Seguir
Capítulos
Compartilhar
Capa do romance A relíquia do Oceano

A relíquia do Oceano

Criada nas ruas e marcada por traições, Dianna sobreviveu ao caos. Quando um estranho a procura em busca da lendária Relíquia do Oceano, ela vê na fortuna prometida sua chance de liberdade. Porém, a jornada revela muito mais que ouro: sua verdadeira origem e uma missão sagrada vêm à tona. Entre novos amores e decepções, ela deve decidir entre o lucro e o destino. Estará Dianna pronta para a escolha que mudará o mundo e sua própria vida para sempre?
Capítulos
Compartilhar

Capítulo 1

(Diana)

Estava deitada em meu catre, observando a moeda subir e descer em minha mão.

Subir e descer.

Subir e descer.

Subir e descer.

Assim passavam-se meus dias já havia dois anos, desde que fui pega em uma missão, e pensar que essa missão era para salvar a vida do rei. O cara agora está vivo, enchendo a barriga de cerveja e carne mal passada enquanto eu estou aqui nesse muquifo e ainda faltam 5 anos para que eu seja livre.

Pelo menos estou em uma cela particular, não que seja grande coisa, mas é melhor que estar presa junto de um monte de homens imundos e desesperados por uma mulher. Não ache que estou aqui por gentileza, porque não foi.

Fui jogada na cela junto com esses homens imundos que falei, mas na primeira noite nocauteei um e chutei as bolas do outro até virarem omelete. Na segunda noite quase matei outro enforcado com o que deveria ser um lençol, e na terceira furei os olhos do outro que tentou ser mais esperto e me agarrar enquanto eu dormia.

Diante disto os carcereiros se viram na obrigação de me separar dos homens, não pelo meu bem estar, mas pela vida deles.

Continuo jogando e pegando a moeda, a última lembrança da minha vida lá fora, a moeda que me trouxe até aqui. “Salve a vida do rei” Disse o contratante, e me senti honrada em servir a realeza, fui uma tola eu sei, por isso estou aqui. A única a estar aqui. Porque eu não estava sozinha, não, tinham mais 3 rapazes e uma mulher comigo, mas alguém tinha que ser presa para o resto do bando escapar.

Até pensei que eles teriam a dignidade de virem me resgatar, mas não, não veio ninguém. Não precisa me lembrar, eu fui uma imbecil, é claro que ninguém voltaria. Teria que cumprir meus sete anos de prisão, sairia daqui com 25 anos de idade. Respirei fundo, pois não tinha alternativa se não esperar os próximos 5 anos passarem.

***

“Sentia a barriga roncar pela milionésima vez. A fome já tinha ido e vindo várias vezes, tantas que nem sei contar. Quando se é uma adolescente raquítica, uma fugitiva do orfanato do reino, sem dinheiro, roupas decentes, comida ou alguém para lhe proteger e lhe dar o que comer, deve-se arranjar um jeito de sobreviver. Por isso eu estava escondida embaixo de uma carroça de feno, observando e estudando o movimento da rua.

Pessoas iam e vinham, sacolas de pães cheirosos passavam bem na frente do meu nariz e me lembravam que eu tinha um estômago para alimentar. Mas o meu alvo era a janela da padaria, eu sabia que a mulher idosa colocaria em breve uma cesta cheia pães e bolos, ela sempre fazia isso, era uma encomenda que todos os dias uma criada vinha buscar. Já observava há 3 dias, e todos esses dias no mesmo horário, ela colocava a cesta na janela e poucos minutos depois a criada aparecia para buscar. Eu teria que ser rápida.

O relógio da torre badalou, seis horas da manhã, anunciava para toda a aldeia que a jornada de trabalho começava. Me preparei, observando, atenta. A janela se abriu, senti até uma emoção, um frio na barriga, uma antecipação de que hoje não teria fome. A cesta foi colocada na janela, e como sempre, a idosa virou as costas. Na esquina a criada já se aproximava. Corri.

Saí debaixo da carroça e me lancei sobre a janela, agarrei a cesta como se fosse a minha vida, e de certa forma era, e corri como nunca imaginei que conseguiria, ainda mais tão faminta como estava.

— Ladra! Peguem a ladra!

Pessoas gritavam atrás de mim, mas eu já estava longe, fora do alcance de todos eles. Todos pesados demais para acompanhar uma menina franzina de onze anos. Me joguei sob as tábuas de uma antiga casa, em cima de mim as pessoas viviam alheias de que havia uma adolescente vivendo sob seus pés. Foi uma benção encontrar essa fenda entre o piso de madeira e o chão de terra. Aqui eu me escondia, ninguém me encontraria nesse buraco.

Olhei para a cesta repleta de pães e bolos, os cheirei antes de dar uma mordida e eu tive que me estender no chão, olhos fechados e braços abertos, saboreando essa delícia. Meu primeiro roubo!

