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Capa do romance A relíquia do Oceano

A relíquia do Oceano

Criada nas ruas e marcada por traições, Dianna sobreviveu ao caos. Quando um estranho a procura em busca da lendária Relíquia do Oceano, ela vê na fortuna prometida sua chance de liberdade. Porém, a jornada revela muito mais que ouro: sua verdadeira origem e uma missão sagrada vêm à tona. Entre novos amores e decepções, ela deve decidir entre o lucro e o destino. Estará Dianna pronta para a escolha que mudará o mundo e sua própria vida para sempre?
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Capítulo 2

(Diana)

Dois anos, ainda faltam dois anos para que eu seja livre novamente. Mas “livre” é uma palavra estranha para mim, pois não há liberdade quando você não possui determinadas coisas, e quando eu comecei a adquirir essas “coisas’ avida me deu uma rasteira, e me derrubou de cara com a lama.

Eu já tinha uma casa, que agora, há essa altura dos acontecimentos, já deve ter sido vendida por aquele idiota que um dia confiei a minha vida e felicidade. Sem dinheiro e lugar onde dormir, não há liberdade. Mas no momento, que queria estar longe daqui. Se um dia consegui viver sem nada nas ruas, quando ainda era uma pirralha, agora aos vinte e três anos de idade, não será difícil.

Um guarda se aproxima da minha cela, o que eu acho muito estranho, pois eles quase nunca vêm aqui.

— Visita pra você, Diana! – Ele anuncia com a voz sem emoção e sai, dando lugar a uma figura muito estranha.

Aproximei-me da das grades, segurei em duas delas de forma paralela e me encostei nelas, curiosa. Os olhos piscavam, era a primeira vez que via alguém além doa guardas em anos...

— Quem é você? – Questionei

O homem se aproximou mais. Decidi que era um homem pela altura e jeito de andar, era masculino, um andar masculino, postura masculina e...

— Tudo bem com você, Diana?

... a voz era masculina também, mas estava abafada com algo.

O homem vestia um capuz escuro de boa qualidade, o tecido era grosso e bem trançado. Dava para ver que não estava gasto, ele não era alguém pobre.

— Melhor agora em te ver... – Falei de modo debochado. – Por que não mostra esse lindo rosto?

— Não há um belo rosto a se mostrar. – Ele se aproximou mais, mas manteve uma postura ereta.

— Não me importo com essas coisas, mas me diz o que veio fazer aqui?

— Curiosa!

— Você não sabe o quanto! – Apoiei meu quadril na grade.

— Eu tenho uma proposta para fazer a você.

— Vai me mostrar seu belo rosto? – Insisti.

— Isso não será possível, querida. – Observei o estranha à minha frente.

— Então nada feito. Não caio nessa mais.

Afastei-me da grade de braços cruzados, e sentei na beira de meu catre com toda dignidade que me restava.

— Mas você ainda não ouviu minha oferta.

— Você pode me oferecer o que quiser, se no fim o que me restar for isto aqui... – Girei o dedo ao redor, mostrando o local onde eu havia vindo parar por conta de um acordo com estranhos. – De nada sua oferta valiosa me servirá.

Concluo convicta.

— Mas se você for recompensada antes de realizar o feito, não haverá esse tipo de problema. – A fala do estranho me deixa atordoada.

— Como poderei realizar qualquer feito ainda estando atrás destas grades? E se você não sabe, querido, ainda faltam dois anos para que eu saia daqui. E quando isso acontecer, não cairei em furada. – Digo convicta, me levantando de onde estava e andando em sua direção.

As roupas da prisão eram deploráveis, o cabelo mais sujo e seco que capim velho, mas ainda assim me colocava a altivez de uma rainha.

— Sei de tudo isso, querida. – Pela primeira vez ele apoiou-se na grade e eu achei que veria a cor de sua pele, mas ele usava uma luva. – E se como seu primeiro prêmio eu lhe tirasse daqui? Então você faria o serviço que tenho pra você e ainda receberá muito dinheiro... mais do que receberia pelo serviço que te colocou aqui. – Ele girou o dedo ao redor como eu havia feito antes.

— Você vai me tirar daqui? Como? Quando?

Ele riu e aquela risada me soou familiar, eu já havia ouvido, mas quem poderia ser?

— Calma, Diana. Preciso saber se aceita o serviço?

— Que serviço? – Por melhor que seja a oferta, aceitar sem saber o que devo fazer, é loucura.

Ele estalou a língua.

— Pra você é um serviço muito fácil: roubar uma joia.

— Roubar uma joia? – Fiquei intrigada. Girei a cabeça, pendendo-a de lado lentamente. – Vai me tirar daqui, me dar muito dinheiro, por uma joia?

