Capa do romance Fugindo da Gaiola: Eu Me Casei Com o Pior Inimigo Dele

Fugindo da Gaiola: Eu Me Casei Com o Pior Inimigo Dele

7.9 / 10.0
Dante, o Capo de São Paulo, traiu Helena ao acreditar nas mentiras de uma rival. Ele a submeteu a torturas físicas e humilhações cruéis, planejando até trocá-la por outra. Para escapar desse pesadelo, Helena forja a própria morte em um incêndio e foge para Paris. Meses depois, o mafioso a localiza e implora por redenção. Com o coração gélido, ela exige a prova definitiva de seu arrependimento: que ele tire a própria vida para obter o seu perdão.

Fugindo da Gaiola: Eu Me Casei Com o Pior Inimigo Dele Capítulo 1

Meu marido, o Capo de São Paulo, agarrou minha mão com força enquanto entrávamos na sala à prova de som.

Ele não estava ali para me salvar.

Ele estava ali para assistir o médico da família arrancar minha mente.

Uma estranha chamada Sofia alegava que eu a tinha vendido para um bordel doze anos atrás.

Era mentira.

Mas Dante me olhou com olhos frios como mármore, acreditando na mulher que soluçava em seus braços em vez da esposa que ele havia jurado proteger.

"Sente-se, Helena", ele ordenou.

Ele me prendeu na cadeira. Ele observou enquanto injetavam fogo líquido em minhas veias para forçar uma confissão.

Ele me arrastou para os canis, me forçando a alimentar os cães dos quais eu tinha pavor, e assistiu enquanto eles rasgavam minha carne.

Ele até me trancou em um freezer para "esfriar" meu ciúme.

O golpe final não foi a dor.

Foi ouvi-lo planejar uma Renovação de Votos com Sofia, com a intenção de me exibir como Madrinha de Honra dela para me ensinar humildade.

Percebi então que Helena Moraes tinha que morrer.

Então, eu ateei fogo no quarto do hospital.

Deixei minha aliança de casamento nas cinzas e desapareci na noite.

Seis meses depois, Dante me encontrou em Paris.

Ele caiu de joelhos, implorando por perdão.

Eu o olhei com olhos mortos e lhe entreguei uma faca.

"Se mate", eu disse.

"Essa é a única maneira de eu acreditar que você está arrependido."

Capítulo 1

Meu marido, o Capo di tutti i capi da máfia de São Paulo, agarrou minha mão com força enquanto eu entrava na sala à prova de som. Era um toque que eu um dia desejei, mas ele não estava ali para me salvar.

Ele estava ali para assistir o médico da família arrancar minha mente.

Segundo a mulher que soluçava nas sombras, eu a tinha vendido para um bordel doze anos atrás. Uma mentira. Tinha que ser.

Olhei para a cadeira no centro da sala. Carvalho maciço. Amarras de couro grosso e gasto.

Então olhei para Dante.

Seu rosto era uma máscara de mármore frio, desprovido do calor que me saudou no altar há apenas dois anos. O homem que me olhava agora era um estranho vestindo a pele do meu marido.

"Sente-se, Helena", ele disse.

Sua voz era baixa, vibrando com a mesma autoridade letal que comandava legiões de soldados e fazia tremer os Dons rivais no Rio de Janeiro e em Fortaleza. Não era um pedido. Era um veredito.

"Dante, por favor", sussurrei, minhas pernas virando água debaixo de mim. "Ela está mentindo. Eu não a conheço. Minha irmã morreu no incêndio. Nós vimos o corpo."

"Aquele corpo era uma isca", a mulher chamada Sofia engasgou. Ela estava encolhida na poltrona, enrolada em um cobertor — meu cobertor, percebi com um solavanco doentio. Ela ergueu os olhos, vermelhos e inchados. "Você sabia, Helena. Você os viu me arrastarem. Você queria ser a única. Você queria a fortuna dos Moraes só para você."

Ela deixou o cobertor escorregar.