A sacerdotisa do orfanato nos ensinava as ordens dos deuses:

1- Não matar

2- Não roubar

3- Não mentir

4- Rezar todas as manhãs ao nascer do sol

5- Amar todas as criaturas sob o manto sagrado celeste, o céu.

6- Alimentar os pobres

7- Obedecer os deuses

Engraçado como essas ordens não servem para todos. No orfanato era maltratada, ficava de castigo por qualquer motivo e o castigo era ficar sem jantar, que se unia a outro castigo que era ficar sem café da manhã e que às vezes se unia a mais um: ficar sem almoço. E ainda tinha que rezar e ajudar as sacerdotisas e sacerdotes do reino. Pra passar fome, prefiro passar fome na rua onde ninguém manda em mim. Por isso fugi. Agora só havia uma ordem que não descumpri: não matar. O resto, já descumpri todas.

Aos quinze anos descumpri a última ordem. Matei um homem, mas foi para me defender. Aprendi a me defender com os moleques de rua, eu não era muito diferente deles, a única diferença era o formato do meu corpo: feminino até demais, para meu azar.

Os seios grandes, quadril largo e cintura fina, fazia os homens me olharem de maneira estranha. Eu cresci na rua, por isso não era nenhuma idiota. Sabia muito bem o que uma mulher e um homem fazem, sei que alguns homens não se importam se elas querem ou não, se vão gostar ou gritar de pavor, na verdade alguns parecem gostar de causar sofrimento a algumas mulheres. Por isso, quando notei o tipo de horror que poderia passar, principalmente por viver nas ruas, tratei de aprender a me defender e foi assim que conheci Adam.

Ele também cresceu na rua, foi abandonado após um acidente onde seus pais morreram e nenhum familiar quis ficar com ele. O garoto tinha apenas oito anos de idade quando isto ocorreu.

Vi Adam bater em três garotos, todos maiores do que ele e eu me aproximei, quando terminou. Pedi que me ensinasse e ele disse que não tinha o que ensinar. Mas eu não desisti, fiquei atrás dele, roubei pão e lhe dei, me aproximei, insisti e por fim o garoto cedeu. Ficamos amigos, eu tinha doze anos nessa época e ele quatorze. Passamos a ser uma dupla, não estava mais sozinha na rua e nem ele.

Então, já tinha completado quinze anos, Adam desapareceu. Já estava escuro e ele não voltou para nosso esconderijo em baixo da casa, fui atrás dele. Antes que eu o encontrasse, um homem me encontrou. Seu bafo alcoolizado me dava nojo, o cheiro de seu corpo me deu vontade de vomitar e ele me lambeu... arg... que nojo!

Fui prensada na parede de uma casa abandonada, ele se esfregou em mim e eu comecei a gritar.

— Cala a boca, pirralha! – Ele tinha dito, mas não parei. Eu não facilitaria para ele. Esperneei, chutei, gritei, bati... até que ele me deu um soco, me deixando tonta, e apertou uma lâmina na minha garganta.

O covarde ria e se esfregava em mim. Mas ele estava tão focado em se esfregar que se descuidou com a lâmina, e Adam já tinha me ensinado algumas coisinhas com elas. Desarmei o homem e sem pensar duas vezes passei a faca em sua garganta. Ele nem conseguiu gritar, o sangue subiu por sua boca e ela se abriu em um “O”, os olhos ficaram arregalados, não acreditando que uma pirralha tinha lhe ferido de forma tão grave. Ele caiu a meus pés, e eu vi a grande merda que tinha feito e corri. Com todos esses anos vivendo na rua, eu conhecia todos os becos e saídas, então sumi da vista de qualquer um que pudesse ver o que eu havia feito. Eu matei um homem.”

Acordei suando, esses pensamentos e lembranças ocupam minha mente há anos, principalmente depois que vim parar nessa pocilga. As minhas primeiras vezes.

Mentir, não há como lembrar quando foi a primeira vez, pois tive que mentir desde muito pequena naquele orfanato. Mas o primeiro roubo, o primeiro assassinato, o primeiro amigo e primeiro amor... a primeira decepção.

Adam foi meu amigo desde quando nos tornamos uma dupla. Quando eu estava com dezessete anos e ele com dezenove, nossa amizade ganhou um novo significado. Não éramos mais uma dupla, mas sim um casal, e isso me lembra minha primeira vez. Não muito depois, surgiu o nosso primeiro trabalho: resgatar as joias de uma família rica, cuja guarda não havia sido capaz de recuperar. Éramos bons, trabalhávamos bem em dupla e conseguimos “resgatar” as joias, mas na verdade, nós a roubamos para eles. Pois é, eles mentiram para nós, mas nãos nos importamos com isso, gostamos de ganhar o dinheiro, era a primeira vez que ganhávamos dinheiro por qualquer coisa. Depois deste, vieram vários serviços. Nunca nos importamos com o tipo de trabalho, só queríamos o dinheiro. Nos tornamos mercenários.

