Capa do romance Acordei com a traição do meu marido

Acordei com a traição do meu marido

7.9 / 10.0
Doei meu rim para o meu marido e acordei de um coma de um ano. A primeira coisa que vi não foi seu rosto amoroso, mas ele me traindo com a minha irmã, no meu próprio quarto de hospital. Consumida pela fúria, fui pedir o divórcio, apenas para descobrir que nosso casamento havia sido anulado dez meses atrás. Ele já tinha se casado com ela. Enquanto eu estava indefesa, eles me apagaram da minha própria vida. Agora, o pai poderoso dele tem um novo plano para mim: um casamento forçado com outro herdeiro rico que também está em coma.

Acordei com a traição do meu marido Capítulo 1

Doei meu rim para o meu marido e acordei de um coma de um ano. A primeira coisa que vi não foi seu rosto amoroso, mas ele me traindo com a minha irmã, no meu próprio quarto de hospital.

Consumida pela fúria, fui pedir o divórcio, apenas para descobrir que nosso casamento havia sido anulado dez meses atrás. Ele já tinha se casado com ela.

Enquanto eu estava indefesa, eles me apagaram da minha própria vida. Agora, o pai poderoso dele tem um novo plano para mim: um casamento forçado com outro herdeiro rico que também está em coma.

Capítulo 1

Ponto de Vista de Helena Carvalho:

O primeiro pensamento coerente que tive depois de um ano em coma não foi sobre a luz, a dor ou o marido para quem eu doei meu rim. Foi que eu precisava de um divórcio.

"Helena, do que você está falando?" Minha irmã adotiva, Júlia, correu para o meu lado, suas mãos com unhas impecáveis pairando perto do meu rosto. "Você acabou de acordar. Está delirando."

Eu afastei a mão dela. Meus músculos pareciam barro molhado, fracos e sem resposta, mas a repulsa era um fio elétrico dentro de mim. Olhei para além dela, meus olhos fixos na porta do quarto de hospital estéril. "Chame um advogado. Quero o divórcio de Ricardo."

"Não, você não entende", ela insistiu, a voz melosa, cheia de uma preocupação falsa. Ela pegou um diário grosso, com capa de couro, da mesa de cabeceira. "Olhe isso. O Ricardo escreveu para você todos os dias em que você esteve inconsciente. Todos os dias, Helena."

Ela o abriu, as páginas repletas da caligrafia elegante e familiar de Ricardo. Meu coração, um músculo estúpido e traiçoeiro, deu uma pontada dolorosa.

"Ele nunca saiu do seu lado", continuou Júlia, sua voz subindo com uma emoção teatral. "Ele lia para você, tocava suas músicas favoritas. Ele dormiu naquela cadeira desconfortável todas as noites durante um ano."

Ela apontou para a poltrona gasta no canto, com um buraco afundado na almofada.

"E no nosso aniversário", disse ela, a voz baixando para um sussurro conspiratório, "ele dirigiu três horas até Ubatuba, só para pegar aquela concha que você sempre quis daquela prainha que íamos quando éramos crianças. Ele disse que isso a traria de volta para ele."

Ela ergueu uma concha pálida e perolada. Era linda. Era uma mentira.

"Quando os médicos disseram que suas chances eram mínimas, ele fez uma peregrinação. Uma peregrinação, Helena!" Ela estava praticamente chorando agora. "Ele andou quilômetros descalço até o Santuário de Aparecida para rezar por você. Ele trouxe isso de volta."

Ela tirou uma corrente de prata delicada da bolsa. Pendurado nela, havia um pequeno amuleto, primorosamente esculpido. Um amuleto de proteção, supostamente abençoado. Parecia tão real, tão cheio de esperança.

"Ele te ama mais do que tudo", ela finalizou, a voz embargada pelas lágrimas. "Você não pode fazer isso com ele. Não pode partir o coração dele depois de tudo o que ele fez."

Eu a encarei, encarei a performance, a teia de mentiras cuidadosamente construída. Eu queria gritar. Queria rasgar aquele diário em pedaços e espatifar aquela concha estúpida contra a parede.

"Para com isso", finalmente consegui dizer, minha voz um grasnido rouco. "Só... para."

Porque eu me lembrava.

Eu me lembrava do momento em que acordei. Não foi um retorno suave à consciência. Foi um tranco violento. Em um segundo, eu estava em um vazio preto e silencioso, no segundo seguinte, meus olhos estavam abertos, encarando as placas do teto do hospital. O bipe rítmico do monitor cardíaco foi o primeiro som que ouvi. O segundo foi um gemido baixo.

