
Apartamento 79
Capítulo 2
Depois da intensa manhã, me levantei, deixei meu lençol todo molhado, eu tinha esse pequeno probleminha, e às vezes colocava uma toalha para não deixar a cama tão úmida. Às vezes não acontecia, mas hoje não deu para segurar. Estava com muita vontade. Com vocês é assim também, não é?
Meu ex-namorado adorava. Dizia que era uma cachoeira quente envolvendo seu pênis e ele gozava na hora. E, eu, não posso dizer que não gostava ou que me incomodava, eu até curtia fazer aquilo. Acho que era assim que eles se sentiam quando ejaculavam em nossas bocas. Eu gostava de fazer na boca dele também, e me dava muito tesão. Gostava de ver meu esguicho entrando em sua boca enquanto se masturbava como um louco.
Mas não eram todos os homens que curtiam.
Um antigo namorado realmente não gostava, e quando nós transamos pela primeira vez, eu gozei no pau dele e ele achou que eu tinha mijado de propósito. Ficou bravo. E eu nunca tinha visto um cara com tanto nojo na hora do sexo. Foi até engraçado, mas me segurei se não ele iria achar que foi realmente de propósito. Eu tentei explicar, mas ele não curtiu. O que eu ia fazer? Fingir que tive um orgasmo só para não molhar ele. Nunca! Depois vem me pedir pra abrir a boquinha que lá vai leitinho. Eles não perguntam pra gente se gostamos ou não.
Fui tomar um banho. A água quentinha e deslizei a mão pelo meu corpo macio, a espuma descendo pelos meus seios e sumindo entre minhas coxas. Achei melhor sair logo se não começaria tudo de novo. Sequei-me e joguei a toalha no chão do banheiro, andei nua pela casa até chegar ao meu quarto de cama desarrumada, e coloquei uma calcinha confortável e uma roupa de ginástica preta. Eu tinha um corpo até bonito, pelo menos falavam muito. Tinha a pele branca e cabelos longos e pretos, eram um pouco cheios. E olhos castanhos. Prendi meu cabelo e fui tomar meu café preto fresquinho. Como adorava o cheiro do café espalhando pela casa.
Hoje eu iria sair, mas não para tão longe, infelizmente a academia era no meu prédio e torcia para que estivesse vazia. Quando cheguei à porta ouvi a vizinha do meu lado saindo, não nos falávamos muito e esperei ela tomar o elevador com o filho. Na frente tinha outros dois apartamentos, a da esquerda era de uma senhora simpática, gostava muito dela, de conversar com ela, seu nome era Júlia. Na direita, o apartamento estava vazio há muito tempo, pelo menos eu achava. Não tenho certeza, mas acho que ouvi barulhos vindos de lá e uma sombra por baixo da porta.
Não vi mudança, provavelmente o apartamento era mobiliado. Por duas vezes ouvi barulho, mas não tinha visto ninguém.
Até aquela manhã.
Assim que minha vizinha chata sumiu, eu coloquei minha máscara. Peguei minha garrafa de água, o álcool gel, o celular e saí pela minha porta. Fiquei ali um pouco parada pensando em nada enquanto esperava o elevador. Quando ouvi uma porta abrir, não era a dona Júlia. Foi do outro apartamento. Aquele que estava vazio. A porta se abriu ao mesmo tempo em que o elevador chegava. Ouvi chaves, porta fechando, elevador abrindo e eu entrando. Entrei sem olhar para trás, depois me virei e ele aparece todo vestido de preto, de terno preto. Era alto, moreno e se vestia bem, também estava de máscara. Os olhos eram bonitos. Era só o que eu podia ver. E parecia que tinha barba. Seu perfume tomou o elevador e me fez suspirar. Depois de uma manhã como a minha com certeza esse seria o próximo com quem eu iria fantasiar. E era meu vizinho.
Depois de um breve olhar, muito rápido, achei que fosse me dar um bom dia, mas me enganei. Todo mundo cumprimentava alguém no elevador. Nada mais educado que isso. Não nos conhecemos, não nos falamos, mas damos bom dia. Descemos sozinhos, em silêncio. A porta abriu e ele saiu, como se eu nem estivesse ali.
Fui à direção da academia descarregar a energia acumulada. Tinha que suar com alguma atividade que não fosse sexo. Mas aquele cara continuava na minha cabeça e não saia de jeito nenhum.
– Bom dia – disse para uma mulher que acabava de sair da academia, como se diz normalmente quando encontramos uma pessoa.
– Bom dia – respondeu ela passando uma toalha na testa.
Não tinha mais ninguém lá dentro e fui direto para uma esteira e limpei tudo com álcool gel. E coloquei meu fone de ouvido e deixei a música bem alta. Normalmente corria na rua, mas não agora e por um bom tempo. O suor escorria pelo meu corpo, deixava meu peito úmido. Descia pelas minhas costas e molhava minha calça legging. Sequei-me com minha toalha e bebi um longo gole da minha garrafinha de água. E depois de quase uma hora ali, voltei para meu apartamento sem ver a rua.
Quando cheguei ao elevador ele estava lá, meu novo vizinho mudo. A porta abriu e ele entrou, eu logo em seguida. Ficou para no fundo e nem apertou o número de seu andar. Eu tive que fazer isso. Antes que a porta fechasse, entrou mais algumas pessoas, me empurraram para trás pedindo licença e falando bom dia. Fiquei com raiva, não deveria ter tanta gente ali dentro. Fiquei muito perto dele. Sentia ele atrás de mim, o ouvia respirar. Cheguei a esbarrar nele. E seu perfume novamente me tomou. Cheguei a fechar os olhos por um instante, como se tivesse só nós dois ali de novo. Imaginei pequenas aventuras, que logo foram interrompidas quando todos começaram a sair.
Afastei-me dele. A porta abriu e saímos, e não disse uma palavra. Peguei minha chave e abri a porta, ele ainda estava ali parado. Entrei e fechei a porta e olhei pelo olho mágico. Ainda estava ali de pé, em seguida abriu a porta e, antes de entrar, se virou e olhou para minha direção, para meu olho mágico e eu o senti me encarando, e me afastei da porta na mesma hora. Aquilo foi estranho, voltei para o olho mágico e ele tinha sumido com uma batida da porta.
Continua...
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