
Amante do Subchefe
Capítulo 2
Anelise — Narrando
Iniciava mais um dia sem minha mãezinha, fazia um mês e alguns dias que ela havia falecido, deixando-me "sozinha" no mundo. Com ela sentia que tudo podia fazer e suportar na casa do meu pai que não me considerava como filha.
Espio pela janela do quarto de Suyane, um carro cor preta que encaminha-se para dentro da propriedade, olho escondida entre as cortinas cor marfim, curiosa para saber se é o noivo da minha meia irmã.
Nas conversas dela com algumas amigas em chás, não tinha uma que não suspirava mencionando o noivo, o nome dele é Jordan Aguirre.
Suyane se mostrava indiferente às feições e suspiros das amigas, desconfio até que ela não tem coração. Por ouvir tanto falar de Jordan Aguirre, a curiosidade cresceu no peito. Principalmente por ser noivo dela.
— O que faz olhando pela janela? — a voz de Suyane me faz tirar os olhos de fora, logo quando o carro havia parado.
Olho na direção dela, as mãos repousam em cada lado da cintura. Ela é linda, a admiro, pelo menos beleza ela tem e muito, contudo, lhe falta amor. Sofro nas mãos dela.
— Penso que seu noivo acabou de chegar — digo inocente a verdade do que desconfio. O carro do meu pai não é daquele jeito, não é tão bonito.
Suyane caminha graciosamente em cima dos saltos altos sem qualquer pressa para olhar pela janela. Se inclina para olhar e suspira alto. Me afasto quando ela me olha com expressão irritada.
— É ele sim — diz descontente, continua me olhando, abaixo a cabeça. — Está feliz com meu casamento?
Ajeito o vestido velho no corpo, em dúvida no que responder.
— Acho que sim — respondo, ela toca no meu queixo, o jeito é encará-la também. É estranho quando Suyane fixa os olhos em meus lábios, sinto uma coisa diferente.
— Acha? — implica com minha resposta, aperta meu queixo, sinto as unhas dela machucar minha pele. — Vai ficar triste quando for embora dessa casa?
— Confesso que não — respondo novamente com a verdade, os olhos dela faiscam de raiva, não a entendo.
Irritada pisa no meu pé, esmagando-o com o salto pontudo, mordo a língua para não gritar, se fizer vai ser pior.
— Hoje você não almoça, Anelise — decreta o castigo sem que eu tenha feito nada errado.
Aceito em silêncio. Suyane anda para frente do grande espelho na parede, aproveito que os olhos dela não estão em mim para olhar para meu pé machucado, pouco sangue saia, mais ardia muito.
Seguir para fora do quarto após ela sair. Fui para a cozinha, dona Dinorah, a cozinheira terminava de fazer o almoço. Por ter o espaço dos empregados na mansão, para se locomover sem incomodar a família, não pude ver o noivo de Suyane.
— Ajude Dorotéia a colocar os pratos na mesa, depois cuida desse pé, Ane — diz Dinorah, ia fazer curativo com um pedaço de pano que rasguei da minha roupa.
Sem reclamar, segui Dorotéia para a área proibida, fora de horário os empregados não podem pisar, a sala de almoço fica próxima à sala de visitas. Arrumando os talheres consigo ouvir vozes diferentes vindo de lá.
— Está curiosa para ver o noivo da senhorita Suyane? — pergunta Dorotéia me observando, nego balançando a cabeça, nenhum empregado tem amizade com o outro, aqui todo mundo age feito mudo. — Não minta, menina, é feio!
— Queria ver sim, mas por curiosidade apenas, as amigas da Suyane dizem que ele é muito bonito — comento o que ouvi a respeito.
— Ele é bonito mesmo, e perigoso, o subchefe da máfia — diz, não entendo bem sobre os estatutos da máfia. — Os irmãos Aguirre são todos bonitos, os vi apenas uma vez em um casamento.
Encerrando o assunto sobre os irmãos Aguirre. Seguir fazendo as tarefas aproveitando que Suyane havia esquecido de mim.
— Posso falar com o senhor? — pergunto para Fabrício, meu pai, deixei ele terminar de brigar com a empregada servente por um erro cometido na sala. Raramente aparecia na cozinha. Permitindo. — Onde minha mãe foi enterrada? Queria visitar o túmulo.
Fabrício mostra um sorriso malvado, conheço bem por já ter visto exibi-lo quando faz algo ruim com a esposa, mãe de Suyane.
— Puta não tem direito a túmulo — diz, pisco pelas lágrimas que querem sair, sinto dor no peito por ouvir a resposta. — Procure o que fazer, Anelise, não me importune com perguntas idiotas.
Caminha para fora da cozinha, fico parada chorando em silêncio. Minha mãe teve uma vida sofrida, não teve escolha quanto ao que fazia pela noite, ela era boa e gentil. Todo dia dava um jeito de ir vê-la, ela me ajudava.
— Anelise, a srta. Suyane quer que leve o almoço dela no quarto — diz o mordomo nariz empinado, lembrar do almoço fez minha barriga roncar, triste por hoje não ter uma refeição.