Minha cabeça estava virada para o lado, meu olhar caindo no espaço entre minha cama e a janela. E lá estavam eles.

Ricardo, meu marido, o homem por quem eu voluntariamente me deitei em uma mesa de cirurgia, estava pressionado contra a parede. Seu terno caro estava amassado, o rosto enterrado no pescoço da mulher em seus braços.

E essa mulher era Júlia. Minha irmã.

Os braços dela estavam firmemente enrolados em seu pescoço, os dedos entrelaçados em seu cabelo. O vestido dela estava erguido até o alto de suas coxas. Os sons que eles faziam eram baixos, íntimos e absolutamente repugnantes.

"Temos que ter cuidado", murmurou Ricardo, a voz rouca. "E se ela acordar?"

Júlia riu, um som baixo e gutural que revirou meu estômago. "Ela não vai. Os médicos disseram que ela está praticamente em morte cerebral. Além disso", ela ronronou, pressionando um beijo em sua mandíbula, "a gente faz isso aqui o tempo todo. É meio excitante, não é?"

O tempo todo.

No quarto onde eu jazia indefesa, a um sopro da morte. No quarto pago pelo sacrifício do meu próprio corpo. Meu rim estava dentro dele, funcionando, mantendo-o vivo, enquanto ele profanava nossos votos de casamento a poucos metros da minha cama.

O amuleto que Júlia me mostrou não era para mim. A peregrinação não foi por mim. O diário era um acessório. O amor era uma mentira.

Vi a mão de Ricardo deslizar pelas costas de Júlia, segurando sua bunda e puxando-a para ainda mais perto. Ele a beijou então, um beijo profundo e faminto, destinado a uma amante, não a uma cunhada. Era um beijo que eu não recebia há anos.

Uma única lágrima escapou do meu olho e rolou pela minha têmpora. O monitor cardíaco ao meu lado, aquele que vinha apitando um ritmo constante e monótono por 365 dias, de repente mudou de tom.

Bipe. Bipe. Bipe-bipe-bipe-BIIIIIPE.

A cabeça de Ricardo se ergueu bruscamente. Seus olhos, arregalados de pânico, encontraram os meus do outro lado do quarto.

O choque em seu rosto era quase cômico. Ele empurrou Júlia para longe com tanta força que ela tropeçou.

"Helena?", ele sussurrou, seu rosto perdendo toda a cor.

A expressão de Júlia era de pura fúria antes de se derreter de volta naquela máscara de doce preocupação que ela usava tão bem.

Essa foi a última coisa que me lembrei antes que as enfermeiras e os médicos entrassem correndo, gritando, seus rostos um borrão de alarme.

Agora, olhando para o rosto choroso e mentiroso de Júlia, a memória era tão nítida e clara quanto um caco de vidro em minhas entranhas.

"Você quer dar entrada no divórcio?" A funcionária do cartório me olhou por cima dos óculos, sua expressão entediada. "Documento, por favor."

Deslizei minha CNH pelo balcão. Minha foto era de antes da cirurgia, meu rosto mais cheio, meus olhos brilhando com uma felicidade ingênua que agora parecia uma piada cruel.

Júlia estava ao meu lado, torcendo as mãos. "Helena, por favor, vamos para casa e conversar com o Ricardo."

Eu a ignorei.

A funcionária digitou meu nome, Helena Carvalho, em seu computador. Seus dedos pararam. Ela franziu a testa, depois digitou novamente.

"Hmm, que estranho", ela murmurou, inclinando-se para a tela.

Um pavor frio, mais pesado e arrepiante do que qualquer coisa que eu já havia sentido, começou a se infiltrar em meus ossos. "O que foi?"

Ela olhou para mim, a testa franzida em confusão. "Senhora, de acordo com nossos registros, você não pode pedir o divórcio."

Minha respiração ficou presa na garganta. "Por que não?"

Os olhos da funcionária estavam cheios de uma pena que fez minha pele arrepiar.

"Porque seu casamento com Ricardo Bastos foi anulado há dez meses." Ela fez uma pausa, seu olhar passando de Júlia para mim. "E duas semanas depois, ele se casou com outra pessoa."

Ela tocou na tela. "Ele se casou com uma tal de Júlia Carvalho. É... algum parente?"

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