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Capa do romance Casamento Farsa, Coração Partido

Casamento Farsa, Coração Partido

Após sete anos de união, descobri que Hugo me usou para proteger sua amante, Caroline. Ele entregou minha música e meu violino a ela, sabotando minha carreira. No auge da traição, Caroline me incriminou e vi no anel de Hugo o nome dela gravado. Decidi forjar minha morte, expondo o plágio dela em um vídeo devastador. Enquanto ele amarga o arrependimento e a ruína, eu ressurjo das cinzas para retomar a vida e o sucesso que me foram roubados.
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Capítulo 1

Casei-me com Hugo há sete anos, amando-o profundamente, apenas para descobrir que meu casamento era uma farsa elaborada para proteger sua amante, Caroline.

Ele não apenas teve um filho com ela, mas também sabotou minha carreira, entregando a ela a música que compus para ele e o violino que lhe dei de presente.

Na festa de comemoração dela, Caroline tocou minha música, no meu violino, e depois me acusou falsamente de empurrá-la. Hugo, sem hesitar, correu para o lado dela, o amor em seus olhos era inegável.

Naquele momento, meu coração se partiu. A aliança de casamento dele tinha o nome "Caroline" gravado por dentro. Sete anos de mentiras.

Eu forjei minha própria morte para escapar, deixando para trás um vídeo que expôs o plágio de Caroline e arruinou sua vida.

Enquanto o mundo lamentava minha morte e Hugo vivia em um inferno de arrependimento, eu renasci das cinzas, pronta para reivindicar a vida que me foi roubada.

Capítulo 1

O bilhete de avião no meu bolso era a minha promessa de liberdade, um segredo que Hugo nunca deveria descobrir. Em apenas três dias, estaria em um lugar onde o ar não teria o cheiro da mentira que sufocou meus últimos anos. Minha mala, escondida no fundo do closet, já continha o que restava da minha alma. Eu tinha planejado cada detalhe, cada despedida silenciosa, cada adeus que nunca seria dito abertamente.

Olhei para a janela, o sol da manhã pintando o horizonte de laranja e rosa, como uma pintura que Hugo talvez tivesse desprezado por não ser "autêntica". Eu costumava amar essas manhãs. Costumava ver nelas um novo começo, uma nova chance para nós. Agora, eram apenas o prelúdio para o meu próprio recomeço, um começo sem ele.

Eu mal podia esperar para que tudo ficasse para trás. As memórias, as promessas quebradas, o riso forçado. Tudo.

Meu telefone vibrou na minha mão, o nome de Kauã aparecendo na tela. Meu fiel assistente, meu único confidente. Ele era o único a par do meu plano.

"Está tudo pronto, Amanda," a voz dele sussurrou do outro lado, mas parecia gritar na quietude da casa. "Os documentos, o dinheiro, a rota de fuga. Você só precisa ir."

Senti um nó na garganta. Era real. Era iminente.

"Obrigada, Kauã," eu disse, a voz embargada, mal reconhecendo o som dela. "Você tem sido um anjo."

Uma sombra se projetou na porta. Meu coração deu um salto.

Hugo.

Meu corpo congelou. Meu sangue gelou nas veias. Eu estava tão absorta na minha despedida secreta que não o ouvi chegar.

Ele estava ali, na moldura da porta do nosso quarto, bonito como sempre, com aquele sorriso fácil que uma vez me fez sentir a mulher mais sortuda do mundo. O mesmo sorriso que agora me parecia uma máscara, um disfarce para a traição e a manipulação.

Ele me olhou, os olhos escuros percorrendo meu rosto, depois desceram para o telefone na minha mão. Um segundo. Dois segundos. Um milhão de pensamentos correndo pela minha mente.

Eu rapidamente apertei o botão para encerrar a chamada, jogando o telefone sem cerimônia sob o travesseiro, como uma criança pega em flagrante. Meu coração batia tão forte que podia sentir o som nos ouvidos. O som ensurdecedor da minha própria culpa.

"Com quem estava falando, meu amor?" a voz dele era suave, carregada daquela familiar ternura que ele usava tão bem. O veneno embrulhado em seda.

Eu engoli em seco. Minha mente correu para encontrar uma desculpa, uma mentira que soaria convincente. Eu me tornei uma mestra nisso nos últimos tempos.

"Ah, era a minha mãe," menti, forçando um sorriso que mal alcançou meus olhos. "Ela estava ligada no noticiário da manhã e queria saber se eu tinha visto a previsão do tempo para a nossa viagem de aniversário."