Pego a bandeja com a comida dela e vou para o quarto. Entro e a vejo Suyane nua em frente ao espelho, parecia irritada, coloco a bandeja em cima do criado mudo, espero pelas ordens.
Suyane resmunga indignada com algo.
— Ele quer um herdeiro, Anelise — diz para mim com voz tensa e nervosa. — Jordan quer um filho. Não posso estragar meu corpo!
— Mamãe dizia que um filho é uma benção — digo lembrando dela com amor.
— Não diga nada referente a prostituta da sua mãe, Anelise, poupe-me do dizer dela — diz com expressão de nojo e desdém por minhas palavras.
— Desculpa — peço engolindo o choro.
Suyane senta na cama e a entrego a bandeja.
— Em poucos dias será o casamento — diz, estou feliz por isso. — Você é minha convidada!
Olho surpresa para ela.
— Eu? Mas porque? — pergunto, nunca fui em um casamento, nem sei como acontece.
— Porque sim, você vai morar comigo na mansão do Jordan. Após a primeira noite de núpcias, irei precisar ser cuidada — diz, meu alívio e alegria somem com essa notícia. — Quero você perto para fazer tudo.
Balanço a cabeça aceitando, não tinha escolha, precisava pelo menos fingir agrado. Suyane não comeu toda comida, em pé próxima a porta a boca salivava de vontade.
— Não quero mais, estou satisfeita — diz, prontamente pego a bandeja, pensando em comer o que sobrou, ela não comeu praticamente nada, o prato farto me chamava para devorar. — Nem pense em comer nada, Anelise, lembre-se do castigo, jogue fora o que sobrou.
Sair do quarto, fiz o que ela mandou com o coração partido.
Horas depois…
Sou obrigada a fazer massagem quase todos os dias nos pés de Suyane, parecia ser tarde da noite, queria ser liberada para acabar de tomar o leite e comer o pão que deixei para vir cumprir as ordens dela.
— Faça massagem com os lábios — diz de repente Suyane, meus olhos esbugalham por essa ordem.
— Não sei fazer isso — digo recusando colocar minha boca nos pés dela.
Suyane respira fundo, senta na cadeira fofa dourada, pega minha cabeça e a inclina para as coxas dela, sem poder virar o rosto, minha boca encostou na pele melada por creme. Sem poder reclamar fui guiada ouvindo sons estranhos da boca dela.
Parecia gostar dos meus lábios na pele dela. Isso aconteceu acho que por alguns minutos, Suyane ergueu minha cabeça e me encarou ofegante mordendo os lábios.
— Fica em pé! — ordena, faço isso, ela se aproxima é mais alta que eu. — Guarde segredo, o que vou fazer é proibido.
Sacudi a cabeça. Suyane segura meu rosto com carinho, fico assustada, ainda mais quando dá um selinho na minha boca. Sei o que é um beijo por minha mãe ter me dito, mas somente entre um homem e uma mulher.
— Gostou? — ela pergunta acariciando minha bochecha.
— Não é só homem e mulher que podem fazer isso? — em dúvida pergunto confusa com o que ela fez.
Suyane suspira revirando os olhos.
— Gostou ou não gostou, Anelise? — insiste na pergunta, infelizmente sem responder a minha, deixando a dúvida plantada.
— Não sei — digo. Irritada ela repete o beijo, assustada me afasto tocando na minha boca, Suyane sorri por eu fazer isso.
— Vamos dormir! Amanhã te ensino a beijar, Anelise — diz tirando a camisola, ficando só com a peça íntima.
— Pra que? — pergunto curiosa.
— Para de perguntar — briga comigo, anda para a cama.
— Boa noite, Suyane — digo me direciono a porta, finalmente ia terminar de comer.
— Ei! Volte! — diz ela me parando. — Dorme comigo hoje.
Se fosse uma pergunta, recusaria. Me aproximo, ela diz qual o lado para deitar, faço o que manda, confortável na cama por ser macia, mas desconfortável por estar na companhia dela e desconfiada com a bondade repentina.
Suyane é malvada igual a Fabrício. Fecho os olhos e finjo dormir por sentir os olhos dela em mim.
Fico pensando em minha mãe para sonhar com ela, preciso vê-la pelo menos nos sonhos.
Alguns dias depois..
O dia esperado pelo Fabrício chegou depressa, o casamento de Suyane beneficiaria muitas famílias, assim ouvir ele dizer pelos cantos da mansão, e maior benefício seria para a família Bernoulli.
Ajudava a fazer o penteado no cabelo de Suyane que estava mais agitada que o comum. Sempre de mau humor, no dia de hoje estava pior.
— Saíam todas vocês do meu quarto! — grita com as mulheres responsáveis em deixá-la uma noiva perfeita e ainda mais linda.
— Preciso ir também? — pergunto antes que sofra uma lesão por qualquer golpe dela.
— Não. Fique! — diz ela nervosa. — Termina o penteado.
