Capa do romance Entre dois mundos

Entre dois mundos

7.9 / 10.0
Uma jovem de 17 anos, que se sente isolada mesmo morando com a família, sonha em escapar de sua realidade solitária. Inesperadamente, ela descobre um universo repleto de magia e maravilhas. Ao explorar esse novo reino, a garota percebe que possui uma conexão profunda e misteriosa com o lugar. Agora, mergulhada em uma aventura extraordinária, ela busca entender seu papel nesse mundo fantástico que parece ser o seu verdadeiro lar.

Entre dois mundos Capítulo 1

Se eu eu pudesse viver em outra realidade eu não pensaria duas vezes. Sou uma garota de 17 anos e vivo com a minha família, na verdade vivo sozinha porque não passo muito tempo com eles, minha vida é resumida igual aqueles filmes onde a garota sofre bullying pela garota mais papular da escola. Tenho uma pequena queda pelo Tomás o namorado da Erika a garota má.

Chegou um ponto da minha vida que eu não sabia o que era certo e errado, eu me via presa dentro de mim mesma...eu estudava e era um pouco excluída de todos, sempre vivia sozinha, eu praticamente não fazia falta para ninguém, a minha rotina era a mesma todos os dias, voltava para casa depois da escola e ia diretamente para o meu quarto.

Meus pais brigavam direto todos as noites eram praticamente iguais para mim, eu particularmente já estava cansada de tudo isso eu não me sentia bem, sempre estava cansada e não tinha disposição para nada.

Nesse ritmo eu não via nenhuma luz no fim do túnel.

Mais um dia começa, o celular toca e me arrumo para ir à escola.

Sempre de manhã nunca tinha ninguém em casa, minha mãe trabalhava muito, meu era gerente de uma empresa. Mas não posso reclamar que estar sozinha é a melhor opção para mim, eu me sinto bem em um mundo só meu, onde eu posso colocar as minhas regras e ninguém discordar de mim, onde ninguém me critica por não estar dentro dos padrões da beleza da sociedade.

Todos os dias escrevo uma palavra para me sentir bem, é como se eu mesma falasse algo que poderia acontecer no meu dia, então eu ficava pensando até acontecer.

Nos últimos meses venho fazendo isso, e posso dizer que está funcionando.

Pego um post it e escrevo uma palavra diferente.

Coloco pendurado no meu espelho, pego a minha mochila e vou para escola.

No caminho vou olhando e prestando atenção em cada detalhe, os pássaros, as folhas e as pessoas felizes.

Me sinto uma estranha neste lugar, uma desconhecida, cada dia que passa minha vontade de ir embora só aumenta.

Me sento no ponto de ônibus e fico esperando o meu chegar, respiro fundo e troco a música do meu celular, uns minutos se passam e eu entro no ônibus, eu costumo sentar nos lugares aonde só tem um assento, assim ninguém senta do meu lado e eu posso ficar mais à vontade.

Dou pequenos suspiros ao avistar a escola, eu chamo de prisão, desço do ônibus e um garoto esbarra em mim.

***- Me desculpa.

O mesmo vai embora, alguém falou comigo e eu não posso dizer que ele é qualquer pessoa, já que ele é o garoto mais lindo do colégio inteiro. Mas ele namora a garota mais linda, sempre ganha elogios por onde passa, Erika era o tipo de garota má, para se popular ela pisa nos outros inclusive em mim, mas eu nunca fui capaz de fazer nada, lembrando que não é medo, porém para mim não faz mais diferença.

A aula começa e eu me sento bem na frente o professor explica a matéria.

Horas depois a aula termina e ela vem para o meu lado.

Erika- Ei, fez as anotações?

Micaela- Você não tem mãos? você poderia ter anotado

Mesmo não fazendo diferença para mim, eu respondi do jeito que ela merece.

Erika saca um sorriso irônico e olha para mim segurando sua bebida.

Erika- O que houve com você para falar assim comigo ? Acho que você precisa adoçar um pouco a sua vida.

Ela levanta sua mão e joga sua bebida sobre mim, suas amigas começam a dar risada, eu sou uma comédia para elas, eu engulo seco e mordo os meus lábios.

Erika- Talvez assim você fique melhor.

Elas se retiram da sala, pego as minhas coisas e saio da sala o mais rápido possível...volto para casa a pé, minhas lágrimas descem pelo rosto.

Me aproximo da minha casa, vou até a porta e seguro na maçaneta, e mais uma vez mais pais estavam brigando.

Mãe- Você só sabe reclamar das coisas!

Pai- E tem como viver nesta casa sem reclamar!? viver é um saco... me arrependo de ter conhecido alguém como você...

Uma coisa que minha mãe não sabia era que meu pai estava tendo umas conversas com a secretária da empresa aonde ele trabalhava, eu fui a primeira a descobrir isso, eu ia contar para minha mas eu percebi que as brigas poderiam ser só um motivo para ele fugir para ficar com ela...por esse motivo permaneci com a minha boca fechada.

Afasto minha mão da maçaneta e me sento na calçada.

Micaela- Será que faço alguma diferença estar aqui ou não ?

Me levanto e caminho de cabeça baixa olho os meus passos, a única hora que me sinto bem é quando eu coloco os meus fones e ouço as minhas músicas, sem perceber estou bem longe de casa, estou perto da ponte, olho para baixo e vejo um rio.

Hoje a palavra que eu escrevi não deu certo, era para acontecer alguma coisa de diferente a não ser o Tomás ter esbarrado em mim, me viro para ir embora escuto um barulho de bolhas, dou uma pequena olhada pros lados e não vejo nada, o barulho vai aumentando cada vez mais olho para trás e olho para baixo...a água estava soltando bolhas, foi a primeira vez que algo chamou a minha atenção, subo um pouco mais para poder olhar melhor tento me segurar para não escorregar.

As bolhas vão mudando de cor rapidamente, por um momento as bolhas somem, tudo fica silencioso, tento me abaixar um pouco mais para observar, minha mão escorrega e eu caio na água.

Tento subir para respirar, porém sinto algo me puxando para o fundo cada vez mais, olho para baixo e vejo um buraco, começo a me debater.

Já estou ficando sem ar, olho para cima e estou longe de subir, fecho os meus olhos.

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