu queria mesmo:
— Pensa, Cecília. Espere mais um pouco, pelo menos até a nenê nascer, e o nome de registro dela ser o mesmo que do Matheus.
— Não se preocupe com isso, Henrique. Elisa vai ser bem resolvida com a ausência do seu sobrenome no nome de mãe! Vou criar minha filha muito diferente do que minha mãe me criou. Pra ela não querer sair correndo de casa na primeira oportunidade, para os braços do primeiro idiota que vai maltratar ela!
No dia que assinei o divórcio, soube que ele estava implorando pra voltar pra casa de dona Josefa. A tal sirigaita que virou a cabeça dele, era filha do patrão.
Ele foi demitido porque a mocinha estava grávida do primo e sem saber o que fazer, disse pro pai que era dele. Então seduziu ele pra corroborar a própria farsa, mas o bebê dela nasceu fazia uma semana. Tão preto, que nem nos melhores sonhos dela poderia confirmar que era de Henrique, branco dos olhos azuis! O primo assumiu, o chefe recontratou Henrique, mas ele já não tinha onde morar. De tudo isso, só gostei da parte que ele tinha emprego de novo e a pensão das crianças estava garantida!
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