Então tivemos nossa primeira casa. Uma casa de verdade, não um buraco pra se esconder do frio. Um ano depois, veio o trabalho que nos tiraria da miséria definitivamente, mas que me trouxe a ruína.

“— É muito dinheiro, Dy! – Disse Adam andando de um lado a outro.

— Mas sempre trabalhamos sozinhos. O contratante quer que trabalhemos em conjunto com outros três caras. – Eu estava sentada em uma poltrona aconchegante, os cabelos úmidos do banho recente.

— Dois caras e uma garota.

— Não faz diferença, Adam, são três estranhos.

— Mas é a vida do rei que está em jogo. Ele será morto durante a viagem, ninguém sabe quem são essas pessoas e quantos são. O contratante só quer garantir que o rei seja salvo, por isso contratou reforços.

— Trabalhar pra família real... – Divaguei. Ele se ajoelhou a minha frente, apoiando-se em meus joelhos.

— O dinheiro vai ser tão bom, que poderemos sair daqui. Nunca mais precisaremos roubar ou fazer serviços questionáveis pra ganhar a vida.

— Tudo bem. – Ele conseguiu me convencer.”

Mas quando tudo foi para o inferno, ele não veio me buscar. Não veio me resgatar. Então veio a minha primeira decepção, meu primeiro coração partido, a primeira desilusão. Quatro anos dentro dessa cela, e minha única companhia é a moeda que se tornou um lembrete de como tudo pode ruir, como todo sonho pode ter seu fim e de como não posso confiar em ninguém.

E ainda faltam três anos pra sair daqui.

Você pode gostar

Capa do romance A Luna Suprimida: O Despertar do Sangue Real
9.0
Durante três anos, ocultei minha linhagem real e usei supressores para ser a Luna submissa de Santino. Mas sua traição foi cruel: ele trouxe uma loba grávida e me humilhou, dando o colar da minha mãe à amante. Após ser agredida, meu sangue real despertou. Santino ignora que vive em terras que me pertencem, protegidas por minha magia. Agora, ordeno que minha Guarda Real destrua tudo. Ele queria guerra, mas enfrentará o meu apocalipse.
Capa do romance A Segunda Oportunidade de Vida de um Curador
7.9
Enganada por Caio, a curandeira mestre teve sua energia vital sugada para salvar Francesca, a amante dele. No altar do sacrifício final, ela descobriu a farsa da doença antes de queimar viva sob o olhar indiferente do marido. Contudo, o destino concede um recomeço: ela desperta no passado, no exato dia em que a traição começou. Agora, ciente da crueldade dele e da mentira de Francesca, ela lutará apenas por si mesma e por sua filha pequena.
Capa do romance Ascensão do herói no trono do dragão
8.0
Rocky Bai era um pesquisador genético brilhante que viu sua vida ser interrompida em um trágico acidente aéreo. Ao renascer no Sacro Império do Dragão, ele salva uma criatura lendária capaz de curar e ressuscitar os mortos. Deixando para trás sua antiga fraqueza, Rocky torna-se um mestre em artes marciais e um poderoso manipulador de espíritos. Agora, ele usa seus novos talentos e o poder do dragão para dominar este mundo de fantasia e aventura.
Capa do romance Kendra - O Destino da Fênix
9.2
Após a reconstrução de Rowena, o surgimento de figuras lendárias traz esperança e alertas sombrios que confirmam os temores da Rainha. Entre aventuras e traições, Aidan e Rowena vivem um jogo de provocações perigosas. Mesmo ferido por uma adaga lançada por ela, ele percebe que o sentimento entre ambos persiste. Em meio ao caos que ameaça o reino, será que o casal superará o orgulho? Descubra os segredos e o destino reservado a eles em Kendra - O Destino da Fênix.
Capa do romance O Arrependimento da Alfa: Assassinada Pelo Seu Companheiro
8.1
Zora, a companheira do Alfa Simon, é coagida a ceder sua Essência de Lobo para salvar a irmã, Laila. Mesmo envenenada e ciente de que o ato é fatal, ela cede sob ameaças. Após sua morte, a verdade emerge: Laila já havia roubado sua essência anos antes e a estava matando. Consumido pela culpa ao descobrir que sacrificou seu verdadeiro amor por uma farsa, Simon busca o perdão de Zora no além. Contudo, diante de seu fantasma, ela escolhe o desprezo eterno.
Capa do romance O outro mundo
9.6
Gabi é assombrada por sonhos com um estranho em um lugar misterioso, sem notar que uma entidade sombria prepara uma cilada. Enquanto tenta equilibrar estudos e trabalho, ela decide viajar com amigos em um feriado. O que seria um passeio relaxante torna-se um pesadelo quando o grupo é transportado para um reino místico. Em meio a perigos e monstros sanguinários, Gabi acaba caindo diretamente nas garras de seu predador implacável.