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Capa do romance Casamento Farsa, Coração Partido

Casamento Farsa, Coração Partido

Após sete anos de união, descobri que Hugo me usou para proteger sua amante, Caroline. Ele entregou minha música e meu violino a ela, sabotando minha carreira. No auge da traição, Caroline me incriminou e vi no anel de Hugo o nome dela gravado. Decidi forjar minha morte, expondo o plágio dela em um vídeo devastador. Enquanto ele amarga o arrependimento e a ruína, eu ressurjo das cinzas para retomar a vida e o sucesso que me foram roubados.
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Capítulo 2

A notícia sobre o prêmio da Caroline ressoava na minha cabeça, um eco estrondoso na quietude do meu choque. O prêmio. Aquele em que eu tinha investido meses de trabalho árduo, noites sem dormir. Estava tão certa da minha vitória.

"Mas... como?" minha voz saiu rouca, quase inaudível. "Eu não recebi nenhuma notificação oficial sobre o resultado."

Hugo sorriu, um sorriso tranquilizador demais, e se inclinou para me beijar a testa. O beijo parecia gelo queimando minha pele.

"Ah, sobre isso," ele começou, a voz casual, como se estivesse falando do tempo. "Eu retirei sua inscrição. Não se preocupe com isso agora."

Meu corpo ficou tenso. Retirei. Minha inscrição. Sem meu consentimento.

"Retirou?" minha voz era um sussurro perigoso.

Ele me abraçou de novo, seus braços me apertando contra ele. Sentia o calor do seu corpo, mas o meu estava gélido.

"Sim, meu amor. Eu sei que você queria muito esse prêmio, mas... nós conversamos sobre ter um bebê, não conversamos?" ele perguntou, a voz cheia de uma falsa doçura. "E a pressão da competição, as viagens, tudo isso não seria bom para você, para nós, se estivéssemos tentando engravidar. Eu estava apenas te protegendo."

Ele se afastou um pouco, os olhos fixos nos meus, procurando por alguma aprovação, alguma validação. Eu apenas o encarei, o rosto rígido.

"Não seria bom para nós, com um bebê a caminho, se você estivesse estressada com prazos e projetos. É claro que você se dedicaria ao máximo, você é assim. Mas, e a nossa família?"

Eu soltei uma risada amarga, baixa, quase um gemido. Baixei a cabeça, incapaz de sustentar seu olhar. Meus olhos ardiam. Fechei-os com força, tentando conter as lágrimas que ameaçavam transbordar.

Lembrei-me dos anos de tentativas frustradas, das inúmeras consultas médicas, da minha esperança diluída a cada mês que passava. Lembrei-me das vezes em que ele se esquivava do assunto, dizendo que "ainda não era a hora", que "gostava da nossa vida a dois", que "éramos jovens e tínhamos todo o tempo do mundo".

Agora, a desculpa era um bebê. Um bebê que ele nunca quis ter comigo. Um bebê que ele estava tendo com ela.

A verdade me atingiu com a força de um raio. Ele não se preocupava em me proteger para ter um bebê. Ele se preocupava em me tirar da jogada, em garantir que eu não competisse com Caroline. Ele não queria que eu brilhasse, não queria que eu tomasse o lugar de sua Caroline. Ele estava disposto a sacrificar tudo – minha carreira, meus sonhos, minha dignidade – para garantir o sucesso dela.

Abri os olhos. Observei seu rosto, a leve tensão em seus lábios enquanto esperava minha reação. Ele estava com medo. Não de me machucar, mas de como eu reagiria ao seu controle.

"Me desculpe por não ter conversado com você antes," ele disse, a voz num tom mais baixo, quase um pedido de desculpas. "Mas, estava apenas pensando no nosso futuro, no nosso aniversário de casamento que está chegando... Queria que fosse perfeito, e você estaria tão ocupada com o prêmio."

Ele pegou minha mão novamente, beijando-a. "Eu vou te compensar. Farei qualquer coisa para te ver feliz, meu amor. Qualquer coisa."

Minha mente estava gritando, mas minha boca permaneceu selada. "Qualquer coisa para te ver feliz." As palavras ecoaram, ocas e vazias. Eu sabia para quem essas palavras eram realmente destinadas. Não para mim, a esposa, mas para a amante, a mãe do seu filho.

Ele faria qualquer coisa para garantir a felicidade dela. E eu era apenas um obstáculo, uma peça descartável no seu jogo de xadrez do destino.

Engoli o choro, a dor aguda rasgando meu peito. Forcei um sorriso, um sorriso tão falso que doía.

"Não se preocupe, Hugo," eu disse, minha voz surpreendentemente calma. "Vamos celebrar nosso aniversário como nunca antes. Tenho uma surpresa para você. Uma grande surpresa. E você precisa estar lá. Por favor."

Um brilho de satisfação passou pelos seus olhos. Ele adorava quando eu era "compreensiva". Adorava quando eu me dobrava à sua vontade.

Ele me beijou a testa novamente, um beijo rápido e superficial. "Mal posso esperar, meu amor. Você é a melhor esposa do mundo."

As palavras eram uma tortura. A pior parte é que ele realmente acreditava nisso.

Ele se levantou e foi para a cozinha, cantarolando uma melodia. Na mesa de cabeceira, o anel de casamento dele estava lá. Ele o tirava para dormir.

Meus olhos se encheram de lágrimas silenciosas. Peguei o anel na mão, a frieza do metal contrastando com o fogo que queimava dentro de mim. Era pesado. Como o fardo do nosso casamento.

Em um impulso, virei o anel. E ali, na parte interna, gravado em letras delicadas, vi um nome: "Caroline".

Não era meu nome. Nunca foi meu nome.

O ar sumiu dos meus pulmões. O nó na garganta se transformou em um grito mudo. Sete anos de casamento. Sete anos de mentiras. Sete anos de uma farsa construída sobre a minha cegueira e a minha devoção.

Ele havia me enganado desde o início. Desde sempre. E eu, a empresária brilhante e bem-sucedida, fui a tola que se entregou de corpo e alma a um fantasma. Um fantasma que me roubou tudo.

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