
Contrato Com o Sheik
Capítulo 3
Meu nome é Zian Al-Kiad, sou o único filho da primeira esposa de Faruk Al-Kiad, o que quer dizer que minha mãe era a esposa que mandava nas outras, e eu sou o herdeiro do título do meu pai, e quando chegar a hora, eu vou mandar em todas as esposas e filhos dele!
Isso deve ser o sonho de todo menino dos Emirados Árabes: ser o primeiro filho da primeira esposa. Isso em nossa cultura é natural e os irmãos mais novos não querem nosso lugar, a menos que nos matem, mas não somos gananciosos como os ocidentais!
E se tudo não tivesse acontecido como aconteceu, talvez eu também fosse muito feliz! Mas eu tenho esse posto mais como uma maldição! Porque não é da nossa cultura ser ganancioso das coisas dos outros, mas as mulheres são invejosas em todos os lugares!
Somos regidos pelo Sharia, a lei islâmica, com embasamento no alcorão. Isso quer dizer que cada homem pode se casar com até 4 mulheres. Mas isso não é assim, desregrado! A regra mais rígida do islamismo para o tema, é que o homem tem por obrigação tratar todas as mulheres com igualdade. E pra fazer isso, precisa ter dinheiro. Muito dinheiro. Porque se uma mulher é cara, imagina quatro!
Ao contrário do que os ocidentais pensam, a poligamia não é safadeza, é uma responsabilidade social. Assumir para si uma mulher que ficaria sem marido! E as mulheres não tem obrigação de casar, se não quiserem, mas se quiser, precisam da autorização de um homem da família!
A poligamia virou mais uma questão de status em tempos modernos, já que ter três ou mais esposas, é sinônimo de riqueza. Já falei que mulher é cara né?
Minha mãe e meu pai se apaixonaram, era um amor verdadeiro, e meu pai nunca teve pretensão de ter outra esposa. Assim que eu nasci, uma família da aldeia atormentou meu avô de que não era bom um sheik só ter uma mulher e um herdeiro. Minha mãe de resguardo, autorizou meu pai se casar de novo e logo a segunda mulher também estava grávida. Com esse exemplo outras famílias se aproveitaram e quando menos esperava, meu pai já tinha 4 esposas e teve que trazer todas pra morar na casa dele. Porque a lei de igualdade não é só para o financeiro, mas para atenção e cuidado. E se meu pai desse uma casa para cada uma, não poderia continuar morando com a minha mãe.
Como minha mãe era só amor, e ela quem mandava nas outras esposas, tudo corria em harmonia. O problema foi que as outras três esposas tiveram filhas mulheres. Duas vezes! E quando eu tinha 4 anos, minha mãe engravidou novamente. A preocupação delas de que minha mãe desse outro filho homem ao meu pai, fez com que elas dessem algumas ervas para o bebê descer. Conseguiram, minha mãe passou muito mal e veio a óbito. Meu pai repudiou as três. Mas, o direito do filho é do homem no divórcio, pela lei islâmica, então meu pai ficou com 7 filhos e sem mulher nenhuma. Para ajudar com todas essas crianças, ele se casou de novo, com a irmã da minha mãe. Deu uma casa pra cada uma das ex esposas e contratou pra cuidar das filhas. Minha tia é como minha mãe: amor, cuidado e paciência. Não permitiu meu pai se casar de novo e teve mais quatro filhos com ele. Me criou bem, mas como eu não tinha mãe, sempre me mimaram.
Eu estudei no ocidente. Estados Unidos, Canadá, França. Todos as férias eu voltava pra casa, e meu pai me lembrava que eu deveria assumir o lugar dele como o filho mais velho. Quando estava terminando a faculdade, ele me chamou para uma conversa:
— Zian, você não pode se esquecer as suas origens, nem a sua cultura! Você é um muçulmano. Em um ano você volta e vem assumir meus negócios. Depois que você se casar, vai assumir meu lugar e eu vou poder descansar.
— Esse é o problema, papai. Eu não quero me casar!
— Mas vai, você precisa. Não pode fugir da sua responsabilidade de assumir uma muçulmana que vai dar os meus netos, os herdeiros do meu nome.
— Igual você, pai. Que assumiu três para matarem minha mãe?
— Minhas últimas esposas antes de Radija não pensaram que aquilo fosse acontecer. Sinto falta de sua mãe todos os dias, filho, mas a vida continua e eu tenho 11 filhos pra cuidar.
— Então dê meu posto para o Fuad. Não vou me casar!
— Você pode abrir mão do seu posto, mas não será para Fuad, nem Hassan, Samir ou Khalif.
— Não entendi!
— Casei todas as suas irmãs. Vou fazer uma competição entre os maridos delas para entregar meu reinado.
— Você não pode fazer isso, papai! Seu herdeiro tem que ter seu sangue!
— Terá na próxima geração.
— Você está ficando senil tão jovem, papai?
— Não. Quero que você seja feliz, Zian. Toda felicidade do mundo eu desejo a você. E você não sabe, mas deixo dez de lado por você. Todas as minhas esposas tiveram filhos múltiplos. A única que amei e quis me casar, só me deu minha outra metade. Se você não quer tudo o que construí pra você, não faz sentido ter.
— Está bem, papai. Eu vou estudar, e quando tiver formado, volto e me caso, ok?
— Combinado.
— Mas eu tenho uma exigência. Não quero uma muçulmana.
— Vamos falar nisso quando for a hora.
— Negativo. Isso não é negociável. Quero uma ocidental que não vai aceitar uma segunda esposa.
— Se eu tiver sua palavra que você vai voltar e se casar, e que mesmo que seja uma ocidental, ela vai entrar em nossos costumes, você tem minha palavra que eu permito você se casar com quem quiser!
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