Faltando somente o pente de cabelo entregue pela mãe de Suyane, terminei. Ela verificou no espelho e pareceu gostar.
— Tá perfeito! — diz contente. Levanta da cadeira colocada de frente para o espelho.
Usava apenas uma lingerie branca, pelo menos as cores eu conhecia.
— Fico feliz que gostou — digo sorrindo.
— Quero que faça mais uma coisa — diz ela se aproximando, eu bem disposta e conformada a fazer tudo que ela quer, movi a cabeça para que dissesse. — Me beija do jeito que te ensinei.
Esses dias Suyane me ensinou mas não aprendi nada, ela que parecia gostar das aulas, eu nada fazia, me sentia incomodada. Para não dizer que não aprendi e evitar um castigo antes do casamento dela iria fazer.
— Na boca mesmo? — ela afirma, me aproximo e sem enrolar a beijo do meu jeito, sem tocar nela. Ao parar, me afasto e a vejo de olhos fechados.
Ela abriu quando as mulheres entraram novamente no quarto, pediram perdão mas precisavam colocar o vestido.
Na mansão de Jordan Aguirre/Salão do casamento
Suyane quase brigou com Fabrício, ela queria que eu viesse no carro com ela para o lugar onde aconteceria o casamento.
Envergonhada por estar vestida pior que uma mendiga, me escondi entre a decoração com arranjos lindos de flores próximo a entrada, onde Suyane entraria. A única empregada convidada foi eu.
Feito um bicho com medo me encolho, quando dois homens se aproximam de onde estou, eles não podem me ver mas eu a eles é o suficiente para sentir pavor.
— Devon não vai chegar a tempo, Saymon?
Um homem alterado pergunta para o outro. Reparo no que acabou de falar, o cabelo é um tom preto com mechas loira refletida na pouca luz parecia antinatural. Fico perdida olhando, acho que admiro o homem zangado.
— Disse que vai chegar ao final, está ocupado, Jordan, entenda. Não se exalte.
O outro homem também muito bonito mata minha curiosidade em ver o noivo de Suyane, sabendo agora ser o gigante que admirava.
Saindo os dois do meu campo de vista, a melodia clássica de casamento tocou, sorri lembrando da minha mãe, ela tinha um pequeno gravador e colocava a narrativa de alguns casamentos e a música que tocava era a mesma que ouvia com ela.
Vejo Suyane entrar ao lado de Fabrício, fico de pé para vê-los melhor, todos tendo a atenção neles não corro o risco de servir de palhaça para os convidados.
Olho do lugar que estou, Jordan de longe é bonito mas de perto é ainda mais, pego-me lembrando do rosto dele, fiquei impressionada com certeza, acostumada a ver apenas Fabrício como homem na mansão dele, ver outros é uma novidade.
Casados, a "cerimônia" finalizou com os homens brindando e Suyane e Jordan se beijando, o beijo não pareceu com o que ela me dava, com certeza existiam vários tipos de beijo como dizia minha mãe.
Algum tempo depois..
No quarto onde aconteceria a lua de mel, ajudava Suyane a tirar o vestido ela quis que somente eu ficasse no quarto.
— A pior parte, Anelise — diz ela nervosa, sua feição mostrava raiva. — Amanhã cedo vem no quarto, provavelmente estarei toda suja.
Não entendia muito sobre lua de mel, e nem quis perguntar para ela.
— Pode ir, te espero amanhã — diz livre do vestido. — Me prepararei sozinha para essa noite de pesadelo.
Sair do quarto sem dizer nada, queria encontrar com a mulher que conheci quando cheguei, ela mostraria meu quarto.
Aqui é tão grande e bonito, olho para as pinturas nas paredes e alguns retratos esquisitos. Uma pintura tem minha atenção por parecer ser um homem despido.
Minha cabeça voa na imaginação, sem entender muito.
Minutos depois..
Vestida com o uniforme que a mulher me deu, ia ajudar na limpeza do salão, mas primeiro tinha que ir ver Suyane, mal sair e ela mandou que me chamassem. Até aqui seria como na mansão do Fabrício.
Pensava que Suyane já estaria na companhia do marido.
Ia começar a subir a longa escada, todavia a voz de um homem me faz voltar. Fico de cabeça baixa.
— Empregados não sobem pela escada principal.
Fico nervosa por reconhecer a voz e lembro "Bonito e perigoso"
— Perdão, senhor, sou nova aqui, não me informaram — digo com medo, sem perceber, levanto o rosto para explicar, acostumada por Suyane exigir que a olhe quando me briga.
Os olhos azuis irritados direcionados a mim, esquentam meu corpo pela dureza que transmite. Fico hipnotizada olhando para Jordan Aguirre.
— Está informada agora. Suma! — diz com furor subindo as escadas.
Neste momento assustador, fico parada olhando ele subir as escadas, aparentava estar com aversão, quando Fabrício estava assim a mãe de Suyane apanhava.
Penso em Suyane e sinto preocupação. Mas somente pela manhã poderia saber dela.
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