— Exatamente. É o que ela é: uma joia.

Afastou-se novamente, cruzando os braços na frente do corpo. Não dava para ver nada: nenhum pedaço de pele nem de roupas, apenas a túnica com capuz.

— Muito obrigada, mas sem mais detalhes eu não aceito. – Disse olhando onde deveriam ser seus olhos.

— Não se precipite – Alertou, mas eu sei que ele precisa mais de mim que eu dele.

— Eu tenho todo o tempo do mundo, na verdade eu tenho dois anos pra esperar você me contar exatamente o que é essa joia. – Escorei-me despreocupadamente na grade, joguei os cabelos para um lado e os enrolei nos dedos. – Mas acredito que você não tenha todo esse tempo.

— Mas você pode sair daqui hoje mesmo.

— Já fiquei cinco anos, um dia... uma semana... uma mês... não fazem muita diferença para mim. – Ele suspirou pesadamente e eu só esperei.

— Esteja preparada pela manhã – Ele virou as costas para sair, mas antes de deixar a câmara virou-se para falar. – Você vai roubar para mim a relíquia do oceano.

(Arya)

A noite foi cansativa, foi noite de penitência e eu e as outras sacerdotisas precisamos passar horas clamando aos deuses por misericórdia por nós e pelo povo. Os deuses tem mandado sinais de que algo grande vai acontecer, mas ainda não sabemos o que é. O mundo está em desequilíbrio, uma das joias está mal guardada.

Aproximo-me mais da joia que é a minha responsabilidade: a Relíquia da Terra. O templo no qual ela está guardada pertence ao deus Arcos, o que controla o solo desde terremotos até a colheita. A relíquia possui o poder de controle de seu elemento, e ela deve ser protegida. Dentro do templo, cercada de guardas e com sua guardiã a todo momento a observando, ela está em segurança, mas nem todas estão.

Observo a pedra cercada por sua redoma, ela parece uma diamante bruto de cor âmbar. Ao receber luz do Sol, um brilho dourado é projetado e há quem diga que pode curar até a mais mortal das doenças e das feridas, desde que ainda haja um fôlego de vida. Com sua aparência rústica, ela possui sua beleza. A toco, pois gosto da sua sensação em meus dedos.

Afasto-me deixando a câmara na qual ela está guardada. Subo o capuz do meu manto, cobrindo meus cabelos loiros. O manto sem adornos de cor creme com uma faixa marrom na cintura é tudo o que uso desde que tinha 12 anos de idade. Eu era a escolhida, todos sabiam desde o meu nascimento e com orgulho meus pais me traziam ao templo para ser ensinada. Quando atingi a idade exigida, fui entregue ao templo para substituir a antiga guardiã da relíquia, mas é claro que antes que ela deixasse a responsabilidade para mim, fui treinada por três anos e os ensinamentos tornaram mais intensos, aos quinze anos assumi definitivamente a responsabilidade pela joia.

Exausta pela noite sem dormir, mas com a obrigação de ir em busca de materiais para o ritual da lua cheia que aconteceria em dois dias, eu deixo as muralhas do templo.

Depois de andar por algumas horas sob o Sol quente e ainda mais cansada do que estava quando saí do templo, retorno com os itens de que precisava, mas antes de atingir as muralhas do templo sou surpreendida por um sujeito.

— Posso falar com você?

Observei o indivíduo de alto a baixo. Ele era moreno, olhos castanhos dourados, cabelos castanhos bagunçados. Magro, parecia alguém que não como nem toma um banho há dias.

— Quer comida? – Questiono. – Há um alojamento onde poderá tomar um banho, comer e descansar antes de tomar seu caminho novamente.

Ele parece surpreso, seus olhos arregalados estavam fixos aos meus.

— Não era o que ia pedir, mas eu aceito. – Sua voz é cautelosa, agora é ele que me observa.

— O que iria pedir?

Seu sorriso é tímido e ele passa a mão nos cabelos alisando-os.

— Para te conhecer, você é muito bonita.

Fiquei sem saber o que responder, nunca um homem demonstrou interesse por mim, até porque nossas trajes escondem muito.

— Enquanto estiver na posição de guardiã, este é meu principal dever. – Respondi simplesmente. – Vou pedir que um guarda o guie até o alojamento dos homens.

Tratei de acelerar o passo e não ouvi mais o que o rapaz falava.

Fui até o guarda, indiquei o rapaz a espera e pedi que lhe desse um lugar para descansar, que desse a ele comida e lhe indicasse o local dos banhos. Sem olhar para trás subi as escadas, adentrando o templo e segui para minhas obrigações. Mas aquele rosto, olhar e sorriso ficaram em minha mente.

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