Ele assentiu lentamente, o sorriso nunca vacilando. Não havia uma ruga de suspeita em seu rosto, nem um brilho de desconfiança em seus olhos. É claro que não. Ele nunca suspeitaria. Ele acreditava que eu era sua, sua propriedade, sua ferramenta.

"Sua mãe é uma doçura," ele murmurou, aproximando-se da cama. Seus olhos ainda tinham aquele brilho. O brilho que eu costumava confundir com amor. "E sobre a viagem... o que você prefere para o jantar hoje? Algo leve, talvez? Você parece um pouco pálida ultimamente."

A preocupação em sua voz era tão convincente que, por um microsegundo, meu coração apertou. Ele era tão bom em atuar. Tão perfeito em fingir.

"Sim, algo leve seria bom," eu disse, a voz soando mais estável do que eu esperava. Minhas mãos, porém, tremiam levemente sob o lençol.

Ele se sentou na beirada da cama, sua mão automaticamente alcançando a minha, os dedos longos e quentes entrelaçando-se nos meus. Era um gesto tão natural, tão habituado. Quantas vezes eu havia sentido essa mão, essa maciez, essa promessa de proteção?

Ele acariciou o dorso da minha mão com o polegar. "Você tem trabalhado demais, Amanda. Precisa se cuidar. Precisa descansar."

Sua voz era um bálsamo, a preocupação em seus olhos tão genuína que qualquer estranho teria acreditado. A sociedade o via assim, o marido dedicado, o arquiteto talentoso que havia conquistado o coração da empresária mais bem-sucedida da cidade. Todos elogiavam a nossa história, a nossa "química", a forma como ele me tratava.

Eu costumava acreditar nisso também. Costumava me sentir tão grata, tão abençoada. Ele era a personificação do meu sonho, o homem que me fez sentir segura, amada, completa. Eu o amava com uma intensidade que chegava a doer, e pensava que ele me amava da mesma forma.

Mas a verdade, cruel e implacável, havia se revelado em camadas, como uma cebola podre. Uma camada de mentira de cada vez, até que não restasse nada além de um vazio fétido. O homem que eu amava era uma fachada, um ator. Sua ternura, seus cuidados, seu olhar de devoção – tudo era um roteiro.

Seu coração pertencia a outra. Sempre pertenceu.

Ele não estava me usando para ascender socialmente, como eu havia pensado inicialmente. Ele estava me usando para proteger ela. Para construir o império dela. Para pavimentar o caminho dela para o sucesso.

"Você não diz nada, meu amor?" ele perguntou, sua voz me puxando de volta da minha espiral de memórias dolorosas.

Eu apenas o encarei, incapaz de formular uma palavra. As palavras se recusavam a sair. Minha garganta estava fechada, meu peito apertado. Uma parte de mim queria gritar, queria rasgar essa máscara de perfeição que ele usava.

Ele se inclinou, me abraçando com um carinho que me fez querer vomitar. Seus braços apertaram minha cintura, seu queixo apoiado na minha cabeça. O cheiro dele, que um dia foi meu refúgio, agora era o cheiro da traição.

"Tenho uma notícia incrível," ele sussurrou em meu ouvido, a voz vibrando de entusiasmo. "Caroline... ela está grávida!"

O mundo parou. Meu sangue gelou. Caroline. Grávida.

A garganta que já estava fechada agora se tornou um deserto. Minha mente, que já estava em caos, agora se transformou em um turbilhão de areia.

"E não é só isso!" ele continuou, alheio ao meu silêncio, à minha imobilidade. "Ela ganhou o prêmio, Amanda! O prêmio de arquitetura internacional! O mesmo para o qual você também se inscreveu!"

Ele se afastou um pouco para me olhar, os olhos brilhando de orgulho, de alegria. Orgulho e alegria por ela.

"Vamos comemorar hoje à noite! Ela está organizando uma festa enorme e nos convidou pessoalmente! Seremos os convidados de honra!"

Ele me abraçou de novo, apertado, e no fundo da minha mente, eu ouvi um estalo. O som de algo se quebrando irremediavelmente dentro de mim.

"Eu sei que você não gosta muito dela," ele disse, sua voz um pouco mais suave agora, com um toque de falsa compreensão. "Então, se quiser, pode ficar em casa. Eu te espero."

Mas eu não o esperaria. Nunca mais.

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