A prova estava mapeada em sua pele. As cicatrizes em suas costas eram visíveis — marcas de ferro, queimaduras de cigarro, um mapa do inferno gravado na carne.

A mandíbula de Dante se contraiu. Uma veia perigosa pulsava em sua têmpora.

Ele caminhou até ela e colocou a mão em seu ombro. A gentileza do gesto fez a bile subir pela minha garganta. Ele havia jurado me proteger. Ele havia jurado queimar o mundo por mim.

Agora ele estava entregando o fósforo para uma estranha.

"A evidência é irrefutável, Helena", disse Dante, recusando-se a encontrar meu olhar. "O DNA dela bate. O testemunho dela bate com a linha do tempo. E você... você tem estado instável desde o aborto."

"Eu não estou instável!" gritei.

Dois guardas avançaram, seus movimentos sincronizados e brutais. Eles agarraram meus braços.

Eu me debati, chutando. Eu não era uma soldada como eles, mas era uma sobrevivente. Eu tinha saído da sarjeta com unhas e dentes muito antes dos Moraes me encontrarem.

"Dante! Olhe para mim!" implorei enquanto eles me forçavam a sentar na cadeira. As tiras de couro cravaram em meus pulsos, frias e implacáveis. "Eu sou sua esposa! Eu sou sua Helena!"

Ele finalmente olhou para mim.

Não havia amor em seus olhos negros como o abismo. Apenas um senso de dever distorcido e sombrio. Ele me olhou como um juiz sentenciando um criminoso de quem um dia teve pena.

"Minha Helena nunca venderia o próprio sangue", disse ele suavemente. "Você está doente, *tesoro*. A culpa distorceu sua mente. Você reprimiu a verdade para conseguir viver consigo mesma."

Ele acenou para o Dr. Ricci.

O médico se aproximou com uma seringa. O líquido dentro era de um amarelo pálido e doentio que parecia brilhar sob as luzes fortes.

"É uma combinação de escopolamina e um novo composto", murmurou o médico, batendo no vidro para remover uma bolha de ar. "Isso a ajudará a acessar as memórias reprimidas. Vai quebrar as barreiras da negação. Será... desagradável."

"Faça", disse Dante.

Ele me deu as costas. Foi até Sofia e a puxou para seus braços, cobrindo os olhos dela para que ela não tivesse que testemunhar minha ruína.

A agulha perfurou minha pele.

Fogo.

Fogo líquido correu pelas minhas veias, queimando meu sangue. Atingiu meu cérebro como uma marreta.

Eu arquejei, minhas costas se curvando para fora da cadeira contra as amarras. A sala começou a girar. As cores se misturaram, derretendo o mundo em um pesadelo. O rosto do meu marido se dissolveu em um monstro.

"Dante", grasnei.

"Shh", ouvi-o dizer a Sofia. "Eu te peguei, Júlia. Você está segura agora. A justiça está sendo feita."

Minhas memórias começaram a se rasgar.

A luz noturna que ele fez para mim quando eu tinha doze anos. Sumiu. Substituída por uma memória de mim rindo enquanto uma garota gritava em uma van.

Os tsurus de origami que eu dobrei para ele. Sumiram. Substituídos por mim contando dinheiro em um beco escuro.

"Não", solucei, o gosto de sangue metálico inundando minha boca. "Isso não é real. Isso não é real!"

"Aceite a verdade, Helena", a voz de Dante ecoou de todos os lugares e de lugar nenhum, um deus do julgamento em minha mente em ruínas.

A dor era absoluta. Não era apenas física. Era a sensação da minha alma sendo removida cirurgicamente sem anestesia.

Olhei para ele uma última vez através da névoa. Ele estava acariciando o cabelo dela. Ele estava sussurrando confortos para a mentirosa enquanto eu queimava viva.

E naquele momento, o amor que eu nutri por Dante Moraes por dez anos não apenas se quebrou.

Morreu.

Deixei a escuridão me levar.

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